A maneira como o Brasil tem tratado a educação de suas crianças, ao longo de toda nossa história, é irracional e imoral. Irracional porque condena o futuro do País, em cuja base está um povo educado, capaz de desenvolver nossa ciência, nossa tecnologia, nossa cultura. Imoral porque condena a sociedade brasileira à desigualdade crônica se não for feita uma revolução na educação de base do País, desde a pré-escola até a pós-graduação. Os dados comprovam que essa irracionalidade e imoralidade são conhecidas. Não vale a pena ficar repetindo. Basta lembrar que nosso desempenho nessa questão está entre os piores do mundo, de acordo com todas as análises feitas por órgãos internacionais, como Unesco e OCDE.
A revolução educacional, a doce revolução feita com lápis e computadores, por professores e professoras, só será possível quando sucessivos governos nacionais assumirem a liderança, a coordenação e parte substancial do financiamento à educação básica. Mesmo quando isso acontecer, a educação não será responsabilidade apenas do setor público, ainda menos da União, nem somente da escola. A educação é um processo que requer o esforço de todos. Sem isso, não será viável nem será educação. De imediato, exige a participação de escola, família e mídia. Mas não dispensa a colaboração de cada setor da sociedade brasileira. Exige também, para dar um salto, que o governo federal dê o salto maior. E que cada setor faça sua parte desde já.
Nesse cenário, o setor empresarial tem um papel importante. Primeiro, do ponto de vista político. Cabe aos seus líderes usar a força de que dispõem para pressionar o governo, especialmente o governo federal, com o objetivo de forçá-lo a descobrir a importância da educação, a prioridade que ela merece e a importância da continuidade das políticas públicas.
Do ponto de vista da ação direta, cabe aos empresários, entre outras ações:
1. Em favor de sistema educacional
Adote escolas, adote professores, adote crianças em idade escolar. Perto de sua empresa há escolas que precisam de equipamentos e livros; professores que precisam de um incentivo, um prêmio; crianças que precisam de uma bolsa-escola (remuneração por mês sob condição de freqüência) ou poupança-escola (depósito em caderneta de poupança se o aluno for aprovado, sob a condição de que o dinheiro só poderá ser sacado quando ele terminar o segundo grau). O Banco de Boston desenvolve uma ação desta natureza em convênio com a ONG Missão Criança.
2. Em favor de seus empregados
Crie no setor de gerência de recursos humanos um núcleo destinado a acompanhar a educação dos próprios empregados e de seus filhos e oferecer incentivos à educação, tais como: produção de cursos de alfabetização, primeiro e segundo grau, ou cursos técnicos, com liberação de horas de trabalho equivalentes às horas que o empregado diminui de seu período de lazer para dedicá-las aos estudos; incentivo os bons alunos, filhos dos empregados, quando eles forem aprovados e concluírem seus cursos médios.
3. Em favor dos seus clientes
Com algum esforço de imaginação, praticamente toda empresa pode oferecer prêmios a alunos e professores que sejam seus clientes. Os supermercados, por exemplo, podem criar clubes de mães e de alunos e, além de prêmios, oferecer descontos nas compras. Políticas como essa devem fazer parte da rotina dos pacotes de marketing por meio dos quais as empresas se relacionam com seus clientes para vender institucionalmente seus produtos.
07-12-2006 00:00:00
saiba maisA maneira como o Brasil tem tratado a educação de suas crianças, ao longo de toda nossa história, é irracional e imoral. Irracional porque condena o futuro do País, em cuja base está um povo educado, capaz de desenvolver nossa ciência, nossa tecnologia, nossa cultura. Imoral porque condena a sociedade brasileira à desigualdade crônica se não for feita uma revolução na educação de base do País, desde a pré-escola até a pós-graduação. Os dados comprovam que essa irracionalidade e imoralidade são conhecidas. Não vale a pena ficar repetindo. Basta lembrar que nosso desempenho nessa questão está entre os piores do mundo, de acordo com todas as análises feitas por órgãos internacionais, como Unesco e OCDE.
A revolução educacional, a doce revolução feita com lápis e computadores, por professores e professoras, só será possível quando sucessivos governos nacionais assumirem a liderança, a coordenação e parte substancial do financiamento à educação básica. Mesmo quando isso acontecer, a educação não será responsabilidade apenas do setor público, ainda menos da União, nem somente da escola. A educação é um processo que requer o esforço de todos. Sem isso, não será viável nem será educação. De imediato, exige a participação de escola, família e mídia. Mas não dispensa a colaboração de cada setor da sociedade brasileira. Exige também, para dar um salto, que o governo federal dê o salto maior. E que cada setor faça sua parte desde já.
Nesse cenário, o setor empresarial tem um papel importante. Primeiro, do ponto de vista político. Cabe aos seus líderes usar a força de que dispõem para pressionar o governo, especialmente o governo federal, com o objetivo de forçá-lo a descobrir a importância da educação, a prioridade que ela merece e a importância da continuidade das políticas públicas.
Do ponto de vista da ação direta, cabe aos empresários, entre outras ações:
1. Em favor de sistema educacional
Adote escolas, adote professores, adote crianças em idade escolar. Perto de sua empresa há escolas que precisam de equipamentos e livros; professores que precisam de um incentivo, um prêmio; crianças que precisam de uma bolsa-escola (remuneração por mês sob condição de freqüência) ou poupança-escola (depósito em caderneta de poupança se o aluno for aprovado, sob a condição de que o dinheiro só poderá ser sacado quando ele terminar o segundo grau). O Banco de Boston desenvolve uma ação desta natureza em convênio com a ONG Missão Criança.
2. Em favor de seus empregados
Crie no setor de gerência de recursos humanos um núcleo destinado a acompanhar a educação dos próprios empregados e de seus filhos e oferecer incentivos à educação, tais como: produção de cursos de alfabetização, primeiro e segundo grau, ou cursos técnicos, com liberação de horas de trabalho equivalentes às horas que o empregado diminui de seu período de lazer para dedicá-las aos estudos; incentivo os bons alunos, filhos dos empregados, quando eles forem aprovados e concluírem seus cursos médios.
3. Em favor dos seus clientes
Com algum esforço de imaginação, praticamente toda empresa pode oferecer prêmios a alunos e professores que sejam seus clientes. Os supermercados, por exemplo, podem criar clubes de mães e de alunos e, além de prêmios, oferecer descontos nas compras. Políticas como essa devem fazer parte da rotina dos pacotes de marketing por meio dos quais as empresas se relacionam com seus clientes para vender institucionalmente seus produtos.
07-12-2006 00:00:00
saiba maisA maneira como o Brasil tem tratado a educação de suas crianças, ao longo de toda nossa história, é irracional e imoral. Irracional porque condena o futuro do País, em cuja base está um povo educado, capaz de desenvolver nossa ciência, nossa tecnologia, nossa cultura. Imoral porque condena a sociedade brasileira à desigualdade crônica se não for feita uma revolução na educação de base do País, desde a pré-escola até a pós-graduação. Os dados comprovam que essa irracionalidade e imoralidade são conhecidas. Não vale a pena ficar repetindo. Basta lembrar que nosso desempenho nessa questão está entre os piores do mundo, de acordo com todas as análises feitas por órgãos internacionais, como Unesco e OCDE.
A revolução educacional, a doce revolução feita com lápis e computadores, por professores e professoras, só será possível quando sucessivos governos nacionais assumirem a liderança, a coordenação e parte substancial do financiamento à educação básica. Mesmo quando isso acontecer, a educação não será responsabilidade apenas do setor público, ainda menos da União, nem somente da escola. A educação é um processo que requer o esforço de todos. Sem isso, não será viável nem será educação. De imediato, exige a participação de escola, família e mídia. Mas não dispensa a colaboração de cada setor da sociedade brasileira. Exige também, para dar um salto, que o governo federal dê o salto maior. E que cada setor faça sua parte desde já.
Nesse cenário, o setor empresarial tem um papel importante. Primeiro, do ponto de vista político. Cabe aos seus líderes usar a força de que dispõem para pressionar o governo, especialmente o governo federal, com o objetivo de forçá-lo a descobrir a importância da educação, a prioridade que ela merece e a importância da continuidade das políticas públicas.
Do ponto de vista da ação direta, cabe aos empresários, entre outras ações:
1. Em favor de sistema educacional
Adote escolas, adote professores, adote crianças em idade escolar. Perto de sua empresa há escolas que precisam de equipamentos e livros; professores que precisam de um incentivo, um prêmio; crianças que precisam de uma bolsa-escola (remuneração por mês sob condição de freqüência) ou poupança-escola (depósito em caderneta de poupança se o aluno for aprovado, sob a condição de que o dinheiro só poderá ser sacado quando ele terminar o segundo grau). O Banco de Boston desenvolve uma ação desta natureza em convênio com a ONG Missão Criança.
2. Em favor de seus empregados
Crie no setor de gerência de recursos humanos um núcleo destinado a acompanhar a educação dos próprios empregados e de seus filhos e oferecer incentivos à educação, tais como: produção de cursos de alfabetização, primeiro e segundo grau, ou cursos técnicos, com liberação de horas de trabalho equivalentes às horas que o empregado diminui de seu período de lazer para dedicá-las aos estudos; incentivo os bons alunos, filhos dos empregados, quando eles forem aprovados e concluírem seus cursos médios.
3. Em favor dos seus clientes
Com algum esforço de imaginação, praticamente toda empresa pode oferecer prêmios a alunos e professores que sejam seus clientes. Os supermercados, por exemplo, podem criar clubes de mães e de alunos e, além de prêmios, oferecer descontos nas compras. Políticas como essa devem fazer parte da rotina dos pacotes de marketing por meio dos quais as empresas se relacionam com seus clientes para vender institucionalmente seus produtos.
