Região dos Lagos e Norte Fluminense

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Sábado , 04 de Feb 2012
  • Bombas lá e cá

    Um artigo do jornal americano The Wall Street Journal  vem confirmar que não podemos ter muitas esperanças de um ano chinês  do Dragão pacífico, ou melhor, sem mais uma guerra.  As forças aéreas americanas estão equipadas com as chamadas “bombas de destruição de bunkers”, com 6 metros de comprimento e contendo duas toneladas de explosivos,com a peculiaridade de poder penetrar até 60metros no solo onde forem lançadas e explodirem somente depois.  Segundo o jornal essas bombas não seriam, entretanto, capazes de arrasar determinadas instalações de pesquisas nucleares iranianas que se encontram enterradas nas montanhas e em construções super-fortificadas.  Os Estados-Unidos já forneceram também um número não especificado destas bombas para Israel e para nenhum outro aliado.
    As tensões geopolíticas entre Washington e Teerã não têm fim. O Presidente Obama em sua mensagem ao Congresso recentemente disse: “Não há dúvida: a América está decidida a evitar que o Irã obtenha armas nucleares e eu não hesitarei em atingir esse fim.” Irã nega que esteja tentando desenvolver armas nucleares, que seu programa é para fins pacíficos.
    O Pentágono encomendou à companhia  Boeing para desenvolver uma super-bomba de “destruição de bunkers” ainda mais poderosa e capaz de destruir completamente as instalações militares, tanto do Irã como da Coréia do Norte. Foram gastos 330milhões de dólares na fabricação de vinte super-bombas, com sofisticada tecnologia, que pesam, cada uma, 15 toneladas (15.000 quilos ou o equivalente a 15 automóveis, já que um carro médio pesa cerca de 1.000 quilos).
    Mas a história não ficou aí, os militares americanos chegaram à conclusão que essa super-bomba não obteria os resultados desejados e requereram mais 82 milhões de dólares para torná-las ainda mais eficientes.
    Felizmente não precisamos em Búzios de super-bombas . Mas até que não seria mal uma bomba pequena, atirada de um helicóptero no monstrengo que está sendo construído na praça da Rua Pau Brasil, no bairro Bosque de Geribá.  (As ruas do Bosque foram batizadas com nomes de árvores por lei de Otavio Raja Gabaglia, então vereador na Câmara Municipal de Cabe Frio, antes da emancipação) .  No terreno existia uma pequena casa que foi destruída e agora, no seu lugar, a companhia Engeluz iniciou a construção um grande depósito. Ora, os terrenos do bairro se destinam exclusivamente a moradias, sendo proibidos  estabelecimentos comerciais. Além disso ainda há evidentemente ilegalidade  na construção por ocupar toda a área do terreno de 600m². O tráfego  de caminhões traria desconforto à vizinhança.
    Logo no início da construção, em setembro do ano passado, solicitei a autoridades municipais providências contra a construção do depósito em área exclusivamente residencial. O jornal Primeira Hora  publicou carta minha, na seção Teclado do Leitor, sobre a ilegalidade da obra. Em fins do ano, a obra, depois de erguidas as paredes externas, foi interrompida. Pensei que finalmente teria sido embargada, as obras voltaram agora à atividade com a instalação de uma larga porta dupla. Espero que a obra de construção do depósito seja embargada definitivamente e mesmo a parte construída seja demolida.
     Uma parte do Bosque de Geribá teve suas ruas pavimentadas no governo anterior. A Presidente da AMOBOSQUE (Associação dos Moradores do Bosque de Geribá), Terry Melgaço Schischiptoroff, não descansou enquanto a Prefeitura não  completou as obras nas ruas restantes, o que agora finalmente está sendo executado.  Mas ainda muita coisa falta: limpeza e conservação das áreas verdes. É lamentável que muitos moradores não colaborem com a limpeza e mesmo sejam responsáveis por jogar lixo em terrenos vazios.
    Recentemente um jornal carioca publicou reportagens pouco simpáticas sobre Búzios.  As críticas foram interpretadas como uma campanha contra esta cidade de que sou morador desde 1984. Críticas têm de ser bem vinda, se bem intencionadas. Búzios continua como características uma cidade medieval, sem calçadas para pedestres e iluminação pública deficiente. 
     

