Região dos Lagos e Norte Fluminense

Jornal primeira hora Jornal primeira hora
Sábado , 04 de Feb 2012

Atualizado em 04/02/2012 00:00:00

Bombas lá e cá

Um artigo do jornal americano The Wall Street Journal  vem confirmar que não podemos ter muitas esperanças de um ano chinês  do Dragão pacífico, ou melhor, sem mais uma guerra.  As forças aéreas americanas estão equipadas com as chamadas “bombas de destruição de bunkers”, com 6 metros de comprimento e contendo duas toneladas de explosivos,com a peculiaridade de poder penetrar até 60metros no solo onde forem lançadas e explodirem somente depois.  Segundo o jornal essas bombas não seriam, entretanto, capazes de arrasar determinadas instalações de pesquisas nucleares iranianas que se encontram enterradas nas montanhas e em construções super-fortificadas.  Os Estados-Unidos já forneceram também um número não especificado destas bombas para Israel e para nenhum outro aliado.
As tensões geopolíticas entre Washington e Teerã não têm fim. O Presidente Obama em sua mensagem ao Congresso recentemente disse: “Não há dúvida: a América está decidida a evitar que o Irã obtenha armas nucleares e eu não hesitarei em atingir esse fim.” Irã nega que esteja tentando desenvolver armas nucleares, que seu programa é para fins pacíficos.
O Pentágono encomendou à companhia  Boeing para desenvolver uma super-bomba de “destruição de bunkers” ainda mais poderosa e capaz de destruir completamente as instalações militares, tanto do Irã como da Coréia do Norte. Foram gastos 330milhões de dólares na fabricação de vinte super-bombas, com sofisticada tecnologia, que pesam, cada uma, 15 toneladas (15.000 quilos ou o equivalente a 15 automóveis, já que um carro médio pesa cerca de 1.000 quilos).
Mas a história não ficou aí, os militares americanos chegaram à conclusão que essa super-bomba não obteria os resultados desejados e requereram mais 82 milhões de dólares para torná-las ainda mais eficientes.
Felizmente não precisamos em Búzios de super-bombas . Mas até que não seria mal uma bomba pequena, atirada de um helicóptero no monstrengo que está sendo construído na praça da Rua Pau Brasil, no bairro Bosque de Geribá.  (As ruas do Bosque foram batizadas com nomes de árvores por lei de Otavio Raja Gabaglia, então vereador na Câmara Municipal de Cabe Frio, antes da emancipação) .  No terreno existia uma pequena casa que foi destruída e agora, no seu lugar, a companhia Engeluz iniciou a construção um grande depósito. Ora, os terrenos do bairro se destinam exclusivamente a moradias, sendo proibidos  estabelecimentos comerciais. Além disso ainda há evidentemente ilegalidade  na construção por ocupar toda a área do terreno de 600m². O tráfego  de caminhões traria desconforto à vizinhança.
Logo no início da construção, em setembro do ano passado, solicitei a autoridades municipais providências contra a construção do depósito em área exclusivamente residencial. O jornal Primeira Hora  publicou carta minha, na seção Teclado do Leitor, sobre a ilegalidade da obra. Em fins do ano, a obra, depois de erguidas as paredes externas, foi interrompida. Pensei que finalmente teria sido embargada, as obras voltaram agora à atividade com a instalação de uma larga porta dupla. Espero que a obra de construção do depósito seja embargada definitivamente e mesmo a parte construída seja demolida.
 Uma parte do Bosque de Geribá teve suas ruas pavimentadas no governo anterior. A Presidente da AMOBOSQUE (Associação dos Moradores do Bosque de Geribá), Terry Melgaço Schischiptoroff, não descansou enquanto a Prefeitura não  completou as obras nas ruas restantes, o que agora finalmente está sendo executado.  Mas ainda muita coisa falta: limpeza e conservação das áreas verdes. É lamentável que muitos moradores não colaborem com a limpeza e mesmo sejam responsáveis por jogar lixo em terrenos vazios.
Recentemente um jornal carioca publicou reportagens pouco simpáticas sobre Búzios.  As críticas foram interpretadas como uma campanha contra esta cidade de que sou morador desde 1984. Críticas têm de ser bem vinda, se bem intencionadas. Búzios continua como características uma cidade medieval, sem calçadas para pedestres e iluminação pública deficiente. 
 