07-12-2006 00:00:00
saiba maisA maneira como o Brasil tem tratado a educação de suas crianças, ao longo de toda nossa história, é irracional e imoral. Irracional porque condena o futuro do País, em cuja base está um povo educado, capaz de desenvolver nossa ciência, nossa tecnologia, nossa cultura. Imoral porque condena a sociedade brasileira à desigualdade crônica se não for feita uma revolução na educação de base do País, desde a pré-escola até a pós-graduação. Os dados comprovam que essa irracionalidade e imoralidade são conhecidas. Não vale a pena ficar repetindo. Basta lembrar que nosso desempenho nessa questão está entre os piores do mundo, de acordo com todas as análises feitas por órgãos internacionais, como Unesco e OCDE.
A revolução educacional, a doce revolução feita com lápis e computadores, por professores e professoras, só será possível quando sucessivos governos nacionais assumirem a liderança, a coordenação e parte substancial do financiamento à educação básica. Mesmo quando isso acontecer, a educação não será responsabilidade apenas do setor público, ainda menos da União, nem somente da escola. A educação é um processo que requer o esforço de todos. Sem isso, não será viável nem será educação. De imediato, exige a participação de escola, família e mídia. Mas não dispensa a colaboração de cada setor da sociedade brasileira. Exige também, para dar um salto, que o governo federal dê o salto maior. E que cada setor faça sua parte desde já.
Nesse cenário, o setor empresarial tem um papel importante. Primeiro, do ponto de vista político. Cabe aos seus líderes usar a força de que dispõem para pressionar o governo, especialmente o governo federal, com o objetivo de forçá-lo a descobrir a importância da educação, a prioridade que ela merece e a importância da continuidade das políticas públicas.
Do ponto de vista da ação direta, cabe aos empresários, entre outras ações:
1. Em favor de sistema educacional
Adote escolas, adote professores, adote crianças em idade escolar. Perto de sua empresa há escolas que precisam de equipamentos e livros; professores que precisam de um incentivo, um prêmio; crianças que precisam de uma bolsa-escola (remuneração por mês sob condição de freqüência) ou poupança-escola (depósito em caderneta de poupança se o aluno for aprovado, sob a condição de que o dinheiro só poderá ser sacado quando ele terminar o segundo grau). O Banco de Boston desenvolve uma ação desta natureza em convênio com a ONG Missão Criança.
2. Em favor de seus empregados
Crie no setor de gerência de recursos humanos um núcleo destinado a acompanhar a educação dos próprios empregados e de seus filhos e oferecer incentivos à educação, tais como: produção de cursos de alfabetização, primeiro e segundo grau, ou cursos técnicos, com liberação de horas de trabalho equivalentes às horas que o empregado diminui de seu período de lazer para dedicá-las aos estudos; incentivo os bons alunos, filhos dos empregados, quando eles forem aprovados e concluírem seus cursos médios.
3. Em favor dos seus clientes
Com algum esforço de imaginação, praticamente toda empresa pode oferecer prêmios a alunos e professores que sejam seus clientes. Os supermercados, por exemplo, podem criar clubes de mães e de alunos e, além de prêmios, oferecer descontos nas compras. Políticas como essa devem fazer parte da rotina dos pacotes de marketing por meio dos quais as empresas se relacionam com seus clientes para vender institucionalmente seus produtos.
07-12-2006 00:00:00
saiba maisA velhinha de Taubaté é uma dessas realidades, criadas pelo escritor Luís Fernando Veríssimo, que, de tão real, pode ser encontrada a cada esquina. Ela crê em tudo. Espera sempre.
A velhinha de Taubaté recolheu para o antigo IAPTC contribuição, que lhe assegurava uma pensão equivalente a vinte salários, o mínimo. Quando era mocinha em Taubaté, sempre acreditou que na terceira idade poderia freqüentar o bingo da praça da Igreja com a segurança de seus vinte salários, e ajudando seus sobrinhos.
No meio do percurso, foi lhe vendida a idéia de separar o Instituto da Previdência do de Assistência à Saúde. Cálculos atuariais dispostos de maneira muito espetacular a fizeram crer, mais uma vez, na esperança vindoura. Mandaram-na para a fila do INAMPS, quando se tratava de atendimento médico, e para a fila do INSS, quando se tratasse de buscar alguma informação a cerca da pensão prometida - aqueles vinte salários. Não houvera grande mudança. Apenas o tempo de espera dobrara.
Nesse tempo, conheceu um senhor, que se escorava no prédio do INSS, exibindo uma fisionomia exausta. Toda vez, que lá a velhinha de Taubaté se apresentava, lá estava ele, sempre cansado, e incansavelmente escorado no prédio do INSS. A cena se banalizara pela seqüência da cena. A velhinha de Taubaté deixou de notar aquela presença incansável, escorando o prédio do INSS.
O Brasil, que vem vivendo de soluços, experimentou dezenas de mágicas, para estabilizar a sua moeda, ou melhor, os ativos daqueles que sustentam a economia nacional. Em todas essas tentativas de proteger a moeda, os ativos foram sempre mais apreciados, e os agentes dinâmicos da economia nacional tiveram os seus ativos preservados, e assim tem sido a história repetida. Mas a rebarba ficava para o andar de baixo.
A velhinha de Taubaté, que passara pela experiência da construção de Brasília, sem que lhe tivesse dito, que a sua poupança financiara aquela gestuálica da arquitetura do poder, prestes a adquirir o direito de usufruir a pensão dos vinte salários, teve que realizar que o Instituto de Previdência, não dispunha de recursos suficientes para os vinte. Crédula por natureza e formação, acreditou, e passou a esperar, então dez salários. Nacionalista, brasileira da primeira hora, mesmo vendo sua vizinha, funcionária pública autárquica, já gozando de uma aposentação bem acima desses limites, chamada nas ruas por alguns de marajá.
A velhinha de Taubaté cumpriu o tempo. Fez-se no direito à pensão. Nesse tempo, inauguram-se cartões plastificados, com códigos de segurança, para que ninguém se servisse do que não fosse seu. Orgulhou-se da tecnologia. O País seguia o seu futuro grande.
Bem, a espera persiste. A crença não foi capaz de antecipar-lhe uma boa nova. Todos aqueles planos de proteção da moeda, lhe haviam capado mais dos prometidos dez salários. A pensão minguou. Nem mesmo o bingo da praça poderia jogar. O governo, condenado a pagar a diferença, quer saudá-la com deságio, e com recursos dela mesmo, e de todas as velhinhas como a de Taubaté, cobrando-lhe uma contribuição social temporária. À velhinha de Taubaté foi dito que seria passado um filme, cujo enredo é dar consistência às contas públicas. A coleta do ouro dos anéis não seria mais usada.
A velhinha de Taubaté, ao sair do Instituto, encontrou aquele, escorado no prédio do INSS, e, por curiosidade, perguntou-lhe a opinião. Não tinha nenhuma. Surpresa, indagou, então, qual era o seu papel esses anos todos ali, encostado no prédio. Não creio em nada disso, não espero nada. Mas é por caridade que estou aqui. Caso deixe de escorar, tudo isso ruirá em mil pedaços num ritmo de lamento ele explicou, lembrando o Cristo de Nietzsche, Zaratustra, que não podia afrouxar as suas correntes, não obstante libertava outros das suas cadeias.
A velhinha não tem jogado bingo, mas tem pensado muito no que ouviu. Começa a descrer e a perder a esperança nesse gigante, que dorme em berço esplêndido, mas capaz de manter os seus em cadeias permanentes. E, pelo que ouve agora, sequer esperanças às outras velhinhas de Taubaté pode oferecer. Já se discute, a pretexto de que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, que a aposentação futura se ganhe com mais idade. Do jeito que vão as coisas, com os gastos crescentes, teremos candidatos a pensionistas com a idade de Matusalém.
06-12-2006 00:00:00
saiba maisA velhinha de Taubaté é uma dessas realidades, criadas pelo escritor Luís Fernando Veríssimo, que, de tão real, pode ser encontrada a cada esquina. Ela crê em tudo. Espera sempre.
A velhinha de Taubaté recolheu para o antigo IAPTC contribuição, que lhe assegurava uma pensão equivalente a vinte salários, o mínimo. Quando era mocinha em Taubaté, sempre acreditou que na terceira idade poderia freqüentar o bingo da praça da Igreja com a segurança de seus vinte salários, e ajudando seus sobrinhos.
No meio do percurso, foi lhe vendida a idéia de separar o Instituto da Previdência do de Assistência à Saúde. Cálculos atuariais dispostos de maneira muito espetacular a fizeram crer, mais uma vez, na esperança vindoura. Mandaram-na para a fila do INAMPS, quando se tratava de atendimento médico, e para a fila do INSS, quando se tratasse de buscar alguma informação a cerca da pensão prometida - aqueles vinte salários. Não houvera grande mudança. Apenas o tempo de espera dobrara.
Nesse tempo, conheceu um senhor, que se escorava no prédio do INSS, exibindo uma fisionomia exausta. Toda vez, que lá a velhinha de Taubaté se apresentava, lá estava ele, sempre cansado, e incansavelmente escorado no prédio do INSS. A cena se banalizara pela seqüência da cena. A velhinha de Taubaté deixou de notar aquela presença incansável, escorando o prédio do INSS.
O Brasil, que vem vivendo de soluços, experimentou dezenas de mágicas, para estabilizar a sua moeda, ou melhor, os ativos daqueles que sustentam a economia nacional. Em todas essas tentativas de proteger a moeda, os ativos foram sempre mais apreciados, e os agentes dinâmicos da economia nacional tiveram os seus ativos preservados, e assim tem sido a história repetida. Mas a rebarba ficava para o andar de baixo.
A velhinha de Taubaté, que passara pela experiência da construção de Brasília, sem que lhe tivesse dito, que a sua poupança financiara aquela gestuálica da arquitetura do poder, prestes a adquirir o direito de usufruir a pensão dos vinte salários, teve que realizar que o Instituto de Previdência, não dispunha de recursos suficientes para os vinte. Crédula por natureza e formação, acreditou, e passou a esperar, então dez salários. Nacionalista, brasileira da primeira hora, mesmo vendo sua vizinha, funcionária pública autárquica, já gozando de uma aposentação bem acima desses limites, chamada nas ruas por alguns de marajá.
