* Georges Antoine Jean Nani Mancini
Muito me admira: Que um cidadão esclarecido, colunista do PH e participante do Viva Búzios, esteja tão mal informado de assunto tão relevante, quanto as vantagens das obras do PAC para nossa cidade. Deveria ler mais o jornal no qual é colunista, para ver que os vários informes publicados vêm esclarecendo a população quanto às obras, tipo, local, valores, forma de licitação, origem das verbas, modelo fiscalizatório e etc. Varias associação de moradores fizeram assembléias com os secretários Municipais, inclusive na Prefeitura e aos sábados, questionando as intervenções em suas comunidades. Estas solicitações foram feitas através de telefone disponibilizado, inclusive no PH. Esses informes colocados na mídia tiveram exatamente, o intuito de tirar o tom eleitoreiro das obras, já que esclareceram a população quanto à origem das verbas. E importante que o Sr. Gabriel entenda que um governo e uma canditadura são coisas diversas. O primeiro não pode ficar parar em função do segundo. É fácil ser oposição em período eleitoral.
Não é qualquer município que pode usufruir do PAC, pois o mesmo tem que estar com as contas em dia. Tem que ter articulação institucional, apois políticos e responsabilidade fiscal. Se o PAC fosse proposto há quatro anos a cidade não estaria qualificada.
Obras dessa envergadura não são feitas em três meses. Obras de três meses é exatamente o que não queremos fazer. Chega de maquiar Búzios para os turistas de estação e deixar o povo Buziano sofrendo o resto do Ano. Essas obras vão durar mais de um ano sim, graças a Deus, e serão inauguradas no próximo mandato.
Atenção
O PAC não é obra dos Planejadores do Município, é Federal.
O PAC tem de ser licitado a nível nacional no Diário Oficial da União. As obras do PAC são medidas e fiscalizadas por empresas indicadas e credenciadas na CEF. Transparência e Publicidade Sr. Gabriel, o Senhor sabe o que e isso? Concordo com o Senhor que Obras de infra-estrutura é coisa muito seria é a base de sustentação urbana, econômica e social de uma cidade. Porém, dentre as mazelas que geram Pesadas Penas, o senhor esqueceu de citar: calçamento que afunda, esgoto que transborda, e fazer calçamento sem esgoto ou drenagem. Oito anos governando sem obras importantes de saneamento ou drenagem num município peninsular ao nível do mar, isso também é crime.
* É secretário de Governo em Búzios
12-06-2008 00:00:00
saiba mais* Georges Antoine Jean Nani Mancini
Muito me admira: Que um cidadão esclarecido, colunista do PH e participante do Viva Búzios, esteja tão mal informado de assunto tão relevante, quanto as vantagens das obras do PAC para nossa cidade. Deveria ler mais o jornal no qual é colunista, para ver que os vários informes publicados vêm esclarecendo a população quanto às obras, tipo, local, valores, forma de licitação, origem das verbas, modelo fiscalizatório e etc. Varias associação de moradores fizeram assembléias com os secretários Municipais, inclusive na Prefeitura e aos sábados, questionando as intervenções em suas comunidades. Estas solicitações foram feitas através de telefone disponibilizado, inclusive no PH. Esses informes colocados na mídia tiveram exatamente, o intuito de tirar o tom eleitoreiro das obras, já que esclareceram a população quanto à origem das verbas. E importante que o Sr. Gabriel entenda que um governo e uma canditadura são coisas diversas. O primeiro não pode ficar parar em função do segundo. É fácil ser oposição em período eleitoral.
Não é qualquer município que pode usufruir do PAC, pois o mesmo tem que estar com as contas em dia. Tem que ter articulação institucional, apois políticos e responsabilidade fiscal. Se o PAC fosse proposto há quatro anos a cidade não estaria qualificada.
Obras dessa envergadura não são feitas em três meses. Obras de três meses é exatamente o que não queremos fazer. Chega de maquiar Búzios para os turistas de estação e deixar o povo Buziano sofrendo o resto do Ano. Essas obras vão durar mais de um ano sim, graças a Deus, e serão inauguradas no próximo mandato.
