Região dos Lagos e Norte Fluminense

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Sexta-feira , 18 de May 2012
  • O Capital atormentado

    O Congresso norte-americano acaba de aprovar a Lei Nacional de Autorização de Defesa, que confere poder ao governo daquele país, de usar as Forças Armadas contra a sua própria população, prender por tempo indeterminado norte-americanos em qualquer lugar do mundo, sem nenhuma acusação aparente ou o devido processo legal. A medida passou no Senado por 93 votos a sete. Segue, agora, para sanção do presidente Obama. O fato ocorre quase simultaneamente a maior mobilização já convocada naquele país nas últimas décadas, em apoio ao movimento ocupar Wall Street (OWS), que paralisou os principais portos da Costa Oeste e tende a recrudescer.
    A violência contra os manifestantes que denunciam o imenso poderio do mercado financeiro sobre a vida de bilhões de seres humanos é mais um fator de consternação para todos os que tomaram por verdadeiro o país, cantado no hino nacional como a terra da liberdade, onde mora a bravura, “land of the free and the home of the brave”. E esse sentimento é devastador. Libertos da influência do capital que, normalmente esmaga as iniciativas contrárias à sua supremacia, os militantes do OWS planejam e realizam a mais longa e vigorosa marcha contra o poder controlado pelas grandes corporações e colocam em xeque o sistema que sustenta a nação-símbolo da democracia no mundo.
    O fato é que começa a ficar claro, para a maioria das pessoas, de mediano entendimento, o real sentido da sociedade de consumo que rege a vida não apenas dos norte-americanos, mas de todos os habitantes dos países capitalistas do mundo e de parte das nações comunistas, salvo raríssimas exceções. O movimento que tenta ocupar não apenas Wall Street, mas todas as cidades dos EUA, paralisa os portos e, daqui há pouco, as estações de trem, as rodovias e os aeroportos para alertar sobre o dramático poder de destruição do capital desvairado que impôs ao planeta uma fórmula capaz de destruí-lo numerosas vezes, seja pelo efeito estufa causado miríade de automóveis em circulação, seja pelas bombas nucleares ou pela boca, envenenado por doses maciças de fast food. Enfim, uma tormenta sobre corpos e mentes que já não sentem mais a pujança de um mundo ascendente.
    Atônito diante da onda de protestos que varre o mundo e abismado com as primaveras árabe e russa, ainda atordoado com os ataques do Talibã e as bombas no Iraque, o governo dos EUA encontra agora, na repressão dura aos seus próprios cidadãos, a única forma de tentar manter os dedos intactos e buscar de volta os anéis, em meio à balbúrdia em que se perderam nas ruas de Nova York, ou seja, estão todos autorizados a baixar o cacete na moçada e atingir, sem piedade a face plana da democracia. Este talvez seja o sistema de organização social mais ineficiente e perigoso já criado pela humanidade, embora siga como a forma considerada a mais próxima da representação da vontade popular.
    Diante do ataque eficaz ao inequívoco pilar central da sociedade norte-americana, percebe-se que o cerne do capitalismo apodreceu e, na realidade, nunca foi sinônimo de democracia. Significa apenas lucro, juros, usura, desemprego, manipulação da opinião pública, concentração de riqueza, egoísmo e destruição. Acossado pela crise mundial que assola os países mais ricos do Ocidente, fica evidenciada a hipocrisia da placidez democrática exigida aos países pobres do Oriente Médio, da África e Ásia para que os EUA implantem, a ferro e fogo, o american way of life, entupido de hambúrgueres, refrigerantes e goma de mascar, sabor piche. Pensar que um dia a Líbia será uma nação democrática, a exemplo da América do Norte, é no mínimo uma falácia. O apoio norte-americano aos grupos fundamentalistas que derrubaram uma série de ditadores africanos revela-se, cada vez mais, um tiro pela culatra. A ampliação da Sharia, a lei fundamentalista islâmica, é uma realidade na maioria dos países onde ocorrem as insurreições.
    Em nome da democracia, esta vetusta e esfarrapada senhora representada na Estátua da Liberdade e que leva uma surra de cacetes nos becos de Manhattan, os falcões norte-americanos encheram burras de dinheiro e levaram para o túmulo milhões de jovens heróis das guerras travadas ao longo dos últimos séculos. Patrocinaram golpes de Estado aqui na América Latina, assassinaram supostos ditadores nas republiquetas das bananas, impuseram seus cúmplices nos governos daquele areal onde jorra o petróleo, outrora berço cultural da humanidade, e de forma silenciosa, manobram até os carrinhos de compras dos supermercados para que se consuma apenas o que eles determinam.
    O desejo frustrado de mudanças, nas últimas eleições presidenciais dos EUA revela agora o seu preço. E o mundo observa, com uma lupa, os próximos passos daquele eleito com o slogan: “sim, nós podemos”. Obama não disse, até agora, ás vésperas de sua sucessão se pretende seguir no apoio ao 1% de Wall Street ou aos 99% restantes de seus eleitores. O suspense inexiste na realidade, mas é sugerido apenas para evitar a comoção pública e a revolta generalizada que se avisinha na terra de Tio Sam. Todos intuem, de uma forma ou de outra, quem sairá vitorioso desse atormentado embate. Quem será?