A velhinha de Taubaté cumpriu o tempo. Fez-se no direito à pensão. Nesse tempo, inauguram-se cartões plastificados, com códigos de segurança, para que ninguém se servisse do que não fosse seu. Orgulhou-se da tecnologia. O País seguia o seu futuro grande.
Bem, a espera persiste. A crença não foi capaz de antecipar-lhe uma boa nova. Todos aqueles planos de proteção da moeda, lhe haviam capado mais dos prometidos dez salários. A pensão minguou. Nem mesmo o bingo da praça poderia jogar. O governo, condenado a pagar a diferença, quer saudá-la com deságio, e com recursos dela mesmo, e de todas as velhinhas como a de Taubaté, cobrando-lhe uma contribuição social temporária. À velhinha de Taubaté foi dito que seria passado um filme, cujo enredo é dar consistência às contas públicas. A coleta do ouro dos anéis não seria mais usada.
A velhinha de Taubaté, ao sair do Instituto, encontrou aquele, escorado no prédio do INSS, e, por curiosidade, perguntou-lhe a opinião. Não tinha nenhuma. Surpresa, indagou, então, qual era o seu papel esses anos todos ali, encostado no prédio. Não creio em nada disso, não espero nada. Mas é por caridade que estou aqui. Caso deixe de escorar, tudo isso ruirá em mil pedaços num ritmo de lamento ele explicou, lembrando o Cristo de Nietzsche, Zaratustra, que não podia afrouxar as suas correntes, não obstante libertava outros das suas cadeias.
A velhinha não tem jogado bingo, mas tem pensado muito no que ouviu. Começa a descrer e a perder a esperança nesse gigante, que dorme em berço esplêndido, mas capaz de manter os seus em cadeias permanentes. E, pelo que ouve agora, sequer esperanças às outras velhinhas de Taubaté pode oferecer. Já se discute, a pretexto de que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, que a aposentação futura se ganhe com mais idade. Do jeito que vão as coisas, com os gastos crescentes, teremos candidatos a pensionistas com a idade de Matusalém.
06-12-2006 00:00:00
saiba maisA velhinha de Taubaté é uma dessas realidades, criadas pelo escritor Luís Fernando Veríssimo, que, de tão real, pode ser encontrada a cada esquina. Ela crê em tudo. Espera sempre.
A velhinha de Taubaté recolheu para o antigo IAPTC contribuição, que lhe assegurava uma pensão equivalente a vinte salários, o mínimo. Quando era mocinha em Taubaté, sempre acreditou que na terceira idade poderia freqüentar o bingo da praça da Igreja com a segurança de seus vinte salários, e ajudando seus sobrinhos.
No meio do percurso, foi lhe vendida a idéia de separar o Instituto da Previdência do de Assistência à Saúde. Cálculos atuariais dispostos de maneira muito espetacular a fizeram crer, mais uma vez, na esperança vindoura. Mandaram-na para a fila do INAMPS, quando se tratava de atendimento médico, e para a fila do INSS, quando se tratasse de buscar alguma informação a cerca da pensão prometida - aqueles vinte salários. Não houvera grande mudança. Apenas o tempo de espera dobrara.
Nesse tempo, conheceu um senhor, que se escorava no prédio do INSS, exibindo uma fisionomia exausta. Toda vez, que lá a velhinha de Taubaté se apresentava, lá estava ele, sempre cansado, e incansavelmente escorado no prédio do INSS. A cena se banalizara pela seqüência da cena. A velhinha de Taubaté deixou de notar aquela presença incansável, escorando o prédio do INSS.
O Brasil, que vem vivendo de soluços, experimentou dezenas de mágicas, para estabilizar a sua moeda, ou melhor, os ativos daqueles que sustentam a economia nacional. Em todas essas tentativas de proteger a moeda, os ativos foram sempre mais apreciados, e os agentes dinâmicos da economia nacional tiveram os seus ativos preservados, e assim tem sido a história repetida. Mas a rebarba ficava para o andar de baixo.
A velhinha de Taubaté, que passara pela experiência da construção de Brasília, sem que lhe tivesse dito, que a sua poupança financiara aquela gestuálica da arquitetura do poder, prestes a adquirir o direito de usufruir a pensão dos vinte salários, teve que realizar que o Instituto de Previdência, não dispunha de recursos suficientes para os vinte. Crédula por natureza e formação, acreditou, e passou a esperar, então dez salários. Nacionalista, brasileira da primeira hora, mesmo vendo sua vizinha, funcionária pública autárquica, já gozando de uma aposentação bem acima desses limites, chamada nas ruas por alguns de marajá.
A velhinha de Taubaté cumpriu o tempo. Fez-se no direito à pensão. Nesse tempo, inauguram-se cartões plastificados, com códigos de segurança, para que ninguém se servisse do que não fosse seu. Orgulhou-se da tecnologia. O País seguia o seu futuro grande.
Bem, a espera persiste. A crença não foi capaz de antecipar-lhe uma boa nova. Todos aqueles planos de proteção da moeda, lhe haviam capado mais dos prometidos dez salários. A pensão minguou. Nem mesmo o bingo da praça poderia jogar. O governo, condenado a pagar a diferença, quer saudá-la com deságio, e com recursos dela mesmo, e de todas as velhinhas como a de Taubaté, cobrando-lhe uma contribuição social temporária. À velhinha de Taubaté foi dito que seria passado um filme, cujo enredo é dar consistência às contas públicas. A coleta do ouro dos anéis não seria mais usada.
A velhinha de Taubaté, ao sair do Instituto, encontrou aquele, escorado no prédio do INSS, e, por curiosidade, perguntou-lhe a opinião. Não tinha nenhuma. Surpresa, indagou, então, qual era o seu papel esses anos todos ali, encostado no prédio. Não creio em nada disso, não espero nada. Mas é por caridade que estou aqui. Caso deixe de escorar, tudo isso ruirá em mil pedaços num ritmo de lamento ele explicou, lembrando o Cristo de Nietzsche, Zaratustra, que não podia afrouxar as suas correntes, não obstante libertava outros das suas cadeias.
A velhinha não tem jogado bingo, mas tem pensado muito no que ouviu. Começa a descrer e a perder a esperança nesse gigante, que dorme em berço esplêndido, mas capaz de manter os seus em cadeias permanentes. E, pelo que ouve agora, sequer esperanças às outras velhinhas de Taubaté pode oferecer. Já se discute, a pretexto de que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, que a aposentação futura se ganhe com mais idade. Do jeito que vão as coisas, com os gastos crescentes, teremos candidatos a pensionistas com a idade de Matusalém.
06-12-2006 00:00:00
saiba maisA velhinha de Taubaté é uma dessas realidades, criadas pelo escritor Luís Fernando Veríssimo, que, de tão real, pode ser encontrada a cada esquina. Ela crê em tudo. Espera sempre.
A velhinha de Taubaté recolheu para o antigo IAPTC contribuição, que lhe assegurava uma pensão equivalente a vinte salários, o mínimo. Quando era mocinha em Taubaté, sempre acreditou que na terceira idade poderia freqüentar o bingo da praça da Igreja com a segurança de seus vinte salários, e ajudando seus sobrinhos.
No meio do percurso, foi lhe vendida a idéia de separar o Instituto da Previdência do de Assistência à Saúde. Cálculos atuariais dispostos de maneira muito espetacular a fizeram crer, mais uma vez, na esperança vindoura. Mandaram-na para a fila do INAMPS, quando se tratava de atendimento médico, e para a fila do INSS, quando se tratasse de buscar alguma informação a cerca da pensão prometida - aqueles vinte salários. Não houvera grande mudança. Apenas o tempo de espera dobrara.
Nesse tempo, conheceu um senhor, que se escorava no prédio do INSS, exibindo uma fisionomia exausta. Toda vez, que lá a velhinha de Taubaté se apresentava, lá estava ele, sempre cansado, e incansavelmente escorado no prédio do INSS. A cena se banalizara pela seqüência da cena. A velhinha de Taubaté deixou de notar aquela presença incansável, escorando o prédio do INSS.
O Brasil, que vem vivendo de soluços, experimentou dezenas de mágicas, para estabilizar a sua moeda, ou melhor, os ativos daqueles que sustentam a economia nacional. Em todas essas tentativas de proteger a moeda, os ativos foram sempre mais apreciados, e os agentes dinâmicos da economia nacional tiveram os seus ativos preservados, e assim tem sido a história repetida. Mas a rebarba ficava para o andar de baixo.
A velhinha de Taubaté, que passara pela experiência da construção de Brasília, sem que lhe tivesse dito, que a sua poupança financiara aquela gestuálica da arquitetura do poder, prestes a adquirir o direito de usufruir a pensão dos vinte salários, teve que realizar que o Instituto de Previdência, não dispunha de recursos suficientes para os vinte. Crédula por natureza e formação, acreditou, e passou a esperar, então dez salários. Nacionalista, brasileira da primeira hora, mesmo vendo sua vizinha, funcionária pública autárquica, já gozando de uma aposentação bem acima desses limites, chamada nas ruas por alguns de marajá.
A velhinha de Taubaté cumpriu o tempo. Fez-se no direito à pensão. Nesse tempo, inauguram-se cartões plastificados, com códigos de segurança, para que ninguém se servisse do que não fosse seu. Orgulhou-se da tecnologia. O País seguia o seu futuro grande.
Bem, a espera persiste. A crença não foi capaz de antecipar-lhe uma boa nova. Todos aqueles planos de proteção da moeda, lhe haviam capado mais dos prometidos dez salários. A pensão minguou. Nem mesmo o bingo da praça poderia jogar. O governo, condenado a pagar a diferença, quer saudá-la com deságio, e com recursos dela mesmo, e de todas as velhinhas como a de Taubaté, cobrando-lhe uma contribuição social temporária. À velhinha de Taubaté foi dito que seria passado um filme, cujo enredo é dar consistência às contas públicas. A coleta do ouro dos anéis não seria mais usada.