Atenção
O PAC não é obra dos Planejadores do Município, é Federal.
O PAC tem de ser licitado a nível nacional no Diário Oficial da União. As obras do PAC são medidas e fiscalizadas por empresas indicadas e credenciadas na CEF. Transparência e Publicidade Sr. Gabriel, o Senhor sabe o que e isso? Concordo com o Senhor que Obras de infra-estrutura é coisa muito seria é a base de sustentação urbana, econômica e social de uma cidade. Porém, dentre as mazelas que geram Pesadas Penas, o senhor esqueceu de citar: calçamento que afunda, esgoto que transborda, e fazer calçamento sem esgoto ou drenagem. Oito anos governando sem obras importantes de saneamento ou drenagem num município peninsular ao nível do mar, isso também é crime.
* É secretário de Governo em Búzios
12-06-2008 00:00:00
saiba mais05-06-2008 00:00:00
saiba mais05-06-2008 00:00:00
saiba mais05-06-2008 00:00:00
saiba mais05-06-2008 00:00:00
saiba mais03-06-2008 00:00:00
saiba mais03-06-2008 00:00:00
saiba mais03-06-2008 00:00:00
saiba mais03-06-2008 00:00:00
saiba maisDemétrio Magnoli
Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo Projeto de Lei de cotas? A Câmara dos Deputados prepara-se para votar o PL 73/99, que institui cotas para alunos de escolas públicas e subcotas raciais nas universidado) se apresenta como iniciativa de inclusão social, mas nada tem a ver com isso. Se quisessem promover inclusão, dobrariam as vagas nas universidades públicas, algo relativamente barato, e se limitariam a introduzir cotas para alunos de escolas públicas, como compensação provisória da calamidade que é o ensino médio oficial. O PL de cotas raciais existe para dinamitar o mito de origem do qual emana a identidade brasileira.
O Estado-Nação surgiu na escola, com a universalização da educação, e se refaz o tempo todo por meio de uma narrativa de unidade difundida nas salas de aula. Língua e literatura configuram a nação na esfera da cultura. A história inscreve a nação no tempo; a geografia a imprime no espaço.
Onde será traçada a fronteira racial
O nosso mito de origem nasceu no Império, com Von Martius, que descreveu o Brasil como a junção de três rios: as culturas indígena, européia e africana. Ele se consolidou na República, com Gilberto Freyre, que disse que essas águas misturaram-se no grande rio da nação mestiça. O PL de cotas raciais tem a função exclusiva de substituir essa narrativa por uma outra. Nas escolas públicas, estudantes de todas as cores, oriundos de famílias da classe trabalhadora, aprendem que, como cidadãos brasileiros, têm direitos iguais. A lei das cotas veiculará a mensagem de que isso não é mais verdade. Ela separará as turmas de alunos em dois grupos, dividindo-os pela fronteira da raça. De um lado, ficarão os alunos rotulados como brancos; do outro, os alunos carimbados como negros. Dos primeiros, será cobrada uma dívida histórica contraída pelos proprietários de escravos. Aos segundos, que desempenharão o papel fraudulento de descendentes de escravos, será oferecida a renda proveniente daquela cobrança. Colegas de classe e de folguedos, que vivem nas mesmas ruas, às vezes nas mesmas casas, e que cursaram juntos a mesma escola, serão julgados não pelo desempenho no mesmo exame, mas pela cor da sua pele. O PL de cotas raciais narra um mito perverso de três rios que correm paralelos, sem nunca se encontrarem. A troca do mito do encontro pelo do desencontro é uma operação conduzida por um Estado ideológico, engajado na falsificação da identidade nacional. O Ipea divulgou a informação de que a população negra superará este ano a população branca. A verdade é que continua a aumentar a parcela dos que se classificam como pardos, enquanto se reduzem as parcelas que se classificam como brancos e como pretos . Nas pesquisas, os brasileiros dizem que são mestiços e rejeitam a polaridade das raças. Na mídia, os órgãos oficiais seqüestram a palavra dos cidadãos e propagam uma versão mentirosa que significa exatamente o oposto. Eles apagam os mestiços das estatísticas, erguendo diques nos rios de Martius para impedir a confluência de suas águas.A fotografia de uma turma das escolas públicas brasileiras revela a presença dominante de um gradiente de tons de pele intermediários entre o branco e o preto. Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo PL de cotas? Pelo alto, universidades engajadas na operação de divisão racial do Brasil fotografam e entrevistam os candidatos, atribuindo-lhes rótulos raciais irrecorríveis. Por baixo, de acordo com norma do MEC em vigor há três anos, as fichas de matrícula no ensino básico associam cada aluno a uma raça. O Estado brasileiro, cercado por uma rede internacional de ONGs racialistas, não pretende deixar nenhum jovem sem um carimbo de raça. Mitos não são verdades nem mentiras. Eles contam o que imaginamos que somos e apontam na direção daquilo que queremos ser. O nosso mito de origem não impede que se reconheçam as violências perpetradas contra indígenas e escravos. Mas ele nos iguala como cidadãos e nos impele a exigir direitos sociais e econômicos para todos. O mito substituto é uma aula de ressentimento e rancor que envenenará o futuro.