    Sergio Nogueira Lopes é Sociólogo e Escritor,
    autor de O Mal Ronda o Mosteiro, entre outros
     

    16-12-2011 00:00:00

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  • O Futuro foi ontem

    Sérgio Nogueira Lopes é sociólogo, embaixador da Sociedade Pestalozzi do Brasil e escritor, autor de O Mal Ronda o Mosteiro, entre outros livros

    03-12-2011 00:00:00

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  • Itamar: um brasileiro a ser homenageado ainda durante gerações

    A homenagem prestada ao ex-presidente Itamar Franco, por seu falecimento, confirma a certeza de que a História grava para a posteridade a face verdadeira dos homens públicos. Coube ao vice- presidente a cadeira de comandante- em-chefe do país, após a renúncia do presidente Fernando Collor, em um daqueles golpes que o destino reserva para quem está presente no lugar certo e na hora certa. Itamar era mestre na arte da política e confirma o tino apurado dos mineiros, nos séculos que se seguiram desde o descobrimento. São certos momentos na vida da nação nos quais os habitantes das Gerais se fazem presentes e se tornam marcas indeléveis do tempo em que vivemos. Itamar simboliza, assim, as lições descortinadas nas serras e morros que traduzem o Brasil autêntico, em sua gente mais cautelosa e ainda assim ousada, conservadora e simultaneamente revolucionária. Mineiro conversa sem elevar o tom, mas fala com a firmeza do ouro, dos diamantes e do aço que brotam de suas veias. Ainda que registrado na Bahia, Itamar é nascido em Juiz de Fora, Zona da Mata, e ratificou ser mineiro mesmo após ter deixado por aqui suas cinzas, ao lembrar que dinheiro público precisa ser respeitado com a reverência de um velório. Deixou claro à família que dispensava as idas e vindas de seus restos a Brasília. O máximo a ser gasto do fruto do suor do rosto de trabalhadores para se desfazer do carbono desencarnado, seria um vôo até Belo Horizonte, com uma parada na sua cidade natal, para as despedidas dos amigos. Esses sim, ele reverenciou com o respeito ao erário e à moralidade pública. Com seu gesto, relembrou aos brasileiros do Rio, São Paulo, Bahia e mais esse mundão de meu Deus, a lição de moral que assinou ao decretar o Plano Real e acabar com a farra da inflação alucinada na qual o país se dissolvia. Ficou chateado, e quem não ficaria, ao ser retratado pela imprensa conservadora, paulistana e carioca, como o capiau de topete alto e gosto duvidoso para certas companhias, ao invés de ser homenageado por sua determinação em construir um país honrado, sério e probo. A serenidade mineira, no entanto, impediu-lhe de protestar contra os detratores, ao mesmo tempo que fortalecia os laços com os conterrâneos que o elegeram para o derradeiro mandato, na Casa Alta do Congresso. Itamar ingressa na posteridade com uma biografia que deverá inspirar futuros historiadores a desvendar um exemplo de homem público, capaz de manter uma sintonia finíssima com a sua gente e pontuar, nas tramas das fiandeiras divinas, a presença nos instantes mais graves da vida nacional. Trata-se do fazer política de uma forma que os mineiros, e somente os mineiros, estão acostumados. É impossível decifrá-la na primeira leitura. Da mesma forma, serão necessárias décadas ainda até o pleno reconhecimento do filho que retorna ao pó, com a missão de inspirar os futuros brasileiros a amar o Brasil acima da própria vida. Como Juscelino e José Alencar, para ficar apenas na República moderna, Itamar agora descansa no panteão das Minas Gerais que mostraram ao Brasil, com a simplicidade dos gestos e o carinho pela democracia, que a pátria se constrói com a coragem de quem ousa ser correto ao extremo, sem perder a ternura, jamais.