Saiba Mais

O ano do Dragão

Pelo calendário lunar chinês no domingo,  dia 22, se inicia o  ano de 4710, o ano do Dragão.  Os anos chineses são dominados por um animal, com exceção do dragão, venerado e respeitado na China por milhares de anos. Representa poder e sabedoria e sua figura se compõe de um tigre, um peixe,  uma cobra  e uma águia.  O ano chinês é comemorado na maioria dos países asiáticos com grandes festividades e em geral com dois dias feriados. Até o governo das Filipinas, país de tradição cristã, decretou feriado o dia de entrada do ano lunar chinês.
A China vem sofrendo uma transformação semelhante, ou mesmo maior, que o Japão com a era Meiji.  A guerra da Coreia constituiu indiretamente uma grande ajuda para transformar o país na potência industrial de hoje, servindo de base de apoio para o fornecimento das necessidades militares americanas.  Naquela época não havia a facilidade como hoje como o transporte aéreo em grande escala.
Os Estados Unidos são igualmente responsáveis pela renascimento da China como grande potência industrial  As grandes companhias  americanas passaram a fabricar seus produtos na China e  se tornaram os melhores   vendedores de produtos chineses, representando 70% das exportações chinesas.  China e Formosa são os maiores produtores e montadores de microchips, computadores e equipamentos eletrônicos. O nível de vida na China em menos de um século executou um impressionante pulo, no lugar dos riquixás, transporte humano puxado por chinês de rabicho, hoje os chineses dirigem os grandes e luxuosos automóveis. O chinês que antes emigrava, hoje virou turista, a ponto que 31 milhões viajaram para o exterior loteando os hotéis do Japão e da Coréia e mesmo se estendendo aos Estados Unidos, e Europa.
 A China é  importante exportadora  minerais raros hoje de grande importância para a alta tecnologia.  Por outro lado, a Bolívia é produtora de lítio e o Brasil responde por 92% da produção mundial de nióbio. Temos de estar atentos à pressão internacional  pelo nióbio  da  Rondônia, pois nos falta uma estrutura de defesa de nossos minerais raros como a China.
“O projeto geopolítico e geoeconômico chinês está transformando a África e  parte da Ásia do Sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias primas”, escreve Carlos Lessa,  ex-presidente do BNDES.
A  China anos atrás comprou um porta-aviões da Rússia, hoje transformado em cassino ao largo de Macau. Adquiriu um segundo, Varyag, também russo, para reformá-lo, desistiu.  Finalmente decidiram construir o seu primeiro porta-aviões inteiramente revolucionário  em sua concepção tecnológica, o que causa preocupação aos americanos, que, por sinal, possuem onze porta-aviões.
Seu exército de 2,3 milhões de soldados é o maior do mundo, embora seus gastos militares sejam, se comparados com os dos Estados Unidos, relativamente modestos, somente  1/6 do orçamento militar americano.. Naturalmente o governo americano não vê com bons olhos desenvolvimento militar chinês, que até agora ficara restrito à área econômica. O sonho da política externa americana era o de tornar Formosa (Taiwan) econômica, social e militarmente forte a fim de reconquistar  uma China continental capitalista. Mas o que está acontecendo é exatamente o inverso, incremento de relações de Beijing e Taiwan e maior aproximação.
  Por outro lado  a  Índia acaba de arrendar por dez anos , pelo a valor de 1 bilhão de dólares, um submarino nuclear russo de 8.000 toneladas  que batizado com o nome  de INS Chakra II, juntando –se assim  o país ao restrito número de marinhas com submarinos nucleares (Estados-Unidos, França, Russa, China e Inglaterra).  Dispõe de mísseis que podem atingir o continente americano e recentemente anunciou o voo do J-20, um caça que não detectável pelo inimigo.
Assim, o ano do Dragão promete novidades no cenário internacional e novas perspectivas para o mundo asiático.
 

