Atualizado em 19/05/2012 00:00:01
Amanda Jansen
O presidente do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense, Conleste, e prefeito de Tanguá, Carlos Pereira, realizou uma reunião entre a Petrobrás e a Fundação Getúlio Vargas, além de representantes de outros municípios participantes do consórcio, a fim de prestar contas sobre os projetos realizados pelo Conleste nas cidades em torno do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O encontro, que durou o dia todo, aconteceu no Museu de Artes Contemporâneas, em Niterói, na sexta-feira. De acordo com Carlos Pereira, a FGV tem ajudado viabilizar as ações idealizadas.
“O que a Fundação Getúlio Vargas tem feito é analisar e nos ajudar a pôr em prática os nossos objetivos para a população. Estamos correndo atrás de melhorias para essas pessoas que foram afetadas pelo Comperj. É importante lembrar que conseguimos trazer UPAs, Centros de Imagens, cursos de capacitação e muitos outros projetos”
De acordo com o presidente do Comperj, Nilo Carvalho, o seminário, além de mostrar à população que está sendo afetada pelo projeto o que está sendo feito na região, pretende levar melhoria a esses moradores.
A reunião contou com a presença de autoridades como o prefeito de Marica, Washington Quáquá, o representante geral do Ministério da Cultura, Marcelo Veloso, a chefe da Área de Estudos Federativos da Secretaria de Assuntos da Presidência da República, Paula Ravanelle, a subsecretária de Ciência e Tecnologia de Niterói, Nelma Tavares Pereira, representante do prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira, entre outros.
Na quinta-feira da semana passada (19), a Associação de Preservação das Lagunas de Maricá (Apalma) protocolou uma representação no Ministério Público Estadual (MPE), solicitando abertura de inquérito civil público para apurar denúncias de falhas e irregularidades no projeto e no licenciamento do Emissário Terrestre Submarino que irá despejar no mar de Itaipuaçu, em Maricá, todos os efluentes do Complexo Petroquímico do Estado do Rio (Comperj), previsto para 2015, em Itaboraí.
A representação, entregue na Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural de Niterói, foi elaborada pelo Grupo de Trabalho ‘Fora Duto’, que compõe o Conselho Consultivo do Parque Estadual da Serra da Tiririca, e também são signatárias da denúncia entidades como o Conselho Comunitário da Orla da Baía, Ecoando - Ecologia e Caminhadas, Associação dos Sitiantes da Serra da Tiririca, dentre outras.
- Estas são as primeiras etapas para a
abertura de uma eventual ação civil pública, que, uma vez instaurada, poderá obrigar a Petrobras a readequar ou mesmo refazer o projeto, além de cobrar das autoridades a lisura, a ética e o respeito às leis exigido num processo de licenciamento - disse o coordenador do GT Fora Duto, Cássio Garcez, do Ecoando.
As ferramentas sociais virtuais também estão sendo usadas na briga contra o emissário. Por exemplo, um abaixo assinado está sendo recolhido pelo site Preserve Assim (www.preserveassim.org), com a campanha ‘União, ação e preservação: Nosso mar não é lixão!’. O endereço eletrônico tem servido para a mobilização, sobretudo das comunidades de Maricá e Niterói, município que não recebeu nenhuma audiência pública para tratar do assunto, apesar de ter as praias de Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas e Piratininga ameaçadas pelo projeto. Há duas semanas, ONG’s e moradores de Niterói organizaram um abraço simbólico na Praia de Itacoatiara.
Enquanto as manifestações públicas acontecem, há cerca de dois meses técnicos e operários da empresa Intech, contratada da Petrobras, estão instalados numa casa na quadra 291 do Loteamento Jardim Atlântico, na Praia de Itaipuaçu, sob o pretexto de dar continuidade aos testes de Sondagem Investigativa para Levantamento de Solo, iniciados no ano passado (com a utilização de uma plataforma instalada naquele mar, na altura da Rua 60 do mesmo loteamento).
Trata-se agora de obter informações para detalhamento do Projeto do Furo Direcional, consistindo na abertura de um canal subterrâneo com o auxílio de uma sonda que seguirá em direção ao mar por 700 metros, sem entrar em contato com a água. A trajetória do furo será sinalizada pelo mar, indicando a localização do cabo de referência, e a faixa de areia não será interditada.