    Sergio Nogueira Lopes é Embaixador da
    Sociedade Pestalozzi do Brasil, Sociólogo
     e Escritor. Autor do livro “Opinião Giratória” entre outros.
    E-mail: embaixadorsnl@ig.com.br
     

    09-07-2011 00:00:00

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  • Um abismo entre as montanhas

    (Ou o nascimento de uma nova era)

    03-07-2011 00:00:00

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  • A promotora louca é espelho de uma sociedade ainda mais alucinada

    Sergio Nogueira Lopes é sociólogo e colunista, autor de ?OPINIÃO GIRATÓRIA? entre outros livros

    07-05-2011 08:00:00

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  • Estado insano subsidia os lucros do carnaval

    Sérgio Nogueira Lopes é sociólogo, jornalista, autor de OPINIÃO GIRATÓRIA, entre outros livros

    02-04-2011 08:00:00

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  • Quinze Minutos de Fama

    Há pouco mais de três décadas, nos idos dos anos 80, em pleno desenvolvimento da economia mundial, com o fortalecimento da classe média norte-americana e, por tabela, a do Brasil idem, ainda que bem menos do que a aquela traduzida nas crianças coradas do Maine e nas famílias loirinhas do Kansas, um expoente da contracultura já mostrava a realidade do porvir. Sim, pois aos loucos, artistas e profetas cabe o dom de antever o curso da humanidade, muitos anos além no calendário gregoriano.
    Os hippies de então, ao som cáustico do The Doors, renderam homenagens ao pintor performático e filósofo Andy Warhol, expoente da arte pop e de um estilo único, capaz de incluí-lo naquela rara categoria dos anjos desgarrados, de cabelos brancos e revoltos, que trazem ao mundo as suas trombetas. No caso, eram as latinhas de sopa Campbell e as vaquinhas malhadas.
    Gênio, ele anteviu, em meio à névoa da ignorância tecnológica, um mundo no qual a mídia seria o totem no qual a sociedade instalaria o olho que tudo vê. E, diante do inevitável planeta globalizado, Warhol profetizou que cada ser humano, do presidente dos EUA ao lixeiro de um subúrbio de Bangladesh, todos teriam assegurado o direito de aparecer para o mundo e ter acesso aos seus 15 minutos de fama.
    A previsão cataclísmica foi uma excitação só, na época, e até hoje. Caiu como água para o deserto. No Ocidente industrializado, com a propaganda em alta e o sistema econômico musculoso da Wall Street exibindo-se à periferia tupiniquim, da Avenida Paulista ao Leblon não faltava um paspalho que não construísse, como constroem até hoje, um circo no qual sonham com o trapézio, mas, se preciso, usam um nariz vermelho para o deleite do respeitável  público.
    Nos segundos contados, sob os holofotes da mídia, a chance de ser famoso é um estado de espírito que inebria e seduz as mentes mais vazias. De sua parte, a mídia, veículo do glamour como a agulha na veia dos drogados, multiplicaram-se de forma desmedida até que o trapezista e o palhaço já não faziam sucesso por eles mesmo. Como na velha Roma, mesmo o mais sangrento dos combates na arena já não empolgava mais o Coliseu.
    Assim, ao invés de privilegiar a educação, os meios de comunicação renderam-se ao espetáculo. Seja este um dos clássicos que, há séculos, cumprem seu destino de chacoalhar a alma humana, aplaudamo-lo. Mas não. Trata-se do rasteiro, vil e desqualificado espalhafato aquele que mais agrada ao gosto da boca amarga e desdentada da turba ignara. Funciona assim.
    Com o Febeapá (Festival de Besteiras de Assola o País, percebido pelo sempre genial Stanislaw Ponte Preta) instalado nas plagas brasileiras, aumentou muito a demanda, de dimensões continentais, pela banalidade. Soube que o maior exemplo da previsão warholesca, e me perdoem o neologismo, esse programa que reúne um monte de gente dentro de uma casa, fechados como gado na engorda, anda em baixa junto à audiência. Boa notícia, mas é inevitável a saturação do grau de idiotice das notícias fúteis e as informações banais que nos assaltam diariamente.
    Nesse caldo de cultura, a porção venenosa que restava no fundo das latas de uma sopa genial aparece na massificação que transforma, em instantes, como num passe de mágica, quase que por encanto, próceres da nação que ora desponta no panorama mundial em parias de um Brasil medíocre, invejoso, mesquinho. Ninguém escapa dessa rede social, de ídolos da bola, a galãs do cinema ou TV. Mesmo pessoas respeitáveis e admiradas, ao longo dos anos, em questão de segundos são expostas à nódoa que transforma os 15 minutos de fama em uma existência de difamação.
    O exemplo mais republicano é o do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes bajulado, logo após descer a rampa do Planalto, é exposto à ira da mídia por uns poucos minutos de descanso, em um quartel qualquer no litoral paulista. Mesmo autoridades, dedicadas ao bem-estar social, são alvo de denúncias vazias, em cartas anônimas, que se transformam em um pesadelo até que a verdade venha à tona.
    Na velocidade dos fatos, ainda que distante da época em que vicejou o artista norte-americano, não é difícil se antever que teremos todos, democraticamente, os tais 15 minutos, mas de difamação. Afinal, foi outro gênio, desta vez na música brasileira, já havia percebido que, “no Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. A bênção, Tom Jobim.

