Atualizado em 15/07/2010 23:21:52
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Somos orgulhosos das maravilhosas praias que encantam a nossa península, de areia branca e água límpida. Será triste, será uma tragédia se por causa de um vazamento de um poço de petróleo essa areia branca se transforme numa lama nojenta de óleo, que os pássaros cobertos de óleo não consigam voar, que a flora marina desapareça. Que as praias deixem de ser praias. Isso, simplesmente, está acontecendo lá nos Estados Unidos, no Golfo do México. O poço submarino da British Petroleum estourou e já vai mais de um mês que milhões de barris de óleo saem do fundo para se misturarem com a água do mar, matando a flora, matando pássaros, destruindo tudo pela frente para chegar às praias e ao continente. As ações da companhia britânica despencaram, antes gozavam de excelente posição e era a fonte de renda de milhares de aposentados ingleses. A Rainha inglesa é forte acionista da empresa. A maior tragédia ambiental até hoje conhecida. E que medidas foram tomadas? Nada ou pouca coisa. A companhia inglesa se mostra incompetente para parar o vazamento, alega que já gastou mais de dois bilhões de dólares. O problema ocorre em águas territoriais americanas, o governo americano nada faz, poderia ter agido? Está na espera. Gasta bilhões em guerras no Iraque e no Afeganistão, por que não agir no Golfo do México? O vazamento com o tempo afetará todos os oceanos, o planeta inteiro. E o que fazem as ONGs ‘ambientalistas’ internacionais como o Greenpeace e a WWF (Fundo Mundial para a Natureza)? Nada, mas protestam sobre desmatamento de florestas brasileiras, construção de represas na Amazônia, direito dos índios e tudo mais. A hipocrisia é evidente, as grandes companhias visam os minerais não explorados em terras do Pindorama. O economista Adriano Benayon escreve: ‘Uma das principais finalidades dessas ONGs é tirar a atenção do público dos verdadeiros destruidores do meio ambiente, e os maiores desses destruidores são as companhias de petróleo, notadamente as mega-transnacionais angloestadunidenses, a saber Exxon-Mobil e Chevron-Texaco (EUA); Bristish Petrol (BP) e Shell (britânicas).’ Temos de ficar atentos e exigir também da Petrobrás a maior eficiência na perfuração de poços submarinos. O Pré-sal vem aí. Seja bem vindo, mas sem vazamentos. Não podemos esquecer que há dez anos ocorreu um grave acidente com o oleoduto submarino na Baía da Guanabara e 1,3 milhões de litros de óleo vazaram. Os pescadores até hoje reclamam do desaparecimento do pescado e pelos manguezais destruídos. A Petrobrás alega que dá assistência aos pescadores. Destruir é fácil, recuperar, nem sempre possível. Monteiro Lobato quando, em 1937, escreveu ‘O Poço do Visconde’ (aquele Visconde de Sabugosa, espiga de milho, do Sítio do Pica-Pau Amarelo) nunca poderia imaginar que anos mais tarde o petróleo fosse retirado das profundezas do mar, mas também viesse a ser o ocasionador de catástrofes ambientais, da destruição da flora marina, da vida aquática, da mortandade de pássaros, da sujeira das praias, castigando bilhões de seres vivos.
Colaborador: Alfredo Rainho
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