Saiba Mais

Bachianas

Perdemos mais um grande pianista, Roberto Szidon, aos 70 anos, faleceu em Düsserdorf, na Alemanha. Assisti seus concertos de piano na Cidade do Cabo, na África do Sul, e anos depois em Berlim. Mas sua figura, sua personalidade e sua arte, essa não me esqueço. Para o pessoal de agora talvez não seja importante, hoje encontramos brasileiros por toda parte, na Antártica, onde temos uma base naval, e  talvez também no Polo Norte. Brasileiros legais e ilegais, turistas, industriais, empresários, estudantes, uns fazendo mestrado, outros fingindo que estudam, turistas fazendo compras de tudo que vêm na frente e artistas.
Anos atrás não era assim, era sempre agradável surpresa encontrarmos um turista ou qualquer brasileiro. Hoje somos globalizados, somos já uma população que vai para os duzentos milhões, antes os turistas estrangeiros vinham ao  Brasil, agora os brasileiros vão para o estrangeiro.
Durante os trinta anos que vivi fora do país conheci e acompanhei muitos pianistas, pintores , toda uma gama de artistas. Lembro-me de ter levado a percorrer Belgrado, o maestro Eleazar de Carvalho e esposa, numa “vitória”,  carro a cavalos, como os de Paquetá. O concerto fora na véspera, sucesso estrondoso do primeiro maestro brasileiro a reger no país então comunista, presidido pelo Marechal Tito.
Jacques Klein esteve mais de uma vez na Cidade do Cabo. Grande pianista de quem ficamos muito amigos. Naquela época a África do Sul vivia sob o regime do  apartheid e alguns artistas recusavam os convites para tocar no país.  Turibio Santos realizou uma turnê com seu violão. O mais simpático concerto foi em no aconchegante sala forrada de madeira, na Universidade de Stelembosh, de maravilhosa acústica.
 Em Berlim lembro-me que a pianista Cristina Ortiz, terminado o concerto, me implorou para irmos rápido para um restaurante, dizia ela que depois de tocar ficava com uma fome voraz. Merece referência a belo-horizontina  Mariluce Baeta que estudava canto em Berlim. Grande divulgadora da música erudita brasileira. Deu um concerto, financiando seu marido o aluguel da sala, que recebeu uma interessante crítica em Der Tagespiegel. O crítico alemão escrevera que era a primeira vez que ouvira Carlos Gomes e que fazia sua mea culpa como alemão por desconhecer o compositor com uma obra de tanto valor.
Fui testemunha de uma curiosa situação com o Maestro Heitor Villa-Lobos. Fora convidado para participar do juizado de um concurso de piano no México, em 1959.  Nunca havia estado no país. Em sua homenagem foi organizado um concerto de suas obras, com a orquestra nacional mexicana, no Palácio de Belas Artes. Como encarregado do setor cultural da nossa Embaixada, acompanhei o Maestro nessa noite. O concerto foi um grande sucesso.
Findo o concerto e os aplausos, juntamente com Dona Arminda, a ex-aluna e esposa do Maestro, encontrava-me no camarim do teatro. Villa-Lobos entrou segurando como de hábito entre os dedos o charuto.  A seguir batem na porta, fui atender, era o Embaixador da então chamada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Falando em francês dirigiu-se a Villa- Lobos  e, depois da apresentação, disse que recebera instruções de seu governo para convidá-lo a visitar a Rússia e reger concertos. Villa-Lobos, não se fez de rogado, respondendo imediatamente, agradecendo o convite, que se sentia muito honrado, lembrando sua admiração pelos compositores russos, nomeando alguns, mas que no momento não poderia aceitar, pois, para viver ,  contava com a regência de apresentações nos Estados Unidos e que, aceitasse ir à Rússia, os americanos não mais lhe concederiam visto para entrar nos Estados Unidos. O Embaixador respondeu que compreendia a situação, mas que o convite  permanecia de pé para a primeira oportunidade. Era o tempo da guerra fria, do governo Dutra que rompera as relações diplomáticas com a União Soviética.  O mais triste é que Villa-Lobos voltou ao Brasil e pouco depois, em 17 de novembro de 1959, faleceu.
 