    Sergio Nogueira Lopes Sociólogo e escritor.
    Autor do livro “Opinião Giratória”, entre outros.
     

    05-03-2011 00:00:00

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  • Tumulto no areal faz o mundo rever seus valores

    A crise que assombra as ditaduras instaladas nos países árabes assume o contorno da tragédia humana que se arrasta desde a dominação do Oriente Médio pelas grandes nações europeias. Faz tempo isso. Hoje, o levante que mostra ao mundo cenas próprias da Idade Média, com camelos e cavalos avançando sobre multidões enfurecidas, expõe os ingredientes da revolta que tomou conta daquele areal sustentado pelas regiões industrializadas e dependentes do Canal do Suez para transportar o petróleo, sem o qual suas máquinas e o modelo social, o welfare, não sobrevivem. Milhares de turistas também deixam fortunas por lá, ao visitar as Pirâmides que, impassíveis, assistem há séculos ao degredo dos valores como a dignidade humana e a justiça, há muito cozidas sob o sol do Saara.
    O monte de areia sobre o qual vivem milhares de almas ancestrais e suarentas anda agitado nos últimos dias. Escaldados pela miséria que mantém mais de 50% dos egípcios, tunisianos, líbios, sauditas, iemenitas, somalis e eritreus, entre outros, ajoelhados diante da exploração do homem pelo homem, os árabes encontraram na democracia um sonho para a saída dos mesmos problemas que seus antepassados levaram para o túmulo. Dias após o tirano da vez, na Tunísia, partir para a Arábia Saudita com bilhões de dólares roubados em jóias e barras de ouro, eclode a revolta que tenta apear do poder Hosni Mubarak, a mais notória múmia desde os tempos do Egito Antigo.
    Desta vez, nem os Estados Unidos, que sustentaram a camarilha imposta desde a década de 70 como anteparo dos mais altos interesses imperialistas na região, conseguem se manter fiéis ao títere. Mubarak, a exemplo da rainha Cleópatra com os romanos, tenta levar ao extremo a aliança com o Ocidente, apesar da revolta que lhe bate à porta.
    Caso o governo de Barack Obama avalizasse a violência contra as massas a exigir o fim da ditadura que ele tanto critica no Irã, em Cuba, na China e em tantos outros governos com regimes diferentes do seu país, cairia por terra o discurso da águia norte-americana, que sobrevoa os quadrantes do planeta na luta pelos ideais de liberdade e democracia. Quebram e arrebentam meio mundo com base nesse discurso. Chafurdam nas guerras em marcha no Iraque e no Afeganistão, com a diatribe de que o poder emana do povo e em seu nome será exercido. A conversa é ótima. A prática, no entanto, deixa tanto a desejar que agora, mesmo diante do clamor que derrama sangue pelas ruas do Cairo, ainda tentam salvar os dedos do bufão aliado, posto que os anéis se perderam ao longo de uma semana de fúria no areal.
    Mas, se Washington treme diante da iminente perda do controle sobre o pedágio do Suez, os israelenses não dormem desde que a praça al-Tahrir foi tomada por manifestantes. Principal aliado dos norte-americanos no Oriente Médio, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, encontra-se em uma ‘sinuca de bico’, como bem descreveria o filósofo Ruy Chapéu. Vizinho malquisto de palestinos, iranianos, sírios, libaneses e a maioria dos egípcios, aquela faixa arenosa banhada pelo Mediterrâneo e o Mar Vermelho perde o abrigo do potentado que prepara as malas rumo ao destino do ex-colega de Túnis. No momento que ruir a ditadura e o castelo de cartas desgastadas pela fome e a miséria vier abaixo, as fronteiras da Faixa de Gaza, que mantêm sob suposto controle os homens-bomba da Palestina radical, estarão fora da alçada israelense. Prato cheio para insurretos que pregam um novo banho de sangue na região.
    Ao mesmo tempo que norte-americanos e israelenses se vêem agastados diante a queda de um a um dos seus marionetes no poder de nações contendedoras, com o beneplácito das grandes corporações, responsáveis pela riqueza do tal Primeiro Mundo e, ao mesmo tempo, pela crise sem precedentes que o avassala, estes países não têm outra alternativa senão aplaudir a vontade expressa nas ruas. Se não fosse tão clichê, a imagem que melhor representa tamanho paradoxo é a do tiro no pé, embora, de seu túmulo, em Ramallah, o líder palestino Yasser Arafat nunca esteve em paz tão celestial, rindo às gargalhadas.
     