A velhinha de Taubaté, ao sair do Instituto, encontrou aquele, escorado no prédio do INSS, e, por curiosidade, perguntou-lhe a opinião. Não tinha nenhuma. Surpresa, indagou, então, qual era o seu papel esses anos todos ali, encostado no prédio. Não creio em nada disso, não espero nada. Mas é por caridade que estou aqui. Caso deixe de escorar, tudo isso ruirá em mil pedaços num ritmo de lamento ele explicou, lembrando o Cristo de Nietzsche, Zaratustra, que não podia afrouxar as suas correntes, não obstante libertava outros das suas cadeias.
A velhinha não tem jogado bingo, mas tem pensado muito no que ouviu. Começa a descrer e a perder a esperança nesse gigante, que dorme em berço esplêndido, mas capaz de manter os seus em cadeias permanentes. E, pelo que ouve agora, sequer esperanças às outras velhinhas de Taubaté pode oferecer. Já se discute, a pretexto de que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, que a aposentação futura se ganhe com mais idade. Do jeito que vão as coisas, com os gastos crescentes, teremos candidatos a pensionistas com a idade de Matusalém.
06-12-2006 00:00:00
saiba maisA velhinha de Taubaté é uma dessas realidades, criadas pelo escritor Luís Fernando Veríssimo, que, de tão real, pode ser encontrada a cada esquina. Ela crê em tudo. Espera sempre.
A velhinha de Taubaté recolheu para o antigo IAPTC contribuição, que lhe assegurava uma pensão equivalente a vinte salários, o mínimo. Quando era mocinha em Taubaté, sempre acreditou que na terceira idade poderia freqüentar o bingo da praça da Igreja com a segurança de seus vinte salários, e ajudando seus sobrinhos.
No meio do percurso, foi lhe vendida a idéia de separar o Instituto da Previdência do de Assistência à Saúde. Cálculos atuariais dispostos de maneira muito espetacular a fizeram crer, mais uma vez, na esperança vindoura. Mandaram-na para a fila do INAMPS, quando se tratava de atendimento médico, e para a fila do INSS, quando se tratasse de buscar alguma informação a cerca da pensão prometida - aqueles vinte salários. Não houvera grande mudança. Apenas o tempo de espera dobrara.
Nesse tempo, conheceu um senhor, que se escorava no prédio do INSS, exibindo uma fisionomia exausta. Toda vez, que lá a velhinha de Taubaté se apresentava, lá estava ele, sempre cansado, e incansavelmente escorado no prédio do INSS. A cena se banalizara pela seqüência da cena. A velhinha de Taubaté deixou de notar aquela presença incansável, escorando o prédio do INSS.
O Brasil, que vem vivendo de soluços, experimentou dezenas de mágicas, para estabilizar a sua moeda, ou melhor, os ativos daqueles que sustentam a economia nacional. Em todas essas tentativas de proteger a moeda, os ativos foram sempre mais apreciados, e os agentes dinâmicos da economia nacional tiveram os seus ativos preservados, e assim tem sido a história repetida. Mas a rebarba ficava para o andar de baixo.
A velhinha de Taubaté, que passara pela experiência da construção de Brasília, sem que lhe tivesse dito, que a sua poupança financiara aquela gestuálica da arquitetura do poder, prestes a adquirir o direito de usufruir a pensão dos vinte salários, teve que realizar que o Instituto de Previdência, não dispunha de recursos suficientes para os vinte. Crédula por natureza e formação, acreditou, e passou a esperar, então dez salários. Nacionalista, brasileira da primeira hora, mesmo vendo sua vizinha, funcionária pública autárquica, já gozando de uma aposentação bem acima desses limites, chamada nas ruas por alguns de marajá.
A velhinha de Taubaté cumpriu o tempo. Fez-se no direito à pensão. Nesse tempo, inauguram-se cartões plastificados, com códigos de segurança, para que ninguém se servisse do que não fosse seu. Orgulhou-se da tecnologia. O País seguia o seu futuro grande.
Bem, a espera persiste. A crença não foi capaz de antecipar-lhe uma boa nova. Todos aqueles planos de proteção da moeda, lhe haviam capado mais dos prometidos dez salários. A pensão minguou. Nem mesmo o bingo da praça poderia jogar. O governo, condenado a pagar a diferença, quer saudá-la com deságio, e com recursos dela mesmo, e de todas as velhinhas como a de Taubaté, cobrando-lhe uma contribuição social temporária. À velhinha de Taubaté foi dito que seria passado um filme, cujo enredo é dar consistência às contas públicas. A coleta do ouro dos anéis não seria mais usada.
A velhinha de Taubaté, ao sair do Instituto, encontrou aquele, escorado no prédio do INSS, e, por curiosidade, perguntou-lhe a opinião. Não tinha nenhuma. Surpresa, indagou, então, qual era o seu papel esses anos todos ali, encostado no prédio. Não creio em nada disso, não espero nada. Mas é por caridade que estou aqui. Caso deixe de escorar, tudo isso ruirá em mil pedaços num ritmo de lamento ele explicou, lembrando o Cristo de Nietzsche, Zaratustra, que não podia afrouxar as suas correntes, não obstante libertava outros das suas cadeias.
A velhinha não tem jogado bingo, mas tem pensado muito no que ouviu. Começa a descrer e a perder a esperança nesse gigante, que dorme em berço esplêndido, mas capaz de manter os seus em cadeias permanentes. E, pelo que ouve agora, sequer esperanças às outras velhinhas de Taubaté pode oferecer. Já se discute, a pretexto de que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, que a aposentação futura se ganhe com mais idade. Do jeito que vão as coisas, com os gastos crescentes, teremos candidatos a pensionistas com a idade de Matusalém.
06-12-2006 00:00:00
saiba maisAs ultimas eleições para governador de Estado indicaram uma tendência muito clara: os governadores reeleitos com a maior margem de votos, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, foram os que mais se distinguiram com administrações consideradas por todos como excelentes.
Acredito que esta será a tendência moderna da democracia: o povo vai eleger aqueles que cuidam com seriedade e eficiência da coisa publica.
Para uma boa administração seja publica ou privada o mais importante é definir o que se quer, o objetivo, o foco. Sem isso andamos às cegas, nas famosas tentativas de erro e acerto, que tanto atrasam o progresso de nosso Pais e, principalmente, de nossa Cidade.
Na raiz do problema, agora estamos falando especificamente de Búzios, está a falta de um Secretaria ou Assessoria de Planejamento. Não vai aqui nenhuma critica aos ocupantes do cargo que tem este nome, administração passada e na atual, nenhum dos dois é do ramo e a eles não foi pedido, pelos prefeitos, que organizassem uma gestão de planejamento integrado da Cidade.
A principal função do planejamento é a definição das prioridades da Cidade, as receitas são limitadas, inelásticas, já as despesas, nas intenções, infelizmente não tem limite, podemos querer calçar a Cidade de mármore, contratar todos amigos para ter um salário na Prefeitura ou qualquer idéia louca que ocorra. Planejamento é isto - adequar os recursos disponíveis às necessidades mais urgentes e importantes da Cidade. Ou seja, administrar o cobertor curto. As carências sempre serão maiores do que os recursos existentes.
Será que a Via Azul seria prioritária em meio a tantas outras demandas
Estas reflexões ocorrem-me por causa das polêmicas causadas pela construção da «Via Azul», por mais pertinentes que sejam as criticas a sua execução, em minha opinião, o erro básico está na falta de planejamento global. Será que em Búzios, uma Cidade que, por seu crescimento explosivo, onde falta basicamente tudo, estaria entre as prioridades um investimento enorme em uma obra viária? Será que efetuaram uma criteriosa análise de custo beneficio da mesma? Posso apostar que a resposta é não.
A mais importante atividade do planejamento é a de definir o que é melhor para a Cidade. Algumas vezes as propostas mais populares não são as mais adequadas, exemplo: esgotos e áreas de preservação ambiental não costumam ter apelo e, no entanto, para Búzios, são imprescindíveis.
O produto final do planejamento é a proposta de orçamento, que deve ser publicada, para que todos a conheçam, e ser enviada a Câmara para apreciação e votação.
Como diz o ditado «a esperança é a ultima que morre». Espero que os nossos dirigentes se espelhem nos exemplos de Minas e Espírito Santo, e dotem nossa Cidade de uma administração eficiente aberta e moderna.
05-12-2006 00:00:00
saiba maisAs ultimas eleições para governador de Estado indicaram uma tendência muito clara: os governadores reeleitos com a maior margem de votos, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, foram os que mais se distinguiram com administrações consideradas por todos como excelentes.
Acredito que esta será a tendência moderna da democracia: o povo vai eleger aqueles que cuidam com seriedade e eficiência da coisa publica.
Para uma boa administração seja publica ou privada o mais importante é definir o que se quer, o objetivo, o foco. Sem isso andamos às cegas, nas famosas tentativas de erro e acerto, que tanto atrasam o progresso de nosso Pais e, principalmente, de nossa Cidade.
Na raiz do problema, agora estamos falando especificamente de Búzios, está a falta de um Secretaria ou Assessoria de Planejamento. Não vai aqui nenhuma critica aos ocupantes do cargo que tem este nome, administração passada e na atual, nenhum dos dois é do ramo e a eles não foi pedido, pelos prefeitos, que organizassem uma gestão de planejamento integrado da Cidade.
A principal função do planejamento é a definição das prioridades da Cidade, as receitas são limitadas, inelásticas, já as despesas, nas intenções, infelizmente não tem limite, podemos querer calçar a Cidade de mármore, contratar todos amigos para ter um salário na Prefeitura ou qualquer idéia louca que ocorra. Planejamento é isto - adequar os recursos disponíveis às necessidades mais urgentes e importantes da Cidade. Ou seja, administrar o cobertor curto. As carências sempre serão maiores do que os recursos existentes.
Será que a Via Azul seria prioritária em meio a tantas outras demandas
Estas reflexões ocorrem-me por causa das polêmicas causadas pela construção da «Via Azul», por mais pertinentes que sejam as criticas a sua execução, em minha opinião, o erro básico está na falta de planejamento global. Será que em Búzios, uma Cidade que, por seu crescimento explosivo, onde falta basicamente tudo, estaria entre as prioridades um investimento enorme em uma obra viária? Será que efetuaram uma criteriosa análise de custo beneficio da mesma? Posso apostar que a resposta é não.
