Região dos Lagos e Norte Fluminense

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Sexta-feira , 18 de May 2012
  • Construindo um futuro mais fraterno

    Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, quero fazer uma homenagem a todas aquelas meninas e mulheres que trabalham não apenas por um amanhã melhor, mas para construir pessoas melhores. Estudo do Banco Mundial de 1995 revelou na teoria o que podemos verificar na prática: que a escolaridade da mãe tem influência direta no sucesso escolar dos filhos. Isso porque a Educação contribui diretamente na modificação de hábitos, gerando condições de proporcionar melhor nutrição e melhores serviços de saúde as crianças. O estudo aponta também que a mulher que atinge níveis maiores de escolaridade geralmente adia em alguns anos a maternidade, o que ajuda a reduzir os índices de gravidez na adolescência.

    O reflexo disso é a valorização da mulher no mercado de trabalho. Na semana passada, um estudo revelou que o estado do Rio, frente aos demais estados do País, é o que dá mais espaço às mulheres no mercado. Enquanto no Brasil elas detém 43% dos postos de trabalho e 36% dos cargos de chefia, aqui no Rio metade das vagas são delas e 41% ocupam cargos de chefia. Isso mostra que quando elas tem oportunidades iguais, o sucesso naturalmente está fadado a acontecer. Ainda precisamos diminuir  as desigualdades salariais entre os sexos, mas estes números representam um avanço.

    A importância da mãe na educação do filho é enorme. É ela quem acompanha, vigia e impulsiona a criança a entrar no mundo. Quando penso na minha família, as lembranças mais doces são aquelas em que minha mãe está. E muito do que aprendi, devo a ela. Por este motivo, sempre busquei defendê-las do machismo e do desrespeito. Não é à toa, que no dia 8 de março também completam quatro anos da aprovação do projeto de lei que instituiu a obrigatoriedade às concessionárias de metrô e trens reservarem vagões exclusivos para as mulheres nos horários de rush.

    Quando fiz esta lei, foi para defender as mulheres da Baixada Fluminense, da Zona Oeste do Rio, do subúrbio e da Zona Sul do assédio. Até hoje ouço histórias de vagabundos que encostam nas mulheres na hora do trem e do metrô mais cheio e a descrição da sensação de desprezo e impotência que algumas mulheres sentem. É esta falta de educação que queremos combater. Vivemos num país civilizado. As mulheres são para serem respeitadas e amadas, pois contribuem diretamente na construção de uma sociedade melhor e mais fraterna. Foi assim que aprendi e é para disseminar esta idéia que trabalho. Parabéns a todas as mulheres!

    *Jorge Picciani (PMDB) é presidente da Alerj

    09-03-2010 00:00:00

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  • Construindo um futuro mais fraterno

    Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, quero fazer uma homenagem a todas aquelas meninas e mulheres que trabalham não apenas por um amanhã melhor, mas para construir pessoas melhores. Estudo do Banco Mundial de 1995 revelou na teoria o que podemos verificar na prática: que a escolaridade da mãe tem influência direta no sucesso escolar dos filhos. Isso porque a Educação contribui diretamente na modificação de hábitos, gerando condições de proporcionar melhor nutrição e melhores serviços de saúde as crianças. O estudo aponta também que a mulher que atinge níveis maiores de escolaridade geralmente adia em alguns anos a maternidade, o que ajuda a reduzir os índices de gravidez na adolescência.

    O reflexo disso é a valorização da mulher no mercado de trabalho. Na semana passada, um estudo revelou que o estado do Rio, frente aos demais estados do País, é o que dá mais espaço às mulheres no mercado. Enquanto no Brasil elas detém 43% dos postos de trabalho e 36% dos cargos de chefia, aqui no Rio metade das vagas são delas e 41% ocupam cargos de chefia. Isso mostra que quando elas tem oportunidades iguais, o sucesso naturalmente está fadado a acontecer. Ainda precisamos diminuir  as desigualdades salariais entre os sexos, mas estes números representam um avanço.

    A importância da mãe na educação do filho é enorme. É ela quem acompanha, vigia e impulsiona a criança a entrar no mundo. Quando penso na minha família, as lembranças mais doces são aquelas em que minha mãe está. E muito do que aprendi, devo a ela. Por este motivo, sempre busquei defendê-las do machismo e do desrespeito. Não é à toa, que no dia 8 de março também completam quatro anos da aprovação do projeto de lei que instituiu a obrigatoriedade às concessionárias de metrô e trens reservarem vagões exclusivos para as mulheres nos horários de rush.