    05-02-2011 00:00:00

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  • O erro não está na solução, mas no problema

    As ditas 'nações desenvolvidas' seguem o roteiro da barata tonta na evolução das civilizações, após a cabeçada no teto da crise mundial que desestabiliza o sistema representado pela City e os engravatados da Wall Street. O tropeço econômico gigantesco dos EUA e do bloco europeu, mais o Japão, produz ondas de desequilíbrio social em todos os quadrantes do globo, capazes de derrubar, no Terceiro Mundo por exemplo, a sólida e corrupta ditadura da Tunísia; além de promover os recentes levantes no Cairo. Nas chamadas nações em desenvolvimento, entre as quais o Brasil, a Rússia, a China e a Índia estão inseridos. Os reflexos são menos grotescos, embora não menos tóxicos.

    Em recente conversa com os jornalistas, o pensador francês Alain Touraine, uma das mentes mais prodigiosas em atividade no Ocidente, ponderou que as finanças mundiais não obedecem hoje aos mesmos paradigmas do século passado e as empresas já não exercem mais o peso que detinham. Uma economia globalizada e fragmentada ao nível do átomo nas bolsas de valores ao redor do mundo não é controlada nem controlável, tanto hoje quanto no futuro, devido à fluidez dos capitais. Desta forma, segundo o sociólogo Touraine, desaparece no horizonte a miragem de uma reforma social capaz de levar aos povos uma civilização mais justa e equânime. Estamos agora num mundo de mercado e sem pensamento político, dominado pelo silêncio.

    A pressão exercida pelos preços dos alimentos é outro fator que empurra os ideólogos do sistema a avaliar as alternativas que restam, antes que a fome possa desintegrar, de forma irreversível, as frágeis democracias africanas e sul-americanas e, desta forma, fazer ruir o castelo de cartas que mantém de pé os ricos europeus ou norte-americanos. Noves fora, o pensador marxista não ortodoxo Slavoj ?i?ek, em outra recente entrevista, chega mais longe. Propõe que o erro não está na solução para o problema, mas no problema em si. Ele aponta a existência de um modelo social retrógrado e ultrapassado, que ainda se baseia em critérios válidos enquanto o mundo era dominado por um grupelho de nações armamentistas, capaz de criar impérios extrativistas, portanto, não sustentáveis, a exemplo do modelo social e político que defende até agora. Ele repara que, hoje em dia, não há um só país isolado no planeta, por mais rígidos que sejam sua organização ou fundamentos sociais, políticos ou religiosos. Nem Mianmar, atualmente, consegue se esconder das poderosas lentes da mídia internacional.

