Região dos Lagos e Norte Fluminense

Quarta-feira , 08 de Sep 2010

Atualizado em 04/09/2010 00:00:00

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Vanessa e Joice ? elas fizeram tudo direitinho!

Vanessa bem que procurou. Perguntou aqui e ali quem poderia ser o dono da bela cachorra preta, de porte grande, mas mansa, que vagava pelas ruas em José Gonçalves. Não encontrando nenhum responsável, resolveu ela mesma alimentar a cadela.
E assim o fez por alguns dias até notar que a barriga da cachorra estava crescendo. ‘Será que ela está grávida? Ai, meu Deus, só me faltava essa...’ Mas neste caso, só lhe restava esperar.
Até que então chegou o dia do parto. Vanessa, que trabalha em uma papelaria no bairro, percebeu que ela se embrenhara no mato para parir, e aí pensou: ‘como vai ser se ela parir no mato?’
Por isso, resolveu procurar ajuda.
‘Doutora Lúcia, será que tem como a senhora socorrer uma cadela que está parindo no mato? O que eu faço?’
‘Você quer mesmo ajudar a cadela? Então, faça o seguinte: se houver algum problema em relação ao parto, me avise. Mas caso ela esteja parindo normalmente, espere que termine e arrume um lugar abrigado para que ela permaneça com os filhos. Alimente-a e qualquer problema que houver com ela ou os bebês eu resolvo. Vamos cuidar dos filhos, arrumar-lhes um novo lar, e castrar a mãe.’
Vanessa se prontificou e juntando-se com sua amiga Joice, fez tudo como lhe foi orientado.
Com uma semana de nascidos, os bebês foram levados na clínica para avaliação, e dois deles tiveram que receber antibióticos, o que foi feito de forma exemplar. Foram também vermifugados na hora certa, e rapidamente estão sendo adotados. A mãe, que agora atende por ‘Luana’, já será castrada e assim todos viverão felizes para sempre!
Viram só como foi fácil? Ninguém precisou abandonar os filhotes em uma caixa de papelão na porta dos outros, nem tampouco no mato ou no meio da rua. Ninguém precisou virar-se para o outro lado para não socorrer o animal que precisa, com medo de assumir uma responsabilidade. Bastou um pouco de boa vontade e cooperação de todos para que houvesse menos sete animais sofrendo na rua. Essas meninas realmente ajudaram e fizeram a parte delas. Bem diferente de quem ‘empurra’ o problema para outro e ainda ‘enche a boca’ para dizer ‘eu fiz a minha parte’.
Vanessa e Joice estão realmente ajudando a construir um mundo melhor. E você, o que tem feito? Até breve.
 

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Traqueobronquite infecciosa

Nesta época do ano, fria e com muitos ventos, de uns tempos para cá, tornou-se rotina na vida dos veterinários receber chamados urgentes de seus clientes, pois seus cães parecem engasgados com alguma ‘coisa’. E quase sempre, por alguma coincidência, o jantar da véspera conteve peixe ou frango. ‘Doutora, acho que o Bob está entalado!’ Pode até ser que sim, mas também pode ser que ele tenha sido contaminado pela Bordetella pertusis, bactéria parente daquela que causa a nossa coqueluche, que afeta os cães. Esta bactéria provoca uma inflamação da traquéia e brônquios do cão, que se manifesta por episódios de tosse, que podem ser intensos ao ponto de causarem até vômito.

Esses episódios agravam-se bastante à noite e durante esforços físicos. O animal se contamina através da inalação do ar contaminado, por isso a doença vem em surtos esporádicos, atingindo vários animais de determinada área.
Antigamente, digo até uns 5 anos atrás, esta doença era conhecida como ‘tosse dos canis’, pois limitava-se a contaminar animais confinados, que transmitiam-se uns aos outros através dos aerossóis da tosse e espirros. Hoje, deveria se chamar ‘tosse dos bairros’, pois sua abrangência tornou-se bem maior. Por exemplo, no momento temos um foco no Centro e outro em Manguinhos, bairros de Armação dos Búzios. Porém, por existirem casos isolados, sabe-se que a transmissão não é obrigatória, e muitas vezes, está diretamente ligada às condições imunológicas do animal. Por exemplo, um animal portador de uma doença imunossupressora qualquer (ex. Erlichiose), adquire a traqueobronquite com muito mais facilidade e intensidade. Neste caso, ela pode até sinalizar algo mais grave.

