13-02-2008 00:00:00
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saiba maisTenente Dirceu Cardoso Gonçalves *
A Igreja acima sua denominação ou segmento religioso é um dinâmico e poderoso instrumento social. Seu poder de conscientização e mobilização traz importantes resultados para o povo que, além do aspecto espiritual, carece de orientação e serviços para a boa convivência no dia-a-dia. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deu início à Campanha da Fraternidade de 2008, investindo forte contra o aborto. O tema é forte e transcende os limites da religião e da ética na medida em que trata da vida e procedimentos das futuras gerações
Criada em 1962, na esteira do Concílio Vaticano II, a campanha já versou sobre temas da mais alta relevância (família, liberdade, migração, saúde, trabalho, etc.), com excelente residual, que marca positivamente nossa sociedade. A estrutura altamente capilar da igreja católica em toda localidade, por menor que seja, existe pelo menos uma é o grande fator de aglutinação e discussão das carências do povo e do encaminhamento de soluções, junto às autoridades, à sociedade e até no próprio conjunto comunitário.
Engana-se quem vê as igrejas só como indissolúveis casas de fé. A fé e a religiosidade fazem a essência da instituição, mas ela só se completa quando desenvolve atividades que conduzem o cidadão para uma vida regrada e mobiliza a comunidade para se fortalecer e resolver seus problemas. Em épocas de intolerância, a atividade social da igreja foi confundida com intromissão político-administrativa. Essa questão merece muita reflexão, tanto dos questionadores das ações da igreja, quanto dos seus próprios dirigentes e membros.
Independente de sua orientação religiosa, os cidadãos e principalmente as autoridades constituídas, não podem abrir mão da formidável estrutura das igrejas e similares ligados à fé. Seus membros e dirigentes são todos cidadãos e, portanto, livres para atuar politicamente. A instituição religiosa é que não deve fazer política partidária. Mas não pode abrir mão do direito (até dever) de participar ecleticamente do movimento político, emprestando seu apoio e até os recursos de mobilização para as boas causas e combatendo com firmeza as más.
A sociedade lucrará muito no dia que ficar mais clara a existência das igrejas como grandes instituições sociais, voltadas para a organização e o desenvolvimento do cidadão. Cada qual com sua religião e as preferências político-pessoais de seus membros. Mas todas empenhadas na grande causa humanitária: o bem-estar geral.
*Dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social
dos Policiais Militares de São Paulo)
09-02-2008 00:00:00
saiba maisTenente Dirceu Cardoso Gonçalves *
A Igreja acima sua denominação ou segmento religioso é um dinâmico e poderoso instrumento social. Seu poder de conscientização e mobilização traz importantes resultados para o povo que, além do aspecto espiritual, carece de orientação e serviços para a boa convivência no dia-a-dia. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deu início à Campanha da Fraternidade de 2008, investindo forte contra o aborto. O tema é forte e transcende os limites da religião e da ética na medida em que trata da vida e procedimentos das futuras gerações
Criada em 1962, na esteira do Concílio Vaticano II, a campanha já versou sobre temas da mais alta relevância (família, liberdade, migração, saúde, trabalho, etc.), com excelente residual, que marca positivamente nossa sociedade. A estrutura altamente capilar da igreja católica em toda localidade, por menor que seja, existe pelo menos uma é o grande fator de aglutinação e discussão das carências do povo e do encaminhamento de soluções, junto às autoridades, à sociedade e até no próprio conjunto comunitário.
Engana-se quem vê as igrejas só como indissolúveis casas de fé. A fé e a religiosidade fazem a essência da instituição, mas ela só se completa quando desenvolve atividades que conduzem o cidadão para uma vida regrada e mobiliza a comunidade para se fortalecer e resolver seus problemas. Em épocas de intolerância, a atividade social da igreja foi confundida com intromissão político-administrativa. Essa questão merece muita reflexão, tanto dos questionadores das ações da igreja, quanto dos seus próprios dirigentes e membros.
Independente de sua orientação religiosa, os cidadãos e principalmente as autoridades constituídas, não podem abrir mão da formidável estrutura das igrejas e similares ligados à fé. Seus membros e dirigentes são todos cidadãos e, portanto, livres para atuar politicamente. A instituição religiosa é que não deve fazer política partidária. Mas não pode abrir mão do direito (até dever) de participar ecleticamente do movimento político, emprestando seu apoio e até os recursos de mobilização para as boas causas e combatendo com firmeza as más.