    Vivemos em um mundo cada vez menor, se mensurado em informação, ao mesmo tempo que cresce a distância entre os povos se a fita métrica for marcada em condições dignas de sobrevivência. O discurso fundamentalista dos grupos mais à direita, como o Tea Party, nos EUA, nesse aspecto, se equiparam à retórica da esquerda mais radical, exatamente por tratarem de soluções certas para um problema errado. Não vamos muito longe. Assistimos, todos, consternados, às cenas das enchentes e deslizamentos de terra na Região Serrana do Estado do Rio. E à grita geral que, no afã de apontar culpados, coloca o dedo em riste na direção dos prefeitos e demais autoridades, por deixar passar as construções em áreas de risco. Não faltou político, seja do partido da direita ou da esquerda, a apontar soluções para o problema.

    Ora, esse é o típico exemplo das tais alternativas acertadas para as questões erradas. Parece óbvio, mas muitos ainda não viram que o erro não está na ocupação das encostas perigosas por causa da falta de locais para a construção de moradias seguras, mas porque a sociedade brasileira e, de resto, mundial, estabeleceu ao longo dos séculos as regras que, hoje, levam o cidadão a arriscar a vida dele e a da família em centros urbanos flagelados pela falta de uma visão mais humanista do que mercantilista da realidade social.

    Mas isso é assunto para uma nova prosa. 

    04-02-2011 00:00:00

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  • Informação e Opinião  

    Ao recusar a extradição, Luiz Inácio agiu bem e tomou uma decisão humanitária, porque Cesare Battisti foi julgado à revelia na Itália, sem direito a mínima defesa

    22-01-2011 00:00:00

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  • Informação e Opinião

    Silvio Santos ganha a Medalha da Ordem do Mérito do Trabalho, outorgada pelo presidente Lula, mas Orestes Quércia não acredita mais no futuro do SBT e prefere investir na TV Record.

    08-12-2010 00:00:00

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  • Os economistas apostam que o Brasil vai crescer sem parar nos próximos 20 anos. E você? Também acredita nesse tipo de futurologia estatística?

    O Brasil precisa se olhar no espelho. As previsões são as mais otimistas, porém irreais. Para os próximos 20 anos, fala-se em crescimento do PIB entre 4,5% e 5% ao ano. Isso significa que a economia iria crescer 150% nesse período. Você acredita?

    Estudo do prof. William Eid Júnior, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mostra que esse crescimento não seria sustentável. Os portos e aeroportos já operam acima da capacidade. As ferrovias foram desmanteladas, com favorecimento do transporte rodoviário, mas as estradas são péssimas. Em oito anos de FHC e mais oito anos de Lula, nada mudou.

    Entre os 40 maiores países do mundo, somos o mais burocrático. Na educação, ocupamos uma vergonhosa 88ª posição. A China forma 300 mil engenheiros por ano, a Índia, 200 mil. O Brasil, menos de 30 mil. Claro, pode-se argumentar que a população deles é muito maior. “Mas como justificar que a Coreia, que tem apenas 25% da população brasileira, forme três vezes mais engenheiros? Dos formados em cursos superiores no Brasil, apenas 5% são engenheiros. Na Coreia, são 25%”, assinala o prof. Eid Júnior.

    Por isso, as expectativas dos países desenvolvidos são de Brasil e Rússia fornecendo commodities (bens primários, como produção agrícola e minérios) para Índia e China, que serão os grandes produtores industriais. Como se sabe, commodities não geram empregos nem valor agregado. Assim, lá se vão pelo espaço as previsões otimistas.

    NINGUÉM VENCE O BRASIL

    E a corrupção? Segundo a Transparência Internacional, dos 42 maiores países, o Brasil é o mais corrupto. China e Índia estão sete e oito posições acima da nossa.

    ADEUS, CASSETA & PLANETA

    Depois de 18 anos sendo exibido na Rede Globo, o “Casseta & Planeta Urgente” sairá do ar a partir de dezembro. A audiência já vinha caindo. Com a morte de Bussunda, seguiu despencando, não dá mais para segurar.

    Agora, os humoristas farão trabalhos independentes e longe da televisão. Já foi confirmado que Hubert e Marcelo Madureira estarão no longa-metragem “Agamenon”, com gravações programadas para os primeiros meses do próximo ano. Reinaldo já colabora em O Globo. Os outros estão em recesso.

    BAIXARIA CADA VEZ MAIOR

    Aliás, em matéria de audiência, as emissoras fazem de tudo, e o diretor Boninho está prometendo “pancadaria e muita bebida” para a próxima edição do "Big Brother Brasil", em janeiro.