    Quando fiz esta lei, foi para defender as mulheres da Baixada Fluminense, da Zona Oeste do Rio, do subúrbio e da Zona Sul do assédio. Até hoje ouço histórias de vagabundos que encostam nas mulheres na hora do trem e do metrô mais cheio e a descrição da sensação de desprezo e impotência que algumas mulheres sentem. É esta falta de educação que queremos combater. Vivemos num país civilizado. As mulheres são para serem respeitadas e amadas, pois contribuem diretamente na construção de uma sociedade melhor e mais fraterna. Foi assim que aprendi e é para disseminar esta idéia que trabalho. Parabéns a todas as mulheres!

    *Jorge Picciani (PMDB) é presidente da Alerj

    09-03-2010 00:00:00

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  • Cinquenta anos

    Brasília vai completar 50 anos e virou uma senhora de idade. Conheci a cidade ainda nascendo, um imenso canteiro de obras então chamado de Plano Piloto. Foi em fins de 1958. No meio daquela imensa área de terra vermelha, no meio de tanta poeira, o Hotel do Lago era o único prédio pronto, onde me hospedei.

    A viagem não fora fácil, do Rio de Janeiro a São Paulo pela antiga Dutra, então com uma pista única, depois asfalto até a fronteira de Minas, e daí em diante chão de terra. De Goiânia a Brasília alguns trechos de asfalto, mas minha Vemaguet beje, um DKW de 1000 de cilindradas e três cilindros, misturada de gasolina e óleo venceu tudo galhardamente

    A vida era concentrada no Núcleo Bandeirante, Cidade Livre, construção toda de madeira, com grande atividade, gente de toda parte do país, a maioria do nordeste, mas até aventureiros estrangeiros conheci. Rodei pelos então chamados lugares turísticos, inclusive o Catetinho, o palácio em miniatura e de madeira onde ficava o Presidente Juscelino Kubitschek. A volta passando por Paracatu, até chegar a Belo Horizonte, percorri estradinhas estreitas, por vezes passando por fazendas, a nova

    estrada estava ainda em construção.

    Voltei a Brasília já depois de inaugurada mais de uma vez. Visitava-se aos sábados ou domingos o Palácio Alvorada, que ainda não exibia o grande gramado da frente. Mais tarde finalmente fui morar em Brasília por três anos, realizando o sonho de viver na nova capital.

    Para mim Brasília sempre foi a grande esperança. Uma aventura perigosa e arriscada de um presidente visionário. Seria um Brasil novo. Mas hoje podemos ver que com tudo que de bom, de todo o progresso para o país que a construção de Brasília trouxe, também vemos que muitos vícios novos foram criados ou inventados pelos políticos.

    No Rio de Janeiro a Câmara dos deputados funcionava no Palácio Tiradentes e o Senado no Palácio Monroe. O primeiro ainda está lá, é a Assembléia do Estado, o outro , bastante elegante, foi destruído para a construção do Metro. Então deputados e Senadores saiam de seus estados e vinham morar no Rio. Viajavam de trem, de navio da Costeira (os Ita) ou avião. Não sei se davam duro no trabalho, fossem as comissões, fosse o plenário. O fato é que ficavam na capital.

    No começo todos reclamavam morar em Brasília. As respeitáveis Suas Excelências, deputados e senadores, apesar de receberem excelentes e amplos apartamentos em Brasília, inventaram as idas de fim de semanas a seus estados, às suas bases. A Varig, a Real e outras companhias áreas de então exultaram: passageiros garantidos todo o ano, pagamento certo. E a coisa ficou. A semana de comparecimento à Câmara e ao Senado foi reduzida para três dias de trabalho: terça, quarta e quinta, pois já na sexta Suas Excelências pegavam o avião para suas cidades, voltando na segunda.

    Não sei quando começou, mas ficou e não há jeito de mudar. Um excelentíssimo deputado ainda por cima pretende que a Câmara compre avião próprio. Não se sente bem viajar no meio de outros passageiros, acha que deve haver avião oficial como os carros oficiais. Naturalmente quem paga a conta é o contribuinte.

    Poderia investigar sobre os escândalos passados no Palácio Tiradentes e no Monroe no tempo da capital no Rio de Janeiro. Terá havido, mas nunca tão monstruosos como com a capital em Brasília. O presidente do Senado, ex-Senador pelo Maranhão e agora pelo Amapá, proclamou que faria uma reforma completa. Qual o que! Mantém 130 diretores, ganhando comissões extras. O velho político não larga a Presidência do Senado e garante daqui ninguém me tira. (Os países com o sistema unicameral, como Portugal, Suécia, Peru e tantos outros, levam a grande vantagem de possuir uma única assembléia legislativa, não possuem senado, economia e mais rapidez na confecção das leis.)

    A Câmara acaba de descobrir mais uma maracutaia: funcionários com transporte em ônibus oficiais recebiam vale transporte e outros golpes, num prejuízo de milhões de reais. É a desorganização completa. Os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo por cabeça. — Brasília valeu a pena, mais está saindo muito cara, principalmente por que falta um mínimo de espírito público à maioria dos políticos brasileiros.