Saiba Mais

E nós?

As eleições este ano para a presidência dos Estados Unidos da América passam a ocupar diariamente as páginas dos jornais do mundo e, naturalmente, também os brasileiros. As atividades diárias dos candidatos lá no país do Norte estão sempre presentes. O país americano permanece como a maior superpotência do planeta. Analistas lembram que o império americano arrasta uma colossal dívida, tentando recuperar o otimismo de alguns anos atrás.
É difícil para uma nação fazer um exame de consciência dos erros e falhas cometidas. Caso excepcional é o da Alemanha que, derrotada na ultima grande guerra, ainda procura redimir-se das barbaridades cometidas durante o regime nazista. A primeira-ministra alemã hoje vive em contínuos tête-à-tête com seu vizinho, o presidente francês, que esqueceu como a França foi ocupada e espezinhada pelos soldados germânicos há pouco mais de meio século.
Foi dada a largada da campanha presidencial americana. De um lado Obama o primeiro presidente não-branco a ocupar a Casa Branca. (Lembro-me de minha primeira viagem aos Estados Unidos em 1958 quando os “coloreds” tinham que se sentar nos bancos traseiros dos ônibus e os sanitários nos postos de gasolina eram separados; quando foi transferido para a África do Sul em 1974 voltei a conviver com as placas em trens e banheiros “whites only” e “non-whites”. Pensava que isso tudo era coisa do passado, mas leio que hoje em Jerusalém os judeus ortodoxos se sentam nos primeiros bancos dos ônibus e as mulheres no fundo).  A eleição  de Barack Obama parecia uma abertura e uma nova fase da história do país. Mas pouca coisa mudou.
A expansão americana é a própria história do país. Em 1899 o Presidente MacKinley proclamou que a invasão  das Filipinas, que resultou na matança de cem mil filipinos, visava  “cristianizar”  e “libertar” o povo  subjugado. Com o passar dos anos o lema foi mudado para “combate ao comunismo” e depois (invasão do Iraque) em “exportar a democracia”. Já somam muitos milhões  de homens, mulheres, velhos e crianças mortas pelas guerras do Vietnam, do Iraque e do Afeganistão.  Enumeram o número de soldados americanos mortos, esquecem as populações inteiras de civis dizimados.
Dos três candidatos do partido Republicano, dois insistem em manter os Estados Unidos no domínio do mundo mediante seu “complexo industrial militar”. Somente o terceiro, que não tem chances, o ginecologista Ron Paul, foi a voz dissidente, falou em  Paz.
O Brasil ultrapassou a Inglaterra se tornando a 6ª economia mundial, ficando atrás da Alemanha e França. Nas projeções para oito anos, para 2020, o Brasil manterá a 6ª posição, mas o lugar das  duas economias na sua frente, hoje França e Alemanha, serão ocupadas pela Rússia e Índia. Os países do BRICS exercerão maior poder nas relações internacionais. A Embaixadora Maria Luiz Viotti, última representante brasileira no Conselho de Segurança da ONU, em entrevista a O Globo declarou: “O Brasil tem mostrado uma preferência que coincide com a visão indiana e sul-africana, por soluções negociadas para conflitos. Valorizar a contribuição das organizações regionais como a Liga Africana.” O ex-ministro Jarbas Passarinho, em artigo na Revista do Clube Militar opina: “A China e os Estados Unidos disputarão a primazia econômica nos próximos anos. Correto será uma política de equidistância de ambos, pois são parceiros importantes na importação e exportação. No que tange ao desenvolvimento cultural, o Brasil do futuro imediato deverá voltar-se para incrementar o soft  power, a cultura e a tecnologia essenciais a qualquer poder nacional na era digital de 2050.”
Seja qual for o próximo presidente americano deverá compreender que o mundo está mudando e que o comportamento do império americano terá de se ajustar à nova situação. O Brasil manterá sua política independente.
 