    A agressão física não será mais proibida no programa (nas edições anteriores, resultava em eliminação imediata). "Nada mais é proibido no BBB, pode fazer o que quiser. Esse ano... liberado! Vai valer tudo, até porrada", revelou Boninho,adiantando que agora o programa não servirá aos participantes apenas bebidas leves. "Vai ser power... chega de bebida de criança", decretou.

    E pensar que a TV Globo acaba de conseguir  baixar a classificação do próximo "Big Brother Brasil" de 14 para 12 anos... Com isso, poderá ir ao ar depois das 20 horas e os participantes poderão se exibir livremente em outros programas, como o "Mais Você", de Ana Maria Braga. A que ponto chegamos.

    JOGO DO BICHO ELETRÔNICO

    Estava demorando, mas a tecnologia já muda até o jogo-do-bicho. Os apontadores que "trabalham" na Av. Olegário Maciel, logo no inicio da Barra da Tijuca, começaram a registrar apostas usando uma maquininha, que substitui o antigo bloco de anotações.

    Agora só falta o sorteio ser feito ao vivo, com transmissão pela internet.

     

     

    RODRIGO SANTORO FAZ SUCESSO

    Após a pré-estreia de "O Vigarista de Ano", que só agora está entrando em cartaz nos EUA, o site norte-americano TMZ perguntou aos leitores quem eles preferiam: Rodrigo Santoro ou Jim Carrey. O resultado é surpreendente: cerca de 80 por cento dos votos vão para Rodrigo.

    No filme, que estreou no Brasil no começo deste ano, os atores fazem um casal gay, com direito até a beijo na boca.

     

     

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    02-12-2010 00:00:00

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  • A brincadeira de ?tudo por dinheiro? e ?Silvio Santos vêm aí? acabou custando caro para a Caixa Econômica Federal, no caso do Banco PanAmericano

    Essa história do Banco PanAmericano coloca por terra dois mitos: 1 ) a eficiência da fiscalização exercida pelo Banco Central sobre o mercado financeiro. 2 ) A seriedade da chamadas agências de classificação de risco, que vivem a dar conselhos sobre bons ou maus investimentos. 

    A Caixa Econômica Federal gastou quase R$ 800 milhões para comprar 49% das ações do banco de Silvio Santos, sem que os auditores do Banco Central e da própria CEF percebessem nada, nenhuma irregularidade nem o risco de falência, mais do que flagrante.  

    Isso significa que o contribuinte pode ter sua vida devassada pela Receita, mas as grandes potências do mercado financeiro não são fiscalizadas e fazem o que bem entendem 

    Além disso. cinco das agências de classificação de risco, entre elas as internacionais Moody's e Fitch, recentemente deram nota máxima para o Banco PanAmericano, apontando-o como "investment grade" (grau de investimento), espécie de selo de segurança para o comprador de suas ações e títulos. 
     
    E a agência brasileira Riskbank não fez por menos, classificando o Banco PanAmericano como "baixo risco para curto prazo". Cinco meses depois, a instituição financeira quebrava e suas ações caíam cerca de 50% nas últimas semanas. 
     
    Traduzindo: não se pode dizer que haja seriedade no mercado financeiro do Brasil, onde o comando da economia está nas mãos dos grandes bancos nacionais e internacionais, que aqui cobram os juros que bem entendem e obtém os maiores índices de lucratividade do mundo. 

    Nos Eua, Banco vai à Falência

    Se fosse nos Estados Unidos, o PanAmericano já tinha ido para o espaço, como ocorreu no caso do banco de investimentos Lehman Brothers, que operava com governos, grandes companhias e instituições financeiras praticamente no mundo inteiro e empregava 25 mil pessoas.

    O Lehman Brothers declarou concordata em 2008 e hoje nem existe mais, tendo sido absorvido pelo grupo japonês Nomura.

    ‘O Baú não esvaziou’

    Nos corredores da sede do SBT, em São Paulo, anuncia-se que Silvio Santos dirigirá uma mensagem de otimismo aos funcionários da rede de televisão, que foi dada como garantia pelo empréstimo concedido ao PanAmericano. Para tranquilizá-los, Silvio Santos vai dizer que o Baú ainda não esvaziou e é preciso abrir as portas da esperança.

     

    26-11-2010 00:00:00

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