Existe tratamento para a traqueobronquite. Mas, tal qual uma gripe, com tratamento ou não, a doença persistirá em torno de dez dias. Porém, os medicamentos aliviam bastante os sintomas, que podem ser tão incômodos ao ponto de atrapalharem o apetite do animal. Mas o ideal mesmo é preveni-la com a vacina, que apesar de não ser 100%, funciona, e mesmo que o animal adquira a doença, a desenvolverá de forma atenuada. Vale à pena tentar. A partir dos 3 meses o animal poderá recebê-la.
Raças braquicéfalas, com o focinho achatado como boxers, pugs, bulldogs, e seus semelhantes sofrem muito com esta doença, pois já, por sua natureza não respiram muito bem, com tosse então, e muito pior. Essas são raças que devem dar certa prioridade a esta vacina.
Traqueobronquite não mata, mas incomoda bastante, não só ao cão, mas também a seus proprietários, que veem o sofrimento, que piora à noite e não deixa ninguém dormir. O animal que contraiu esta doença deve ser levado ao médico veterinário para que este faça um completo exame físico do cão, verificando assim se não seria uma outra coisa (ex. corpo estranho), se há alguma doença associada, e se serão necessários exames para confirmação, além da prescrição de medicamentos corretos e orientação para com o proprietário. E caso o seu animal não a tenha contraído ainda, verifique na sua carteira de vacinação se ele é vacinado. E se não é chegada a hora. Realmente vale à pena, até porque, o custo da vacina é muito menor que o tratamento.
A traqueobronquite é conhecida como ‘Gripe Canina’, e não é transmitida para seres humanos.

Até breve.

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O retorno dos pinguins

O ser humano ainda tem muito que aprender.
E muito tempo falta para que ele compreenda a natureza, e seus processos naturais. E o que acontece com os pingüins é um exemplo disso.
Esses pingüins que vêm parar aqui são naturais do extremo sul da Argentina. Eles vivem lá da Patagônia, e lá se reproduzem. Depois da época da reprodução, eles migram para o norte, com a intenção de chegarem ao sul do Brasil. E é aí que se perdem da sua rota e vêm parar aqui, no sudeste. E como todo bom argentino que se preze, devem sonhar em conhecer Búzios. Daí a grande quantidade encontrada em nossas praias... rsrsrs...
E aí então os já famosos pingüins começam a aportar nas praias do litoral brasileiro, causando um grande ‘frissom’ daqueles que as frequentam. Essas aves são muito simpáticas e domesticáveis, e quem gosta de animais não perde a oportunidade de interagir com este bichinho tão simpático, que parece sorrir o tempo todo e anda como gente desengonçada. E aí, como leigos que são, começam a cometer atos desastrosos como colocar o pingüim no gelo, dar-lhe pão para comer, dar banho com shampoo para tirar o óleo e até colocá-lo na piscina para que divirtam a turma do churrasco de domingo. Já vi, e continuo vendo muita coisa absurda.
As pessoas se penalizam e querem de qualquer jeito ajudar àqueles que chegaram de tão longe, e lá estão caídos, esgotados, o que as deixa desesperadas, e as faz literalmente ‘enfiarem os pés pelas mãos’. Muitos saem ‘catando’ os bichinhos e levando-os para as clínicas veterinárias achando que com isso estão cometendo um bem enorme à natureza. Outro dia um cidadão chegou à meia-noite na minha veterinária, fez bastante barulho no portão a ponto de acordar os muitos animais internados para entregar um pingüim, que segundo ele, estava agonizando. Como de praxe, meu funcionário pediu-lhe gentilmente que trouxesse o peixe para a sua alimentação. O pingüim está esperando pela sardinha prometida até hoje. E o rapaz está se sentindo um verdadeiro herói.
Então, o que fazer com os bichinhos que parecem precisar muito de ajuda?
Na verdade, muito pouco. Esses pingüins que parecem agonizar a beira mar estão muito cansados. Esgotados, precisam descansar. A simples manipulação humana de seu corpo pode matá-lo. Não se deve tocar nestes pingüins. Deve-se deixar que a natureza siga seu curso. Se ele conseguir levantar-se, vai seguir seu rumo nadando em busca de seu alimento e da sua terra natal. E ele sabe fazer isso muito bem, pois é muito mais ágil no mar do que na terra. Mas para isso, é necessário que ele esteja na praia, e não no canil de uma veterinária. Se estiver machucado, eu pessoalmente até acho que é caso de levá-lo a uma clínica para um possível socorro, apesar dos biólogos dizerem que não. Eles dizem que se deve pensar na natureza de forma coletiva e eles sabem o que estão falando. ‘Esses pingüins que não suportam vão morrer e servir de alimento a outros indivíduos, tal qual aos caranguejos e às tartarugas, pois é assim que a natureza mantém seu equilíbrio. E alguns estão portando bactérias e parasitos que podem matar toda uma colônia se insistirmos em uma reintrodução ambiental destes indivíduos’.
Portanto, se você estiver diante de um pingüim na praia evite tocá-lo. Mas, se o seu bom senso lhe disser que uma ajuda será bem vinda, lembre-se que a sua parte não é só entregá-lo na porta de uma clínica. O máximo que pode ser feito é aquecê-lo, alimentá-lo e tratar suas feridas. E os gastos com material e alimento não vão cair do céu. Se não puder ajudar o pingüim em todos os sentidos, não o atrapalhe, o que já estará de bom tamanho.
Aproveito para agradecer ao biólogo Luciano Lima pelas dicas e ajuda neste ‘retorno dos pingüins’. Até breve.
 

