Região dos Lagos e Norte Fluminense

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Sexta-feira , 18 de May 2012
  • Grão de areia

    Oriente Médio

    07-05-2010 00:00:00

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    30-04-2010 00:00:00

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  • Grão de areia - Maria Fumaça

    A costa brasileira se estende por 7.408 quilômetros, desde o Arroio Chuí , no Rio Grande do Sul, ao Cabo Orange, no Amapá. A ferrovia que liga Moscou, capital da Rússia, à cidade de Vladivostok, com o nome de Transiberiana, já no Pacífico, é um pouco mais longa, são 9.259 quilômetros, construídos em fins do século 19. Já em 1891 o Czar Nicolau e a Imperatriz Alexandra fizeram a viagem da costa do Pacífico, de Vladivostok de volta a Moscou. Não sei quanto tempo levaram, mas hoje a viagem leva cerca de uma semana.

    De Moscou de trem se pode viajar para várias cidades, não só na Europa, como na Ásia. De Moscou a Beijing se percorre 7.867 quilômetros, mas também se pode ir de trem a outras capitais asiáticas. O nosso escritor Paulo Coelho e a apresentadora Rosa Maria fizeram, anos atrás, a viagem pela Transiberiana, mostrando na TV cenas do conforto no trem, entrevistas e paisagens. Alfred Hitchcock, cineasta inglês, baseou-se no romance policial de Agatha Christie para filmar uma emocionante história do Assassínio no Expresso do Oriente, o trem famoso que liga Paris a Istambul.

    Nosso país tem dimensões continentais, mas viajar de trem não é fácil, quando existe é para transportar minério de ferro. Linhas de trens de passageiro são poucas e raras. O curioso é que já foram mais comuns. Houve uma época em que minha família passava o verão em Petrópolis e o transporte era o tradicional trem da companhia inglesa Leopoldina Railway. Todo o equipamento era importado, tudo britânico, trilhos e vagões, mais as imponentes locomotivas.

    Tomava-se o trem na estação da Leopoldina, no Rio, direto até a Raiz da Serra. Então os vagões eram separados da locomotiva e dois a dois, eram ligados a uma locomotiva pequena, meia inclinada, de cremalheira, para a subida da serra. No Alto da Serra, nova operação, rejuntar todos os vagões atrelados a uma outra locomotiva para o percurso final até a estação de Petrópolis. O carvão atirado à fornalha pela pá do carvoeiro era importado, também inglês, blocos quadrados e neles gravada inscrição Cardiff, sua procedência. A viagem do Rio a Petrópolis , se não me engano, durava geralmente uma hora de quarenta e cinco minutos. Os atrasos eram poucos e raros.

    Fiz outras viagens de trem, a São Paulo, de São Paulo a Santos, e a Belo Horizonte. Também fui uma vez a Caxambu, sempre de trem. Estradas na época não tinham pavimentação, ou com o chamado macadame. Ônibus interestaduais não existiam. Viagem longa só podia ser de trem ou pelo mar, os clássicos navios da Costeira todos batizados com ita.

    Talvez minha última viagem de trem, de São Paulo ao Rio, tenha sido por volta de 1970 no aclamado Trem de Prata da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje com batizada de Rede Ferroviária Federal. Previsto para chegar pelas 8 da manhã à Central do Brasil, mas o trem atrasou quatro horas. As ferrovias foram abandonadas. Viajei um pouco por trem fora do Brasil, mas no nosso país hoje em dia quase que a única opção são os trenzinhos de turismo, como o Tiradentes a São João Del Rey. Hoje são vários os trenzinhos de curto percurso ligando pontos turísticos., lembrando talvez a encantadora música de Villa-Lobos Trenzinho caipira.

    É uma pena, pode-se atravessar os Estados Unidos de um lado a outro, do Atlântico ao Pacífico de trem. A Europa é toda coberta por trilhos e dormentes. No Brasil ninguém gosta de trem e, mesmo ao construir a ponte Rio-Niteroi esqueceram uma ligação por trilhos para transporte coletivo. Ainda se pode viajar de Belo Horizonte a Vitória, sem a velocidade de um trem bala, mas se chega ao destino, é mais seguro que de ônibus.

    Ninguém precisa ser economista para saber que o transporte ferroviário é mais barato e o rodoviário, por caminhões, o mais caro. As estradas brasileiras hoje em dia estão entupidas de caminhões e carretas com reboques, sendo esses monstrengos responsáveis por um grande número de acidentes. As estradas são as mesmas de anos atrás e os caminhões cresceram em tamanho, potência e velocidade. Ferrovia no Brasil é coisa fora de moda.

    Andar de trem é uma sensação toda especial. As antigas ferrovias não eram construídas em planejamento nacional e com variadas bitolas. Mas, isso não seria uma razão para o desmantelamento dos trilhos e dormentes. Até mesmo Cabo Frio era ligado por trem ao Rio e hoje vemos uns raros trens se movimentando a uma média de poucos quilômetros horários na ferrovia em frangalhos do Rio a Macaé.

    Ficamos esperando pelo trem bala do Rio a São Paulo. Talvez então o brasileiro se encante de novo em viajar de trem e um dia tenhamos uma ligação do Chui ao Amapá, para cargas, mas também para passageiros.

    16-04-2010 00:00:00

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  • Grão de areia - Maria Fumaça

    A costa brasileira se estende por 7.408 quilômetros, desde o Arroio Chuí , no Rio Grande do Sul, ao Cabo Orange, no Amapá. A ferrovia que liga Moscou, capital da Rússia, à cidade de Vladivostok, com o nome de Transiberiana, já no Pacífico, é um pouco mais longa, são 9.259 quilômetros, construídos em fins do século 19. Já em 1891 o Czar Nicolau e a Imperatriz Alexandra fizeram a viagem da costa do Pacífico, de Vladivostok de volta a Moscou. Não sei quanto tempo levaram, mas hoje a viagem leva cerca de uma semana.

    De Moscou de trem se pode viajar para várias cidades, não só na Europa, como na Ásia. De Moscou a Beijing se percorre 7.867 quilômetros, mas também se pode ir de trem a outras capitais asiáticas. O nosso escritor Paulo Coelho e a apresentadora Rosa Maria fizeram, anos atrás, a viagem pela Transiberiana, mostrando na TV cenas do conforto no trem, entrevistas e paisagens. Alfred Hitchcock, cineasta inglês, baseou-se no romance policial de Agatha Christie para filmar uma emocionante história do Assassínio no Expresso do Oriente, o trem famoso que liga Paris a Istambul.

    Nosso país tem dimensões continentais, mas viajar de trem não é fácil, quando existe é para transportar minério de ferro. Linhas de trens de passageiro são poucas e raras. O curioso é que já foram mais comuns. Houve uma época em que minha família passava o verão em Petrópolis e o transporte era o tradicional trem da companhia inglesa Leopoldina Railway. Todo o equipamento era importado, tudo britânico, trilhos e vagões, mais as imponentes locomotivas.

    Tomava-se o trem na estação da Leopoldina, no Rio, direto até a Raiz da Serra. Então os vagões eram separados da locomotiva e dois a dois, eram ligados a uma locomotiva pequena, meia inclinada, de cremalheira, para a subida da serra. No Alto da Serra, nova operação, rejuntar todos os vagões atrelados a uma outra locomotiva para o percurso final até a estação de Petrópolis. O carvão atirado à fornalha pela pá do carvoeiro era importado, também inglês, blocos quadrados e neles gravada inscrição Cardiff, sua procedência. A viagem do Rio a Petrópolis , se não me engano, durava geralmente uma hora de quarenta e cinco minutos. Os atrasos eram poucos e raros.

    Fiz outras viagens de trem, a São Paulo, de São Paulo a Santos, e a Belo Horizonte. Também fui uma vez a Caxambu, sempre de trem. Estradas na época não tinham pavimentação, ou com o chamado macadame. Ônibus interestaduais não existiam. Viagem longa só podia ser de trem ou pelo mar, os clássicos navios da Costeira todos batizados com ita.

    Talvez minha última viagem de trem, de São Paulo ao Rio, tenha sido por volta de 1970 no aclamado Trem de Prata da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje com batizada de Rede Ferroviária Federal. Previsto para chegar pelas 8 da manhã à Central do Brasil, mas o trem atrasou quatro horas. As ferrovias foram abandonadas. Viajei um pouco por trem fora do Brasil, mas no nosso país hoje em dia quase que a única opção são os trenzinhos de turismo, como o Tiradentes a São João Del Rey. Hoje são vários os trenzinhos de curto percurso ligando pontos turísticos., lembrando talvez a encantadora música de Villa-Lobos Trenzinho caipira.

    É uma pena, pode-se atravessar os Estados Unidos de um lado a outro, do Atlântico ao Pacífico de trem. A Europa é toda coberta por trilhos e dormentes. No Brasil ninguém gosta de trem e, mesmo ao construir a ponte Rio-Niteroi esqueceram uma ligação por trilhos para transporte coletivo. Ainda se pode viajar de Belo Horizonte a Vitória, sem a velocidade de um trem bala, mas se chega ao destino, é mais seguro que de ônibus.

    Ninguém precisa ser economista para saber que o transporte ferroviário é mais barato e o rodoviário, por caminhões, o mais caro. As estradas brasileiras hoje em dia estão entupidas de caminhões e carretas com reboques, sendo esses monstrengos responsáveis por um grande número de acidentes. As estradas são as mesmas de anos atrás e os caminhões cresceram em tamanho, potência e velocidade. Ferrovia no Brasil é coisa fora de moda.

    Andar de trem é uma sensação toda especial. As antigas ferrovias não eram construídas em planejamento nacional e com variadas bitolas. Mas, isso não seria uma razão para o desmantelamento dos trilhos e dormentes. Até mesmo Cabo Frio era ligado por trem ao Rio e hoje vemos uns raros trens se movimentando a uma média de poucos quilômetros horários na ferrovia em frangalhos do Rio a Macaé.

    Ficamos esperando pelo trem bala do Rio a São Paulo. Talvez então o brasileiro se encante de novo em viajar de trem e um dia tenhamos uma ligação do Chui ao Amapá, para cargas, mas também para passageiros.

    16-04-2010 00:00:00

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    A costa brasileira se estende por 7.408 quilômetros, desde o Arroio Chuí , no Rio Grande do Sul, ao Cabo Orange, no Amapá. A ferrovia que liga Moscou, capital da Rússia, à cidade de Vladivostok, com o nome de Transiberiana, já no Pacífico, é um pouco mais longa, são 9.259 quilômetros, construídos em fins do século 19. Já em 1891 o Czar Nicolau e a Imperatriz Alexandra fizeram a viagem da costa do Pacífico, de Vladivostok de volta a Moscou. Não sei quanto tempo levaram, mas hoje a viagem leva cerca de uma semana.