· É sociólogo e doutor em geografia
pela Universidade de São Paulo - USP
22-05-2008 00:00:00
saiba maisDemétrio Magnoli
Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo Projeto de Lei de cotas? A Câmara dos Deputados prepara-se para votar o PL 73/99, que institui cotas para alunos de escolas públicas e subcotas raciais nas universidado) se apresenta como iniciativa de inclusão social, mas nada tem a ver com isso. Se quisessem promover inclusão, dobrariam as vagas nas universidades públicas, algo relativamente barato, e se limitariam a introduzir cotas para alunos de escolas públicas, como compensação provisória da calamidade que é o ensino médio oficial. O PL de cotas raciais existe para dinamitar o mito de origem do qual emana a identidade brasileira.
O Estado-Nação surgiu na escola, com a universalização da educação, e se refaz o tempo todo por meio de uma narrativa de unidade difundida nas salas de aula. Língua e literatura configuram a nação na esfera da cultura. A história inscreve a nação no tempo; a geografia a imprime no espaço.
Onde será traçada a fronteira racial
O nosso mito de origem nasceu no Império, com Von Martius, que descreveu o Brasil como a junção de três rios: as culturas indígena, européia e africana. Ele se consolidou na República, com Gilberto Freyre, que disse que essas águas misturaram-se no grande rio da nação mestiça. O PL de cotas raciais tem a função exclusiva de substituir essa narrativa por uma outra. Nas escolas públicas, estudantes de todas as cores, oriundos de famílias da classe trabalhadora, aprendem que, como cidadãos brasileiros, têm direitos iguais. A lei das cotas veiculará a mensagem de que isso não é mais verdade. Ela separará as turmas de alunos em dois grupos, dividindo-os pela fronteira da raça. De um lado, ficarão os alunos rotulados como brancos; do outro, os alunos carimbados como negros. Dos primeiros, será cobrada uma dívida histórica contraída pelos proprietários de escravos. Aos segundos, que desempenharão o papel fraudulento de descendentes de escravos, será oferecida a renda proveniente daquela cobrança. Colegas de classe e de folguedos, que vivem nas mesmas ruas, às vezes nas mesmas casas, e que cursaram juntos a mesma escola, serão julgados não pelo desempenho no mesmo exame, mas pela cor da sua pele. O PL de cotas raciais narra um mito perverso de três rios que correm paralelos, sem nunca se encontrarem. A troca do mito do encontro pelo do desencontro é uma operação conduzida por um Estado ideológico, engajado na falsificação da identidade nacional. O Ipea divulgou a informação de que a população negra superará este ano a população branca. A verdade é que continua a aumentar a parcela dos que se classificam como pardos, enquanto se reduzem as parcelas que se classificam como brancos e como pretos . Nas pesquisas, os brasileiros dizem que são mestiços e rejeitam a polaridade das raças. Na mídia, os órgãos oficiais seqüestram a palavra dos cidadãos e propagam uma versão mentirosa que significa exatamente o oposto. Eles apagam os mestiços das estatísticas, erguendo diques nos rios de Martius para impedir a confluência de suas águas.A fotografia de uma turma das escolas públicas brasileiras revela a presença dominante de um gradiente de tons de pele intermediários entre o branco e o preto. Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo PL de cotas? Pelo alto, universidades engajadas na operação de divisão racial do Brasil fotografam e entrevistam os candidatos, atribuindo-lhes rótulos raciais irrecorríveis. Por baixo, de acordo com norma do MEC em vigor há três anos, as fichas de matrícula no ensino básico associam cada aluno a uma raça. O Estado brasileiro, cercado por uma rede internacional de ONGs racialistas, não pretende deixar nenhum jovem sem um carimbo de raça. Mitos não são verdades nem mentiras. Eles contam o que imaginamos que somos e apontam na direção daquilo que queremos ser. O nosso mito de origem não impede que se reconheçam as violências perpetradas contra indígenas e escravos. Mas ele nos iguala como cidadãos e nos impele a exigir direitos sociais e econômicos para todos. O mito substituto é uma aula de ressentimento e rancor que envenenará o futuro.