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Cachorro também tem próstata

Parece brincadeira, mas ainda tem gente que não sabe que o organismo dos mamíferos em muito se assemelha ao nosso, humano. Na verdade, são praticamente iguais em suas funções e formas. As únicas diferenças são externas.
E, nisto se inclui o grande fantasma masculino, a próstata.
A próstata é a glândula responsável pela produção do líquido seminal, ou seja, o meio pelo qual o espermatozóide, célula reprodutora masculina sai do organismo masculino rumo à fecundação.
Localizada próxima à bexiga e abaixo do reto, pode ser precisamente avaliada com o desconfortável, mas necessário toque retal, exame este que avalia a sua forma, tamanho, e muitas vezes a presença de tumores, já que através do reto, podemos praticamente tocá-la. O exame de ultrassom também é de grande ajuda para a sua avaliação.
Como qualquer outro órgão reprodutor, a próstata sofre influência direta do hormônio masculino testosterona, produzido pelos testículos. Com isso, ela pode iniciar um crescimento anormal denominado hiperplasia, muito comum na terceira idade canina, ou mesmo a neoplasia (câncer), que não só recebe influências hormonais como também genéticas. 
Quando a próstata cresce de forma anormal, iniciam-se uma série de alterações anatômicas no aparelho geniturinário em razão da compressão causada em outros órgãos – dificuldade para urinar ( disúria ), pois a próstata envolve a uretra, canal por onde passa a urina; infecções urinárias até mesmo com sangramento, e dificuldade para defecar, porque a próstata grande  comprime o canal retal, o que também causa dor. Como resultado destas alterações, o cachorro precisa fazer força excessiva para realizar suas necessidades fisiológicas, causando uma ruptura dos músculos perineais, chamada ‘hérnia perineal’, que se não operada a tempo poderá resultar em estrangulamento da mesma e a morte sofrida do animal.
Todas as doenças da próstata do cão são tratadas com a castração. Aí você me pergunta: ‘Mas por que tirar os testículos se o problema está na próstata?’ Simplesmente porque são os testículos os produtores da testosterona, hormônio que de uma forma ou de outra inicia os problemas da mesma. Às vezes em conjunto são necessárias a drenagem de cistos, e antibioticoterapia. E, podemos dizer que 80% das próstatas aumentadas caninas
sofrem de hiperplasia prostática benigna, e não câncer. Daí valer muito a pena sempre consultar um médico veterinário para o acompanhamento do animal de meia idade. A partir dos 6 anos torna-se rotineiro o exame da próstata. Em meus pacientes costumo fazer o toque no dia da vacinação anual. Esse tipo de doença, quando diagnosticado no começo, é tratado com bastante sucesso e a cura é quase sempre total.
Na próxima semana, falaremos sobre a castração do macho. Até breve.
 

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Animais para adoção

Este canino da raça Cocker Spaniel foi socorrido na Veterinária Sheepdog após ter sido atropelado. Isto ocorreu há uma semana. Estava acompanhado de outro animal da mesma raça, sendo que preto e branco. Desde então ninguém o procurou. Agora, está esperando por um novo dono.

Os órfãos de Macaé ainda aguardam por adoção. Temos também filhotes de cães e gatos. Contato: (22) 2623-2064.

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Macaé deixou órfãos

Quem vive em Búzios há muitos anos já estava acostumado a ver aquela figura de aparência meio doida, quase sempre bêbado, conversando, muitas vezes até discutindo em voz alta, sozinho. Aliás, melhor falando, com seus amigos imaginários. Quem não o conhecia ficava com medo. Mas nós, ‘buzianos’, sabíamos que o Macaé, alcunha pela qual Claudionor Nunes Coelho era conhecido, era um homem de bom coração, em nada violento e vítima da doença mais degradante que pode atingir a um ser humano: o alcoolismo.