    De Moscou de trem se pode viajar para várias cidades, não só na Europa, como na Ásia. De Moscou a Beijing se percorre 7.867 quilômetros, mas também se pode ir de trem a outras capitais asiáticas. O nosso escritor Paulo Coelho e a apresentadora Rosa Maria fizeram, anos atrás, a viagem pela Transiberiana, mostrando na TV cenas do conforto no trem, entrevistas e paisagens. Alfred Hitchcock, cineasta inglês, baseou-se no romance policial de Agatha Christie para filmar uma emocionante história do Assassínio no Expresso do Oriente, o trem famoso que liga Paris a Istambul.

    Nosso país tem dimensões continentais, mas viajar de trem não é fácil, quando existe é para transportar minério de ferro. Linhas de trens de passageiro são poucas e raras. O curioso é que já foram mais comuns. Houve uma época em que minha família passava o verão em Petrópolis e o transporte era o tradicional trem da companhia inglesa Leopoldina Railway. Todo o equipamento era importado, tudo britânico, trilhos e vagões, mais as imponentes locomotivas.

    Tomava-se o trem na estação da Leopoldina, no Rio, direto até a Raiz da Serra. Então os vagões eram separados da locomotiva e dois a dois, eram ligados a uma locomotiva pequena, meia inclinada, de cremalheira, para a subida da serra. No Alto da Serra, nova operação, rejuntar todos os vagões atrelados a uma outra locomotiva para o percurso final até a estação de Petrópolis. O carvão atirado à fornalha pela pá do carvoeiro era importado, também inglês, blocos quadrados e neles gravada inscrição Cardiff, sua procedência. A viagem do Rio a Petrópolis , se não me engano, durava geralmente uma hora de quarenta e cinco minutos. Os atrasos eram poucos e raros.

    Fiz outras viagens de trem, a São Paulo, de São Paulo a Santos, e a Belo Horizonte. Também fui uma vez a Caxambu, sempre de trem. Estradas na época não tinham pavimentação, ou com o chamado macadame. Ônibus interestaduais não existiam. Viagem longa só podia ser de trem ou pelo mar, os clássicos navios da Costeira todos batizados com ita.

    Talvez minha última viagem de trem, de São Paulo ao Rio, tenha sido por volta de 1970 no aclamado Trem de Prata da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje com batizada de Rede Ferroviária Federal. Previsto para chegar pelas 8 da manhã à Central do Brasil, mas o trem atrasou quatro horas. As ferrovias foram abandonadas. Viajei um pouco por trem fora do Brasil, mas no nosso país hoje em dia quase que a única opção são os trenzinhos de turismo, como o Tiradentes a São João Del Rey. Hoje são vários os trenzinhos de curto percurso ligando pontos turísticos., lembrando talvez a encantadora música de Villa-Lobos Trenzinho caipira.

    É uma pena, pode-se atravessar os Estados Unidos de um lado a outro, do Atlântico ao Pacífico de trem. A Europa é toda coberta por trilhos e dormentes. No Brasil ninguém gosta de trem e, mesmo ao construir a ponte Rio-Niteroi esqueceram uma ligação por trilhos para transporte coletivo. Ainda se pode viajar de Belo Horizonte a Vitória, sem a velocidade de um trem bala, mas se chega ao destino, é mais seguro que de ônibus.

    Ninguém precisa ser economista para saber que o transporte ferroviário é mais barato e o rodoviário, por caminhões, o mais caro. As estradas brasileiras hoje em dia estão entupidas de caminhões e carretas com reboques, sendo esses monstrengos responsáveis por um grande número de acidentes. As estradas são as mesmas de anos atrás e os caminhões cresceram em tamanho, potência e velocidade. Ferrovia no Brasil é coisa fora de moda.

    Andar de trem é uma sensação toda especial. As antigas ferrovias não eram construídas em planejamento nacional e com variadas bitolas. Mas, isso não seria uma razão para o desmantelamento dos trilhos e dormentes. Até mesmo Cabo Frio era ligado por trem ao Rio e hoje vemos uns raros trens se movimentando a uma média de poucos quilômetros horários na ferrovia em frangalhos do Rio a Macaé.

    Ficamos esperando pelo trem bala do Rio a São Paulo. Talvez então o brasileiro se encante de novo em viajar de trem e um dia tenhamos uma ligação do Chui ao Amapá, para cargas, mas também para passageiros.

    16-04-2010 00:00:00

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    A costa brasileira se estende por 7.408 quilômetros, desde o Arroio Chuí , no Rio Grande do Sul, ao Cabo Orange, no Amapá. A ferrovia que liga Moscou, capital da Rússia, à cidade de Vladivostok, com o nome de Transiberiana, já no Pacífico, é um pouco mais longa, são 9.259 quilômetros, construídos em fins do século 19. Já em 1891 o Czar Nicolau e a Imperatriz Alexandra fizeram a viagem da costa do Pacífico, de Vladivostok de volta a Moscou. Não sei quanto tempo levaram, mas hoje a viagem leva cerca de uma semana.

    De Moscou de trem se pode viajar para várias cidades, não só na Europa, como na Ásia. De Moscou a Beijing se percorre 7.867 quilômetros, mas também se pode ir de trem a outras capitais asiáticas. O nosso escritor Paulo Coelho e a apresentadora Rosa Maria fizeram, anos atrás, a viagem pela Transiberiana, mostrando na TV cenas do conforto no trem, entrevistas e paisagens. Alfred Hitchcock, cineasta inglês, baseou-se no romance policial de Agatha Christie para filmar uma emocionante história do Assassínio no Expresso do Oriente, o trem famoso que liga Paris a Istambul.

    Nosso país tem dimensões continentais, mas viajar de trem não é fácil, quando existe é para transportar minério de ferro. Linhas de trens de passageiro são poucas e raras. O curioso é que já foram mais comuns. Houve uma época em que minha família passava o verão em Petrópolis e o transporte era o tradicional trem da companhia inglesa Leopoldina Railway. Todo o equipamento era importado, tudo britânico, trilhos e vagões, mais as imponentes locomotivas.

    Tomava-se o trem na estação da Leopoldina, no Rio, direto até a Raiz da Serra. Então os vagões eram separados da locomotiva e dois a dois, eram ligados a uma locomotiva pequena, meia inclinada, de cremalheira, para a subida da serra. No Alto da Serra, nova operação, rejuntar todos os vagões atrelados a uma outra locomotiva para o percurso final até a estação de Petrópolis. O carvão atirado à fornalha pela pá do carvoeiro era importado, também inglês, blocos quadrados e neles gravada inscrição Cardiff, sua procedência. A viagem do Rio a Petrópolis , se não me engano, durava geralmente uma hora de quarenta e cinco minutos. Os atrasos eram poucos e raros.

    Fiz outras viagens de trem, a São Paulo, de São Paulo a Santos, e a Belo Horizonte. Também fui uma vez a Caxambu, sempre de trem. Estradas na época não tinham pavimentação, ou com o chamado macadame. Ônibus interestaduais não existiam. Viagem longa só podia ser de trem ou pelo mar, os clássicos navios da Costeira todos batizados com ita.

    Talvez minha última viagem de trem, de São Paulo ao Rio, tenha sido por volta de 1970 no aclamado Trem de Prata da Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje com batizada de Rede Ferroviária Federal. Previsto para chegar pelas 8 da manhã à Central do Brasil, mas o trem atrasou quatro horas. As ferrovias foram abandonadas. Viajei um pouco por trem fora do Brasil, mas no nosso país hoje em dia quase que a única opção são os trenzinhos de turismo, como o Tiradentes a São João Del Rey. Hoje são vários os trenzinhos de curto percurso ligando pontos turísticos., lembrando talvez a encantadora música de Villa-Lobos Trenzinho caipira.

    É uma pena, pode-se atravessar os Estados Unidos de um lado a outro, do Atlântico ao Pacífico de trem. A Europa é toda coberta por trilhos e dormentes. No Brasil ninguém gosta de trem e, mesmo ao construir a ponte Rio-Niteroi esqueceram uma ligação por trilhos para transporte coletivo. Ainda se pode viajar de Belo Horizonte a Vitória, sem a velocidade de um trem bala, mas se chega ao destino, é mais seguro que de ônibus.

    Ninguém precisa ser economista para saber que o transporte ferroviário é mais barato e o rodoviário, por caminhões, o mais caro. As estradas brasileiras hoje em dia estão entupidas de caminhões e carretas com reboques, sendo esses monstrengos responsáveis por um grande número de acidentes. As estradas são as mesmas de anos atrás e os caminhões cresceram em tamanho, potência e velocidade. Ferrovia no Brasil é coisa fora de moda.

    Andar de trem é uma sensação toda especial. As antigas ferrovias não eram construídas em planejamento nacional e com variadas bitolas. Mas, isso não seria uma razão para o desmantelamento dos trilhos e dormentes. Até mesmo Cabo Frio era ligado por trem ao Rio e hoje vemos uns raros trens se movimentando a uma média de poucos quilômetros horários na ferrovia em frangalhos do Rio a Macaé.

    Ficamos esperando pelo trem bala do Rio a São Paulo. Talvez então o brasileiro se encante de novo em viajar de trem e um dia tenhamos uma ligação do Chui ao Amapá, para cargas, mas também para passageiros.

    16-04-2010 00:00:00

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  • Grão de areia - África do Sul

    Com a próxima Copa do Mundo de futebol na África do Sul, o país pouco conhecido neste lado do Atlântico,passou a ocupar as telas da TV diariamente. A ponta do continente é lembrada nas lições de história pela mudança do antigo nome de Cabo das Tormentas para Boa Esperança, depois da passagem das caravelas portuguesas. Vasco da Gama batiza time famoso no Brasil e também na África do Sul. Na escola estudamos Os Lusíadas e Camões, hoje, menos que antigamente, o poeta de um olho só ainda ocupa seu lugar nas escolas.

    A África do Sul ficou também conhecida pelo regime de separação racial, apartheid, palavra da língua Afrikaans, idioma dos descendentes dos antigos holandeses, os boers, ou fazendeiros. Kuger Park enche a imaginação de todos nós com seus leões, elefantes, rinocerontes e animais selvagens.

    Mas com tudo isso, é um país de problemas que pouco a pouco vão sendo solucionados. Nações africanas desceram para o sul do continente e lá se estabeleceram, com línguas, culturas e tradições diferentes. Nem sempre se entenderam bem. Da Europa imigraram holandeses, depois franceses huguenotes fugidos da perseguição religiosa e finalmente os ingleses. Os bantus, africanos, ocupavam as terras, e enfrentaram com desvantagem os novos povoadores, detentores de técnicas avançadas, armas de fogo e canhões. Lutas, guerras e guerrilhas. E acima de tudo ódio.