    05-03-2010 00:00:00

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  • Cinquenta anos

    Brasília vai completar 50 anos e virou uma senhora de idade. Conheci a cidade ainda nascendo, um imenso canteiro de obras então chamado de Plano Piloto. Foi em fins de 1958. No meio daquela imensa área de terra vermelha, no meio de tanta poeira, o Hotel do Lago era o único prédio pronto, onde me hospedei.

    A viagem não fora fácil, do Rio de Janeiro a São Paulo pela antiga Dutra, então com uma pista única, depois asfalto até a fronteira de Minas, e daí em diante chão de terra. De Goiânia a Brasília alguns trechos de asfalto, mas minha Vemaguet beje, um DKW de 1000 de cilindradas e três cilindros, misturada de gasolina e óleo venceu tudo galhardamente

    A vida era concentrada no Núcleo Bandeirante, Cidade Livre, construção toda de madeira, com grande atividade, gente de toda parte do país, a maioria do nordeste, mas até aventureiros estrangeiros conheci. Rodei pelos então chamados lugares turísticos, inclusive o Catetinho, o palácio em miniatura e de madeira onde ficava o Presidente Juscelino Kubitschek. A volta passando por Paracatu, até chegar a Belo Horizonte, percorri estradinhas estreitas, por vezes passando por fazendas, a nova

    estrada estava ainda em construção.

    Voltei a Brasília já depois de inaugurada mais de uma vez. Visitava-se aos sábados ou domingos o Palácio Alvorada, que ainda não exibia o grande gramado da frente. Mais tarde finalmente fui morar em Brasília por três anos, realizando o sonho de viver na nova capital.

    Para mim Brasília sempre foi a grande esperança. Uma aventura perigosa e arriscada de um presidente visionário. Seria um Brasil novo. Mas hoje podemos ver que com tudo que de bom, de todo o progresso para o país que a construção de Brasília trouxe, também vemos que muitos vícios novos foram criados ou inventados pelos políticos.

    No Rio de Janeiro a Câmara dos deputados funcionava no Palácio Tiradentes e o Senado no Palácio Monroe. O primeiro ainda está lá, é a Assembléia do Estado, o outro , bastante elegante, foi destruído para a construção do Metro. Então deputados e Senadores saiam de seus estados e vinham morar no Rio. Viajavam de trem, de navio da Costeira (os Ita) ou avião. Não sei se davam duro no trabalho, fossem as comissões, fosse o plenário. O fato é que ficavam na capital.

    No começo todos reclamavam morar em Brasília. As respeitáveis Suas Excelências, deputados e senadores, apesar de receberem excelentes e amplos apartamentos em Brasília, inventaram as idas de fim de semanas a seus estados, às suas bases. A Varig, a Real e outras companhias áreas de então exultaram: passageiros garantidos todo o ano, pagamento certo. E a coisa ficou. A semana de comparecimento à Câmara e ao Senado foi reduzida para três dias de trabalho: terça, quarta e quinta, pois já na sexta Suas Excelências pegavam o avião para suas cidades, voltando na segunda.

    Não sei quando começou, mas ficou e não há jeito de mudar. Um excelentíssimo deputado ainda por cima pretende que a Câmara compre avião próprio. Não se sente bem viajar no meio de outros passageiros, acha que deve haver avião oficial como os carros oficiais. Naturalmente quem paga a conta é o contribuinte.

    Poderia investigar sobre os escândalos passados no Palácio Tiradentes e no Monroe no tempo da capital no Rio de Janeiro. Terá havido, mas nunca tão monstruosos como com a capital em Brasília. O presidente do Senado, ex-Senador pelo Maranhão e agora pelo Amapá, proclamou que faria uma reforma completa. Qual o que! Mantém 130 diretores, ganhando comissões extras. O velho político não larga a Presidência do Senado e garante daqui ninguém me tira. (Os países com o sistema unicameral, como Portugal, Suécia, Peru e tantos outros, levam a grande vantagem de possuir uma única assembléia legislativa, não possuem senado, economia e mais rapidez na confecção das leis.)

    A Câmara acaba de descobrir mais uma maracutaia: funcionários com transporte em ônibus oficiais recebiam vale transporte e outros golpes, num prejuízo de milhões de reais. É a desorganização completa. Os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo por cabeça. — Brasília valeu a pena, mais está saindo muito cara, principalmente por que falta um mínimo de espírito público à maioria dos políticos brasileiros.