A mais importante atividade do planejamento é a de definir o que é melhor para a Cidade. Algumas vezes as propostas mais populares não são as mais adequadas, exemplo: esgotos e áreas de preservação ambiental não costumam ter apelo e, no entanto, para Búzios, são imprescindíveis.
O produto final do planejamento é a proposta de orçamento, que deve ser publicada, para que todos a conheçam, e ser enviada a Câmara para apreciação e votação.
Como diz o ditado «a esperança é a ultima que morre». Espero que os nossos dirigentes se espelhem nos exemplos de Minas e Espírito Santo, e dotem nossa Cidade de uma administração eficiente aberta e moderna.
05-12-2006 00:00:00
saiba maisAs ultimas eleições para governador de Estado indicaram uma tendência muito clara: os governadores reeleitos com a maior margem de votos, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, foram os que mais se distinguiram com administrações consideradas por todos como excelentes.
Acredito que esta será a tendência moderna da democracia: o povo vai eleger aqueles que cuidam com seriedade e eficiência da coisa publica.
Para uma boa administração seja publica ou privada o mais importante é definir o que se quer, o objetivo, o foco. Sem isso andamos às cegas, nas famosas tentativas de erro e acerto, que tanto atrasam o progresso de nosso Pais e, principalmente, de nossa Cidade.
Na raiz do problema, agora estamos falando especificamente de Búzios, está a falta de um Secretaria ou Assessoria de Planejamento. Não vai aqui nenhuma critica aos ocupantes do cargo que tem este nome, administração passada e na atual, nenhum dos dois é do ramo e a eles não foi pedido, pelos prefeitos, que organizassem uma gestão de planejamento integrado da Cidade.
A principal função do planejamento é a definição das prioridades da Cidade, as receitas são limitadas, inelásticas, já as despesas, nas intenções, infelizmente não tem limite, podemos querer calçar a Cidade de mármore, contratar todos amigos para ter um salário na Prefeitura ou qualquer idéia louca que ocorra. Planejamento é isto - adequar os recursos disponíveis às necessidades mais urgentes e importantes da Cidade. Ou seja, administrar o cobertor curto. As carências sempre serão maiores do que os recursos existentes.
Será que a Via Azul seria prioritária em meio a tantas outras demandas
Estas reflexões ocorrem-me por causa das polêmicas causadas pela construção da «Via Azul», por mais pertinentes que sejam as criticas a sua execução, em minha opinião, o erro básico está na falta de planejamento global. Será que em Búzios, uma Cidade que, por seu crescimento explosivo, onde falta basicamente tudo, estaria entre as prioridades um investimento enorme em uma obra viária? Será que efetuaram uma criteriosa análise de custo beneficio da mesma? Posso apostar que a resposta é não.
A mais importante atividade do planejamento é a de definir o que é melhor para a Cidade. Algumas vezes as propostas mais populares não são as mais adequadas, exemplo: esgotos e áreas de preservação ambiental não costumam ter apelo e, no entanto, para Búzios, são imprescindíveis.
O produto final do planejamento é a proposta de orçamento, que deve ser publicada, para que todos a conheçam, e ser enviada a Câmara para apreciação e votação.
Como diz o ditado «a esperança é a ultima que morre». Espero que os nossos dirigentes se espelhem nos exemplos de Minas e Espírito Santo, e dotem nossa Cidade de uma administração eficiente aberta e moderna.
05-12-2006 00:00:00
saiba maisAs ultimas eleições para governador de Estado indicaram uma tendência muito clara: os governadores reeleitos com a maior margem de votos, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, foram os que mais se distinguiram com administrações consideradas por todos como excelentes.
Acredito que esta será a tendência moderna da democracia: o povo vai eleger aqueles que cuidam com seriedade e eficiência da coisa publica.
Para uma boa administração seja publica ou privada o mais importante é definir o que se quer, o objetivo, o foco. Sem isso andamos às cegas, nas famosas tentativas de erro e acerto, que tanto atrasam o progresso de nosso Pais e, principalmente, de nossa Cidade.
Na raiz do problema, agora estamos falando especificamente de Búzios, está a falta de um Secretaria ou Assessoria de Planejamento. Não vai aqui nenhuma critica aos ocupantes do cargo que tem este nome, administração passada e na atual, nenhum dos dois é do ramo e a eles não foi pedido, pelos prefeitos, que organizassem uma gestão de planejamento integrado da Cidade.
A principal função do planejamento é a definição das prioridades da Cidade, as receitas são limitadas, inelásticas, já as despesas, nas intenções, infelizmente não tem limite, podemos querer calçar a Cidade de mármore, contratar todos amigos para ter um salário na Prefeitura ou qualquer idéia louca que ocorra. Planejamento é isto - adequar os recursos disponíveis às necessidades mais urgentes e importantes da Cidade. Ou seja, administrar o cobertor curto. As carências sempre serão maiores do que os recursos existentes.
Será que a Via Azul seria prioritária em meio a tantas outras demandas
Estas reflexões ocorrem-me por causa das polêmicas causadas pela construção da «Via Azul», por mais pertinentes que sejam as criticas a sua execução, em minha opinião, o erro básico está na falta de planejamento global. Será que em Búzios, uma Cidade que, por seu crescimento explosivo, onde falta basicamente tudo, estaria entre as prioridades um investimento enorme em uma obra viária? Será que efetuaram uma criteriosa análise de custo beneficio da mesma? Posso apostar que a resposta é não.
A mais importante atividade do planejamento é a de definir o que é melhor para a Cidade. Algumas vezes as propostas mais populares não são as mais adequadas, exemplo: esgotos e áreas de preservação ambiental não costumam ter apelo e, no entanto, para Búzios, são imprescindíveis.
O produto final do planejamento é a proposta de orçamento, que deve ser publicada, para que todos a conheçam, e ser enviada a Câmara para apreciação e votação.
Como diz o ditado «a esperança é a ultima que morre». Espero que os nossos dirigentes se espelhem nos exemplos de Minas e Espírito Santo, e dotem nossa Cidade de uma administração eficiente aberta e moderna.
05-12-2006 00:00:00
saiba maisAs ultimas eleições para governador de Estado indicaram uma tendência muito clara: os governadores reeleitos com a maior margem de votos, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, foram os que mais se distinguiram com administrações consideradas por todos como excelentes.
Acredito que esta será a tendência moderna da democracia: o povo vai eleger aqueles que cuidam com seriedade e eficiência da coisa publica.
Para uma boa administração seja publica ou privada o mais importante é definir o que se quer, o objetivo, o foco. Sem isso andamos às cegas, nas famosas tentativas de erro e acerto, que tanto atrasam o progresso de nosso Pais e, principalmente, de nossa Cidade.
Na raiz do problema, agora estamos falando especificamente de Búzios, está a falta de um Secretaria ou Assessoria de Planejamento. Não vai aqui nenhuma critica aos ocupantes do cargo que tem este nome, administração passada e na atual, nenhum dos dois é do ramo e a eles não foi pedido, pelos prefeitos, que organizassem uma gestão de planejamento integrado da Cidade.
A principal função do planejamento é a definição das prioridades da Cidade, as receitas são limitadas, inelásticas, já as despesas, nas intenções, infelizmente não tem limite, podemos querer calçar a Cidade de mármore, contratar todos amigos para ter um salário na Prefeitura ou qualquer idéia louca que ocorra. Planejamento é isto - adequar os recursos disponíveis às necessidades mais urgentes e importantes da Cidade. Ou seja, administrar o cobertor curto. As carências sempre serão maiores do que os recursos existentes.
Será que a Via Azul seria prioritária em meio a tantas outras demandas
Estas reflexões ocorrem-me por causa das polêmicas causadas pela construção da «Via Azul», por mais pertinentes que sejam as criticas a sua execução, em minha opinião, o erro básico está na falta de planejamento global. Será que em Búzios, uma Cidade que, por seu crescimento explosivo, onde falta basicamente tudo, estaria entre as prioridades um investimento enorme em uma obra viária? Será que efetuaram uma criteriosa análise de custo beneficio da mesma? Posso apostar que a resposta é não.
A mais importante atividade do planejamento é a de definir o que é melhor para a Cidade. Algumas vezes as propostas mais populares não são as mais adequadas, exemplo: esgotos e áreas de preservação ambiental não costumam ter apelo e, no entanto, para Búzios, são imprescindíveis.
O produto final do planejamento é a proposta de orçamento, que deve ser publicada, para que todos a conheçam, e ser enviada a Câmara para apreciação e votação.
Como diz o ditado «a esperança é a ultima que morre». Espero que os nossos dirigentes se espelhem nos exemplos de Minas e Espírito Santo, e dotem nossa Cidade de uma administração eficiente aberta e moderna.
05-12-2006 00:00:00
saiba maisLula foi reeleito presidente do Brasil com 58,29 milhões de votos. Dos 125 milhões de eleitores, numa população de 185 milhões de pessoas, 60,83% decidiram reconduzir à Presidência da República, por mais quatro anos, o líder sindical fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).
Como explicar essa preferência eleitoral após o PT e o governo terem sido alvos, desde maio de 2005, de denúncias de corrupção que provocaram a queda dos principais ministros de Lula - José Dirceu, chefe da Casa Civil e articulador político do governo, e Antônio Palocci, o super-ministro da Economia?
Não há provas de que Lula soubesse das escusas operações financeiras do PT, eufemisticamente qualificadas pelo partido de «recursos não contabilizados». O presidente veio a público declarar ter sido «traído», sem no entanto citar nomes, e acrescentar que lhe enfiaram «a faca nas costas». O fato é que a crise ética que tanto abalou o governo junto às classes média e rica, não sensibilizou o grande contingente de eleitores pobres neste país em que os 20% mais ricos concentram em suas mãos 64% da riqueza nacional.