    O pior ainda estava por vir. No meio do século passado os chamados afrikaners, brancos, criaram leis separatistas, racistas, em que toda a população era dividida em brancos ou europeus e os não-brancos, na língua Afrikaans: blankes e nie blankes. Os não brancos formavam a grande maioria da população, 90% , africanos bantus, mais os mestiços, coloreds, de descendência indu e malaia, e asiáticos, como chineses. Leis e mais leis regulavam a vida em minúcia. Proibição de casamentos entre raças diferentes, áreas especiais para moradia , escolas segregadas, hospitais e ambulâncias para cada grupo racial e transporte público separado. Nenhuma mistura permitida. Os brancos gozavam de todas as regalias, direitos políticos, bons hospitais e universidades. Para o resto do povo classificado como não-brancos nenhuma regalia.

    O regime da separação racial teve fundo religioso, começara na chamada Igreja Reformada Holandesa, um ramo protestante que vem desde o século 16. Conheci na África do Sul uma senhora de origem holandesa, religiosa, que piamente acreditava que os negros não tinham alma. Outros afrikaners chegavam ao ponto de afirmar que no céu, haveria também categorias separadas para brancos e não-brancos. Leis e mais leis regulamentavam as categorias de trabalhadores segundo a classificação racial, assim um maquinista de uma locomotiva tinha de ser branco,no caso de motoristas, um bantu poderia dirigir um pequeno caminhão, mas uma carreta pesada exigia motorista branco. Tudo especificado, uma enorme burocracia (de brancos) para controlava o regime trabalhista. O empregado negro não podia ter seu quarto em baixo de um mesmo telhado do patrão branco, era separado da casa. Era a lei.

    Nelson Mandela um advogado de grupo xhosa, tornou-se líder da luta contra o apartheid. Com outros fundou o chamado ANC (Congresso Nacional Africano). O governo era de brancos, só eles podiam votar. O ANC foi classificado de terrorista e comunista. Mandela e outros dirigentes foram julgados e enviados para a prisão da ilha Robben. Durante os vinte e cinco anos de prisão, com trabalhos forçados, ele que falava xhosa, sua língua natal, e o inglês, estudou a fundo a língua afrikaans, praticando com os guardas, todos afrikaners. Chegou à conclusão que o enfrentamento de afrikaners e pretos poderia terminar numa sangrenta guerra civil. A solução seria o entendimento, mas como convencer a minoria branca, que detinha todo o poder, de negociar com aqueles considerados terroristas e comunistas? Do lado dos brancos, uns poucos, acreditavam também num entendimento de raças, ao contrário da grande maioria dos superracistas brancos organizados em movimentos de inspiração nazista e que pregavam a pureza da raça branca.

    O processo foi longo. Mandela foi finalmente libertado e manteve os primeiros contatos secretos com o governo branco. Já então passava dos setenta, mas sua figura de estatura alta, personalidade amável, empregando sempre a língua afrikaans, conseguiu obter os primeiros resultados positivos de entendimentos com o governo, resultando na primeira eleição democrática no país. Mandela foi eleito presidente, apesar de feroz oposição dos grupos afrikaners.

    Hoje a África do Sul tem seu segundo presidente negro, o zulu Zuma. O país está em festa com a Copa. Mas na pequena cidade Ventersdrop, a 160 km de, Johannesburg, chamada pelos sul-africanos de Jobo, um crime abala o país. Em sua fazenda o mais importante líder afrikaner Eugene Terreblanche é assassinato por dois empregados negros, um menor de idade, por não receberem salário há três meses. Um crime comum, mas ocorre que Terreblanche, de 69 anos, era chefe de uma verdadeira organização paramilitar com o nome de Resistência Afrikaner, com grupos uniformizados, armados, e a insígnia de três 7 misturados, lembrando a suástica nazista.

    O perigo de enfretamento dos fazendeiros boers com a população negra volta a tornar-se nova ameaça, basta um pretexto. A tensão afrikaners/bantus tem pontos de semelhança com outra crise, israelenses/palestinos. Ambas sem solução por enquanto.

    09-04-2010 00:00:00

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  • Grão de areia - África do Sul

    Com a próxima Copa do Mundo de futebol na África do Sul, o país pouco conhecido neste lado do Atlântico,passou a ocupar as telas da TV diariamente. A ponta do continente é lembrada nas lições de história pela mudança do antigo nome de Cabo das Tormentas para Boa Esperança, depois da passagem das caravelas portuguesas. Vasco da Gama batiza time famoso no Brasil e também na África do Sul. Na escola estudamos Os Lusíadas e Camões, hoje, menos que antigamente, o poeta de um olho só ainda ocupa seu lugar nas escolas.

    A África do Sul ficou também conhecida pelo regime de separação racial, apartheid, palavra da língua Afrikaans, idioma dos descendentes dos antigos holandeses, os boers, ou fazendeiros. Kuger Park enche a imaginação de todos nós com seus leões, elefantes, rinocerontes e animais selvagens.

    Mas com tudo isso, é um país de problemas que pouco a pouco vão sendo solucionados. Nações africanas desceram para o sul do continente e lá se estabeleceram, com línguas, culturas e tradições diferentes. Nem sempre se entenderam bem. Da Europa imigraram holandeses, depois franceses huguenotes fugidos da perseguição religiosa e finalmente os ingleses. Os bantus, africanos, ocupavam as terras, e enfrentaram com desvantagem os novos povoadores, detentores de técnicas avançadas, armas de fogo e canhões. Lutas, guerras e guerrilhas. E acima de tudo ódio.

    O pior ainda estava por vir. No meio do século passado os chamados afrikaners, brancos, criaram leis separatistas, racistas, em que toda a população era dividida em brancos ou europeus e os não-brancos, na língua Afrikaans: blankes e nie blankes. Os não brancos formavam a grande maioria da população, 90% , africanos bantus, mais os mestiços, coloreds, de descendência indu e malaia, e asiáticos, como chineses. Leis e mais leis regulavam a vida em minúcia. Proibição de casamentos entre raças diferentes, áreas especiais para moradia , escolas segregadas, hospitais e ambulâncias para cada grupo racial e transporte público separado. Nenhuma mistura permitida. Os brancos gozavam de todas as regalias, direitos políticos, bons hospitais e universidades. Para o resto do povo classificado como não-brancos nenhuma regalia.

    O regime da separação racial teve fundo religioso, começara na chamada Igreja Reformada Holandesa, um ramo protestante que vem desde o século 16. Conheci na África do Sul uma senhora de origem holandesa, religiosa, que piamente acreditava que os negros não tinham alma. Outros afrikaners chegavam ao ponto de afirmar que no céu, haveria também categorias separadas para brancos e não-brancos. Leis e mais leis regulamentavam as categorias de trabalhadores segundo a classificação racial, assim um maquinista de uma locomotiva tinha de ser branco,no caso de motoristas, um bantu poderia dirigir um pequeno caminhão, mas uma carreta pesada exigia motorista branco. Tudo especificado, uma enorme burocracia (de brancos) para controlava o regime trabalhista. O empregado negro não podia ter seu quarto em baixo de um mesmo telhado do patrão branco, era separado da casa. Era a lei.

    Nelson Mandela um advogado de grupo xhosa, tornou-se líder da luta contra o apartheid. Com outros fundou o chamado ANC (Congresso Nacional Africano). O governo era de brancos, só eles podiam votar. O ANC foi classificado de terrorista e comunista. Mandela e outros dirigentes foram julgados e enviados para a prisão da ilha Robben. Durante os vinte e cinco anos de prisão, com trabalhos forçados, ele que falava xhosa, sua língua natal, e o inglês, estudou a fundo a língua afrikaans, praticando com os guardas, todos afrikaners. Chegou à conclusão que o enfrentamento de afrikaners e pretos poderia terminar numa sangrenta guerra civil. A solução seria o entendimento, mas como convencer a minoria branca, que detinha todo o poder, de negociar com aqueles considerados terroristas e comunistas? Do lado dos brancos, uns poucos, acreditavam também num entendimento de raças, ao contrário da grande maioria dos superracistas brancos organizados em movimentos de inspiração nazista e que pregavam a pureza da raça branca.

    O processo foi longo. Mandela foi finalmente libertado e manteve os primeiros contatos secretos com o governo branco. Já então passava dos setenta, mas sua figura de estatura alta, personalidade amável, empregando sempre a língua afrikaans, conseguiu obter os primeiros resultados positivos de entendimentos com o governo, resultando na primeira eleição democrática no país. Mandela foi eleito presidente, apesar de feroz oposição dos grupos afrikaners.

    Hoje a África do Sul tem seu segundo presidente negro, o zulu Zuma. O país está em festa com a Copa. Mas na pequena cidade Ventersdrop, a 160 km de, Johannesburg, chamada pelos sul-africanos de Jobo, um crime abala o país. Em sua fazenda o mais importante líder afrikaner Eugene Terreblanche é assassinato por dois empregados negros, um menor de idade, por não receberem salário há três meses. Um crime comum, mas ocorre que Terreblanche, de 69 anos, era chefe de uma verdadeira organização paramilitar com o nome de Resistência Afrikaner, com grupos uniformizados, armados, e a insígnia de três 7 misturados, lembrando a suástica nazista.

    O perigo de enfretamento dos fazendeiros boers com a população negra volta a tornar-se nova ameaça, basta um pretexto. A tensão afrikaners/bantus tem pontos de semelhança com outra crise, israelenses/palestinos. Ambas sem solução por enquanto.

    09-04-2010 00:00:00

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  • Pós guerra

    Dois países derrotados na chamada II Guerra Mundial, que durou seis anos, de 1939 a 1945, se tornaram meio século depois figuras de grandeza internacional, Alemanha e Japão. Ambos perderam milhões de habitantes, soldados e civis. A Alemanha teve cidades arrasadas, como a capital Berlim e já no finzinho da guerra, sem motivos estratégicos, a bela cidade de Dresden. O Japão sofreu bombardeios intensos e as cidades de Hiroshima e Nagasaki viraram pó com as bombas atômicas americanas.

    Mas o mundo dá voltas. O Japão foi ocupado por tropas americanas e pelo Tratado de Paz de São Francisco, em 1952 voltou a ser um país soberano, com seu Imperador de descendência divina. Por pressão americana foi incluída na constituição japonesa de 1946 a proibição do país de possuir forças militares, nos termos seguintes: renuncia à guerra para sempre como direito soberano da nação e ameaça do uso de força como meio de solucionar disputas internacionais. O seu Ministério da Defesa é limitado. Os Estados Unidos, com o estabelecimento de bases militares em território japonês, ficaram, na prática, encarregados da defesa do país. As 50.000 tropas americanas estacionadas no Japão, há mais de cinqüenta anos, não estão lá de graça, para isso o contribuinte japonês paga 4 bilhões de dólares por ano ao governo de Washington. Bom negócio para os Estados Unidos.