· É sociólogo e doutor em geografia
pela Universidade de São Paulo - USP
22-05-2008 00:00:00
saiba maisDemétrio Magnoli
Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo Projeto de Lei de cotas? A Câmara dos Deputados prepara-se para votar o PL 73/99, que institui cotas para alunos de escolas públicas e subcotas raciais nas universidado) se apresenta como iniciativa de inclusão social, mas nada tem a ver com isso. Se quisessem promover inclusão, dobrariam as vagas nas universidades públicas, algo relativamente barato, e se limitariam a introduzir cotas para alunos de escolas públicas, como compensação provisória da calamidade que é o ensino médio oficial. O PL de cotas raciais existe para dinamitar o mito de origem do qual emana a identidade brasileira.
O Estado-Nação surgiu na escola, com a universalização da educação, e se refaz o tempo todo por meio de uma narrativa de unidade difundida nas salas de aula. Língua e literatura configuram a nação na esfera da cultura. A história inscreve a nação no tempo; a geografia a imprime no espaço.
Onde será traçada a fronteira racial
O nosso mito de origem nasceu no Império, com Von Martius, que descreveu o Brasil como a junção de três rios: as culturas indígena, européia e africana. Ele se consolidou na República, com Gilberto Freyre, que disse que essas águas misturaram-se no grande rio da nação mestiça. O PL de cotas raciais tem a função exclusiva de substituir essa narrativa por uma outra. Nas escolas públicas, estudantes de todas as cores, oriundos de famílias da classe trabalhadora, aprendem que, como cidadãos brasileiros, têm direitos iguais. A lei das cotas veiculará a mensagem de que isso não é mais verdade. Ela separará as turmas de alunos em dois grupos, dividindo-os pela fronteira da raça. De um lado, ficarão os alunos rotulados como brancos; do outro, os alunos carimbados como negros. Dos primeiros, será cobrada uma dívida histórica contraída pelos proprietários de escravos. Aos segundos, que desempenharão o papel fraudulento de descendentes de escravos, será oferecida a renda proveniente daquela cobrança. Colegas de classe e de folguedos, que vivem nas mesmas ruas, às vezes nas mesmas casas, e que cursaram juntos a mesma escola, serão julgados não pelo desempenho no mesmo exame, mas pela cor da sua pele. O PL de cotas raciais narra um mito perverso de três rios que correm paralelos, sem nunca se encontrarem. A troca do mito do encontro pelo do desencontro é uma operação conduzida por um Estado ideológico, engajado na falsificação da identidade nacional. O Ipea divulgou a informação de que a população negra superará este ano a população branca. A verdade é que continua a aumentar a parcela dos que se classificam como pardos, enquanto se reduzem as parcelas que se classificam como brancos e como pretos . Nas pesquisas, os brasileiros dizem que são mestiços e rejeitam a polaridade das raças. Na mídia, os órgãos oficiais seqüestram a palavra dos cidadãos e propagam uma versão mentirosa que significa exatamente o oposto. Eles apagam os mestiços das estatísticas, erguendo diques nos rios de Martius para impedir a confluência de suas águas.A fotografia de uma turma das escolas públicas brasileiras revela a presença dominante de um gradiente de tons de pele intermediários entre o branco e o preto. Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo PL de cotas? Pelo alto, universidades engajadas na operação de divisão racial do Brasil fotografam e entrevistam os candidatos, atribuindo-lhes rótulos raciais irrecorríveis. Por baixo, de acordo com norma do MEC em vigor há três anos, as fichas de matrícula no ensino básico associam cada aluno a uma raça. O Estado brasileiro, cercado por uma rede internacional de ONGs racialistas, não pretende deixar nenhum jovem sem um carimbo de raça. Mitos não são verdades nem mentiras. Eles contam o que imaginamos que somos e apontam na direção daquilo que queremos ser. O nosso mito de origem não impede que se reconheçam as violências perpetradas contra indígenas e escravos. Mas ele nos iguala como cidadãos e nos impele a exigir direitos sociais e econômicos para todos. O mito substituto é uma aula de ressentimento e rancor que envenenará o futuro.
· É sociólogo e doutor em geografia
pela Universidade de São Paulo - USP