    04-02-2012 00:00:00

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  • O ano do Dragão

    Pelo calendário lunar chinês no domingo,  dia 22, se inicia o  ano de 4710, o ano do Dragão.  Os anos chineses são dominados por um animal, com exceção do dragão, venerado e respeitado na China por milhares de anos. Representa poder e sabedoria e sua figura se compõe de um tigre, um peixe,  uma cobra  e uma águia.  O ano chinês é comemorado na maioria dos países asiáticos com grandes festividades e em geral com dois dias feriados. Até o governo das Filipinas, país de tradição cristã, decretou feriado o dia de entrada do ano lunar chinês.
    A China vem sofrendo uma transformação semelhante, ou mesmo maior, que o Japão com a era Meiji.  A guerra da Coreia constituiu indiretamente uma grande ajuda para transformar o país na potência industrial de hoje, servindo de base de apoio para o fornecimento das necessidades militares americanas.  Naquela época não havia a facilidade como hoje como o transporte aéreo em grande escala.
    Os Estados Unidos são igualmente responsáveis pela renascimento da China como grande potência industrial  As grandes companhias  americanas passaram a fabricar seus produtos na China e  se tornaram os melhores   vendedores de produtos chineses, representando 70% das exportações chinesas.  China e Formosa são os maiores produtores e montadores de microchips, computadores e equipamentos eletrônicos. O nível de vida na China em menos de um século executou um impressionante pulo, no lugar dos riquixás, transporte humano puxado por chinês de rabicho, hoje os chineses dirigem os grandes e luxuosos automóveis. O chinês que antes emigrava, hoje virou turista, a ponto que 31 milhões viajaram para o exterior loteando os hotéis do Japão e da Coréia e mesmo se estendendo aos Estados Unidos, e Europa.
     A China é  importante exportadora  minerais raros hoje de grande importância para a alta tecnologia.  Por outro lado, a Bolívia é produtora de lítio e o Brasil responde por 92% da produção mundial de nióbio. Temos de estar atentos à pressão internacional  pelo nióbio  da  Rondônia, pois nos falta uma estrutura de defesa de nossos minerais raros como a China.
    “O projeto geopolítico e geoeconômico chinês está transformando a África e  parte da Ásia do Sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias primas”, escreve Carlos Lessa,  ex-presidente do BNDES.
    A  China anos atrás comprou um porta-aviões da Rússia, hoje transformado em cassino ao largo de Macau. Adquiriu um segundo, Varyag, também russo, para reformá-lo, desistiu.  Finalmente decidiram construir o seu primeiro porta-aviões inteiramente revolucionário  em sua concepção tecnológica, o que causa preocupação aos americanos, que, por sinal, possuem onze porta-aviões.
    Seu exército de 2,3 milhões de soldados é o maior do mundo, embora seus gastos militares sejam, se comparados com os dos Estados Unidos, relativamente modestos, somente  1/6 do orçamento militar americano.. Naturalmente o governo americano não vê com bons olhos desenvolvimento militar chinês, que até agora ficara restrito à área econômica. O sonho da política externa americana era o de tornar Formosa (Taiwan) econômica, social e militarmente forte a fim de reconquistar  uma China continental capitalista. Mas o que está acontecendo é exatamente o inverso, incremento de relações de Beijing e Taiwan e maior aproximação.
      Por outro lado  a  Índia acaba de arrendar por dez anos , pelo a valor de 1 bilhão de dólares, um submarino nuclear russo de 8.000 toneladas  que batizado com o nome  de INS Chakra II, juntando –se assim  o país ao restrito número de marinhas com submarinos nucleares (Estados-Unidos, França, Russa, China e Inglaterra).  Dispõe de mísseis que podem atingir o continente americano e recentemente anunciou o voo do J-20, um caça que não detectável pelo inimigo.
    Assim, o ano do Dragão promete novidades no cenário internacional e novas perspectivas para o mundo asiático.
     