    O caso da Alemanha foi diferente, seu território foi dividido em quatro zonas militares: soviética, americana, francesa e inglesa, e a capital Berlim sob controle também das quatro potências aliadas, com status em separado. Os três países ocidentais uniram suas três zonas para a criação da República Federal Alemã, 1949, Bonn como capital. Os soviéticos transformaram a sua zona militar na República Democrática Alemã, chamada normalmente de Oriental. Na Alemanha Federal os americanos, ingleses e franceses mantiveram suas tropas em bases militares, e os russos fizeram o mesmo na Alemanha Oriental. A capital Berlim teve seu setor soviético incorporado à Oriental e os três setores americano, inglês e francês se uniram como Berlim Ocidental.

    Entre o caso do Japão e o da Alemanha houve uma grande diferença: o Japão é formado de oito mil ilhas, isolado, já a Alemanha fica na Europa e a grande ameaça de então era o comunismo. Os aliados ocidentais concederam na prática vantagens à República Federal Alemã, permitindo que constituísse novamente suas forças armadas: exército, marinha e aviação (hoje com mais de 200.00 membros).A Lei Básica alemã (constituição), não dispõe sobre renúncia à guerra, como na constituição japonesa.

    Em Berlim o lado comunista ergueu o chamado muro, uma pequena muralha chinesa, de alguns metros de altura, circundando toda a chamada Berlim Ocidental.. O muro tinha como finalidade impedir o fluxo de um lado para o outro, e a fuga dos alemães orientais para Berlim Ocidental. Tornou-se cartaz da opressão do regime comunista.

    Na obsessão da guerra fria, da oposição dos Estados Unidos à União Soviética, os americanos criaram uma entidade militar, reunindo os Estados Unidos e países europeus na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O importante era contar com a Alemanha, país com uma centenária tradição e espírito militar. Foi passada uma esponja por cima do passado nazista de país agressor. A ameaça era o regime soviético.

    Continua vivo o sonho germânico de expansão, que, durante o regime nazista, chegara até as areias do Egito e se estendera por quase toda a Europa. Já os sonhos de expansão dos japoneses não foram diferentes. O militarismo japonês, que já dominava a península coreana, invadiu a China. Com a guerra se expandiu para a Malásia e o continente asiático. Derrotado, teve que se recolher às suas ilhas. No caso do Japão, ao contrário da Alemanha, os americanos bloquearam qualquer pretensão futura de expansionismo militar nipônico.

    Hoje 71.000 militares estrangeiros lutam no Afeganistão. Os Estados Unidos contam com 34.800 soldados, em segundo lugar a Inglaterra com 9.000, seguida da Alemanha, com 4.365. A Alemanha mantém também 2.500 soldados como força de paz em Kosovo. Enquanto os americanos anunciam, embora nunca cumpram suas promessas, da retirada de tropas do Afeganistão, autoridades alemães proclamam que, para a eliminação do terrorismo, serão necessários mais militares. Nem sempre as atividades militares alemães no montanhoso p aís foram bem sucedidas, a ponto de um Ministro da Defesa alemão ter de se demitir por haver negado a morte de civis afegãos numa operação militar contra o talibã. A Holanda deverá retirar seus soldados do Afeganistão. A população britânica já põe em dúvida uma vitória sobre o talibã e a discussão sobre a morte de soldados ingleses no conflito está em aberto.

    O Presidente Obama anuncia o envio de mais 30.000 soldados americanos, serão assim 130.000 estrangeiros contra uma força estimada em 20.000 homens do talibã. A guerra no Afeganistão é a primeira em que a Alemanha participa e para os militares alemães a grande oportunidade de se atualizar com as novas técnicas bélicas. Os americanos foram derrotados no Vietnam, numa guerra de 26 anos de duração, de 1959 a 1975, com um saldo de dois milhões de vietnamitas mortos e 75.000 soldados americanos. Será que o Afeganistão vai virar um repeteco?

    02-04-2010 00:00:00

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  • Pós guerra

    Dois países derrotados na chamada II Guerra Mundial, que durou seis anos, de 1939 a 1945, se tornaram meio século depois figuras de grandeza internacional, Alemanha e Japão. Ambos perderam milhões de habitantes, soldados e civis. A Alemanha teve cidades arrasadas, como a capital Berlim e já no finzinho da guerra, sem motivos estratégicos, a bela cidade de Dresden. O Japão sofreu bombardeios intensos e as cidades de Hiroshima e Nagasaki viraram pó com as bombas atômicas americanas.

    Mas o mundo dá voltas. O Japão foi ocupado por tropas americanas e pelo Tratado de Paz de São Francisco, em 1952 voltou a ser um país soberano, com seu Imperador de descendência divina. Por pressão americana foi incluída na constituição japonesa de 1946 a proibição do país de possuir forças militares, nos termos seguintes: renuncia à guerra para sempre como direito soberano da nação e ameaça do uso de força como meio de solucionar disputas internacionais. O seu Ministério da Defesa é limitado. Os Estados Unidos, com o estabelecimento de bases militares em território japonês, ficaram, na prática, encarregados da defesa do país. As 50.000 tropas americanas estacionadas no Japão, há mais de cinqüenta anos, não estão lá de graça, para isso o contribuinte japonês paga 4 bilhões de dólares por ano ao governo de Washington. Bom negócio para os Estados Unidos.

    O caso da Alemanha foi diferente, seu território foi dividido em quatro zonas militares: soviética, americana, francesa e inglesa, e a capital Berlim sob controle também das quatro potências aliadas, com status em separado. Os três países ocidentais uniram suas três zonas para a criação da República Federal Alemã, 1949, Bonn como capital. Os soviéticos transformaram a sua zona militar na República Democrática Alemã, chamada normalmente de Oriental. Na Alemanha Federal os americanos, ingleses e franceses mantiveram suas tropas em bases militares, e os russos fizeram o mesmo na Alemanha Oriental. A capital Berlim teve seu setor soviético incorporado à Oriental e os três setores americano, inglês e francês se uniram como Berlim Ocidental.

    Entre o caso do Japão e o da Alemanha houve uma grande diferença: o Japão é formado de oito mil ilhas, isolado, já a Alemanha fica na Europa e a grande ameaça de então era o comunismo. Os aliados ocidentais concederam na prática vantagens à República Federal Alemã, permitindo que constituísse novamente suas forças armadas: exército, marinha e aviação (hoje com mais de 200.00 membros).A Lei Básica alemã (constituição), não dispõe sobre renúncia à guerra, como na constituição japonesa.

    Em Berlim o lado comunista ergueu o chamado muro, uma pequena muralha chinesa, de alguns metros de altura, circundando toda a chamada Berlim Ocidental.. O muro tinha como finalidade impedir o fluxo de um lado para o outro, e a fuga dos alemães orientais para Berlim Ocidental. Tornou-se cartaz da opressão do regime comunista.

    Na obsessão da guerra fria, da oposição dos Estados Unidos à União Soviética, os americanos criaram uma entidade militar, reunindo os Estados Unidos e países europeus na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O importante era contar com a Alemanha, país com uma centenária tradição e espírito militar. Foi passada uma esponja por cima do passado nazista de país agressor. A ameaça era o regime soviético.

    Continua vivo o sonho germânico de expansão, que, durante o regime nazista, chegara até as areias do Egito e se estendera por quase toda a Europa. Já os sonhos de expansão dos japoneses não foram diferentes. O militarismo japonês, que já dominava a península coreana, invadiu a China. Com a guerra se expandiu para a Malásia e o continente asiático. Derrotado, teve que se recolher às suas ilhas. No caso do Japão, ao contrário da Alemanha, os americanos bloquearam qualquer pretensão futura de expansionismo militar nipônico.

    Hoje 71.000 militares estrangeiros lutam no Afeganistão. Os Estados Unidos contam com 34.800 soldados, em segundo lugar a Inglaterra com 9.000, seguida da Alemanha, com 4.365. A Alemanha mantém também 2.500 soldados como força de paz em Kosovo. Enquanto os americanos anunciam, embora nunca cumpram suas promessas, da retirada de tropas do Afeganistão, autoridades alemães proclamam que, para a eliminação do terrorismo, serão necessários mais militares. Nem sempre as atividades militares alemães no montanhoso p aís foram bem sucedidas, a ponto de um Ministro da Defesa alemão ter de se demitir por haver negado a morte de civis afegãos numa operação militar contra o talibã. A Holanda deverá retirar seus soldados do Afeganistão. A população britânica já põe em dúvida uma vitória sobre o talibã e a discussão sobre a morte de soldados ingleses no conflito está em aberto.

    O Presidente Obama anuncia o envio de mais 30.000 soldados americanos, serão assim 130.000 estrangeiros contra uma força estimada em 20.000 homens do talibã. A guerra no Afeganistão é a primeira em que a Alemanha participa e para os militares alemães a grande oportunidade de se atualizar com as novas técnicas bélicas. Os americanos foram derrotados no Vietnam, numa guerra de 26 anos de duração, de 1959 a 1975, com um saldo de dois milhões de vietnamitas mortos e 75.000 soldados americanos. Será que o Afeganistão vai virar um repeteco?

    02-04-2010 00:00:00

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  • Uma velha história

    Segundo um texto budista antigo, de mais de dois mil anos, o homem deve construir sua casa com materiais resistentes para enfrentar quatro elementos: primeiro, ventos fortes e tufões; segundo, chuvas e tempestades; terceiro, fogo e incêndios; e quarto, ladrões.O texto é curioso, ladrão é uma profissão que existe desde tempos imemoriais e esse texto budista o coloca na mesma categoria das ações da natureza como chuva, vento e fogo. No tempo de Jesus Cristo os ladrões eram crucificados.

    Na casa de meus avós fechava-se a porta de entrada com a tranca uma barra de ferro horizontal e se prendiam campainhas com um arco de metal se nas janelas, de modo que qualquer tentativa de forçá-las tilintavam as campainhas. Já as janelas dos quartos tinham grades de ferro. Tudo elementar mas funcionava, hoje, câmaras de vídeo, alarmes elétricos e toda uma parafernália complicada e custosa, que nem sempre dão bom resultado.

    Naquela época o conto do vigário era o golpe mais comum. Hoje em dia o cidadão é roubado diariamente sem sentir. Mil e um golpes, a começar por promoções enganosas, campanhas de políticos desonestos, tarifas bancárias absurdas, pedágios em estradas sem segurança, banqueiros nunca julgados e tudo mais, somos roubados e enganados pela internet, pelo celular e por cartões de crédito. Todo cuidado é pouco.

    Ladrão e segurança são problemas eternos. Assalto, como hoje com armas e metralhadoras, isso era coisa de cinema. Ladrão, gatuno, sim, mas assaltante, não. Violência era geralmente em atentados políticos, uma vez ou outra faziam explodir uma bomba num trem que conduzia um Chefe de Estado, um Presidente ou um Rei. A população do planeta era muito menor que hoje, embora as guerras fossem devastadoras como agora. Isso não mudou.