    05-03-2010 00:00:00

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  • Marina é o futuro

    José Eli da Veiga*

    02-03-2010 00:00:00

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  • Marina é o futuro

    José Eli da Veiga*

    02-03-2010 00:00:00

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  • Vai com Deus AMIGO

    Luiz Romano Silveira de Souza Lorenzi – ex-secretário de Cultura de Armação dos Búzios

    26-02-2010 00:00:00

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  • Vai com Deus AMIGO

    Luiz Romano Silveira de Souza Lorenzi – ex-secretário de Cultura de Armação dos Búzios

    26-02-2010 00:00:00

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  • O caminho da energia

    Marcos Bayer - É advogado, empresário e membro do Conselho Consultivo da Fundação Bem Te Vi

    23-02-2010 00:00:00

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  • O caminho da energia

    Marcos Bayer - É advogado, empresário e membro do Conselho Consultivo da Fundação Bem Te Vi

    23-02-2010 00:00:00

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  • O mundo muda

    A idéia de que nada muda no mundo, que tudo continua na mesma, é uma ilusão. Já filósofos gregos falavam de que a água do rio vai correndo, vai se transformando, a água nunca é a mesma. Mas não precisamos de filosofias para ver que hoje não é igual a ontem e que amanhã será diferente também.

    Quando morei na África do Sul, o país era desprezado, condenado pela ONU por sua política racista do apartheid. Nenhum clube de futebol europeu lá ia jogar, agora a África do Sul vai sediar a Copa. O Presidente era branco, Ministro da ‘Igreja Reformada Holandesa’, e só os sul-africanos classificados pela burocracia estatal de ‘brancos’ votavam nas eleições. Hoje o Presidente, Zuma, de cor, zulu, poligâmico, com três esposas e o país é o único no mundo que tem três Primeiras Damas ‘nie Blank’, (em Afrikaans, a língua mais falada ) ou ‘non White’, (em inglês).

    Na Europa a Torre Eiffel continua no mesmo lugar atraindo milhões de turistas todos os anos, as obras de arte italianas em seus museus, as catedrais góticas, tudo continua na mesma, mas a Europa de hoje é muito diferente daquela do tempo dos nosso avós. Nova York ostenta a famosa estátua da Liberdade, presenteada pela França há mais de um século, símbolo da democracia e dos direitos humanos, exemplo para o mundo. Também mudou. De seus afamados bancos que dominavam a economia mundial, alguns fecharam as portas, faliram.

    Do outro lado a China, com uma história de vários milhares de anos, em certa época foi subjugada por potências estrangeiras que mandavam e desmandavam. Hoje é uma superpotência, no lugar dos riquixás puxados por chineses esses mesmos chineses andam agora em milhões de automóveis fabricados por eles mesmos.

    Faz anos que um escritor austríaco chamado Stefan Zweig, autor de romances e biografias muito populares em todo o mundo, passou pelo Rio e se apaixona pelo país. Volta depois, andou por São Paulo, Minas, Nordeste e Amazônia. A viagem se transforma num livro intitulado, Brasilien, ein Land der Zukunft, publicado em alemão na Suécia, em Estocolmo, em 1941, traduzido em várias línguas e em português com o título de Brasil, País do Futuro.

    Em 1938 deixara seu país e se tornara um homem do mundo. A guerra estala com a expansão nazista na Europa. Stefan Zweig, sendo judeu, tem suas obras banidas na Alemanha e em sua terra natal. Em 1941 emigra para o Brasil com sua mulher Lotte. Mora em Petrópolis.

    Era a época do Estado Novo de Getúlio Vargas. Certos intelectuais brasileiros receberam o livro de Stefan Zweig como se tivesse sido encomendado pelo órgão de propaganda de Getúlio. Nada mais falso. O livro de Stefan Zweig era sincero. É verdade que o escritor, que já sofria de forte depressão com a guerra européia e as perseguições nazistas, se ressentiu da frieza da intelectualidade brasileira. Quinze meses depois de chegar ao Brasil comete suicídio, junto com sua mulher, em sua casa na cidade serrana.

    Fui um grande admirador e leitor apaixonado dos romances e biografias escritas por Stefan Zweig. Quando de sua morte, passava, como de costume, o verão em Petrópolis na casa de nossa família. Foi uma grande comoção na cidade, era fevereiro, depois do carnaval, no cemitério assisti ao enterramento do casal.

    O ‘país do futuro’ ficou permanente na imaginação do brasileiro. O livro de Stefan Zweig fora uma obra séria de observação, de um escritor que rodara o mundo, que conhecera povos e culturas variadas. Mas ‘país do futuro’ passou a servir de frase pejorativa, usada pelos próprios brasileiros, face aos problemas e vagaroso desenvolvimento do país ou de golpes e espertezas de políticos.

    Estou certo que Stefan Zweig não ficaria decepcionado se hoje voltasse ao Brasil. O país no todo é outro, avançou muito. Não é perfeito, milhares de problemas, milhares de defeitos e imperfeições. Mas muito foi feito. Cresceu em população e em todos os setores. Passou para a primeira classe, é respeitado em todo o mundo. Deixou de ser conhecido como país do café e do futebol para virar uma potência. Já temos o direito e o mérito de sermos arrogantes. A mudança continua.