22-05-2008 00:00:00
saiba maisDemétrio Magnoli
Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo Projeto de Lei de cotas? A Câmara dos Deputados prepara-se para votar o PL 73/99, que institui cotas para alunos de escolas públicas e subcotas raciais nas universidado) se apresenta como iniciativa de inclusão social, mas nada tem a ver com isso. Se quisessem promover inclusão, dobrariam as vagas nas universidades públicas, algo relativamente barato, e se limitariam a introduzir cotas para alunos de escolas públicas, como compensação provisória da calamidade que é o ensino médio oficial. O PL de cotas raciais existe para dinamitar o mito de origem do qual emana a identidade brasileira.
O Estado-Nação surgiu na escola, com a universalização da educação, e se refaz o tempo todo por meio de uma narrativa de unidade difundida nas salas de aula. Língua e literatura configuram a nação na esfera da cultura. A história inscreve a nação no tempo; a geografia a imprime no espaço.
Onde será traçada a fronteira racial
O nosso mito de origem nasceu no Império, com Von Martius, que descreveu o Brasil como a junção de três rios: as culturas indígena, européia e africana. Ele se consolidou na República, com Gilberto Freyre, que disse que essas águas misturaram-se no grande rio da nação mestiça. O PL de cotas raciais tem a função exclusiva de substituir essa narrativa por uma outra. Nas escolas públicas, estudantes de todas as cores, oriundos de famílias da classe trabalhadora, aprendem que, como cidadãos brasileiros, têm direitos iguais. A lei das cotas veiculará a mensagem de que isso não é mais verdade. Ela separará as turmas de alunos em dois grupos, dividindo-os pela fronteira da raça. De um lado, ficarão os alunos rotulados como brancos; do outro, os alunos carimbados como negros. Dos primeiros, será cobrada uma dívida histórica contraída pelos proprietários de escravos. Aos segundos, que desempenharão o papel fraudulento de descendentes de escravos, será oferecida a renda proveniente daquela cobrança. Colegas de classe e de folguedos, que vivem nas mesmas ruas, às vezes nas mesmas casas, e que cursaram juntos a mesma escola, serão julgados não pelo desempenho no mesmo exame, mas pela cor da sua pele. O PL de cotas raciais narra um mito perverso de três rios que correm paralelos, sem nunca se encontrarem. A troca do mito do encontro pelo do desencontro é uma operação conduzida por um Estado ideológico, engajado na falsificação da identidade nacional. O Ipea divulgou a informação de que a população negra superará este ano a população branca. A verdade é que continua a aumentar a parcela dos que se classificam como pardos, enquanto se reduzem as parcelas que se classificam como brancos e como pretos . Nas pesquisas, os brasileiros dizem que são mestiços e rejeitam a polaridade das raças. Na mídia, os órgãos oficiais seqüestram a palavra dos cidadãos e propagam uma versão mentirosa que significa exatamente o oposto. Eles apagam os mestiços das estatísticas, erguendo diques nos rios de Martius para impedir a confluência de suas águas.A fotografia de uma turma das escolas públicas brasileiras revela a presença dominante de um gradiente de tons de pele intermediários entre o branco e o preto. Onde exatamente será traçada a fronteira racial exigida pelo PL de cotas? Pelo alto, universidades engajadas na operação de divisão racial do Brasil fotografam e entrevistam os candidatos, atribuindo-lhes rótulos raciais irrecorríveis. Por baixo, de acordo com norma do MEC em vigor há três anos, as fichas de matrícula no ensino básico associam cada aluno a uma raça. O Estado brasileiro, cercado por uma rede internacional de ONGs racialistas, não pretende deixar nenhum jovem sem um carimbo de raça. Mitos não são verdades nem mentiras. Eles contam o que imaginamos que somos e apontam na direção daquilo que queremos ser. O nosso mito de origem não impede que se reconheçam as violências perpetradas contra indígenas e escravos. Mas ele nos iguala como cidadãos e nos impele a exigir direitos sociais e econômicos para todos. O mito substituto é uma aula de ressentimento e rancor que envenenará o futuro.
· É sociólogo e doutor em geografia
pela Universidade de São Paulo - USP
22-05-2008 00:00:00
saiba mais· Maria Clara Bingemer