    Os presidentes desfilavam em carros abertos, capota arriada, acenando para o povo, como Getúlio Vargas na Lincoln presidencial. Talvez isso tenha terminado com o assassínio do Presidente americano John Kennedy. Desde então os presidentes americanos só andam em carros blindados e com vidros nas janelas que suportam até mísseis.Há países com uma cultura de atentados, desde mais de um século, como nos Estados Unidos, o que felizmente é raro no nosso país. Atentados em geral em Pindorama só contra prefeitos.

    Até o Papa também hoje se fecha no seu papamóvel para se mover de um lado para outro. Como o carro presidencial americano é transportado de avião para cada cidade americana ou estrangeira para a locomoção do Presidente, também o papamóvel acompanha o Papa em suas viagens.

    Lembro-me bem, há muitos anos, em Petrópolis, de ver caminhar pela calçada o Presidente Getúlio Vargas, terno branco, chapéu, acompanhado de um ajudante de ordens. Alguns metros atrás, dois homens de sua guarda pessoal (termo mais elegante que o segurança de hoje), de terno, gravata e chapéu, sem chamar atenção. Getulio passava parte do verão na cidade serrana no Palácio Rio Negro. Quase todas as tardes, por volta das 3 horas fazia o recorrido pela Avenida Ipiranga, descia a Rua Alberto Torres, onde tínhamos casa. Minha avó corria ao jardim para saudar o Presidente, que atencioso, levantava o chapéu para responder: ‘Boa tarde, minha senhora.’ Vovó passava o resto do dia feliz. O percurso do passeio do Presidente era longo, uma volta pelo centro e retorno ao Palácio.

    Juscelino Kubitschek esteve em Búzios mais de uma vez. Sei que adorava dançar, mas ignoro se gostava de caminhar pela cidade. Teria sido difícil, calçadas, mesmo hoje, é uma raridade e quando existem não correspondem à fama internacional do lugar. Bem diferente de Petrópolis.

    26-03-2010 00:00:00

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  • Uma velha história

    Segundo um texto budista antigo, de mais de dois mil anos, o homem deve construir sua casa com materiais resistentes para enfrentar quatro elementos: primeiro, ventos fortes e tufões; segundo, chuvas e tempestades; terceiro, fogo e incêndios; e quarto, ladrões.O texto é curioso, ladrão é uma profissão que existe desde tempos imemoriais e esse texto budista o coloca na mesma categoria das ações da natureza como chuva, vento e fogo. No tempo de Jesus Cristo os ladrões eram crucificados.

    Na casa de meus avós fechava-se a porta de entrada com a tranca uma barra de ferro horizontal e se prendiam campainhas com um arco de metal se nas janelas, de modo que qualquer tentativa de forçá-las tilintavam as campainhas. Já as janelas dos quartos tinham grades de ferro. Tudo elementar mas funcionava, hoje, câmaras de vídeo, alarmes elétricos e toda uma parafernália complicada e custosa, que nem sempre dão bom resultado.

    Naquela época o conto do vigário era o golpe mais comum. Hoje em dia o cidadão é roubado diariamente sem sentir. Mil e um golpes, a começar por promoções enganosas, campanhas de políticos desonestos, tarifas bancárias absurdas, pedágios em estradas sem segurança, banqueiros nunca julgados e tudo mais, somos roubados e enganados pela internet, pelo celular e por cartões de crédito. Todo cuidado é pouco.

    Ladrão e segurança são problemas eternos. Assalto, como hoje com armas e metralhadoras, isso era coisa de cinema. Ladrão, gatuno, sim, mas assaltante, não. Violência era geralmente em atentados políticos, uma vez ou outra faziam explodir uma bomba num trem que conduzia um Chefe de Estado, um Presidente ou um Rei. A população do planeta era muito menor que hoje, embora as guerras fossem devastadoras como agora. Isso não mudou.

    Os presidentes desfilavam em carros abertos, capota arriada, acenando para o povo, como Getúlio Vargas na Lincoln presidencial. Talvez isso tenha terminado com o assassínio do Presidente americano John Kennedy. Desde então os presidentes americanos só andam em carros blindados e com vidros nas janelas que suportam até mísseis.Há países com uma cultura de atentados, desde mais de um século, como nos Estados Unidos, o que felizmente é raro no nosso país. Atentados em geral em Pindorama só contra prefeitos.

    Até o Papa também hoje se fecha no seu papamóvel para se mover de um lado para outro. Como o carro presidencial americano é transportado de avião para cada cidade americana ou estrangeira para a locomoção do Presidente, também o papamóvel acompanha o Papa em suas viagens.

    Lembro-me bem, há muitos anos, em Petrópolis, de ver caminhar pela calçada o Presidente Getúlio Vargas, terno branco, chapéu, acompanhado de um ajudante de ordens. Alguns metros atrás, dois homens de sua guarda pessoal (termo mais elegante que o segurança de hoje), de terno, gravata e chapéu, sem chamar atenção. Getulio passava parte do verão na cidade serrana no Palácio Rio Negro. Quase todas as tardes, por volta das 3 horas fazia o recorrido pela Avenida Ipiranga, descia a Rua Alberto Torres, onde tínhamos casa. Minha avó corria ao jardim para saudar o Presidente, que atencioso, levantava o chapéu para responder: ‘Boa tarde, minha senhora.’ Vovó passava o resto do dia feliz. O percurso do passeio do Presidente era longo, uma volta pelo centro e retorno ao Palácio.

    Juscelino Kubitschek esteve em Búzios mais de uma vez. Sei que adorava dançar, mas ignoro se gostava de caminhar pela cidade. Teria sido difícil, calçadas, mesmo hoje, é uma raridade e quando existem não correspondem à fama internacional do lugar. Bem diferente de Petrópolis.

    26-03-2010 00:00:00

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  • Viagens orientais

     

    Nunca um presidente brasileiro viajou tanto como Lula. Antigamente um chefe de estado visitava um país e passava pelo menos uma semana e tinha de no mínimo assistir uma parada militar em sua homenagem. Durante anos todos os presidentes brasileiros visitaram os Estados Unidos e a Europa, França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, mas nossos vizinhos eram ignorados. O Presidente Figueiredo interrompeu uma longa abstinência visitando a Argentina. Na Europa os monarcas se freqüentavam mais, mas afinal todos eram parentes, os casamentos eram feitos entre os de sangue azul de vários ramos.

    Também em outras épocas os meios de transporte eram lentos, o navio ou em terra o trem. Os reis possuíam seus vagões exclusivos da mesma maneira que hoje os presidentes têm à disposição um Airbus ou um Boeing para as viagens internacionais. Estas se multiplicam, mas o tempo da visita é limitado, é de trabalho, embora em geral um jantar (ou banquete como gostam de chamar) oficial oferecido em homenagem ao chefe de estado visitante, sem retribuição por falta de tempo.

    O Presidente Lula volta ao Oriente Médio. Já esteve uma vez na capital da Síria, Damasco, numa rápida visita de 5 horas. Desta vez a viagem é minuciosa, três capitais, Jerusalém, Ramala e Amã, mais Belém. Quando Dom Pedro II, fez sua peregrinação a Jerusalém, teve de enfrentar muito desconforto, deve ter andado de carruagem e montar cavalo. Já Lula não sofrerá tanto, comodidade Airbus e automóvel com ar condicionado.

    Com a criação do Estado de Israel, numa memorável sessão da ONU sob a presidência de Oswaldo Aranha, fora votada a internacionalização de Jerusalém, para por ser uma cidade sagrada para várias religiões. Tel Aviv foi estabelecida como a capital do novo estado. Em 1949 Ben Gurion proclamou Jerusalém como capital, foi construído o Parlamento e toda a estrutura de governo. Dos quase duzentos países membros da ONU, Israel é o único país em que as representações diplomáticas, as embaixadas, não têm sede na capital Jerusalém, mas em Tel Aviv, no litoral, a cerca de 70 km e uma hora de viagem de carro. O Embaixador do Brasil acreditado em Israel reside em Tel Aviv. Os Estados Unidos, amigo incondicional de Israel, várias vezes consideram transferir a Embaixada para Jerusalém, mas desistiram por que estariam violando a resolução da ONU sobre a internacionalização de Jerusalém.

    A primeira vez que estive em Jerusalém, em 1954, ainda Jerusalém tinha uma população reduzida. Dez anos depois, em 1964, o Papa Paulo VI, fez a primeira visita de um chefe da igreja católica a Jerusalém em mil anos. Eu morava então em Damasco e parti muito cedo, sábado, de automóvel, passando por Amã, capital da Jordânia, levando umas quatro ou cinco horas para chegar a Jerusalém. Assisti o desfile da chegada de Paulo VI, em carro aberto (naquela época o papamóvel ainda não tinha sido inventado). À tarde voltei a Damasco, ida e volta sem barreiras..

    Em Brasília está acreditado o representante da chamada Autoridade Palestina, e da mesma maneira em Ramallah, a capital da Palestina, reside o Embaixador do Brasil. Situação esdrúxula, em direito internacional não existe a figura de autoridade, a designação foi criada como se fosse um país de segunda classe, não gozando de soberania sobre seu território. O Presidente Lula, ao discursar no Parlamento israelense, não se preocupou em agradar seus ouvintes, afirmando seu apoio à imediata criação do Estado Palestino, soberano e pacífico, ao lado do Estado de Israel, também soberano e pacífico. Israel recebe ajuda militar americana de vinte bilhões de dólares anuais, exporta de armas sofisticadas e domina a técnica de aviões não tripulados. O Presidente Lula em seu discurso também fez menção explícita ao Tratado de Tlatelolco, de 1967, que tornou a América Latina e o Caribe isentos de armas nucleares.

    É considerado com um segredo público Israel manter um arsenal de artefatos nuclerares. O desenvolvimento da energia nuclear em Israel teve inicio com a colaboração da França. Em 1979 os israelenses, com a cooperação da África do Sul (no tempo do apartheid), realizaram um teste nuclear no Oceano Índico. Os americanos nunca moveram uma palha para interromper o desenvolvimento nuclear israelense, fingindo desconhecer seu potencial e armazenamento de bombas.

    A oposição critica o Presidente Lula e a diplomacia brasileira por se intrometer na intricada política do Oriente Médio. Consideram que cabe aos Estados Unidos e, em segundo plano, à Europa, serem os mentores de uma solução para o conflito israelense-palestino. Por pressão do lobby sionista o governo americano jamais foi favorável ao estabelecimento de um estado palestino soberano. Por outro lado, o Presidente Barack Obama que tantas esperanças despertara no mundo, em um ano de governo não deu mostras de se haver libertado da tradicional política externa americana. Uma participação de um país de fora, como o Brasil, pode ser altamente positiva para as negociações. Somam 120.000 o número de judeus brasileiros e a mais de dez milhões, os descendentes de libaneses, sírios e palestinos.