A sociedade lucrará muito no dia que ficar mais clara a existência das igrejas como grandes instituições sociais, voltadas para a organização e o desenvolvimento do cidadão. Cada qual com sua religião e as preferências político-pessoais de seus membros. Mas todas empenhadas na grande causa humanitária: o bem-estar geral.
*Dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social
dos Policiais Militares de São Paulo)
09-02-2008 00:00:00
saiba maisTenente Dirceu Cardoso Gonçalves *
A Igreja acima sua denominação ou segmento religioso é um dinâmico e poderoso instrumento social. Seu poder de conscientização e mobilização traz importantes resultados para o povo que, além do aspecto espiritual, carece de orientação e serviços para a boa convivência no dia-a-dia. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deu início à Campanha da Fraternidade de 2008, investindo forte contra o aborto. O tema é forte e transcende os limites da religião e da ética na medida em que trata da vida e procedimentos das futuras gerações
Criada em 1962, na esteira do Concílio Vaticano II, a campanha já versou sobre temas da mais alta relevância (família, liberdade, migração, saúde, trabalho, etc.), com excelente residual, que marca positivamente nossa sociedade. A estrutura altamente capilar da igreja católica em toda localidade, por menor que seja, existe pelo menos uma é o grande fator de aglutinação e discussão das carências do povo e do encaminhamento de soluções, junto às autoridades, à sociedade e até no próprio conjunto comunitário.
Engana-se quem vê as igrejas só como indissolúveis casas de fé. A fé e a religiosidade fazem a essência da instituição, mas ela só se completa quando desenvolve atividades que conduzem o cidadão para uma vida regrada e mobiliza a comunidade para se fortalecer e resolver seus problemas. Em épocas de intolerância, a atividade social da igreja foi confundida com intromissão político-administrativa. Essa questão merece muita reflexão, tanto dos questionadores das ações da igreja, quanto dos seus próprios dirigentes e membros.
Independente de sua orientação religiosa, os cidadãos e principalmente as autoridades constituídas, não podem abrir mão da formidável estrutura das igrejas e similares ligados à fé. Seus membros e dirigentes são todos cidadãos e, portanto, livres para atuar politicamente. A instituição religiosa é que não deve fazer política partidária. Mas não pode abrir mão do direito (até dever) de participar ecleticamente do movimento político, emprestando seu apoio e até os recursos de mobilização para as boas causas e combatendo com firmeza as más.
A sociedade lucrará muito no dia que ficar mais clara a existência das igrejas como grandes instituições sociais, voltadas para a organização e o desenvolvimento do cidadão. Cada qual com sua religião e as preferências político-pessoais de seus membros. Mas todas empenhadas na grande causa humanitária: o bem-estar geral.
*Dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social
dos Policiais Militares de São Paulo)
09-02-2008 00:00:00
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A Igreja acima sua denominação ou segmento religioso é um dinâmico e poderoso instrumento social. Seu poder de conscientização e mobilização traz importantes resultados para o povo que, além do aspecto espiritual, carece de orientação e serviços para a boa convivência no dia-a-dia. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deu início à Campanha da Fraternidade de 2008, investindo forte contra o aborto. O tema é forte e transcende os limites da religião e da ética na medida em que trata da vida e procedimentos das futuras gerações
Criada em 1962, na esteira do Concílio Vaticano II, a campanha já versou sobre temas da mais alta relevância (família, liberdade, migração, saúde, trabalho, etc.), com excelente residual, que marca positivamente nossa sociedade. A estrutura altamente capilar da igreja católica em toda localidade, por menor que seja, existe pelo menos uma é o grande fator de aglutinação e discussão das carências do povo e do encaminhamento de soluções, junto às autoridades, à sociedade e até no próprio conjunto comunitário.
Engana-se quem vê as igrejas só como indissolúveis casas de fé. A fé e a religiosidade fazem a essência da instituição, mas ela só se completa quando desenvolve atividades que conduzem o cidadão para uma vida regrada e mobiliza a comunidade para se fortalecer e resolver seus problemas. Em épocas de intolerância, a atividade social da igreja foi confundida com intromissão político-administrativa. Essa questão merece muita reflexão, tanto dos questionadores das ações da igreja, quanto dos seus próprios dirigentes e membros.