Não é a ética da política que preocupa a maioria dos eleitores. Interessa-lhe a melhoria de suas condições de vida. Nesse sentido, o governo Lula representa avanços significativos. Desde 2001 há progressiva redução no fosso da desigualdade. A renda dos mais pobres tem crescido cerca de 4,5% ao ano. No atual governo isso se acentuou graças às políticas sociais, em especial o Bolsa Família, que hoje distribui renda a mais de 40 milhões de pessoas pobres, e há maior número de pessoas da família inseridas no mercado de trabalho.
Pesquisas apontam que, em 2001, uma família de quatro pessoas dispunha de renda média mensal (em valores de hoje) de US$ 95. Em 2004 passou a US$ 108,6 - um aumento de 14%. Como fatores indiretos dessa melhora do quadro social temos a Constituição de 1988, que ampliou os direitos do trabalhador; o aperfeiçoamento de nossa democracia, que possibilitou mais controle das instituições e, em especial, a fiscalização do poder público (embora isso ainda esteja longe do razoável); e o maior profissionalismo dos funcionários do governo.
A inflação está sob controle, os preços dos alimentos de primeira necessidade têm sido reduzidos e o salário mínimo que, em 2003, equivalia a US$ 82, hoje vale US$ 160. O programa Luz para Todos permite que 97% da população tenha televisores; negros e indígenas desfrutam de cotas preferenciais nas universidades; e nunca a Polícia Federal prendeu tantos criminosos de colarinho branco como no governo Lula (embora o Judiciário nunca os mantenha presos).
Outro item que justifica o apoio à sua reeleição é a política externa soberana. O governo Lula rejeitou a Alca proposta por Bush e condena a intervenção no Iraque; reativa o Mercosul, abrindo-o aos países andinos; defende a soberania da Venezuela de Chávez, da Bolívia de Morales, o direito de Cuba participar de organismos multilaterais, como a OEA.
No segundo mandato Lula terá pela frente grandes desafios. O PT encontra-se debilitado pelos escândalos de maracutaias e sem suficiente capilaridade organizacional que lhe permita transformar em mobilização uma parcela dos 58 milhões de eleitores que reconduziram o presidente ao Planalto. O governo encontra-se refém do PMDB, que deixou de indicar candidato próprio a presidente da República e, agora, apresenta a fatura.
Embora o PT tenha derrotado as oligarquias baiana e sergipana e, via PSB, a pernambucana, terá agora o incômodo de administrar seus vínculos com as oligarquias representadas por Sarney no Maranhão, Jader Barbalho no Pará e Newton Cardoso em Minas.
Lula governará também sob pressão permanente dos movimentos populares, como o MST, e da Igreja Católica, que ainda lhe cobram promessas da campanha eleitoral de 2002, como as reformas agrária, trabalhista, tributária e política. Hoje, as políticas sociais têm cunho assistencialista, insuficientes para permitir às famílias beneficiárias condições de produzir a própria renda. O Bolsa Família ainda não encontrou a sua porta de saída, a reforma agrária - o que o Brasil, com 600 milhões de hectares cultiváveis e 12% da água potável do Planeta, jamais conheceu.
É possível que o segundo mandato de Lula seja mais conservador que o primeiro, afinado com a proposta do Banco Mundial de manter políticas sociais focalizadas sem ameaça aos paradigmas neoliberais da economia de mercado. De janeiro de 2003 a junho deste ano o governo Lula canalizou às mãos dos credores da dívida pública US$ 241 bilhões. E reservou às políticas sociais - excluídas a Saúde e a Educação, que dispõem de orçamentos próprios - cerca de US$ 14 bilhões.
É o que explica os aplausos do sistema financeiro ao governo Lula, que mantém a taxa de juros acima de 14% e, ao mesmo tempo, o apoio do eleitorado mais pobre, agraciado com uma renda mínima em situação de relativa estabilidade financeira.
É essa habilidade política de agradar simultaneamente os mais ricos e os mais pobres que faz de Lula um presidente ímpar e lhe permite acenar, desde agora, para um pacto social que, à semelhança da Espanha de Felipe González, permita ao Brasil sair da vergonhosa condição de 10º nação mais desigual e figurar, entre os países emergentes, como o de menor índice de crescimento nos últimos cinco anos.
Resta saber se Lula apenas estenderá uma frágil ponte entre os que estão no andar de cima e os que se encontram no fundo do abismo social ou ousará transformar as estruturas que hoje mantêm cerca de 115 milhões de brasileiros sobrevivendo abaixo da linha da pobreza.
02-12-2006 00:00:00
saiba maisLula foi reeleito presidente do Brasil com 58,29 milhões de votos. Dos 125 milhões de eleitores, numa população de 185 milhões de pessoas, 60,83% decidiram reconduzir à Presidência da República, por mais quatro anos, o líder sindical fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).
Como explicar essa preferência eleitoral após o PT e o governo terem sido alvos, desde maio de 2005, de denúncias de corrupção que provocaram a queda dos principais ministros de Lula - José Dirceu, chefe da Casa Civil e articulador político do governo, e Antônio Palocci, o super-ministro da Economia?
Não há provas de que Lula soubesse das escusas operações financeiras do PT, eufemisticamente qualificadas pelo partido de «recursos não contabilizados». O presidente veio a público declarar ter sido «traído», sem no entanto citar nomes, e acrescentar que lhe enfiaram «a faca nas costas». O fato é que a crise ética que tanto abalou o governo junto às classes média e rica, não sensibilizou o grande contingente de eleitores pobres neste país em que os 20% mais ricos concentram em suas mãos 64% da riqueza nacional.
Não é a ética da política que preocupa a maioria dos eleitores. Interessa-lhe a melhoria de suas condições de vida. Nesse sentido, o governo Lula representa avanços significativos. Desde 2001 há progressiva redução no fosso da desigualdade. A renda dos mais pobres tem crescido cerca de 4,5% ao ano. No atual governo isso se acentuou graças às políticas sociais, em especial o Bolsa Família, que hoje distribui renda a mais de 40 milhões de pessoas pobres, e há maior número de pessoas da família inseridas no mercado de trabalho.
Pesquisas apontam que, em 2001, uma família de quatro pessoas dispunha de renda média mensal (em valores de hoje) de US$ 95. Em 2004 passou a US$ 108,6 - um aumento de 14%. Como fatores indiretos dessa melhora do quadro social temos a Constituição de 1988, que ampliou os direitos do trabalhador; o aperfeiçoamento de nossa democracia, que possibilitou mais controle das instituições e, em especial, a fiscalização do poder público (embora isso ainda esteja longe do razoável); e o maior profissionalismo dos funcionários do governo.
A inflação está sob controle, os preços dos alimentos de primeira necessidade têm sido reduzidos e o salário mínimo que, em 2003, equivalia a US$ 82, hoje vale US$ 160. O programa Luz para Todos permite que 97% da população tenha televisores; negros e indígenas desfrutam de cotas preferenciais nas universidades; e nunca a Polícia Federal prendeu tantos criminosos de colarinho branco como no governo Lula (embora o Judiciário nunca os mantenha presos).
Outro item que justifica o apoio à sua reeleição é a política externa soberana. O governo Lula rejeitou a Alca proposta por Bush e condena a intervenção no Iraque; reativa o Mercosul, abrindo-o aos países andinos; defende a soberania da Venezuela de Chávez, da Bolívia de Morales, o direito de Cuba participar de organismos multilaterais, como a OEA.
No segundo mandato Lula terá pela frente grandes desafios. O PT encontra-se debilitado pelos escândalos de maracutaias e sem suficiente capilaridade organizacional que lhe permita transformar em mobilização uma parcela dos 58 milhões de eleitores que reconduziram o presidente ao Planalto. O governo encontra-se refém do PMDB, que deixou de indicar candidato próprio a presidente da República e, agora, apresenta a fatura.
Embora o PT tenha derrotado as oligarquias baiana e sergipana e, via PSB, a pernambucana, terá agora o incômodo de administrar seus vínculos com as oligarquias representadas por Sarney no Maranhão, Jader Barbalho no Pará e Newton Cardoso em Minas.
Lula governará também sob pressão permanente dos movimentos populares, como o MST, e da Igreja Católica, que ainda lhe cobram promessas da campanha eleitoral de 2002, como as reformas agrária, trabalhista, tributária e política. Hoje, as políticas sociais têm cunho assistencialista, insuficientes para permitir às famílias beneficiárias condições de produzir a própria renda. O Bolsa Família ainda não encontrou a sua porta de saída, a reforma agrária - o que o Brasil, com 600 milhões de hectares cultiváveis e 12% da água potável do Planeta, jamais conheceu.
É possível que o segundo mandato de Lula seja mais conservador que o primeiro, afinado com a proposta do Banco Mundial de manter políticas sociais focalizadas sem ameaça aos paradigmas neoliberais da economia de mercado. De janeiro de 2003 a junho deste ano o governo Lula canalizou às mãos dos credores da dívida pública US$ 241 bilhões. E reservou às políticas sociais - excluídas a Saúde e a Educação, que dispõem de orçamentos próprios - cerca de US$ 14 bilhões.
É o que explica os aplausos do sistema financeiro ao governo Lula, que mantém a taxa de juros acima de 14% e, ao mesmo tempo, o apoio do eleitorado mais pobre, agraciado com uma renda mínima em situação de relativa estabilidade financeira.
É essa habilidade política de agradar simultaneamente os mais ricos e os mais pobres que faz de Lula um presidente ímpar e lhe permite acenar, desde agora, para um pacto social que, à semelhança da Espanha de Felipe González, permita ao Brasil sair da vergonhosa condição de 10º nação mais desigual e figurar, entre os países emergentes, como o de menor índice de crescimento nos últimos cinco anos.
Resta saber se Lula apenas estenderá uma frágil ponte entre os que estão no andar de cima e os que se encontram no fundo do abismo social ou ousará transformar as estruturas que hoje mantêm cerca de 115 milhões de brasileiros sobrevivendo abaixo da linha da pobreza.
02-12-2006 00:00:00
saiba maisLula foi reeleito presidente do Brasil com 58,29 milhões de votos. Dos 125 milhões de eleitores, numa população de 185 milhões de pessoas, 60,83% decidiram reconduzir à Presidência da República, por mais quatro anos, o líder sindical fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).