A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim - em termos oficiais - da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea - a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários - era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo, e até tão tarde, marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe - tristemente - de ser mais do que atual.O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o apartheid nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o apartheid social que segrega os pobres - dos quais muitos, tantos são afrodescendentes - nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados para os brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks - a corajosa militante negra americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.Em quantas batidas policiais - cada vez mais freqüentes em nossas cidades - muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como doméstica?Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos. À sombra da casa-grande, a senzala era pasto dos mais diversos abusos, entre os quais talvez um dos mais graves tenha sido o sexual, com as jovens africanas devendo, além dos trabalhos domésticos, satisfazer os desejos sexuais do senhor e carregar-lhe a prole no ventre.Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1888. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos 16 e 19), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro, só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro investment grade ao qual o país deve aspirar.
· É doutora em teologia
21-05-2008 00:00:00
saiba mais· Maria Clara Bingemer
A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim - em termos oficiais - da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea - a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários - era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo, e até tão tarde, marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe - tristemente - de ser mais do que atual.O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o apartheid nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o apartheid social que segrega os pobres - dos quais muitos, tantos são afrodescendentes - nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados para os brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks - a corajosa militante negra americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.Em quantas batidas policiais - cada vez mais freqüentes em nossas cidades - muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como doméstica?Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos. À sombra da casa-grande, a senzala era pasto dos mais diversos abusos, entre os quais talvez um dos mais graves tenha sido o sexual, com as jovens africanas devendo, além dos trabalhos domésticos, satisfazer os desejos sexuais do senhor e carregar-lhe a prole no ventre.Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1888. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos 16 e 19), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro, só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro investment grade ao qual o país deve aspirar.
· É doutora em teologia
21-05-2008 00:00:00
saiba mais· Maria Clara Bingemer
A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim - em termos oficiais - da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea - a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários - era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo, e até tão tarde, marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe - tristemente - de ser mais do que atual.O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o apartheid nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o apartheid social que segrega os pobres - dos quais muitos, tantos são afrodescendentes - nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados para os brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks - a corajosa militante negra americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.Em quantas batidas policiais - cada vez mais freqüentes em nossas cidades - muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como doméstica?Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos. À sombra da casa-grande, a senzala era pasto dos mais diversos abusos, entre os quais talvez um dos mais graves tenha sido o sexual, com as jovens africanas devendo, além dos trabalhos domésticos, satisfazer os desejos sexuais do senhor e carregar-lhe a prole no ventre.Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1888. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos 16 e 19), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro, só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro investment grade ao qual o país deve aspirar.