Esta ação não marca o início das obras do emissário, pois o projeto ainda encontra-se em fase de licenciamento no Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca). Se bem que, os mais atentos apostam que a Petrobras já tem conhecimento do resultado das análises técnicas supostamente favoráveis a ela, caso contrário não estaria investindo tanto em sondagem, em pessoal e logística.
Antes de se fixarem em Itaipuaçu, estatal e contratada prometeram estar em campo conversando com moradores, líderes comunitários e representantes de associações locais para informar e esclarecer dúvidas sobre os estudos e também sobre o projeto do emissário, mas isso até agora não está sendo feito.
Uma reportagem do Itaipuaçu Site revela que, já neste início de operações, a empresa que explora o local tem causado vários transtornos à população. Moradores e comerciantes da orla, principalmente os da Ponta do Francês, têm sido os mais prejudicados devido a interdição de uma ponte na Rua 83, construída com recursos próprios da comunidade. A ponte encontra-se semidestruída, por causa de um caminhão a serviço da Petrobras, que tentou atravessá-la carregando mais de uma tonelada de material.
Além disso, o tráfego de caminhões tem danificado o piso de saibro da Estrada Beira Mar, fazendo com que veículos de passeio fiquem atolados, expondo os motoristas aos perigos de assaltos, que já começam a se tornar frequentes. O comércio local reclama de perda de faturamento de mais de 70%, e não vê expectativas de melhora a curto prazo.
A reportagem acusa um segurança da empresa de tentar impedir o registro de imagens da fachada do prédio, intimidar a equipe e monitorá-la com um binóculo. No domingo de páscoa os jornalistas voltaram ao local e desta vez não haviam seguranças nem na casa e nem no terreno onde estão sendo feitas as perfurações, e assim puderam completar a matéria, com fotos inéditas.
Dois mil metros de emissário no leito do mar
De acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da Petrobras, o emissário será construído em duas partes: 40 quilômetros em ambiente terrestre ligando Itaboraí até Maricá, e mais dois quilômetros em ambiente marinho.
Pode-se ver na internet, através do programa Google Earth, que a tubulação rasgará zonas de Preservação da Vida Silvestre (ZPVS), de Conservação da Vida Silvestre (ZCVS), de Uso Agropecuário (ZUAP), Residencial 1 Unifamiliar (ZR1U), Residencial 2 Unifamiliar (ZR2U), Residencial 3 Unifamiliar (ZR3U), Residencial 2 Multifamiliar (ZR2M), Comercial 2 (ZC2), de Proteção da Orla Marítima, e Faixa Marginal de Proteção (FMP). O emissário também fará interseções com oito corpos hídricos, na seguinte ordem, no sentido da Serra de Cassorotiba para o Oceano Atlântico: os rios do Vigário (várias interseções), da Flora (várias interseções), Bosque Fundo (segue paralelo e faz algumas interseções), Taquaral (segue paralelo e faz algumas interseções), da Preguiça (uma interseção), Bambú (uma interseção), o córrego da Pedra (uma interseção), e o Canal da Costa (uma interseção).
A principal preocupação de especialistas quanto ao assunto, é o estrago que o lixo químico fará no mar. Segundo eles, um duto de dois quilômetros é pouco para evitar a poluição da praia, frequentada por turistas e principalmente por pescadores que tiram dali o sustento para suas famílias. Somente no trecho onde o emissário será instalado, entre o Recanto e a Rua 70, existem cerca de 90 pescadores.