    19-02-2010 00:00:00

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  • O mundo muda

    A idéia de que nada muda no mundo, que tudo continua na mesma, é uma ilusão. Já filósofos gregos falavam de que a água do rio vai correndo, vai se transformando, a água nunca é a mesma. Mas não precisamos de filosofias para ver que hoje não é igual a ontem e que amanhã será diferente também.

    Quando morei na África do Sul, o país era desprezado, condenado pela ONU por sua política racista do apartheid. Nenhum clube de futebol europeu lá ia jogar, agora a África do Sul vai sediar a Copa. O Presidente era branco, Ministro da ‘Igreja Reformada Holandesa’, e só os sul-africanos classificados pela burocracia estatal de ‘brancos’ votavam nas eleições. Hoje o Presidente, Zuma, de cor, zulu, poligâmico, com três esposas e o país é o único no mundo que tem três Primeiras Damas ‘nie Blank’, (em Afrikaans, a língua mais falada ) ou ‘non White’, (em inglês).

    Na Europa a Torre Eiffel continua no mesmo lugar atraindo milhões de turistas todos os anos, as obras de arte italianas em seus museus, as catedrais góticas, tudo continua na mesma, mas a Europa de hoje é muito diferente daquela do tempo dos nosso avós. Nova York ostenta a famosa estátua da Liberdade, presenteada pela França há mais de um século, símbolo da democracia e dos direitos humanos, exemplo para o mundo. Também mudou. De seus afamados bancos que dominavam a economia mundial, alguns fecharam as portas, faliram.

    Do outro lado a China, com uma história de vários milhares de anos, em certa época foi subjugada por potências estrangeiras que mandavam e desmandavam. Hoje é uma superpotência, no lugar dos riquixás puxados por chineses esses mesmos chineses andam agora em milhões de automóveis fabricados por eles mesmos.

    Faz anos que um escritor austríaco chamado Stefan Zweig, autor de romances e biografias muito populares em todo o mundo, passou pelo Rio e se apaixona pelo país. Volta depois, andou por São Paulo, Minas, Nordeste e Amazônia. A viagem se transforma num livro intitulado, Brasilien, ein Land der Zukunft, publicado em alemão na Suécia, em Estocolmo, em 1941, traduzido em várias línguas e em português com o título de Brasil, País do Futuro.

    Em 1938 deixara seu país e se tornara um homem do mundo. A guerra estala com a expansão nazista na Europa. Stefan Zweig, sendo judeu, tem suas obras banidas na Alemanha e em sua terra natal. Em 1941 emigra para o Brasil com sua mulher Lotte. Mora em Petrópolis.

    Era a época do Estado Novo de Getúlio Vargas. Certos intelectuais brasileiros receberam o livro de Stefan Zweig como se tivesse sido encomendado pelo órgão de propaganda de Getúlio. Nada mais falso. O livro de Stefan Zweig era sincero. É verdade que o escritor, que já sofria de forte depressão com a guerra européia e as perseguições nazistas, se ressentiu da frieza da intelectualidade brasileira. Quinze meses depois de chegar ao Brasil comete suicídio, junto com sua mulher, em sua casa na cidade serrana.

    Fui um grande admirador e leitor apaixonado dos romances e biografias escritas por Stefan Zweig. Quando de sua morte, passava, como de costume, o verão em Petrópolis na casa de nossa família. Foi uma grande comoção na cidade, era fevereiro, depois do carnaval, no cemitério assisti ao enterramento do casal.

    O ‘país do futuro’ ficou permanente na imaginação do brasileiro. O livro de Stefan Zweig fora uma obra séria de observação, de um escritor que rodara o mundo, que conhecera povos e culturas variadas. Mas ‘país do futuro’ passou a servir de frase pejorativa, usada pelos próprios brasileiros, face aos problemas e vagaroso desenvolvimento do país ou de golpes e espertezas de políticos.

    Estou certo que Stefan Zweig não ficaria decepcionado se hoje voltasse ao Brasil. O país no todo é outro, avançou muito. Não é perfeito, milhares de problemas, milhares de defeitos e imperfeições. Mas muito foi feito. Cresceu em população e em todos os setores. Passou para a primeira classe, é respeitado em todo o mundo. Deixou de ser conhecido como país do café e do futebol para virar uma potência. Já temos o direito e o mérito de sermos arrogantes. A mudança continua.

    19-02-2010 00:00:00

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  • O sucesso é ofensa pessoal aos renitentes invejosos

    ruy borba, filho - Jornalista e Advogado

    12-02-2010 00:00:00

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  • O crack e o suplício da sociedade

    Tadeu Assis

    12-02-2010 00:00:00

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  • Até onde a Imprensa pode chegar?

