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Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 22/07/2010 00:00:00

Agora eu vou para o Ministério Público

Guilherme Barcellos ? Membro da ONG Afrobúzios, professor e Colunista do PH

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Parece que esta frase se tornou moda aqui em Búzios. Se você quer calar a mídia por ela não ter te agradado; se a sua opinião é vencida nos conselhos municipais; quando o cidadão desconhece que gestos também são uma forma de linguagem e que podem ser interpretados e que esta interpretação pode não agradar; quando o indivíduo alcança algum mandato político e se acha intocável e alguém tenta de alguma maneira mostrar a ele que não é e não pode sair por ai dando ‘carteirada’; quando  o indivíduo se acha o ‘todo’ poderoso e é questionado... ele se ofende e adivinha? Vai para o Ministério Público.
É desta maneira que a ‘modinha MP’ está se tornando o grande ‘boom’ da nossa Cidade. Parece que conheceram esta instituição ontem e é chique usar este organismo sério para ameaçar o outro, como se fosse o ‘boteco’ ou ‘mercadinho’ da esquina, onde você ‘abusa’ do dono do estabelecimento, descarregando suas mágoas.
Falar a verdade, interpretar gestos (a leitura labial das partidas de futebol, então), reproduzir noticias, olhar ‘de lado’, não dar bom dia ao desconhecido involuntariamente, discordar da beleza alheia, analisar conjuntura política que desagrade um determinado grupo parece que se tornaram motivos para incomodar o MP.
O povo que não recebe políticas públicas adequadas, alguns locais sem o mínimo de infraestrutura, e que, atônitos, vêm alguns legisladores em ‘verdadeiras cenas teatrais’ quando aquela casa de leis está lotada, principalmente com entidades de classes, que está sem saber o que fazer amanhã, sem trabalho, sem perspectiva e crença nos políticos, mas que nem por isso se tornou apolítico, recorre a quem?
Esses, sim, deveriam saber por meio de ações e informações públicas a quem reclamar quando não chegam os seus lares condições humanas para se viver, e tem somente na mídia a sua esperança de ver chegar a setores ‘competentes’ sua manifestação. Algumas pessoas deveriam, sim, se preocupar com esta situação e procurar uma forma de contribuir com a sociedade buscando caminhos que possam diminuir as desigualdades, por exemplo.
A mídia é e será sempre a reprodutora dos anseios populares. Nenhum processo contra qualquer tipo de intolerância, em beneficio do povo, reivindicações de classes, contra as discriminações, contra atitudes ditatoriais e afins se realizara sem a contribuição da mídia, por mais que tentem nos calar, o Ministério Público, com sua seriedade, saberá julgar a procedência dando seguimento, ou não, mas jamais influenciado – creio - por pessoas que deveriam ocupar seu tempo de outra maneira.
O MP jamais perderá sua essência que é, além de guardião da lei, a guarda e a promoção da democracia, da cidadania, da Justiça e da moralidade, além de cuidar dos interesses da sociedade,  principalmente nos setores mais vulneráveis e mais necessitadas de amparo, como as etnias oprimidas, o meio ambiente, o patrimônio público e os direitos humanos.
Parafraseando o cantor e compositor Bezerra da Silva, que deve estar ‘lá em cima’ pagodeando,  ‘tudo que se faz na terra se coloca o MP no meio. O MP já deve estar de s... cheio!
É possível fazer acontecer!
 

Colaborador: Guilherme Barcellos

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