Saiba Mais

As Nações em 2012

Em épocas passadas um país, um estado, era caracterizado por três elementos essenciais: território, povo e governo. Neste século 21  essa concepção , base do direito internacional, vem sendo gradativamente alterada, restando como elemento estável o território, mas governo e população vêm sofrendo modificações, consequência, em parte,  d os efeitos da globalização, uma interação no plano econômico, com repercussões no político e uma movimentação do elemento humano como nunca antes ocorreu pela facilidade dos meios de transporte, principalmente a aviação.
Lemos que os Estados Unidos deportaram no ano passado 400.000 estrangeiros ilegais. Somente esse fato dá uma ideia do que ocorre em todo o mundo, milhões de pessoas mudam de país de residência procurando melhores oportunidades de trabalho ou mesmo sobrevivência, não como os emigrantes do passado, como os portugueses, italianos e espanhóis que emigraram para o Brasil e aqui ficaram adotando o novo país como pátria.
O emigrante da atualidade muitas vezes é um ‘emigrante temporário’, muitos voltam depois a seu país de origem, ou mesmo mantêm duas residências, a original e a nova. Assim a noção de ‘povo’ também vem sendo alterada. A Alemanha chegou a ter em certa época, por volta de 1970, sete milhões de estrangeiros vivendo em seu território. A ideia de um povo nacional é imperfeita. Esse problema afeta hoje praticamente toda a Europa que, pelo seu alto desenvolvimento econômico atraiu gente de todo o mundo. Hoje, com a crise que assola o continente, muitos dos emigrantes vivem em uma situação de difícil saída.
A transposição humana pode levar certos países a perder parcialmente sua identidade nacional. No futebol ocorre fenômeno semelhante. A antiga tradição de o clube manter seus jogadores é coisa do passado. Os clubes se tornaram empresas comerciais nacionais ou internacionais, o jogador não mais defende a camisa, mas quem pagar melhor. A mudança de time não é mais somente dentro da mesma cidade, do mesmo estado ou do mesmo país, hoje a troca é internacional. O sentimento de nacionalidade, o conceito de pátria, por essas pessoas que pulam de um país para outro, passou a um segundo lugar, da mesma  maneira como no futebol em que o jogador deixa de ter raízes com o clube onde iniciou sua carreira.
No século 19 países da Ásia e África foram colonizados por nações europeias. Deixaram suas marcas nos países africanos e muitos adotaram como língua franca o idioma do colonizador. Assim o inglês se tornou língua oficial na Índia, sobrepondo-se às centenas de idiomas locais. Entretanto, isso não ocorreu em todas as colônias, como no caso da Indonésia  em que o holandês  do colonizador, então língua franca nas centenas de ilhas que compõem o país foi substituído por uma língua nacional.
Desde a II Guerra Mundial novas situações internacionais foram estabelecidas.  A Coréia do Sul abriga por mais de meio século permanentemente 30.000 militares americanos e o Japão, 50.000. O Iraque esteve até agora ocupado por de tropas estrangeiras que ultrapassavam mais de cem mil homens. Mesmo com a retirada dessas tropas permanecerão no país 15.000 ‘contratados’, teoricamente ‘convidados’, mas na realidade mercenários diretamente subordinados  ao Estado Maior americano. Assim, a noção de que três elementos (território, povo e governo) formam a essência de um Estado membro da ONU (Nações Unidas) é teórica ou falsa.
O Direito Internacional criado aos poucos, por convenções, para reger as relações entre os países, está desmoralizado.  É bom lembrar que, apesar do Presidente americano de então, Woodrow Wilson, ter sido um dos impulsores da chamada Sociedade (ou Liga) das Nações criada depois da I Guerra Mundial, os  Estados Unidos ficaram de fora. Com o fim da  II Guerra Mundial os Estados Unidos impulsionaram a criação da ONU, mas inventou o veto por parte das  cinco nações com cadeiras cativas no Conselho de Segurança-democrática, pelo controle das cinco potências aliadas com assento permanente no Conselho de Segurança. A ONU é  pouco democrática.
 