    O jornal israelense Haaretz escreve, num artigo sob re a visita de Lula, que um banco brasileiro, em sua propaganda na televisão, mostra o confronto de dois garotos, um judeu e outro árabe jogando bola: ambos vestem a camisa da seleção brasileira. Mais adiante se refere ao fato que no Saara, no Rio de Janeiro, há perfeito entendimento de comerciantes judeus e árabes. Conclusão: o presidente brasileiro tem credencial para se tornar num novo interlocutor do conflito palestino-israelense.

    19-03-2010 00:00:00

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  • Viagens orientais

     

    Nunca um presidente brasileiro viajou tanto como Lula. Antigamente um chefe de estado visitava um país e passava pelo menos uma semana e tinha de no mínimo assistir uma parada militar em sua homenagem. Durante anos todos os presidentes brasileiros visitaram os Estados Unidos e a Europa, França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, mas nossos vizinhos eram ignorados. O Presidente Figueiredo interrompeu uma longa abstinência visitando a Argentina. Na Europa os monarcas se freqüentavam mais, mas afinal todos eram parentes, os casamentos eram feitos entre os de sangue azul de vários ramos.

    Também em outras épocas os meios de transporte eram lentos, o navio ou em terra o trem. Os reis possuíam seus vagões exclusivos da mesma maneira que hoje os presidentes têm à disposição um Airbus ou um Boeing para as viagens internacionais. Estas se multiplicam, mas o tempo da visita é limitado, é de trabalho, embora em geral um jantar (ou banquete como gostam de chamar) oficial oferecido em homenagem ao chefe de estado visitante, sem retribuição por falta de tempo.

    O Presidente Lula volta ao Oriente Médio. Já esteve uma vez na capital da Síria, Damasco, numa rápida visita de 5 horas. Desta vez a viagem é minuciosa, três capitais, Jerusalém, Ramala e Amã, mais Belém. Quando Dom Pedro II, fez sua peregrinação a Jerusalém, teve de enfrentar muito desconforto, deve ter andado de carruagem e montar cavalo. Já Lula não sofrerá tanto, comodidade Airbus e automóvel com ar condicionado.

    Com a criação do Estado de Israel, numa memorável sessão da ONU sob a presidência de Oswaldo Aranha, fora votada a internacionalização de Jerusalém, para por ser uma cidade sagrada para várias religiões. Tel Aviv foi estabelecida como a capital do novo estado. Em 1949 Ben Gurion proclamou Jerusalém como capital, foi construído o Parlamento e toda a estrutura de governo. Dos quase duzentos países membros da ONU, Israel é o único país em que as representações diplomáticas, as embaixadas, não têm sede na capital Jerusalém, mas em Tel Aviv, no litoral, a cerca de 70 km e uma hora de viagem de carro. O Embaixador do Brasil acreditado em Israel reside em Tel Aviv. Os Estados Unidos, amigo incondicional de Israel, várias vezes consideram transferir a Embaixada para Jerusalém, mas desistiram por que estariam violando a resolução da ONU sobre a internacionalização de Jerusalém.

    A primeira vez que estive em Jerusalém, em 1954, ainda Jerusalém tinha uma população reduzida. Dez anos depois, em 1964, o Papa Paulo VI, fez a primeira visita de um chefe da igreja católica a Jerusalém em mil anos. Eu morava então em Damasco e parti muito cedo, sábado, de automóvel, passando por Amã, capital da Jordânia, levando umas quatro ou cinco horas para chegar a Jerusalém. Assisti o desfile da chegada de Paulo VI, em carro aberto (naquela época o papamóvel ainda não tinha sido inventado). À tarde voltei a Damasco, ida e volta sem barreiras..

    Em Brasília está acreditado o representante da chamada Autoridade Palestina, e da mesma maneira em Ramallah, a capital da Palestina, reside o Embaixador do Brasil. Situação esdrúxula, em direito internacional não existe a figura de autoridade, a designação foi criada como se fosse um país de segunda classe, não gozando de soberania sobre seu território. O Presidente Lula, ao discursar no Parlamento israelense, não se preocupou em agradar seus ouvintes, afirmando seu apoio à imediata criação do Estado Palestino, soberano e pacífico, ao lado do Estado de Israel, também soberano e pacífico. Israel recebe ajuda militar americana de vinte bilhões de dólares anuais, exporta de armas sofisticadas e domina a técnica de aviões não tripulados. O Presidente Lula em seu discurso também fez menção explícita ao Tratado de Tlatelolco, de 1967, que tornou a América Latina e o Caribe isentos de armas nucleares.

    É considerado com um segredo público Israel manter um arsenal de artefatos nuclerares. O desenvolvimento da energia nuclear em Israel teve inicio com a colaboração da França. Em 1979 os israelenses, com a cooperação da África do Sul (no tempo do apartheid), realizaram um teste nuclear no Oceano Índico. Os americanos nunca moveram uma palha para interromper o desenvolvimento nuclear israelense, fingindo desconhecer seu potencial e armazenamento de bombas.

    A oposição critica o Presidente Lula e a diplomacia brasileira por se intrometer na intricada política do Oriente Médio. Consideram que cabe aos Estados Unidos e, em segundo plano, à Europa, serem os mentores de uma solução para o conflito israelense-palestino. Por pressão do lobby sionista o governo americano jamais foi favorável ao estabelecimento de um estado palestino soberano. Por outro lado, o Presidente Barack Obama que tantas esperanças despertara no mundo, em um ano de governo não deu mostras de se haver libertado da tradicional política externa americana. Uma participação de um país de fora, como o Brasil, pode ser altamente positiva para as negociações. Somam 120.000 o número de judeus brasileiros e a mais de dez milhões, os descendentes de libaneses, sírios e palestinos.

    O jornal israelense Haaretz escreve, num artigo sob re a visita de Lula, que um banco brasileiro, em sua propaganda na televisão, mostra o confronto de dois garotos, um judeu e outro árabe jogando bola: ambos vestem a camisa da seleção brasileira. Mais adiante se refere ao fato que no Saara, no Rio de Janeiro, há perfeito entendimento de comerciantes judeus e árabes. Conclusão: o presidente brasileiro tem credencial para se tornar num novo interlocutor do conflito palestino-israelense.

    19-03-2010 00:00:00

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  • Mulheres e política

    Nos Estados Unidos o Ministro das Relações Exteriores tem a designação de ‘Secretário de Estado’ e o que seria Ministério, ‘Departamento de Estado’. No governo americano do passado foi nomeada a primeira mulher para Secretária de Estado, que, nem americana de nascimento era. Muito inteligente e culta, exerceu um papel determinante. O governo seguinte manteve o feminismo no Departamento de Estado, escolhendo uma professora universitária, falando correntemente o russo e pianista nas horas vagas. Não tinha a categoria da antecessora, mas fez trabalho correto. O Presidente Barack Obama escolheu para o lugar a Senadora Hillary Clinton, de seu partido e esposa do ex-Presidente Clinton.

    A Secretária de Estado Hillary Clinton realiza sua primeira visita à América Latina. Começou por Montevidéu, onde representou seu país na posse do novo Presidente uruguaio Pepe Mujica, que prestou juramente de terno civil, mas inovou não usando gravata. Do Uruguai iniciou seu tour por outros países do continente, passando por Buenos Aires. O momento era crítico, a Argentina protesta contra o início da exploração do petróleo nas ilhas Malvinas por companhia inglesa; bom lembrar que os Estados Unidos se posicionaram em favor dos ingleses quando do ataque argentino em 1983 para a reconquista da ilha.

    Em resposta a um jornalista argentino, Hillary Clinton declara que ‘o assunto deve ser resolvido entre o Reino Unido e a Argentina’ e ainda ‘se há uma maneira em que possamos ajudar, estamos prontos para isso.’ Na Argentina as palavras de Hillary foram interpretadas como uma oferta de mediação. A Presidenta Cristina, no encontro com Hillary, solicitou o apoio americano para que a Argentina e a Inglaterra ‘se sentassem juntas à mesa para discutir a questão das Malvinas dentro do quadro das resoluções da ONU.’ Hillary respondeu que gostaria de ver as duas partes reunidas para uma solução pacífica da questão. Na Inglaterra a grita foi geral, nada a discutir, a soberania britânica sobre as ilhas é absoluta. Num escorregão, um assessor de Hillary se referiu às ilhas como ‘Malvinas’, nova reclamação inglesa, as ilhas se chamam Falkland. Nesse vai e vem, entra o Subsecretario americano para a América Latina, em Washington, para esclarecer que os Estados Unidos não se ofereceram para mediar na disputa e que Hillary se referiu somente a ‘facilitar’ um eventual diálogo entre a Argentina e a Inglaterra.

    Hillary desembarca em Brasília. É por demais conhecida a posição do governo brasileiro contrária à pretensão americana de impor sanções ao Irã. O Presidente iraniano fora meses antes recebido em Brasília e o Presidente brasileiro tem agendado para muito breve sua visita a Teerã. Também não é segredo que o Brasil, mais a Turquia e o Líbano, membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU votariam contra a moção americana. Hillary tentou em seu encontro com autoridades brasileiras convencer a mudar de posição, de apoiar sanções americanas contra o Irã.

    O Presidente Lula insiste na necessidade de uma reforma da ONU, argumentando que a organização internacional, criada depois da II Guerra Mundial, não corresponde às necessidades do mundo de hoje. Aos cinco membros permanentes, de cadeira cativa no Conselho de Segurança, devem também fazer parte mais outros países. A França apóia a pretensão brasileira a um lugar permanente no Conselho de Segurança. Mas, os Estados Unidos são contra qualquer mudança. Se Hillary pretendesse ser gentil, bastaria uma palavra sobre o assunto.

    Hillary Clinton tem todo o direito de criticar qualquer governo ou qualquer Chefe de Estado, mas estando em seu país, em Washington. Deselegante e nada diplomático criticar outra pessoa quando se visita alguém. O Ministro do Exterior brasileiro, o Embaixador Celso Amorim, respondeu com ele-

    gância as críticas de Hillary à Venezuela.

    A americana não é a única mulher a dirigir a política exterior de um país, o sexo feminino comanda hoje a diplomacia de vários países ocidentais e mesmo orientais. A primeira mulher a ocupar o posto de Primeiro Ministro, chefe do governo de um país, não ocorreu na Europa, mas na Ásia em Sri Lanka (Ceilão), em 1960, com a Senhora Sirimavo Bandaranaike, que mais tarde voltou ao cargo por mais duas vezes. Até então chefes de governo mulheres só rainhas ou Princesas, como tivemos a Princesa Isabel na ausência do país de seu pai, Dom Pedro II. Parece que uma nova onda tomou conta da política em todo o mundo, na Inglaterra mandou por muitos anos a durona Margaret Thatcher e atualmente na Alemanha, Angela Merkel. As Presidentas também deixaram de ser raridade, começando pelos países nórdicos. Há cem anos seria impossível admitir que o Chile ou a Argentina viessem a ser comandados por mulheres. E aconteceu.