Como explicar essa preferência eleitoral após o PT e o governo terem sido alvos, desde maio de 2005, de denúncias de corrupção que provocaram a queda dos principais ministros de Lula - José Dirceu, chefe da Casa Civil e articulador político do governo, e Antônio Palocci, o super-ministro da Economia?
Não há provas de que Lula soubesse das escusas operações financeiras do PT, eufemisticamente qualificadas pelo partido de «recursos não contabilizados». O presidente veio a público declarar ter sido «traído», sem no entanto citar nomes, e acrescentar que lhe enfiaram «a faca nas costas». O fato é que a crise ética que tanto abalou o governo junto às classes média e rica, não sensibilizou o grande contingente de eleitores pobres neste país em que os 20% mais ricos concentram em suas mãos 64% da riqueza nacional.
Não é a ética da política que preocupa a maioria dos eleitores. Interessa-lhe a melhoria de suas condições de vida. Nesse sentido, o governo Lula representa avanços significativos. Desde 2001 há progressiva redução no fosso da desigualdade. A renda dos mais pobres tem crescido cerca de 4,5% ao ano. No atual governo isso se acentuou graças às políticas sociais, em especial o Bolsa Família, que hoje distribui renda a mais de 40 milhões de pessoas pobres, e há maior número de pessoas da família inseridas no mercado de trabalho.
Pesquisas apontam que, em 2001, uma família de quatro pessoas dispunha de renda média mensal (em valores de hoje) de US$ 95. Em 2004 passou a US$ 108,6 - um aumento de 14%. Como fatores indiretos dessa melhora do quadro social temos a Constituição de 1988, que ampliou os direitos do trabalhador; o aperfeiçoamento de nossa democracia, que possibilitou mais controle das instituições e, em especial, a fiscalização do poder público (embora isso ainda esteja longe do razoável); e o maior profissionalismo dos funcionários do governo.
A inflação está sob controle, os preços dos alimentos de primeira necessidade têm sido reduzidos e o salário mínimo que, em 2003, equivalia a US$ 82, hoje vale US$ 160. O programa Luz para Todos permite que 97% da população tenha televisores; negros e indígenas desfrutam de cotas preferenciais nas universidades; e nunca a Polícia Federal prendeu tantos criminosos de colarinho branco como no governo Lula (embora o Judiciário nunca os mantenha presos).
Outro item que justifica o apoio à sua reeleição é a política externa soberana. O governo Lula rejeitou a Alca proposta por Bush e condena a intervenção no Iraque; reativa o Mercosul, abrindo-o aos países andinos; defende a soberania da Venezuela de Chávez, da Bolívia de Morales, o direito de Cuba participar de organismos multilaterais, como a OEA.
No segundo mandato Lula terá pela frente grandes desafios. O PT encontra-se debilitado pelos escândalos de maracutaias e sem suficiente capilaridade organizacional que lhe permita transformar em mobilização uma parcela dos 58 milhões de eleitores que reconduziram o presidente ao Planalto. O governo encontra-se refém do PMDB, que deixou de indicar candidato próprio a presidente da República e, agora, apresenta a fatura.
Embora o PT tenha derrotado as oligarquias baiana e sergipana e, via PSB, a pernambucana, terá agora o incômodo de administrar seus vínculos com as oligarquias representadas por Sarney no Maranhão, Jader Barbalho no Pará e Newton Cardoso em Minas.
Lula governará também sob pressão permanente dos movimentos populares, como o MST, e da Igreja Católica, que ainda lhe cobram promessas da campanha eleitoral de 2002, como as reformas agrária, trabalhista, tributária e política. Hoje, as políticas sociais têm cunho assistencialista, insuficientes para permitir às famílias beneficiárias condições de produzir a própria renda. O Bolsa Família ainda não encontrou a sua porta de saída, a reforma agrária - o que o Brasil, com 600 milhões de hectares cultiváveis e 12% da água potável do Planeta, jamais conheceu.
É possível que o segundo mandato de Lula seja mais conservador que o primeiro, afinado com a proposta do Banco Mundial de manter políticas sociais focalizadas sem ameaça aos paradigmas neoliberais da economia de mercado. De janeiro de 2003 a junho deste ano o governo Lula canalizou às mãos dos credores da dívida pública US$ 241 bilhões. E reservou às políticas sociais - excluídas a Saúde e a Educação, que dispõem de orçamentos próprios - cerca de US$ 14 bilhões.
É o que explica os aplausos do sistema financeiro ao governo Lula, que mantém a taxa de juros acima de 14% e, ao mesmo tempo, o apoio do eleitorado mais pobre, agraciado com uma renda mínima em situação de relativa estabilidade financeira.
É essa habilidade política de agradar simultaneamente os mais ricos e os mais pobres que faz de Lula um presidente ímpar e lhe permite acenar, desde agora, para um pacto social que, à semelhança da Espanha de Felipe González, permita ao Brasil sair da vergonhosa condição de 10º nação mais desigual e figurar, entre os países emergentes, como o de menor índice de crescimento nos últimos cinco anos.
Resta saber se Lula apenas estenderá uma frágil ponte entre os que estão no andar de cima e os que se encontram no fundo do abismo social ou ousará transformar as estruturas que hoje mantêm cerca de 115 milhões de brasileiros sobrevivendo abaixo da linha da pobreza.
02-12-2006 00:00:00
saiba maisLula foi reeleito presidente do Brasil com 58,29 milhões de votos. Dos 125 milhões de eleitores, numa população de 185 milhões de pessoas, 60,83% decidiram reconduzir à Presidência da República, por mais quatro anos, o líder sindical fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).
Como explicar essa preferência eleitoral após o PT e o governo terem sido alvos, desde maio de 2005, de denúncias de corrupção que provocaram a queda dos principais ministros de Lula - José Dirceu, chefe da Casa Civil e articulador político do governo, e Antônio Palocci, o super-ministro da Economia?
Não há provas de que Lula soubesse das escusas operações financeiras do PT, eufemisticamente qualificadas pelo partido de «recursos não contabilizados». O presidente veio a público declarar ter sido «traído», sem no entanto citar nomes, e acrescentar que lhe enfiaram «a faca nas costas». O fato é que a crise ética que tanto abalou o governo junto às classes média e rica, não sensibilizou o grande contingente de eleitores pobres neste país em que os 20% mais ricos concentram em suas mãos 64% da riqueza nacional.
Não é a ética da política que preocupa a maioria dos eleitores. Interessa-lhe a melhoria de suas condições de vida. Nesse sentido, o governo Lula representa avanços significativos. Desde 2001 há progressiva redução no fosso da desigualdade. A renda dos mais pobres tem crescido cerca de 4,5% ao ano. No atual governo isso se acentuou graças às políticas sociais, em especial o Bolsa Família, que hoje distribui renda a mais de 40 milhões de pessoas pobres, e há maior número de pessoas da família inseridas no mercado de trabalho.
Pesquisas apontam que, em 2001, uma família de quatro pessoas dispunha de renda média mensal (em valores de hoje) de US$ 95. Em 2004 passou a US$ 108,6 - um aumento de 14%. Como fatores indiretos dessa melhora do quadro social temos a Constituição de 1988, que ampliou os direitos do trabalhador; o aperfeiçoamento de nossa democracia, que possibilitou mais controle das instituições e, em especial, a fiscalização do poder público (embora isso ainda esteja longe do razoável); e o maior profissionalismo dos funcionários do governo.
A inflação está sob controle, os preços dos alimentos de primeira necessidade têm sido reduzidos e o salário mínimo que, em 2003, equivalia a US$ 82, hoje vale US$ 160. O programa Luz para Todos permite que 97% da população tenha televisores; negros e indígenas desfrutam de cotas preferenciais nas universidades; e nunca a Polícia Federal prendeu tantos criminosos de colarinho branco como no governo Lula (embora o Judiciário nunca os mantenha presos).
Outro item que justifica o apoio à sua reeleição é a política externa soberana. O governo Lula rejeitou a Alca proposta por Bush e condena a intervenção no Iraque; reativa o Mercosul, abrindo-o aos países andinos; defende a soberania da Venezuela de Chávez, da Bolívia de Morales, o direito de Cuba participar de organismos multilaterais, como a OEA.
No segundo mandato Lula terá pela frente grandes desafios. O PT encontra-se debilitado pelos escândalos de maracutaias e sem suficiente capilaridade organizacional que lhe permita transformar em mobilização uma parcela dos 58 milhões de eleitores que reconduziram o presidente ao Planalto. O governo encontra-se refém do PMDB, que deixou de indicar candidato próprio a presidente da República e, agora, apresenta a fatura.
Embora o PT tenha derrotado as oligarquias baiana e sergipana e, via PSB, a pernambucana, terá agora o incômodo de administrar seus vínculos com as oligarquias representadas por Sarney no Maranhão, Jader Barbalho no Pará e Newton Cardoso em Minas.
Lula governará também sob pressão permanente dos movimentos populares, como o MST, e da Igreja Católica, que ainda lhe cobram promessas da campanha eleitoral de 2002, como as reformas agrária, trabalhista, tributária e política. Hoje, as políticas sociais têm cunho assistencialista, insuficientes para permitir às famílias beneficiárias condições de produzir a própria renda. O Bolsa Família ainda não encontrou a sua porta de saída, a reforma agrária - o que o Brasil, com 600 milhões de hectares cultiváveis e 12% da água potável do Planeta, jamais conheceu.
É possível que o segundo mandato de Lula seja mais conservador que o primeiro, afinado com a proposta do Banco Mundial de manter políticas sociais focalizadas sem ameaça aos paradigmas neoliberais da economia de mercado. De janeiro de 2003 a junho deste ano o governo Lula canalizou às mãos dos credores da dívida pública US$ 241 bilhões. E reservou às políticas sociais - excluídas a Saúde e a Educação, que dispõem de orçamentos próprios - cerca de US$ 14 bilhões.