Doença maldita, que destrói famílias, que mata, deforma, mas que poucos entendem como doença. E muito menos ajudam a quem por ela é acometido. E a vítima deste mal quase sempre acaba do mesmo jeito: sozinho e abandonado por todos.

Macaé era um alcoólatra, mas quando estava sóbrio, cultivava sua horta e cuidava (do seu jeito, mas cuidava) de seus três melhores amigos, seus cachorros. Estes cachorros, agora, estão órfãos e muito tristes, precisando de um novo lar. São adultos: uma fêmea e dois machos. Estão vacinados, tratados, e a fêmea já é castrada. Podem ir para lugares diferentes, pois estão acostumados a ficarem separados.

Para quem quiser ajudar, o contato é o telefone 2623-2064 (Dra. Lúcia) ou 9263-9553 (Sônia Teixeira).

Peço a todos vocês que se comoveram com a triste morte do Macaé, que pensem com carinho. Será que Macaé só tinha ‘amigos de copo’ neste mundo? De que adianta agora sair em capa de jornal e ser santificado como sempre fazem com quem morre? Poucos o ajudaram em vida, mas tenho certeza de que onde quer que ele esteja, ficará imensamente grato àquele que ajudar aos seus órfãos, e só assim poderá então, descansar em paz. Até breve.

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Chumbinho

A morte chega por parada cárdio-respiratória. Mas, demora.

Antes do alívio do sono eterno, o animal sofre um bocado.

Em poucos minutos após a ingestão, por via oral, do chumbinho, inicia-se a salivação excessiva, como se o animal tivesse comido sabão, os vômitos e a diarréia, a princípio com aparência de fezes moles e em seguida uma espécie de conteúdo gelatinoso, com cheiro característico. A pupila (‘menina dos olhos’) diminui, e tremores, por todo o corpo, chegando a convulsões, muitas vezes gravíssimas, são as manifestações neurológicas deste que é o veneno mais comumente utilizado por quem quer exterminar com algum tipo de animal.

Quando socorrido a tempo, o animal tem grandes chances de sobreviver. Isto porque o chumbinho possui um antídoto bastante eficaz, mas para que funcione, é necessário que o proprietário seja rápido e reconheça os sinais do envenenamento prontamente, que são esses citados anteriormente. Neste caso, não há tempo a perder, e o responsável não precisa temer que a saliva lhe transmita alguma doença e deverá correr para uma clínica veterinária, onde seu animal receberá os cuidados necessários. Em nenhuma hipótese deverá tentar nenhum tipo de remédio caseiro, como o leite que muitos dão, o que poderá piorar em muito o quadro.

Cuidar de um animal envenenado pelo chumbinho é muito revoltante para mim. É completamante diferente de um animal doente, pois eu sei que todo aquele sofrimento atroz fora causado pelas mãos humanas. Alguém, de forma premeditada, foi comprar o veneno, o veículo (carne moída, queijo, sardinha...), idealizou os lugares de acesso da(s) pretensa(s) vítima(s), e executou todo um trabalho, aliás, um assassinato, homicídio, ou muitos, verdadeiros genocídios, como foi o caso do bairro dos Ossos, há alguns anos atrás. E, pior ainda, é imaginar o indivíduo, com a ‘cara mais lavada do mundo’ desfilando por aí como uma pessoa de respeito. Às vezes até cachorro tem em casa. Uma afronta. Em geral, até sabemos quem é, mas nada podemos fazer.

Realmente, nada.

Eu, pessoalmente, acho que uma pessoa capaz de cometer tal ato premeditado é capaz de cometer outros tipos de crueldade, talvez até coisas piores, tal o tamanho de sua frieza.

E, por fim, eu queria dizer que estou muito desiludida com os meios legais de punir uma pessoa que comete este verdadeiro crime. Quantas vezes estive na delegacia, fui muito bem tratada, a ocorrência foi registrada como deve ser, cada um fez a sua parte, mas nada saiu do papel. Perdi meu tempo, me expus, fui ameaçada, e nada aconteceu. O chumbinho, que é proibido, continua sendo vendido, o suspeito sequer fora chamado, e nada mudou. Nada.

Volta e meia ocorrem casos, muitas vezes em massa, e tudo continua do mesmo jeito.

E só para alertar, lojista que vende chumbinho também está infringindo a lei. Até breve.

 

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