Saiba Mais

Um conto de Papai Noel

Papai Noel é a figura mais querida em todo o mundo.  Um velho, sorridente, de grandes bigodes, barba branca, com chapéu vermelho debruado de branco e envolto numa grossa roupa de lã vermelha. Como transporte usa um trenó puxado por oito renas, antipoluentes, em obediência ao Protocolo de Quioto. As oito renas são fêmeas, pois os machos perdem seus chifres, a galhada, antes do inverno na Lapônia, lá na Finlândia, onde mora com sua mulher. Sempre sorridente, é bastante forte para carregar um grande saco cheio de presentes. 
No Brasil é Papai Noel, mas em Portugal se chama Pai Natal. Em outros países é Santo Nicolau ou Santa Claus. O bom velhinho traz os presentes no dia de nascimento de Jesus, 24 de dezembro.  Nos países de tradição ortodoxa, como a Rússia, a religião segue o antigo calendário Juliano e o Natal é festejado no dia 7 de janeiro.
O Natal vai mudando com o passar dos tempos. Os cartões de Natal eram quase uma obrigação e tinham de ser enviados a tempo para que chegassem antes do día 24. A formula era clássica: “Boas Festas e Feliz Ano Novo”,  mesmo traduzida em outras línguas. Bom negócio para papelarias e trabalho insano para os correios. Veio a internet e no lugar dos cartões impressos as mensagens viraram virtuais. Menos trabalho, nada de ter de comprar o cartão, assinar, escrever endereço, selar e jogar na caixa do correio.  Deixamos de exibir no alto do móvel na sala todos os cartões recebidos, de parentes, amigos e do comércio. Não sei mesmo se um dia o selo vai desaparecer, receber uma carta é coisa rara.
A árvore de Natal no canto do salão exibia bolas e algodão representando neve, mais velas.  Hoje são todas eletrificada, árvores de Natal das cidades viraram cones, decoração  variada,  milhares ou milhões de lâmpadas. De árvore nada ficou, nem galhos nem folhas. Mas muitos efeitos, criatividade e muita luz.

Papai Noel é bem informado: para vir ao Brasil achou perigoso viajar só com seu trenó de oito renas

Quando Santa Claus ou Papai Noel, apareceu lá no Ártico o mundo era mais calmo. Nenhuma história de assalto ao enorme saco que o velhinho trazia no seu trenó, cheio de brinquedos e por vezes até de jóias preciosas. Assaltantes do passado deixaram o velhinho em paz. Mas hoje a situação é diferente. Foram inventadas organizações terroristas como  Al Qaeda e máfias, além da tradicional italiana, agora temos mais a israelense e a russa. Também não existiam paraísos fiscais ou contas secretas em bancos suíços. Foram inventados os seguranças, palavra mais elegante que os antigos ‘guarda-costas’. Todo político, senador, deputado e afins, prefeitos,  juízes e desembargadores, ninguém ousa colocar  os pés fora  de casa sem ser acompanhado por um ou dois seguranças e seu automóvel ser seguido por outro, sempre preto. Qualquer cidadão que se considere importante também só sai rua acompanhado por um ou dois guarda-costas.
Papai Noel é pessoa bem informada. Para vir ao Brasil achou perigoso viajar com seu trenó de oito renas, poderia ser assaltado e ter seu saco de presentes roubado.  Adotou o sistema brasileiro: seu trenó será  acompanhado por mais dois outros trenós, também puxados por renas especialmente escolhidas e treinadas, cada um com dois seguranças armados. A diferença é que os dois seguranças não trajam os tradicionais ternos pretos, mas de cor vermelha para dar a impressão de serem seus auxiliares. As crianças brasileiras podem ficar descansadas: seus presentes vão chegar direitinho. Façamos votos que para o Natal do próximo ano, em 2012, Papai Noel não necessite mais de guarda-costas.
 