Esperando as licenças ambientais
Através de sua assessoria de imprensa, a Petrobras informou que o emissário está em fase de licenciamento ambiental e a sua construção somente poderá ser iniciada após a emissão das licenças ambientais. Ainda segundo a assessoria, o Estudo do Impacto Ambiental (EIA) do emissário, atualmente em análise pelo Inea, foi elaborado por profissionais de diversas áreas, respeitando todas as normas e diretrizes estabelecidas pelo órgão ambiental, sendo que os estudos realizados incluíram tanto os impactos na fase de construção, como os da fase de operação, necessários à fase atual do licenciamento. Mas isso não foi suficiente para evitar as censuras de especialistas, como por exemplo, a do secretário geral da Federação das Associações de Pescadores Artesanais do Estado do Rio de Janeiro (Fapesca), Roberto Ferraz:
- Nas duas audiências públicas realizadas em Itaboraí e Maricá debatemos muito sobre os equívocos do EIA e do Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima). Pedimos que esses dois documentos fossem refeitos, pois os técnicos responsáveis têm que conhecer o local e não podem ficar somente pesquisando em livros e na internet. O duto tem que ter cerca de oito quilômetros para que a água seja despejada depois da Ilha Maricás, sem afetar a vida marinha - disse Ferraz, morador de Maricá há quase 20 anos.
A mesma opinião foi compartilhada pelo coordenador da Agenda 21 de Maricá, Izidro Paes Leme Arthou:
- Há muitos equívocos nesses documentos. Não procuraram saber os detalhes daquela área, como, por exemplo, a quantidade de espécies de peixes que existem e o que pode acontecer com elas se esse material afetar a vida marinha - expõe o coordenador.
O assessor de Meio Ambiente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Adacto Otoni, também se manifesta:
- A página 54 do Rima, revela que a qualidade dos efluentes químicos que serão despejados, mesmo que tratados, não é segura. Ora, se iria impactar a Baía de Guanabara, que já é poluída, imagina o mar de Maricá e toda a biodiversidade presente. Alertamos ao Inea que seja reavaliado o tipo de tratamento que será dado aos efluentes químicos e que invistam em tecnologias mais rigorosas para gerar menos riscos.
Outro que faz duras críticas ao emissário é o professor do Departamento de Geoquímica da Universidade Federal Fluminense e coordenador da Rede UFF de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Júlio César de Faria Alvim Vasserman:
- Confesso que ainda não entendi porque a Petrobras está colocando a saída do emissário a apenas dois quilômetros da costa. Através de um grupo da UFF que participou de algumas reuniões, eu já sugeri que a Petrobras estendesse o emissário para oito quilômetros da costa. Evidentemente seria necessária a montagem de um modelo hidrodinâmico, mas a esta distância estaríamos muito mais tranquilos. Se foram colocados 40 km de dutos, vamos ampliar em mais 6 km de forma a evitar o impacto ambiental. Evidentemente, o efluente a ser lançado no mar sofrerá tratamento, principalmente para eliminação de traços de óleo e o efluente será térmico (temperatura superior à do ambiente). Ao ser lançado na distância de 8 km certamente não provocaria impactos - disse ele.
Aliás, a audiência pública que ocorreu em Maricá em 24 de janeiro deste ano, a princípio não queria seguir a norma de procedimentos imposta para a mesma. O presidente do Ceca fez questão de deixar claro que “uma audiência pública não cancela o licenciamento, mas agrega recomendações ao processo”, destacando que seriam aceitas perguntas somente por escrito e que o uso da palavra estaria garantido somente aos participantes que se inscreveram via internet, de acordo com normas do Conema (Conselho Estadual do Meio Ambiente). Mas a mesa teve que ceder, pois os presentes reivindicaram o ítem quatro das Normas de Procedimentos para Audiência Pública – assinado pelo Inea e distribuído na pasta da Petrobras, onde se lê: “o Presidente declarará aberta a primeira fase da Audiência Pública, assim como aberto o prazo para a apresentação de perguntas escritas e inscrições para o uso da palavra durante os debates”. E a partir daí, lúcidos argumentos técnico-científicos, bem embasados em estudos do meio acadêmico, contrários ao emissário, foram ouvidos. Dentre os muitos aspectos negativos do EIA, foi dado ênfase ao flagrante desrespeito à APA de Maricá e ao Parque Estadual da Serra da Tiririca – Peset. Esta Unidade de Conservação administrada pelo próprio órgão licenciador, o Inea, tem sua área marinha demarcada entre a Pedra do Elefante e o Costão de Itacoatiara (na enseada do bananal e entorno, onde há ocorrência de vórtices), e será alvo direto da pluma dos efluentes. Por entender que esse projeto, que vem sendo apresentado como uma solução tecnológica e moderna, é na verdade o começo do fim da biodiversidade marinha e da pesca artesanal daquela região; e pela questão da compensação (se é que ela existe) nem sequer ter sido discutida, é que o dia 24 de janeiro de 2012 foi marcado como ‘O dia em que Maricá disse não ao emissário’.