    Fiquei literalmente chocado – e indignado – com a matéria publicada pel’O Perú Molhado, edição 949 de 6 de fevereiro de 2010, página 24, intitulada Pesadelos de uma noite de verão, de autoria do repórter uilian cheiquispire (sic). Nessa reportagem, foram envolvidas pessoas de meu conhecimento – o Dr. Ruy Borba e o Sr. Kaue. Quanto ao Kaue, não posso dizer que tenho com ele vínculos de amizade, pois rara vez nos encontramos e não temos convívio social. Tenho apenas notícia de seu bom trabalho como Administrador da Fundação Bem-te-vi, na Rasa. Mas com relação ao Ruy, quero desde já deixar bem claro que o considero um grande amigo, uma pessoa de bem, e que em boa hora veio fincar pé em nossa Aldeia, empenhando seus esforços e recursos na construção de uma obra que já é padrão de excelência em nosso município e em toda região. Convivo há muitos anos com Ruy, desde a fundação do Jornal Primeira Hora, e cada vez mais me convenço que fui aquinhoado com a amizade de uma pessoa temente a Deus, inteligente, generosa, empreendedora e que, ultimamente, revelou para a cidade suas qualidades de grande administrador público. Jamais poderia esperar que um jornal de nossa cidade pudesse pretender expor de maneira tão crua e indevida a vida de um homem público e de pessoas de suas relações, confundindo o puro humor (mesmo negro) com chacota grosseira.

    Nessa mesma reportagem, notei franco preconceito contra o direito de qualquer pessoa em escolher sua orientação sexual, quando, logo no início do texto, o repórter cita que O irmão que além de gay é maconheiro... e, ao término da matéria, ... afinal não temos nada contra gays nem maconheiros. São tiradas do tipo que revelam o preconceito mais cru, como, por exemplo, quando alguém fala de uma pessoa negra ausente: É preto, mas é boa pessoa. E quando, na mesma observação final, o jornal declara que Essa é mais uma obra de ficção do Perú Molhado. Qualquer semelhança com a vida do Dr. Ruy Borba, de seu amigo Kaue e de sua família é pura, puríssima coincidência... lembro de textos por mim lidos, tanto em jornais brasileiros como em notórias revistas e jornais representantes da Imprensa Marrom no estrangeiro, que optavam exatamente por esse mesmo subterfúgio: Qualquer semelhança.... Essa reportagem do sr. uilian se reveste de gravidade ainda maior porque nossa cidade é, em termos populacionais, uma aldeia – e um texto tão lamentável como esse, que numa metrópole talvez não tivesse a menor repercussão, aqui na Península está manchando de maneira indelével a reputação de homens de bem, que se sacrificam e trabalham intensamente, e que contribuem demais para a qualidade de vida de muitas famílias na região mais pobre de nosso município. E porque fazem o bem, não importa a cor de sua pele, se são gordos ou magros, ou qual a sua orientação sexual. Lamento profundamente que esse tipo de imprensa ainda viceje em nossa cidade. A imprensa tem que ser isenta, equilibrada, honesta, não preconceituosa e muito cuidadosa, quando se trata de ferir a honra de cidadãos de bem. E, sobretudo, deve estabelecer seus próprios limites, sobre o que é informação e notícia e o que é libelo e difamação, sob pena de perder a própria razão de ser.

     

    Fernando Naxcimento, artista plástico, tradutor, membro da Academia de Letras e Artes Buziana e Conselheiro Editorial do Jornal Primeira Hora

    fnax@terra.com.br

    12-02-2010 00:00:00

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  • O sucesso é ofensa pessoal aos renitentes invejosos

    ruy borba, filho - Jornalista e Advogado

    12-02-2010 00:00:00

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  • O crack e o suplício da sociedade

    Tadeu Assis

    12-02-2010 00:00:00

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  • Até onde a Imprensa pode chegar?

    Fiquei literalmente chocado – e indignado – com a matéria publicada pel’O Perú Molhado, edição 949 de 6 de fevereiro de 2010, página 24, intitulada Pesadelos de uma noite de verão, de autoria do repórter uilian cheiquispire (sic). Nessa reportagem, foram envolvidas pessoas de meu conhecimento – o Dr. Ruy Borba e o Sr. Kaue. Quanto ao Kaue, não posso dizer que tenho com ele vínculos de amizade, pois rara vez nos encontramos e não temos convívio social. Tenho apenas notícia de seu bom trabalho como Administrador da Fundação Bem-te-vi, na Rasa. Mas com relação ao Ruy, quero desde já deixar bem claro que o considero um grande amigo, uma pessoa de bem, e que em boa hora veio fincar pé em nossa Aldeia, empenhando seus esforços e recursos na construção de uma obra que já é padrão de excelência em nosso município e em toda região. Convivo há muitos anos com Ruy, desde a fundação do Jornal Primeira Hora, e cada vez mais me convenço que fui aquinhoado com a amizade de uma pessoa temente a Deus, inteligente, generosa, empreendedora e que, ultimamente, revelou para a cidade suas qualidades de grande administrador público. Jamais poderia esperar que um jornal de nossa cidade pudesse pretender expor de maneira tão crua e indevida a vida de um homem público e de pessoas de suas relações, confundindo o puro humor (mesmo negro) com chacota grosseira.