Independente de sua orientação religiosa, os cidadãos e principalmente as autoridades constituídas, não podem abrir mão da formidável estrutura das igrejas e similares ligados à fé. Seus membros e dirigentes são todos cidadãos e, portanto, livres para atuar politicamente. A instituição religiosa é que não deve fazer política partidária. Mas não pode abrir mão do direito (até dever) de participar ecleticamente do movimento político, emprestando seu apoio e até os recursos de mobilização para as boas causas e combatendo com firmeza as más.
A sociedade lucrará muito no dia que ficar mais clara a existência das igrejas como grandes instituições sociais, voltadas para a organização e o desenvolvimento do cidadão. Cada qual com sua religião e as preferências político-pessoais de seus membros. Mas todas empenhadas na grande causa humanitária: o bem-estar geral.
*Dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social
dos Policiais Militares de São Paulo)
09-02-2008 00:00:00
saiba mais08-02-2008 00:00:00
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saiba mais08-02-2008 00:00:00
saiba maisEm editorial sobre Maquiavel e Gandhi, publicado neste Jornal, Maquiavel era à corrupção; enquanto Gandhi à compaixão. Corrupção, como uma degenerescência, uma situação de abastardamento, produto do poder.
Hoje, quando se estuda o perfil de um Hitler, de um Stalin, e de muitos contemporâneos, e que estão, muitas vezes ao nosso lado, podemos, com muita firmeza, afirmar que corrupção e paranóia se cruzam demoradamente, enquanto ambas sofrem do mesmo mal, da doença do poder. Esta doença do poder implica numa vontade patológica de sobrevivência exclusiva, de parte do corrupto e do paranóico, mesmo que resulte no final num impulso de sacrificar o resto do mundo, mesmo que, ao final o corrupto, ou o paranóico esteja só em meio a um campo de cadáveres.
O corrupto, aquele que desvia recursos da saúde por exemplo, vive em meio a um vazio moral, estimulado por uma volúpia do poder, não lhe importando, se o resultado do seu comportamento venha matar vidas.
O paranóico, que vive em delírio persecutório, no fundo, deseja, e a sua vontade é patológico, sobreviver, mesmo que à custa da sobrevivência do resto do mundo. É uma liderança dos mortos.
A sobrevivência, ainda que solitária, é o traço comum entre o corrupto e o paranóico. Sofrem da mesma doença do poder. Corrupto e paranóico, quando ameaçados, sentem um desejo mórbido de que todos estejam mortos, porque não mais podem ser controlados pela razão.
Quem assistiu o documentário, A Secretária de Hitler, e ouviu, do seu longo depoimento, que, ao desejo de Eva Braun, logo após ter passeado nos jardins da Chancelaria, em uma de suas poucas saídas do bunker, pedindo a seu amante, Adolf Hitler, uma impressionante escultura grega, pode saber que lhe foi negada, por tratar-se de um bem da República Alemã. Isso pode parecer uma atitude de retidão ética vertical. Não era. Tratava-se apenas de cumprir uma liturgia do poder, segundo uma sacralidade intrínseca do poder soberano (expressão é de Clifford Geertz, comentando as memórias de Daniel Paul Schreber). A escultura fazia parte de um conjunto de formas simbólicas, que expressava o poder de quem governa, ou seja, a negativa faz parte do rito paranóico, ameaçado no seu poder, e não por rejeitar uma atitude corrupta, apropriar-se do que não é seu, posto que não mais havia essa distinção.
Elos entre os distúrbios psicológicos
e os desvios no campo político
Poucos se aperceberam dos elos entre o campo privado dos distúrbios psicológicos e o campo público das forças e das realidades ideológicas e políticas. Tanto num campo, quanto no outro ocorre não só uma ausência angustiante dos valores morais.
Contudo, o tratamento é diferente. O paranóico deve ser tratado por um médico especializado, e deve sofrer, conforme o caso, a segregação da sociedade, enquanto perdurar os sintomas da doença. O outro, o corrupto, é corrigido pela aplicação da Lei, desde que a sociedade não se resigne como a figura do abade no Processo de J. Kafka, e não se aceite tudo como necessário, porque isso pode transformar a verdade em mentira, e que, por isso, também deve ser segregado do convívio social com muito barulho.