De Brasília para o PH - Em audiência pública, na manhã de quinta-feira (26), na Comissão de Minas e Energia, a presidenta da Petrobras, Maria das Graças S. Foster, anunciou os principais investimentos da empresa para os próximos anos. Durante uma apresentação de pouco mais de meia hora, deputados e convidados puderam conhecer os grandiosos números que vão definir não só o aumento da produção de petróleo no Brasil, mas também que irão ditar o crescimento do país. O deputado Dr. Aluízio (PV-RJ) aproveitou o evento para questionar as ações para a área de segurança do trabalhador off shore.
Considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo, pela Revista americana Time, e a primeira mulher a presidir a Petrobras, a engenheira química, Graça Foster, foi recebida na CME, para falar dos planos de investimentos e desenvolvimento da Petrobras. “Energia é soberania”, defendeu, na abertura da sua apresentação.
A presidenta da Petrobras começou mostrando os indicadores dos últimos dez anos de exercício da empresa e os principais projetos para o futuro. A surpresa ficou por conta da revelação de que a Petrobras irá investir na produção de fertilizantes para o crescente mercado agrícola do Brasil e do mundo.
Demanda por derivado de petróleo, no Brasil, cresceu 32% enquanto que no resto do mundo aumentou em 15%
A presidenta da Petrobras revelou que o país irá produzir fertilizantes, não só para a demanda interna, mas também para exportação. De acordo com Graça Foster, o crescimento da demanda por derivados de petróleo no Brasil e principalmente nos países como Rússia, Índia e China, fez com que a empresa brasileira abrisse investimentos como o de Mato Grosso do Sul, onde entrará em operação, em dezembro de 2014, uma fábrica que produzirá 1,22 milhões de toneladas de uréia e 70 mil toneladas de amônia. Os dois componentes são amplamente utilizados na produção de fertilizantes agrícolas.
Em Uberaba, Minas Gerais, já está em fase de terraplanagem, uma área para produção de 519 mil toneladas/ano de amônia, dentro do triângulo mineiro, o maior mercado consumidor de fertilizantes. Outros estados que receberão investimentos são Sergipe, que abrigará uma fábrica de sulfato de amônia e Espírito Santo, com o Complexo Gás-Químico.
Para o deputado federal, Dr. Aluízio (PV–RJ), os anúncios feitos por Graças Foster comprovam a visão da importância da soberania energética para a nova presidenta da Petrobras. Com o aumento do consumo de alimentos no Brasil, a demanda interna por amônia cresceu 32% em dez anos. No resto do mundo o aumento foi de 26%. Nos próximos cinco anos a Petrobras investirá cerca de 8 bilhões dólares em plantas(áreas de produção) de fertilizantes. Mesmo com essa produção, em 2020, o Brasil ainda estará importando 14% da amônia que consome.
Crescimento gigantesco
Ainda de acordo com Graça Foster, nos últimos dez anos
houve um crescimento de 293% no número de blocos de exploração de petróleo no Brasil. “Tivemos um crescimento de nossas reservas de 73%. Saímos de 9.9 bilhões para 17 bilhões de barris, enquanto que o mundo crescimento de 33%. Esse crescimento não inclui as reservas do pré sal que se estivesse incluído já somaríamos 32 bilhões de barris de petróleo em reservas.
A produção diária de petróleo no Brasil, de 1991 a 2011, cresceu 213%, de 650 mil para 2 milhões e 23 mil barris/dia. ‘Nós prosperamos muitíssimo nesses últimos dez anos, afirmou Graça Foster’. Em dez anos a produção do Brasil cresceu 73%, a do mundo 12%. ‘É o que chamamos de uma grande caderneta de poupança no nosso país’, avaliou.
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