    Em todos os países vem crescendo o número de mulheres nos parlamentos e em altos postos no governo. Nesse aspecto o Brasil não tem acompanhado a maré feminista iniciada em meados do século passado. O Senado conta somente com 10 Senadoras e a Câmara dos Deputados com 45 parlamentares femininos, o equivalente a 9% da Casa. Já na Argentina as legisladoras representam 40%, sendo o país mais avançado na América Latina quanto à representação parlamentar feminina. ‘No ranking sobre a participação das mulheres no Parlamento em 192 países do mundo situa o Brasil em 146° lugar atrás da média dos países árabes’, escreve a deputada baiana Alice Portugal, Coordenadora da Bancada Feminina na Câmara. Para as próximas eleições presidenciais, pelo menos duas candidaturas femininas estão no páreo.

     

    Sirimavo foi primeira-ministra do Sri Lanka em três períodos separados: 1960-1965, 1970-1977 e 1994-2000. Ela foi a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de primeiro-ministro. Na imagem Sirimavo com o Primeiro Ministro Soviético Alexei Kosygin,Tissa Wijeyeratne e sua filha Anura Bandaranaike

    Sirimavo Bandaranaike nasceu em 17 de abril de 1916 e faleceu em outubro de 2000. Descendente de uma família proeminente ela casou em 1940 com Solomon West Ridgeway Dias Bandaranaike, presidente do Conselho do Estado do Siri Lanka; com a morte de seu marido – assassinado alguns anos depois – ela assumiu a liderança do Partido Liberal e lá ficou por 40 anos até a sua morte. Através do Partido Liberal ela se tornou senadora e liderou seu grupo para a vitória eleitoral pela presidência em 1956. Tornou-se primeira Ministra em 1960.

    Uma ferrenha socialista , Bandaranaike deu continuidade ao trabalho de seu marido e notadamente se empenhou pela nacionalização de setores chaves da economia de seu país.

    12-03-2010 00:00:00

    saiba mais
  • Mulheres e política

    Nos Estados Unidos o Ministro das Relações Exteriores tem a designação de ‘Secretário de Estado’ e o que seria Ministério, ‘Departamento de Estado’. No governo americano do passado foi nomeada a primeira mulher para Secretária de Estado, que, nem americana de nascimento era. Muito inteligente e culta, exerceu um papel determinante. O governo seguinte manteve o feminismo no Departamento de Estado, escolhendo uma professora universitária, falando correntemente o russo e pianista nas horas vagas. Não tinha a categoria da antecessora, mas fez trabalho correto. O Presidente Barack Obama escolheu para o lugar a Senadora Hillary Clinton, de seu partido e esposa do ex-Presidente Clinton.

    A Secretária de Estado Hillary Clinton realiza sua primeira visita à América Latina. Começou por Montevidéu, onde representou seu país na posse do novo Presidente uruguaio Pepe Mujica, que prestou juramente de terno civil, mas inovou não usando gravata. Do Uruguai iniciou seu tour por outros países do continente, passando por Buenos Aires. O momento era crítico, a Argentina protesta contra o início da exploração do petróleo nas ilhas Malvinas por companhia inglesa; bom lembrar que os Estados Unidos se posicionaram em favor dos ingleses quando do ataque argentino em 1983 para a reconquista da ilha.

    Em resposta a um jornalista argentino, Hillary Clinton declara que ‘o assunto deve ser resolvido entre o Reino Unido e a Argentina’ e ainda ‘se há uma maneira em que possamos ajudar, estamos prontos para isso.’ Na Argentina as palavras de Hillary foram interpretadas como uma oferta de mediação. A Presidenta Cristina, no encontro com Hillary, solicitou o apoio americano para que a Argentina e a Inglaterra ‘se sentassem juntas à mesa para discutir a questão das Malvinas dentro do quadro das resoluções da ONU.’ Hillary respondeu que gostaria de ver as duas partes reunidas para uma solução pacífica da questão. Na Inglaterra a grita foi geral, nada a discutir, a soberania britânica sobre as ilhas é absoluta. Num escorregão, um assessor de Hillary se referiu às ilhas como ‘Malvinas’, nova reclamação inglesa, as ilhas se chamam Falkland. Nesse vai e vem, entra o Subsecretario americano para a América Latina, em Washington, para esclarecer que os Estados Unidos não se ofereceram para mediar na disputa e que Hillary se referiu somente a ‘facilitar’ um eventual diálogo entre a Argentina e a Inglaterra.

    Hillary desembarca em Brasília. É por demais conhecida a posição do governo brasileiro contrária à pretensão americana de impor sanções ao Irã. O Presidente iraniano fora meses antes recebido em Brasília e o Presidente brasileiro tem agendado para muito breve sua visita a Teerã. Também não é segredo que o Brasil, mais a Turquia e o Líbano, membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU votariam contra a moção americana. Hillary tentou em seu encontro com autoridades brasileiras convencer a mudar de posição, de apoiar sanções americanas contra o Irã.

    O Presidente Lula insiste na necessidade de uma reforma da ONU, argumentando que a organização internacional, criada depois da II Guerra Mundial, não corresponde às necessidades do mundo de hoje. Aos cinco membros permanentes, de cadeira cativa no Conselho de Segurança, devem também fazer parte mais outros países. A França apóia a pretensão brasileira a um lugar permanente no Conselho de Segurança. Mas, os Estados Unidos são contra qualquer mudança. Se Hillary pretendesse ser gentil, bastaria uma palavra sobre o assunto.

    Hillary Clinton tem todo o direito de criticar qualquer governo ou qualquer Chefe de Estado, mas estando em seu país, em Washington. Deselegante e nada diplomático criticar outra pessoa quando se visita alguém. O Ministro do Exterior brasileiro, o Embaixador Celso Amorim, respondeu com ele-

    gância as críticas de Hillary à Venezuela.

    A americana não é a única mulher a dirigir a política exterior de um país, o sexo feminino comanda hoje a diplomacia de vários países ocidentais e mesmo orientais. A primeira mulher a ocupar o posto de Primeiro Ministro, chefe do governo de um país, não ocorreu na Europa, mas na Ásia em Sri Lanka (Ceilão), em 1960, com a Senhora Sirimavo Bandaranaike, que mais tarde voltou ao cargo por mais duas vezes. Até então chefes de governo mulheres só rainhas ou Princesas, como tivemos a Princesa Isabel na ausência do país de seu pai, Dom Pedro II. Parece que uma nova onda tomou conta da política em todo o mundo, na Inglaterra mandou por muitos anos a durona Margaret Thatcher e atualmente na Alemanha, Angela Merkel. As Presidentas também deixaram de ser raridade, começando pelos países nórdicos. Há cem anos seria impossível admitir que o Chile ou a Argentina viessem a ser comandados por mulheres. E aconteceu.

    Em todos os países vem crescendo o número de mulheres nos parlamentos e em altos postos no governo. Nesse aspecto o Brasil não tem acompanhado a maré feminista iniciada em meados do século passado. O Senado conta somente com 10 Senadoras e a Câmara dos Deputados com 45 parlamentares femininos, o equivalente a 9% da Casa. Já na Argentina as legisladoras representam 40%, sendo o país mais avançado na América Latina quanto à representação parlamentar feminina. ‘No ranking sobre a participação das mulheres no Parlamento em 192 países do mundo situa o Brasil em 146° lugar atrás da média dos países árabes’, escreve a deputada baiana Alice Portugal, Coordenadora da Bancada Feminina na Câmara. Para as próximas eleições presidenciais, pelo menos duas candidaturas femininas estão no páreo.

     

    Sirimavo foi primeira-ministra do Sri Lanka em três períodos separados: 1960-1965, 1970-1977 e 1994-2000. Ela foi a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de primeiro-ministro. Na imagem Sirimavo com o Primeiro Ministro Soviético Alexei Kosygin,Tissa Wijeyeratne e sua filha Anura Bandaranaike

    Sirimavo Bandaranaike nasceu em 17 de abril de 1916 e faleceu em outubro de 2000. Descendente de uma família proeminente ela casou em 1940 com Solomon West Ridgeway Dias Bandaranaike, presidente do Conselho do Estado do Siri Lanka; com a morte de seu marido – assassinado alguns anos depois – ela assumiu a liderança do Partido Liberal e lá ficou por 40 anos até a sua morte. Através do Partido Liberal ela se tornou senadora e liderou seu grupo para a vitória eleitoral pela presidência em 1956. Tornou-se primeira Ministra em 1960.

    Uma ferrenha socialista , Bandaranaike deu continuidade ao trabalho de seu marido e notadamente se empenhou pela nacionalização de setores chaves da economia de seu país.

    12-03-2010 00:00:00

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  • A disputa continua

    As ilhas Malvinas, distam 480 km da costa argentina, a ilha de Fernando Noronha fica a 345 km do Cabo de São Roque e 500 km do Recife. Fernando Noronha, no Atlântico, tem uma história um pouco parecida com as Malvinas. Foram muitas tentativas de ocupação por parte de ingleses, franceses e holandeses. Mas, já antes de nossa independência a coroa portuguesa erguera fortes na ilha, assegurando sua posse definitiva. Já nas Malvinas, depois da ocupação por vários países, em 1763, Louis-Antoine de Bougainville, misto de empresário, militar e escritor, fundou a colônia de 150 pescadores franceses (o nome vem do francês Malouines). Mais tarde negociou a venda da colônia à coroa espanhola. Com a independência da Argentina em 1810 se tornou território argentino. Em 1831 a corveta da marinha americana Lexington, a título de defender interesses de pesqueiros americanos, destruiu a base argentina. Os ingleses se aproveitaram da falta de defesa da ilha para ocupá-la em 1833 e nunca mais saíram.

    Interessante notar que a Inglaterra se mantém firme em Gibraltar e não há possibilidade de sua devolução à Espanha, pois a cessão pela coroa espanhola foi por tempo indeterminado. Por outro lado, na norte da África as cidades de Ceuta e Melilla e mais a ilha Perejil, que fica somente a 250 metros da costa marroquina, são reivindicadas pelo Marrocos, mas a Espanha mantém sua soberania. Cento e dezesseis quilômetros quadrados de Cuba são ‘alugados’, na baia Guatánamo, pelos Estados Unidos desde 1903. Um acordo de 1934 dispõe que o ‘aluguel’ (4.085 dólares por ano, que o governo cubano recusa os cheques) pode terminar de acordo com as partes. Cuba quer, os americanos, não.

    Em 1983, o General Galtiere, Chefe da Junto do governo, atacou militarmente as Malvinas. Baixas de 600 argentinos e 200 ingleses, e afundado o destróier argentino Belgrano. Os argentinos que haviam reconquistado parte da ilha são expulsos pelas forças inglesas. A maioria dos países latinos americanos se mostrara favorável à Argentina, exceção do Chile, então com o ditador Pinochet, e a Colômbia. Os Estados Unidos apoiaram os ingleses. Mas, ao mesmo tempo todos os países estavam convencidos que a guerra não resolveria o problema, principalmente num enfrentamento militar com a Inglaterra.