Punir o corrupto é a garantia da própria Lei de não deixar-se apodrecer. A punição do corrupto, pela aplicação firme da Lei, evitará os acentuados antagonismos sociais, que podem, então, liberar a vontade de poder, o podre, que há na Lei, que é a urgência ou a exceção, caminhos muito rápidos para os regimes totalitários.
Esperamos que essas reflexões possam servir para o leitor refletir sobre as doenças do poder - a paranóia e a corrupção -, e as figuras dos agentes políticos do nosso cotidiano, e à vista de tais diagnósticos, identificar aqueles que se perfilam como do grupo de Gandhi e aqueles, que se acumpliciam em torno de Maquiavel.
02-02-2008 00:00:00
saiba maisEm editorial sobre Maquiavel e Gandhi, publicado neste Jornal, Maquiavel era à corrupção; enquanto Gandhi à compaixão. Corrupção, como uma degenerescência, uma situação de abastardamento, produto do poder.
Hoje, quando se estuda o perfil de um Hitler, de um Stalin, e de muitos contemporâneos, e que estão, muitas vezes ao nosso lado, podemos, com muita firmeza, afirmar que corrupção e paranóia se cruzam demoradamente, enquanto ambas sofrem do mesmo mal, da doença do poder. Esta doença do poder implica numa vontade patológica de sobrevivência exclusiva, de parte do corrupto e do paranóico, mesmo que resulte no final num impulso de sacrificar o resto do mundo, mesmo que, ao final o corrupto, ou o paranóico esteja só em meio a um campo de cadáveres.
O corrupto, aquele que desvia recursos da saúde por exemplo, vive em meio a um vazio moral, estimulado por uma volúpia do poder, não lhe importando, se o resultado do seu comportamento venha matar vidas.
O paranóico, que vive em delírio persecutório, no fundo, deseja, e a sua vontade é patológico, sobreviver, mesmo que à custa da sobrevivência do resto do mundo. É uma liderança dos mortos.
A sobrevivência, ainda que solitária, é o traço comum entre o corrupto e o paranóico. Sofrem da mesma doença do poder. Corrupto e paranóico, quando ameaçados, sentem um desejo mórbido de que todos estejam mortos, porque não mais podem ser controlados pela razão.
Quem assistiu o documentário, A Secretária de Hitler, e ouviu, do seu longo depoimento, que, ao desejo de Eva Braun, logo após ter passeado nos jardins da Chancelaria, em uma de suas poucas saídas do bunker, pedindo a seu amante, Adolf Hitler, uma impressionante escultura grega, pode saber que lhe foi negada, por tratar-se de um bem da República Alemã. Isso pode parecer uma atitude de retidão ética vertical. Não era. Tratava-se apenas de cumprir uma liturgia do poder, segundo uma sacralidade intrínseca do poder soberano (expressão é de Clifford Geertz, comentando as memórias de Daniel Paul Schreber). A escultura fazia parte de um conjunto de formas simbólicas, que expressava o poder de quem governa, ou seja, a negativa faz parte do rito paranóico, ameaçado no seu poder, e não por rejeitar uma atitude corrupta, apropriar-se do que não é seu, posto que não mais havia essa distinção.
Elos entre os distúrbios psicológicos
e os desvios no campo político
Poucos se aperceberam dos elos entre o campo privado dos distúrbios psicológicos e o campo público das forças e das realidades ideológicas e políticas. Tanto num campo, quanto no outro ocorre não só uma ausência angustiante dos valores morais.
Contudo, o tratamento é diferente. O paranóico deve ser tratado por um médico especializado, e deve sofrer, conforme o caso, a segregação da sociedade, enquanto perdurar os sintomas da doença. O outro, o corrupto, é corrigido pela aplicação da Lei, desde que a sociedade não se resigne como a figura do abade no Processo de J. Kafka, e não se aceite tudo como necessário, porque isso pode transformar a verdade em mentira, e que, por isso, também deve ser segregado do convívio social com muito barulho.