    Nessa mesma reportagem, notei franco preconceito contra o direito de qualquer pessoa em escolher sua orientação sexual, quando, logo no início do texto, o repórter cita que O irmão que além de gay é maconheiro... e, ao término da matéria, ... afinal não temos nada contra gays nem maconheiros. São tiradas do tipo que revelam o preconceito mais cru, como, por exemplo, quando alguém fala de uma pessoa negra ausente: É preto, mas é boa pessoa. E quando, na mesma observação final, o jornal declara que Essa é mais uma obra de ficção do Perú Molhado. Qualquer semelhança com a vida do Dr. Ruy Borba, de seu amigo Kaue e de sua família é pura, puríssima coincidência... lembro de textos por mim lidos, tanto em jornais brasileiros como em notórias revistas e jornais representantes da Imprensa Marrom no estrangeiro, que optavam exatamente por esse mesmo subterfúgio: Qualquer semelhança.... Essa reportagem do sr. uilian se reveste de gravidade ainda maior porque nossa cidade é, em termos populacionais, uma aldeia – e um texto tão lamentável como esse, que numa metrópole talvez não tivesse a menor repercussão, aqui na Península está manchando de maneira indelével a reputação de homens de bem, que se sacrificam e trabalham intensamente, e que contribuem demais para a qualidade de vida de muitas famílias na região mais pobre de nosso município. E porque fazem o bem, não importa a cor de sua pele, se são gordos ou magros, ou qual a sua orientação sexual. Lamento profundamente que esse tipo de imprensa ainda viceje em nossa cidade. A imprensa tem que ser isenta, equilibrada, honesta, não preconceituosa e muito cuidadosa, quando se trata de ferir a honra de cidadãos de bem. E, sobretudo, deve estabelecer seus próprios limites, sobre o que é informação e notícia e o que é libelo e difamação, sob pena de perder a própria razão de ser.

     

    Fernando Naxcimento, artista plástico, tradutor, membro da Academia de Letras e Artes Buziana e Conselheiro Editorial do Jornal Primeira Hora

    fnax@terra.com.br

    12-02-2010 00:00:00

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  • Novo marco na fiscalização

    Foi apresentado na Alerj um projeto de emenda constitucional que cria o Tribunal de Contas dos Municípios (TECM), importante medida para o nosso estado. De autoria dos deputados André Correia (PPS), Cidinha Campos (PDT), Marcelo Freixo (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e Gilberto Palmares (PT), a PEC divide a atual estrutura do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em duas e define os focos de atuação de cada um: enquanto o TCE fiscalizará a atuação dos poderes Executivo – e de todas as suas autarquias, empresas e fundações –, Legislativo e Judiciário, o TECM ficará responsável pelo acompanhamento da administração de 91 municípios do estado, com exceção da cidade do Rio, que tem seu tribunal de contas próprio, o TCM.

    Além de dar mais agilidade e eficiência às fiscalizações junto às nossas cidades – há processos aguardando julgamento desde a década de 1980! – essa proposta visa a evitar desvios de conduta amplamente denunciados pela CPI do TCE e que são desde o ano passado objeto de uma investigação em curso pelo Superior Tribunal Federal, sob a competência da Polícia Federal.

    Esse novo tribunal que está sendo proposto em nada se assemelha ao finado Conselho de Contas dos Municípios, extinto pela Assembléia, inclusive com o meu voto, em 1991. A primeira grande diferença é que o novo TECM não representará criação de despesas nem, à exceção dos sete conselheiros, de novos cargos funcionais. O orçamento e o corpo técnico do novo órgão serão oriundos da divisão do atual TCE, que, com menos funções, não precisará manter a mesma estrutura atual.    

    Outro diferencial do novo tribunal é que seus conselheiros serão escolhidos sob outros critérios, muito mais técnicos e menos políticos. Não temos mais o direito de errar, como fizemos no passado, ao escolher nomes que, mesmo obrigados a se desligar formalmente da vida partidária, continuaram com vínculos umbilicais com a política, com uma atuação que, antes de ser técnica, privilegia a lógica eleitoral.