    O Império britânico já mandou muito no mundo. Ocupou a Índia e outros países asiáticos. Mesmo com o Brasil tivemos no passado a famosa questão Christie, que começou com a prisão de marinheiros ingleses bêbados, no Rio de Janeiro, em 1862 e, em retaliação, a frota inglesa apreendeu navios brasileiros. D. Pedro II rompeu relações diplomáticas com a Coroa britânica. Resoluções da ONU concorreram pra o desmantelamento do colonianismo na África e na Ásia.

    Na América do Sul restavam as Guianas francesa, inglesa e holandesa. As soluções foram diversas, a Guiana inglesa se tornou independente com o nome de Guiana, a holandesa, com o nome de Suriname, e a francesa, numa artimanha legal, virou um ‘Departamento’, isto é território francês. Sobraram as Ilhas Malvinas.

    Por sua situação geográfica as Ilhas Malvinas gozam de um valor estratégico todo especial, pois distam somente 940 km do continente Antártico. Sua população é pequena, de 3.000 habitantes, a maioria ingleses, com direito à cidadania e passaporte britânicos. A exportação de lã, os direitos sobre a pesca nas águas territoriais, o turismo e cruzeiros marítimos constituem excelente receita para o governo. A renda per capita atinge cerca de 25.000 dólares. Trinta mil turistas visitam a ilha anualmente.

    Desde tempos tanto os ingleses como os argentinos estavam certos de grandes reservas de óleo nas águas das Malvinas. Argentina e Inglaterra haviam acordado que o assunto da exploração dessas reservas não poderia ocorrer enquanto houvesse a disputa. Mas, uma companhia inglesa, de pequeno porte, iniciou a perfuração com a plataforma Ocean Guardian. O Governo de Buenos Aires reagiu e busca o apoio das Nações Unidas, da OEA, e de todos os países amigos. Na reunião de Cancún dos presidentes da América Latina e Caribe a Argentina recebeu total apoio pela soberania das Malvinas. A disputa continua.

    26-02-2010 00:00:00

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  • A disputa continua

    As ilhas Malvinas, distam 480 km da costa argentina, a ilha de Fernando Noronha fica a 345 km do Cabo de São Roque e 500 km do Recife. Fernando Noronha, no Atlântico, tem uma história um pouco parecida com as Malvinas. Foram muitas tentativas de ocupação por parte de ingleses, franceses e holandeses. Mas, já antes de nossa independência a coroa portuguesa erguera fortes na ilha, assegurando sua posse definitiva. Já nas Malvinas, depois da ocupação por vários países, em 1763, Louis-Antoine de Bougainville, misto de empresário, militar e escritor, fundou a colônia de 150 pescadores franceses (o nome vem do francês Malouines). Mais tarde negociou a venda da colônia à coroa espanhola. Com a independência da Argentina em 1810 se tornou território argentino. Em 1831 a corveta da marinha americana Lexington, a título de defender interesses de pesqueiros americanos, destruiu a base argentina. Os ingleses se aproveitaram da falta de defesa da ilha para ocupá-la em 1833 e nunca mais saíram.

    Interessante notar que a Inglaterra se mantém firme em Gibraltar e não há possibilidade de sua devolução à Espanha, pois a cessão pela coroa espanhola foi por tempo indeterminado. Por outro lado, na norte da África as cidades de Ceuta e Melilla e mais a ilha Perejil, que fica somente a 250 metros da costa marroquina, são reivindicadas pelo Marrocos, mas a Espanha mantém sua soberania. Cento e dezesseis quilômetros quadrados de Cuba são ‘alugados’, na baia Guatánamo, pelos Estados Unidos desde 1903. Um acordo de 1934 dispõe que o ‘aluguel’ (4.085 dólares por ano, que o governo cubano recusa os cheques) pode terminar de acordo com as partes. Cuba quer, os americanos, não.

    Em 1983, o General Galtiere, Chefe da Junto do governo, atacou militarmente as Malvinas. Baixas de 600 argentinos e 200 ingleses, e afundado o destróier argentino Belgrano. Os argentinos que haviam reconquistado parte da ilha são expulsos pelas forças inglesas. A maioria dos países latinos americanos se mostrara favorável à Argentina, exceção do Chile, então com o ditador Pinochet, e a Colômbia. Os Estados Unidos apoiaram os ingleses. Mas, ao mesmo tempo todos os países estavam convencidos que a guerra não resolveria o problema, principalmente num enfrentamento militar com a Inglaterra.

    O Império britânico já mandou muito no mundo. Ocupou a Índia e outros países asiáticos. Mesmo com o Brasil tivemos no passado a famosa questão Christie, que começou com a prisão de marinheiros ingleses bêbados, no Rio de Janeiro, em 1862 e, em retaliação, a frota inglesa apreendeu navios brasileiros. D. Pedro II rompeu relações diplomáticas com a Coroa britânica. Resoluções da ONU concorreram pra o desmantelamento do colonianismo na África e na Ásia.

    Na América do Sul restavam as Guianas francesa, inglesa e holandesa. As soluções foram diversas, a Guiana inglesa se tornou independente com o nome de Guiana, a holandesa, com o nome de Suriname, e a francesa, numa artimanha legal, virou um ‘Departamento’, isto é território francês. Sobraram as Ilhas Malvinas.

    Por sua situação geográfica as Ilhas Malvinas gozam de um valor estratégico todo especial, pois distam somente 940 km do continente Antártico. Sua população é pequena, de 3.000 habitantes, a maioria ingleses, com direito à cidadania e passaporte britânicos. A exportação de lã, os direitos sobre a pesca nas águas territoriais, o turismo e cruzeiros marítimos constituem excelente receita para o governo. A renda per capita atinge cerca de 25.000 dólares. Trinta mil turistas visitam a ilha anualmente.

    Desde tempos tanto os ingleses como os argentinos estavam certos de grandes reservas de óleo nas águas das Malvinas. Argentina e Inglaterra haviam acordado que o assunto da exploração dessas reservas não poderia ocorrer enquanto houvesse a disputa. Mas, uma companhia inglesa, de pequeno porte, iniciou a perfuração com a plataforma Ocean Guardian. O Governo de Buenos Aires reagiu e busca o apoio das Nações Unidas, da OEA, e de todos os países amigos. Na reunião de Cancún dos presidentes da América Latina e Caribe a Argentina recebeu total apoio pela soberania das Malvinas. A disputa continua.

    26-02-2010 00:00:00

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  • TELEGUIADOS

    O mineiro Alberto Santos-Dumont inventou o avião. Não importa que outros digam que um americano voou antes dele, se foi, não voou do chão, usou uma catapulta. Santos-Dumont devia ser um gênio e além de ganhar os maiores prêmios sobre dirigíveis., voar com seu 14-Bis, ainda inventou o relógio de pulso. Encomendou à fábrica Cartier um relógio que lhe desse liberdade de usar as duas mãos, que não fosse guardado no bolso do colete. Além de engenheiro, grande mecânico, dispunha de recursos suficientes para financiar, sozinho, seus inventos.

    Muitos foram os pioneiros da aviação. Veio a chamada Primeira Guerra Mundial. O avião virou arma de guerra, transportando as bombas a serem atiradas sobre os exércitos e cidades inimigas. Nos combates aéreos os aviões utilizavam metralhadoras. Um dos grandes heróis da guerra foi o alemão Von Richthofen, cognominado “O Barão Vermelho”, com 80 vitórias sobre aviões ingleses e franceses antes de ser abatido. Tornou-se uma lenda.

    A história continua. Na II Guerra Mundial os “Zero” japoneses  arrasam a base naval americana de Pearl Harbor. Mais tarde os americanos se vigam e de seus grandes bombardeiros atiram bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, destruindo as cidades, matando milhares de civis japoneses. Em todas essas operações o elemento principal foi o homem, o piloto ou os pilotos dos aviões. Era preciso coragem, era a luta, o enfrentamento.

    Mas desde a chamada Guerra do Vietnam apareceram os pequenos aviões sem piloto para vôos de reconhecimento, espiões aéreos das operações de guerra contra os vietcongs. A tecnologia se expandiu e, além dos Estados Unidos, outros países investiram forte na criação do que então passou a ser chamado em inglês de UAV, abreviação de veículo aéreo não-pilotado. Receberam o cognome de “drone”, zangão em inglês, o macho da abelha,que tem a única função de fertilizar a rainha e se alimenta do mel produzido pela colméia. Assim, “drone” lembra parasita, explorador.

    Hoje em dia há centenas ou milhares de tipos desses aviões sem piloto. Seu custo é até de vários milhões de cruzeiros, podem pesar desde alguns poucos até centenas de quilos, pequenos em tamanho ou quase com a envergadura de um avião de caça. Os tipos de propulsão são os mais variados e se mantêm no ar por horas e mesmo por dois e três dias. São dirigidos e acionados à distância e carregam bombas. O país das aeronaves militares são identificados pela insignia, já os “drones” não levam qualquer identificação.

    Os ataques a bombas com aviões não pilotados, no Afeganistão, contra o taliban são controlados numa simples tela por dois soldados, comodamente sentados em poltronas, numa base em solo americano, a muitos  milhares de quilômetros de distância, como num jogo de computador. Mas não se trata de vídeo game, é jogo de guerra, guerra de verdade, aldeias são destruídas,e os mortos, além dos militantes, inocentes civis.

    No futuro talvez o piloto de caça e de bombardeio venha a desaparecer, substituído pelo avião teleguiado. Já nos Estados Unidos a preparação de novos pilotos da força aérea diminuiu. O avião sem piloto tem mais uma vantagem sobre o pilotado: em caso de apreensão pelo inimigo não há prisioneiro. Com isso muitos e muitos problemas de ordem diplomática e militar deixam de existir. O país que envia seus aviões não tripulados para bombardear sítios terroristas em qualquer outro país, depois cinicamente nega ser o autor da operação. Como pode ser acusado? Que prova? Os aviões não têm identificação.

    As informações dos serviços de inteligência nem sempre são precisos ou confiáveis. Um caso clássico foi em 1999 quando aviões americanos pilotados bombardearam a Embaixada da China, em Belgrado, baseados na informação do serviço secreto americano que era um prédio de depósito de armas do  exército sérvio. Causou sério problema diplomático.

    Segundo o governo do Paquistão somente em 2009 foram realizadas 44 ataques a redutos do taliban por “zangões” americanos, com setecentos mortos, 90%  civis paquistanenses. Os heróis de carne e osso de combates aéreos deixarão de existir. Os novos heróis serão os soldados que ficam sentados em poltronas confortáveis comandando os aviões teleguiados. Como reagiria Santos-Dumont com essa notícia?

    05-02-2010 00:00:00

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