Punir o corrupto é a garantia da própria Lei de não deixar-se apodrecer. A punição do corrupto, pela aplicação firme da Lei, evitará os acentuados antagonismos sociais, que podem, então, liberar a vontade de poder, o podre, que há na Lei, que é a urgência ou a exceção, caminhos muito rápidos para os regimes totalitários.
Esperamos que essas reflexões possam servir para o leitor refletir sobre as doenças do poder - a paranóia e a corrupção -, e as figuras dos agentes políticos do nosso cotidiano, e à vista de tais diagnósticos, identificar aqueles que se perfilam como do grupo de Gandhi e aqueles, que se acumpliciam em torno de Maquiavel.
02-02-2008 00:00:00
saiba maisEm editorial sobre Maquiavel e Gandhi, publicado neste Jornal, Maquiavel era à corrupção; enquanto Gandhi à compaixão. Corrupção, como uma degenerescência, uma situação de abastardamento, produto do poder.
Hoje, quando se estuda o perfil de um Hitler, de um Stalin, e de muitos contemporâneos, e que estão, muitas vezes ao nosso lado, podemos, com muita firmeza, afirmar que corrupção e paranóia se cruzam demoradamente, enquanto ambas sofrem do mesmo mal, da doença do poder. Esta doença do poder implica numa vontade patológica de sobrevivência exclusiva, de parte do corrupto e do paranóico, mesmo que resulte no final num impulso de sacrificar o resto do mundo, mesmo que, ao final o corrupto, ou o paranóico esteja só em meio a um campo de cadáveres.
O corrupto, aquele que desvia recursos da saúde por exemplo, vive em meio a um vazio moral, estimulado por uma volúpia do poder, não lhe importando, se o resultado do seu comportamento venha matar vidas.
O paranóico, que vive em delírio persecutório, no fundo, deseja, e a sua vontade é patológico, sobreviver, mesmo que à custa da sobrevivência do resto do mundo. É uma liderança dos mortos.
A sobrevivência, ainda que solitária, é o traço comum entre o corrupto e o paranóico. Sofrem da mesma doença do poder. Corrupto e paranóico, quando ameaçados, sentem um desejo mórbido de que todos estejam mortos, porque não mais podem ser controlados pela razão.
Quem assistiu o documentário, A Secretária de Hitler, e ouviu, do seu longo depoimento, que, ao desejo de Eva Braun, logo após ter passeado nos jardins da Chancelaria, em uma de suas poucas saídas do bunker, pedindo a seu amante, Adolf Hitler, uma impressionante escultura grega, pode saber que lhe foi negada, por tratar-se de um bem da República Alemã. Isso pode parecer uma atitude de retidão ética vertical. Não era. Tratava-se apenas de cumprir uma liturgia do poder, segundo uma sacralidade intrínseca do poder soberano (expressão é de Clifford Geertz, comentando as memórias de Daniel Paul Schreber). A escultura fazia parte de um conjunto de formas simbólicas, que expressava o poder de quem governa, ou seja, a negativa faz parte do rito paranóico, ameaçado no seu poder, e não por rejeitar uma atitude corrupta, apropriar-se do que não é seu, posto que não mais havia essa distinção.
Elos entre os distúrbios psicológicos
e os desvios no campo político
Poucos se aperceberam dos elos entre o campo privado dos distúrbios psicológicos e o campo público das forças e das realidades ideológicas e políticas. Tanto num campo, quanto no outro ocorre não só uma ausência angustiante dos valores morais.
Contudo, o tratamento é diferente. O paranóico deve ser tratado por um médico especializado, e deve sofrer, conforme o caso, a segregação da sociedade, enquanto perdurar os sintomas da doença. O outro, o corrupto, é corrigido pela aplicação da Lei, desde que a sociedade não se resigne como a figura do abade no Processo de J. Kafka, e não se aceite tudo como necessário, porque isso pode transformar a verdade em mentira, e que, por isso, também deve ser segregado do convívio social com muito barulho.
Punir o corrupto é a garantia da própria Lei de não deixar-se apodrecer. A punição do corrupto, pela aplicação firme da Lei, evitará os acentuados antagonismos sociais, que podem, então, liberar a vontade de poder, o podre, que há na Lei, que é a urgência ou a exceção, caminhos muito rápidos para os regimes totalitários.