É o que explica os aplausos do sistema financeiro ao governo Lula, que mantém a taxa de juros acima de 14% e, ao mesmo tempo, o apoio do eleitorado mais pobre, agraciado com uma renda mínima em situação de relativa estabilidade financeira.
É essa habilidade política de agradar simultaneamente os mais ricos e os mais pobres que faz de Lula um presidente ímpar e lhe permite acenar, desde agora, para um pacto social que, à semelhança da Espanha de Felipe González, permita ao Brasil sair da vergonhosa condição de 10º nação mais desigual e figurar, entre os países emergentes, como o de menor índice de crescimento nos últimos cinco anos.
Resta saber se Lula apenas estenderá uma frágil ponte entre os que estão no andar de cima e os que se encontram no fundo do abismo social ou ousará transformar as estruturas que hoje mantêm cerca de 115 milhões de brasileiros sobrevivendo abaixo da linha da pobreza.
02-12-2006 00:00:00
saiba maisLula foi reeleito presidente do Brasil com 58,29 milhões de votos. Dos 125 milhões de eleitores, numa população de 185 milhões de pessoas, 60,83% decidiram reconduzir à Presidência da República, por mais quatro anos, o líder sindical fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).
Como explicar essa preferência eleitoral após o PT e o governo terem sido alvos, desde maio de 2005, de denúncias de corrupção que provocaram a queda dos principais ministros de Lula - José Dirceu, chefe da Casa Civil e articulador político do governo, e Antônio Palocci, o super-ministro da Economia?
Não há provas de que Lula soubesse das escusas operações financeiras do PT, eufemisticamente qualificadas pelo partido de «recursos não contabilizados». O presidente veio a público declarar ter sido «traído», sem no entanto citar nomes, e acrescentar que lhe enfiaram «a faca nas costas». O fato é que a crise ética que tanto abalou o governo junto às classes média e rica, não sensibilizou o grande contingente de eleitores pobres neste país em que os 20% mais ricos concentram em suas mãos 64% da riqueza nacional.
Não é a ética da política que preocupa a maioria dos eleitores. Interessa-lhe a melhoria de suas condições de vida. Nesse sentido, o governo Lula representa avanços significativos. Desde 2001 há progressiva redução no fosso da desigualdade. A renda dos mais pobres tem crescido cerca de 4,5% ao ano. No atual governo isso se acentuou graças às políticas sociais, em especial o Bolsa Família, que hoje distribui renda a mais de 40 milhões de pessoas pobres, e há maior número de pessoas da família inseridas no mercado de trabalho.
Pesquisas apontam que, em 2001, uma família de quatro pessoas dispunha de renda média mensal (em valores de hoje) de US$ 95. Em 2004 passou a US$ 108,6 - um aumento de 14%. Como fatores indiretos dessa melhora do quadro social temos a Constituição de 1988, que ampliou os direitos do trabalhador; o aperfeiçoamento de nossa democracia, que possibilitou mais controle das instituições e, em especial, a fiscalização do poder público (embora isso ainda esteja longe do razoável); e o maior profissionalismo dos funcionários do governo.
A inflação está sob controle, os preços dos alimentos de primeira necessidade têm sido reduzidos e o salário mínimo que, em 2003, equivalia a US$ 82, hoje vale US$ 160. O programa Luz para Todos permite que 97% da população tenha televisores; negros e indígenas desfrutam de cotas preferenciais nas universidades; e nunca a Polícia Federal prendeu tantos criminosos de colarinho branco como no governo Lula (embora o Judiciário nunca os mantenha presos).
Outro item que justifica o apoio à sua reeleição é a política externa soberana. O governo Lula rejeitou a Alca proposta por Bush e condena a intervenção no Iraque; reativa o Mercosul, abrindo-o aos países andinos; defende a soberania da Venezuela de Chávez, da Bolívia de Morales, o direito de Cuba participar de organismos multilaterais, como a OEA.
No segundo mandato Lula terá pela frente grandes desafios. O PT encontra-se debilitado pelos escândalos de maracutaias e sem suficiente capilaridade organizacional que lhe permita transformar em mobilização uma parcela dos 58 milhões de eleitores que reconduziram o presidente ao Planalto. O governo encontra-se refém do PMDB, que deixou de indicar candidato próprio a presidente da República e, agora, apresenta a fatura.
Embora o PT tenha derrotado as oligarquias baiana e sergipana e, via PSB, a pernambucana, terá agora o incômodo de administrar seus vínculos com as oligarquias representadas por Sarney no Maranhão, Jader Barbalho no Pará e Newton Cardoso em Minas.
Lula governará também sob pressão permanente dos movimentos populares, como o MST, e da Igreja Católica, que ainda lhe cobram promessas da campanha eleitoral de 2002, como as reformas agrária, trabalhista, tributária e política. Hoje, as políticas sociais têm cunho assistencialista, insuficientes para permitir às famílias beneficiárias condições de produzir a própria renda. O Bolsa Família ainda não encontrou a sua porta de saída, a reforma agrária - o que o Brasil, com 600 milhões de hectares cultiváveis e 12% da água potável do Planeta, jamais conheceu.
É possível que o segundo mandato de Lula seja mais conservador que o primeiro, afinado com a proposta do Banco Mundial de manter políticas sociais focalizadas sem ameaça aos paradigmas neoliberais da economia de mercado. De janeiro de 2003 a junho deste ano o governo Lula canalizou às mãos dos credores da dívida pública US$ 241 bilhões. E reservou às políticas sociais - excluídas a Saúde e a Educação, que dispõem de orçamentos próprios - cerca de US$ 14 bilhões.
É o que explica os aplausos do sistema financeiro ao governo Lula, que mantém a taxa de juros acima de 14% e, ao mesmo tempo, o apoio do eleitorado mais pobre, agraciado com uma renda mínima em situação de relativa estabilidade financeira.
É essa habilidade política de agradar simultaneamente os mais ricos e os mais pobres que faz de Lula um presidente ímpar e lhe permite acenar, desde agora, para um pacto social que, à semelhança da Espanha de Felipe González, permita ao Brasil sair da vergonhosa condição de 10º nação mais desigual e figurar, entre os países emergentes, como o de menor índice de crescimento nos últimos cinco anos.
Resta saber se Lula apenas estenderá uma frágil ponte entre os que estão no andar de cima e os que se encontram no fundo do abismo social ou ousará transformar as estruturas que hoje mantêm cerca de 115 milhões de brasileiros sobrevivendo abaixo da linha da pobreza.
02-12-2006 00:00:00
saiba maisNinguém pode se sentir feliz quando a Unesco anuncia a colocação do Brasil, no concerto internacional, em matéria de cuidados com a educação: 72o lugar. Culpa-se o alto índice de reprovação, abandono e evasão escolar, como se fossem causas distintas de uma só realidade: a baixa renda familiar do nosso povo, sinônimo cristalino da falta de empregos.
É claro que o novo Governo, ungido por 58 milhões de votos, no que foi considerado um fenômeno mundial, pode modificar esse quadro com políticas públicas efetivas, de melhoria da qualidade do ensino, para que os brasileiros, em geral, possam pescar com a competência dos seus próprios anzóis. Ações assistenciais, bolsas disso e daquilo, trazem alívio, mas não eliminam a dor que acompanha o sofrimento dos nossos milhões de miseráveis.
Dentro desse processo, avulta a questão do magistério. Foi falando nisso, com insistência, que Cristovam Buarque obteve 2,5 milhões de votos. É a questão número um, em todos os sistemas de ensino. Fica difícil explicitar, hoje, o que é um declínio de décadas. Há 50 anos era possível a um professor, com a sua remuneração, viajar uma vez por ano, de vapor, para qualquer parte do mundo. Hoje, sem gorduras em seus ganhos, ele mal pode sair de casa. Ainda assim, para trabalhar em três e até quatro lugares. Cadê o tempo para o estudo e o lazer?
No Rio de Janeiro, a evasão é pequena, bem menor do que a média nacional: 7%. O abandono escolar se acentua no segundo segmento do ensino fundamental (últimas séries) e no ensino médio. Parece uma contradição, mas é essa a realidade. Em pesquisa que fizemos, há uma causa determinante desse fenômeno: alguns pais estimulam a saída da escola, pois precisam de braços para o trabalho, em geral, nas atividades do campo. O plantio e a colheita tornam-se preferíveis ao estudo, ainda mais quando este não tem os atrativos necessários. Assim se joga contra o futuro de uma Nação, que se deseja livre e desenvolvida.
Que somos um País de contrastes, não há dúvida. Enquanto muitas escolas precisam de coisas elementares, como giz, cadernos, lápis e livros, outras (felizmente) alcançaram o estágio da nova era. Terão até dezembro 441 laboratórios de informática, na rede pública, cada unidade contando com 10 computadores, enquanto o MEC anuncia para março do ano próximo, só no Rio de Janeiro, mais 330. É a sonhada integração com a União, que começa a se tornar realidade.
Outra particularidade a ser assinalada é a questão do tempo integral. Respeitados os saberes e a autonomia de ser do educando, como gostava de afirmar Paulo Freire, resta ao sistema caminhar para o tempo integral, no mínimo seis horas de aulas por dia. Não porque seja comum nos países desenvolvidos, como os da Escandinávia, mas porque não temos outra saída se não ensinar mais e melhor.
Como isso pode acontecer com escolas submetidas a três ou quatro turnos diários? Fizemos levantamento, no Rio, para garantir que em 2007 será possível contar com 250 escolas de tempo integral, com a possível aceleração de um processo que poderá terminar o ano com mais 50. Onde houver espaço e número suficiente de professores não restará outra alternativa à autoridade pública. Aliás, que precisará mesmo realizar concursos, para cobrir lacunas em disciplinas como Matemática, Física e Química, além das inevitáveis aposentadorias.
Se quisermos uma boa educação - e parece ser este o desejo de todos - o quadro se completa com a edição de um revolucionário Plano de Cargos e Salários, pagando ativos e inativos de forma bem mais decorosa. As soluções são relativamente simples, sobretudo quando se anuncia um grande aumento na arrecadação do Estado. Que ele sirva para dar mais atenção à prioridade das prioridades.
01-12-2006 00:00:00
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