    Além disso, o novo tribunal será regido por uma Lei Orgânica rígida, que será redigida em conjunto com a sociedade pelo deputado Luiz Paulo (PSDB), corregedor da Alerj. Essa Lei Orgânica deverá definir preceitos de funcionamento que privilegiem a total transparência do novo órgão, não só nos seus atos de fiscalização, mas também seus atos internos, que deverão estar abertos ao escrutínio público.

    Pois é fato que os tribunais de contas Brasil afora se transformaram em verdadeiras caixas- pretas, mas o caso do TCE do Rio é emblemático. Três de seus conselheiros, investigados por corrupção pelo STJ num escândalo revelado inicialmente pela revista Veja, chegaram a ser indiciados pela Polícia Federal, razão pela qual a Alerj criou a CPI do TCE.

    Mas, valendo-se de suas prerrogativas legais, esses conselheiros se recusaram a depor na CPI,  fazendo de tudo para inviabilizá-la, quando o natural seria demonstrar interesse em esclarecer as denuncias.  Mesmo investigados, esses conselheiros não foram sequer afastados de suas funções, sequer se licenciaram.

    É por isso que precisamos agir. Não é à toa que a emenda em curso recebeu apoio integral da Associação dos Prefeitos do Estado do Rio de Janeiro. Mais do que ninguém, eles sabem da necessidade de fazer alguma coisa concreta para mudar o que aí está.

    08-02-2010 00:00:00

    saiba mais
  • Novo marco na fiscalização

    Foi apresentado na Alerj um projeto de emenda constitucional que cria o Tribunal de Contas dos Municípios (TECM), importante medida para o nosso estado. De autoria dos deputados André Correia (PPS), Cidinha Campos (PDT), Marcelo Freixo (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e Gilberto Palmares (PT), a PEC divide a atual estrutura do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em duas e define os focos de atuação de cada um: enquanto o TCE fiscalizará a atuação dos poderes Executivo – e de todas as suas autarquias, empresas e fundações –, Legislativo e Judiciário, o TECM ficará responsável pelo acompanhamento da administração de 91 municípios do estado, com exceção da cidade do Rio, que tem seu tribunal de contas próprio, o TCM.

    Além de dar mais agilidade e eficiência às fiscalizações junto às nossas cidades – há processos aguardando julgamento desde a década de 1980! – essa proposta visa a evitar desvios de conduta amplamente denunciados pela CPI do TCE e que são desde o ano passado objeto de uma investigação em curso pelo Superior Tribunal Federal, sob a competência da Polícia Federal.

    Esse novo tribunal que está sendo proposto em nada se assemelha ao finado Conselho de Contas dos Municípios, extinto pela Assembléia, inclusive com o meu voto, em 1991. A primeira grande diferença é que o novo TECM não representará criação de despesas nem, à exceção dos sete conselheiros, de novos cargos funcionais. O orçamento e o corpo técnico do novo órgão serão oriundos da divisão do atual TCE, que, com menos funções, não precisará manter a mesma estrutura atual.    

    Outro diferencial do novo tribunal é que seus conselheiros serão escolhidos sob outros critérios, muito mais técnicos e menos políticos. Não temos mais o direito de errar, como fizemos no passado, ao escolher nomes que, mesmo obrigados a se desligar formalmente da vida partidária, continuaram com vínculos umbilicais com a política, com uma atuação que, antes de ser técnica, privilegia a lógica eleitoral.

    Além disso, o novo tribunal será regido por uma Lei Orgânica rígida, que será redigida em conjunto com a sociedade pelo deputado Luiz Paulo (PSDB), corregedor da Alerj. Essa Lei Orgânica deverá definir preceitos de funcionamento que privilegiem a total transparência do novo órgão, não só nos seus atos de fiscalização, mas também seus atos internos, que deverão estar abertos ao escrutínio público.

    Pois é fato que os tribunais de contas Brasil afora se transformaram em verdadeiras caixas- pretas, mas o caso do TCE do Rio é emblemático. Três de seus conselheiros, investigados por corrupção pelo STJ num escândalo revelado inicialmente pela revista Veja, chegaram a ser indiciados pela Polícia Federal, razão pela qual a Alerj criou a CPI do TCE.

    Mas, valendo-se de suas prerrogativas legais, esses conselheiros se recusaram a depor na CPI,  fazendo de tudo para inviabilizá-la, quando o natural seria demonstrar interesse em esclarecer as denuncias.  Mesmo investigados, esses conselheiros não foram sequer afastados de suas funções, sequer se licenciaram.

    É por isso que precisamos agir. Não é à toa que a emenda em curso recebeu apoio integral da Associação dos Prefeitos do Estado do Rio de Janeiro. Mais do que ninguém, eles sabem da necessidade de fazer alguma coisa concreta para mudar o que aí está.

    08-02-2010 00:00:00

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