Esperamos que essas reflexões possam servir para o leitor refletir sobre as doenças do poder - a paranóia e a corrupção -, e as figuras dos agentes políticos do nosso cotidiano, e à vista de tais diagnósticos, identificar aqueles que se perfilam como do grupo de Gandhi e aqueles, que se acumpliciam em torno de Maquiavel.
02-02-2008 00:00:00
saiba maisEm editorial sobre Maquiavel e Gandhi, publicado neste Jornal, Maquiavel era à corrupção; enquanto Gandhi à compaixão. Corrupção, como uma degenerescência, uma situação de abastardamento, produto do poder.
Hoje, quando se estuda o perfil de um Hitler, de um Stalin, e de muitos contemporâneos, e que estão, muitas vezes ao nosso lado, podemos, com muita firmeza, afirmar que corrupção e paranóia se cruzam demoradamente, enquanto ambas sofrem do mesmo mal, da doença do poder. Esta doença do poder implica numa vontade patológica de sobrevivência exclusiva, de parte do corrupto e do paranóico, mesmo que resulte no final num impulso de sacrificar o resto do mundo, mesmo que, ao final o corrupto, ou o paranóico esteja só em meio a um campo de cadáveres.
O corrupto, aquele que desvia recursos da saúde por exemplo, vive em meio a um vazio moral, estimulado por uma volúpia do poder, não lhe importando, se o resultado do seu comportamento venha matar vidas.
O paranóico, que vive em delírio persecutório, no fundo, deseja, e a sua vontade é patológico, sobreviver, mesmo que à custa da sobrevivência do resto do mundo. É uma liderança dos mortos.
A sobrevivência, ainda que solitária, é o traço comum entre o corrupto e o paranóico. Sofrem da mesma doença do poder. Corrupto e paranóico, quando ameaçados, sentem um desejo mórbido de que todos estejam mortos, porque não mais podem ser controlados pela razão.
Quem assistiu o documentário, A Secretária de Hitler, e ouviu, do seu longo depoimento, que, ao desejo de Eva Braun, logo após ter passeado nos jardins da Chancelaria, em uma de suas poucas saídas do bunker, pedindo a seu amante, Adolf Hitler, uma impressionante escultura grega, pode saber que lhe foi negada, por tratar-se de um bem da República Alemã. Isso pode parecer uma atitude de retidão ética vertical. Não era. Tratava-se apenas de cumprir uma liturgia do poder, segundo uma sacralidade intrínseca do poder soberano (expressão é de Clifford Geertz, comentando as memórias de Daniel Paul Schreber). A escultura fazia parte de um conjunto de formas simbólicas, que expressava o poder de quem governa, ou seja, a negativa faz parte do rito paranóico, ameaçado no seu poder, e não por rejeitar uma atitude corrupta, apropriar-se do que não é seu, posto que não mais havia essa distinção.
Elos entre os distúrbios psicológicos
e os desvios no campo político
Poucos se aperceberam dos elos entre o campo privado dos distúrbios psicológicos e o campo público das forças e das realidades ideológicas e políticas. Tanto num campo, quanto no outro ocorre não só uma ausência angustiante dos valores morais.
Contudo, o tratamento é diferente. O paranóico deve ser tratado por um médico especializado, e deve sofrer, conforme o caso, a segregação da sociedade, enquanto perdurar os sintomas da doença. O outro, o corrupto, é corrigido pela aplicação da Lei, desde que a sociedade não se resigne como a figura do abade no Processo de J. Kafka, e não se aceite tudo como necessário, porque isso pode transformar a verdade em mentira, e que, por isso, também deve ser segregado do convívio social com muito barulho.
Punir o corrupto é a garantia da própria Lei de não deixar-se apodrecer. A punição do corrupto, pela aplicação firme da Lei, evitará os acentuados antagonismos sociais, que podem, então, liberar a vontade de poder, o podre, que há na Lei, que é a urgência ou a exceção, caminhos muito rápidos para os regimes totalitários.
Esperamos que essas reflexões possam servir para o leitor refletir sobre as doenças do poder - a paranóia e a corrupção -, e as figuras dos agentes políticos do nosso cotidiano, e à vista de tais diagnósticos, identificar aqueles que se perfilam como do grupo de Gandhi e aqueles, que se acumpliciam em torno de Maquiavel.
02-02-2008 00:00:00
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