Saiba Mais

RQ-170 x U-2

O Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, é autor de um projeto contra estrangeirismos na língua portuguesa. O veículo aéreo não tripulado é chamado nos Estados Unidos de “drone”, isto é zangão.   Aqui foi criado o termo “vant”, mas não pegou, a imprensa  se referiu como  “drone” a captura de um pelo Irã.
Cada vez são mais freqüentes notícias sobre vants. Na semana passada causou sensação o vídeo exibido pelo governo iraniano mostrando o drone americano capturado.  As primeiras notícias sobre sua captura fora motivo de dúvida. Imediatamente Washington alegou que se tratava de um drone que voaria sobre o Afeganistão e ficara fora de controle. Teerã esperou pela explicação americana para então exibir o vídeo  do vant  RQ-170 Sentinel americano,  abatido, acusando os Estados Unidos de espionagem área. Nenhuma novidade, o estoque americano é de mais de dois mil drones, para fins militares, mas igualmente a ser serviço de inteligência, CIA. Não era segredo de que seus aviões não tripulados sobrevoam pontos de interesse. Antes a espionagem do ar era feita por satélites, hoje por drones, como comprova o capturado.
 No tempo da guerra fria a espionar o vasto território soviético era o principal objetivo dos aviões U-2 (isso há cinqüenta anos, em 1960) imunes ao radar.  Os russos, no tempo de Khrushchev, abateram  um U-2 .Os americanos alegaram que se tratava de um avião da NASA em pesquisa  atmosférica.  Os russos esperaram uma semana e então bombasticamente Khrushchev fez a revelação: o piloto do avião espia Gary Powers tinha pulado de para quedas  e feito prisioneiro. Os americanos tiveram que meter o rabo entre as pernas.  O piloto Powers foi condenado, mas depois de cumprir pena de um ano foi trocado por um espião soviético preso nos Estados Unidos.  U-2 virou nome de bandas de rock.
Com o Irã se repete a mesma estória: o porta-voz  americano declarou que um RQ-170 fugira do controle quando sobrevoava o Afeganistão.  Ora, um vant sem controle caindo em terra ficaria despedaçado. Os iranianos mostraram o drone aparentemente em perfeito estado, ocultando, entretanto, o trem de aterrissagem. Como poderia ter caído sem se despedaçar? Uma explicação seria que os iranianos teriam recebido dos russos ou dos chineses uma tecnologia  muito avançada destinada a interferir no controle dos drones americanos  e ainda fazê-los descer ao solo,  cibertecnologia militar. Os dois países não mantêm relações diplomáticas e a declaração de Obama que já foi feito pedido para a restituição do drone RQ-170 deverá ficar sem resposta.
O clima está confuso.  As acusações contra o Irã se acumulam dia a dia. Alguns observadores lembram que a situação tem alguma semelhança com o ataque japonês a Pearl Harbor, exatamente há 70 anos. Naquela época Washington queria entrar na guerra, mas o Presidente Roosevelt havia prometido que só declararia guerra ao Eixo e ao Japão se seu país fosse atacado.  Provocaram o Japão de todas as maneiras até que a  aviação nipônica  bombardeou Pearl  Harbor. Analistas de hoje comparam a situação de então com a atual: o governo americano  vem provocando o Irã de todas as maneiras, ameaças e bloqueios econômicos. O Irã, antiga Persia,  tem  uma longa história de relações diplomáticas de altos e baixos com os Estados Unidos, diferente do Japão.
 Três vants de fabricação israelense  estão sendo usados  no Brasil para a fiscalização das fronteiras  no combate ao contrabando e às drogas. Nos Estados Unidos até mesmo a policia do estado de Dakota do Norte e da cidade de Los Angeles já utilizam drones em ações contra criminosos, que assim  passam  a constituir uma segunda vigilância além  das câmaras nas ruas.
 

Saiba Mais
+ VER ARQUIVOS ANTIGOS

Copyright 1995-2010 Jornal Primeira Hora, Todos os direitos reservados.