Foi na época quando o pessoal dormia de janelas abertas. A porta da rua não tinha fechadura, só uma simples tramela aquela taboinha. A rua das Pedras era de terra e por ela passeavam porcos e galinhas. Os cães estirados ao sol. Na Turibe de Farias (que virou Turibio...) passava a Salineira, sempre lotada. Mesmo antes, para limitar o número de passageiros, contou-me uma vez Pacato, um dos trocadores, que os puxadores das portas foram eletrificados, e o comando dos pequenos choques ficava com o motorista. Ele decidia e limitava a super lotação.
Guilherme, que herdou a padaria do pai, Sr. Emidio, tinha na Turibe sua oficina mecânica ao ar livre. Mas havia muitos poucos carros e em péssimas condições. O bar do Silvano era uma espécie de bolsa de emprego. Lá você podia contratar um pedreiro, pintor, o que fosse. Havia gente pra tudo. Enquanto se esperava pelos clientes, o negócio era tomar cerveja. Não muito gelada porque só havia um freezer e a renovação era constante.
Pois bem: Lá no Silvano se armavam os campeonatos de futebol e os desfiles de carnaval. Havia então poucos ranchos. As moças e senhoras de vestidos rodados, de chita, e a infatigável banda de música. Marchinhas e ranchos, mais ou menos como no Rio aconteciam com as grandes sociedades, como os Felicianos, hoje engolidos pelos tempos modernos, blocos e escolas de samba.
Bem depois desfilaram na Turibe os primeiros blocos. Eram Cocotas deTucuns, Ai Meus Ossos e o saudoso Rola Cansada, entre outros. O Rola mais tarde originou o Vou Ali e Volto Já, que continua firme. Houve até uma tentativa de cercar os foliões devidamente paramentados entre cordas, para afastar os bicões. Uma desastrada tentativa de organização que não deu certo. Felizmente.
Temos hoje uma dúzia de blocos Chupa mas Não Baba, Cachaça no Bule que se recusa a desfilar na ornamentada Turibe, ficando mesmo por Manguinhos atrapalhando o trânsito e um outro bloco mais radical ainda. O Desunidos de Geriba, que sai do canto esquerdo e só uma vez conseguiu chegar ao meio da praia. Trazia como abre alas um burro: o famoso Jegue Ski (já falecido) que especializou, marchando pelas ruas de Geriba, nas madrugadas, em dar carona para os bêbados sem rumo. Tem também, esse bloco mirrado, uma divergência, um racha.
É o Ensaia Mas Não Sai, que, nesse ponto unido ao Desunidos, enchem os bares do canto esquerdo. Mas desfilar, nem pensar.
Como se sabe, os atuais blocos de Búzios recebem subvenção da Prefeitura. Mas não há premiação. Pois uma vez, em plena praça Santos Dumont, no velho coreto central, o filho do Tuíco, resolveu premiar. Melhor bateria, alegoria, fantasia, etc. O resultado foi uma grossa pancadaria. Assim é que todos os blocos de Búzios, dos mais pobres aos remediados, acabam sempre empatados... É justo.
05-02-2010 00:00:00
saiba maisFoi na época quando o pessoal dormia de janelas abertas. A porta da rua não tinha fechadura, só uma simples tramela aquela taboinha. A rua das Pedras era de terra e por ela passeavam porcos e galinhas. Os cães estirados ao sol. Na Turibe de Farias (que virou Turibio...) passava a Salineira, sempre lotada. Mesmo antes, para limitar o número de passageiros, contou-me uma vez Pacato, um dos trocadores, que os puxadores das portas foram eletrificados, e o comando dos pequenos choques ficava com o motorista. Ele decidia e limitava a super lotação.
Guilherme, que herdou a padaria do pai, Sr. Emidio, tinha na Turibe sua oficina mecânica ao ar livre. Mas havia muitos poucos carros e em péssimas condições. O bar do Silvano era uma espécie de bolsa de emprego. Lá você podia contratar um pedreiro, pintor, o que fosse. Havia gente pra tudo. Enquanto se esperava pelos clientes, o negócio era tomar cerveja. Não muito gelada porque só havia um freezer e a renovação era constante.
Pois bem: Lá no Silvano se armavam os campeonatos de futebol e os desfiles de carnaval. Havia então poucos ranchos. As moças e senhoras de vestidos rodados, de chita, e a infatigável banda de música. Marchinhas e ranchos, mais ou menos como no Rio aconteciam com as grandes sociedades, como os Felicianos, hoje engolidos pelos tempos modernos, blocos e escolas de samba.
Bem depois desfilaram na Turibe os primeiros blocos. Eram Cocotas deTucuns, Ai Meus Ossos e o saudoso Rola Cansada, entre outros. O Rola mais tarde originou o Vou Ali e Volto Já, que continua firme. Houve até uma tentativa de cercar os foliões devidamente paramentados entre cordas, para afastar os bicões. Uma desastrada tentativa de organização que não deu certo. Felizmente.
Temos hoje uma dúzia de blocos Chupa mas Não Baba, Cachaça no Bule que se recusa a desfilar na ornamentada Turibe, ficando mesmo por Manguinhos atrapalhando o trânsito e um outro bloco mais radical ainda. O Desunidos de Geriba, que sai do canto esquerdo e só uma vez conseguiu chegar ao meio da praia. Trazia como abre alas um burro: o famoso Jegue Ski (já falecido) que especializou, marchando pelas ruas de Geriba, nas madrugadas, em dar carona para os bêbados sem rumo. Tem também, esse bloco mirrado, uma divergência, um racha.
É o Ensaia Mas Não Sai, que, nesse ponto unido ao Desunidos, enchem os bares do canto esquerdo. Mas desfilar, nem pensar.
Como se sabe, os atuais blocos de Búzios recebem subvenção da Prefeitura. Mas não há premiação. Pois uma vez, em plena praça Santos Dumont, no velho coreto central, o filho do Tuíco, resolveu premiar. Melhor bateria, alegoria, fantasia, etc. O resultado foi uma grossa pancadaria. Assim é que todos os blocos de Búzios, dos mais pobres aos remediados, acabam sempre empatados... É justo.
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