· É doutora em teologia
21-05-2008 00:00:00
saiba mais· Maria Clara Bingemer
A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim - em termos oficiais - da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea - a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários - era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo, e até tão tarde, marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe - tristemente - de ser mais do que atual.O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o apartheid nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o apartheid social que segrega os pobres - dos quais muitos, tantos são afrodescendentes - nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados para os brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks - a corajosa militante negra americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.Em quantas batidas policiais - cada vez mais freqüentes em nossas cidades - muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como doméstica?Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos. À sombra da casa-grande, a senzala era pasto dos mais diversos abusos, entre os quais talvez um dos mais graves tenha sido o sexual, com as jovens africanas devendo, além dos trabalhos domésticos, satisfazer os desejos sexuais do senhor e carregar-lhe a prole no ventre.Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1888. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos 16 e 19), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro, só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro investment grade ao qual o país deve aspirar.
· É doutora em teologia
21-05-2008 00:00:00
saiba mais· Paulo César Régis de Souza
Os arautos do caos previdenciário voltaram à carga. Tudo por que o Senado, depois de anos, derrubou o fator previdenciário. Pressionam para que a Câmara o rejeite. Para isso, usam premissas falsas, números inconsistentes e dados mentirosos. Fazem do apocalipse uma trama de terror fiscal. Ainda falam em déficit da Previdência, que é apenas contábil, quando até o TCU já demonstrou que no âmbito da seguridade social as contas estão equilibradas.O fator previdenciário é, por natureza, um aborto. Reduziu a previdência social pública brasileira, que um dia foi fonte, esperança e sonho de gerações, a um escombro com 17 milhões de seres humanos recebendo o salário mínimo.O objetivo era dificultar e retardar a concessão de aposentadorias e reduzir o valor dos benefícios. Substituiu-se a regra simples, amplamente conhecida, de que o brasileiro se aposentaria com a média de suas últimas 36 contribuições para o INSS por uma outra que é um enigma complexo, difícil de ser entendida por um vivente comum.Neste sentido, cumpriu sua finalidade. Os resultados podem ser medidos: a) desde então ninguém se aposenta com dez mínimos. Até fev. de 2007, (R$ 3.500,00) ; b) o teto desabou para R$ 2.894,28 (fevereiro de 2007); c) o valor médio dos benefícios concedidos situou-se abaixo dos dois mínimos (R$ 637,06) em fevereiro; d) o valor médio dos benefícios mantidos também tem ficado abaixo dos dois mínimos (R$ 539,49) em fevereiro; e) o empobrecimento dos 25,2 milhões de beneficiários se expressos pelos 67,93% dos que recebem um salário; f) a desesperança para os 33,2 milhões de segurados/contribuintes que estão no RGPS.
Efeito Wood Robin que tira
dos pobres para dar aos ricos
Afirmar, cantando vitória, que o fator já economizou R$ 10,1 bilhões, é um escárnio. É o efeito Wood Robin, tirando dos pobres para favorecer os ricos.A Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social (ANASPS) sempre se posicionou contra o fator, defendendo o retorno do velho modelo de cálculo de aposentadoria, transparente, mas sem descuidar dos aspectos atuariais da Previdência Social Pública. Para isso, mantém-se na defesa de regras universais como a contribuição de 35 anos, a fixação de idade mínima para o RGPS e administração competente da receita previdenciária.Ninguém fala sobre o descasamento do financiamento, mas se pede mais desoneração. Uma farsa, uma maldade. No caso da previdência rural é um achincalhe.Portanto, é preciso compreender que o foco da discussão do fator previdenciário precisa ser examinado sob outro paradigma. O atual de que a Previdência tem de pagar benefício chinês de R$ 1,99 é imoral.É muito simples falar que o fim do fator previdenciário é demagogia, populismo, e que ameaça a sustentatibilidade do RGPS e outras bruxarias. O que está acabando com a Previdência Social Pública é a desestruturação do financiamento, a entrega da Receita Previdência às raposas, aos caloteiros e aos incompetentes. Difícil é mexer no superávit primário, que alimenta um capitalismo sem cérebro e um liberalismo sem alma.
· É presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social
20-05-2008 00:00:00
saiba mais· Paulo César Régis de Souza
Os arautos do caos previdenciário voltaram à carga. Tudo por que o Senado, depois de anos, derrubou o fator previdenciário. Pressionam para que a Câmara o rejeite. Para isso, usam premissas falsas, números inconsistentes e dados mentirosos. Fazem do apocalipse uma trama de terror fiscal. Ainda falam em déficit da Previdência, que é apenas contábil, quando até o TCU já demonstrou que no âmbito da seguridade social as contas estão equilibradas.O fator previdenciário é, por natureza, um aborto. Reduziu a previdência social pública brasileira, que um dia foi fonte, esperança e sonho de gerações, a um escombro com 17 milhões de seres humanos recebendo o salário mínimo.O objetivo era dificultar e retardar a concessão de aposentadorias e reduzir o valor dos benefícios. Substituiu-se a regra simples, amplamente conhecida, de que o brasileiro se aposentaria com a média de suas últimas 36 contribuições para o INSS por uma outra que é um enigma complexo, difícil de ser entendida por um vivente comum.Neste sentido, cumpriu sua finalidade. Os resultados podem ser medidos: a) desde então ninguém se aposenta com dez mínimos. Até fev. de 2007, (R$ 3.500,00) ; b) o teto desabou para R$ 2.894,28 (fevereiro de 2007); c) o valor médio dos benefícios concedidos situou-se abaixo dos dois mínimos (R$ 637,06) em fevereiro; d) o valor médio dos benefícios mantidos também tem ficado abaixo dos dois mínimos (R$ 539,49) em fevereiro; e) o empobrecimento dos 25,2 milhões de beneficiários se expressos pelos 67,93% dos que recebem um salário; f) a desesperança para os 33,2 milhões de segurados/contribuintes que estão no RGPS.
Efeito Wood Robin que tira
dos pobres para dar aos ricos
Afirmar, cantando vitória, que o fator já economizou R$ 10,1 bilhões, é um escárnio. É o efeito Wood Robin, tirando dos pobres para favorecer os ricos.A Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social (ANASPS) sempre se posicionou contra o fator, defendendo o retorno do velho modelo de cálculo de aposentadoria, transparente, mas sem descuidar dos aspectos atuariais da Previdência Social Pública. Para isso, mantém-se na defesa de regras universais como a contribuição de 35 anos, a fixação de idade mínima para o RGPS e administração competente da receita previdenciária.Ninguém fala sobre o descasamento do financiamento, mas se pede mais desoneração. Uma farsa, uma maldade. No caso da previdência rural é um achincalhe.Portanto, é preciso compreender que o foco da discussão do fator previdenciário precisa ser examinado sob outro paradigma. O atual de que a Previdência tem de pagar benefício chinês de R$ 1,99 é imoral.É muito simples falar que o fim do fator previdenciário é demagogia, populismo, e que ameaça a sustentatibilidade do RGPS e outras bruxarias. O que está acabando com a Previdência Social Pública é a desestruturação do financiamento, a entrega da Receita Previdência às raposas, aos caloteiros e aos incompetentes. Difícil é mexer no superávit primário, que alimenta um capitalismo sem cérebro e um liberalismo sem alma.
· É presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social
20-05-2008 00:00:00
saiba mais
Últimas Notícias
José Gonzaga
Viva as emoções sem drogas
Bruno Wallace de Souza
Cristo Vive
Sergio Nogueira Lopes
Tribuna da Imprensa
Guilherme Barcellos
Afrobuzios
NOTÍCIAS
JORNAL PRIMEIRA HORA
Copyright 1995-2010 Jornal Primeira Hora, Todos os direitos reservados.