    28-01-2012 00:00:00

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  • Bachianas

    Perdemos mais um grande pianista, Roberto Szidon, aos 70 anos, faleceu em Düsserdorf, na Alemanha. Assisti seus concertos de piano na Cidade do Cabo, na África do Sul, e anos depois em Berlim. Mas sua figura, sua personalidade e sua arte, essa não me esqueço. Para o pessoal de agora talvez não seja importante, hoje encontramos brasileiros por toda parte, na Antártica, onde temos uma base naval, e  talvez também no Polo Norte. Brasileiros legais e ilegais, turistas, industriais, empresários, estudantes, uns fazendo mestrado, outros fingindo que estudam, turistas fazendo compras de tudo que vêm na frente e artistas.
    Anos atrás não era assim, era sempre agradável surpresa encontrarmos um turista ou qualquer brasileiro. Hoje somos globalizados, somos já uma população que vai para os duzentos milhões, antes os turistas estrangeiros vinham ao  Brasil, agora os brasileiros vão para o estrangeiro.
    Durante os trinta anos que vivi fora do país conheci e acompanhei muitos pianistas, pintores , toda uma gama de artistas. Lembro-me de ter levado a percorrer Belgrado, o maestro Eleazar de Carvalho e esposa, numa “vitória”,  carro a cavalos, como os de Paquetá. O concerto fora na véspera, sucesso estrondoso do primeiro maestro brasileiro a reger no país então comunista, presidido pelo Marechal Tito.
    Jacques Klein esteve mais de uma vez na Cidade do Cabo. Grande pianista de quem ficamos muito amigos. Naquela época a África do Sul vivia sob o regime do  apartheid e alguns artistas recusavam os convites para tocar no país.  Turibio Santos realizou uma turnê com seu violão. O mais simpático concerto foi em no aconchegante sala forrada de madeira, na Universidade de Stelembosh, de maravilhosa acústica.
     Em Berlim lembro-me que a pianista Cristina Ortiz, terminado o concerto, me implorou para irmos rápido para um restaurante, dizia ela que depois de tocar ficava com uma fome voraz. Merece referência a belo-horizontina  Mariluce Baeta que estudava canto em Berlim. Grande divulgadora da música erudita brasileira. Deu um concerto, financiando seu marido o aluguel da sala, que recebeu uma interessante crítica em Der Tagespiegel. O crítico alemão escrevera que era a primeira vez que ouvira Carlos Gomes e que fazia sua mea culpa como alemão por desconhecer o compositor com uma obra de tanto valor.
    Fui testemunha de uma curiosa situação com o Maestro Heitor Villa-Lobos. Fora convidado para participar do juizado de um concurso de piano no México, em 1959.  Nunca havia estado no país. Em sua homenagem foi organizado um concerto de suas obras, com a orquestra nacional mexicana, no Palácio de Belas Artes. Como encarregado do setor cultural da nossa Embaixada, acompanhei o Maestro nessa noite. O concerto foi um grande sucesso.
    Findo o concerto e os aplausos, juntamente com Dona Arminda, a ex-aluna e esposa do Maestro, encontrava-me no camarim do teatro. Villa-Lobos entrou segurando como de hábito entre os dedos o charuto.  A seguir batem na porta, fui atender, era o Embaixador da então chamada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Falando em francês dirigiu-se a Villa- Lobos  e, depois da apresentação, disse que recebera instruções de seu governo para convidá-lo a visitar a Rússia e reger concertos. Villa-Lobos, não se fez de rogado, respondendo imediatamente, agradecendo o convite, que se sentia muito honrado, lembrando sua admiração pelos compositores russos, nomeando alguns, mas que no momento não poderia aceitar, pois, para viver ,  contava com a regência de apresentações nos Estados Unidos e que, aceitasse ir à Rússia, os americanos não mais lhe concederiam visto para entrar nos Estados Unidos. O Embaixador respondeu que compreendia a situação, mas que o convite  permanecia de pé para a primeira oportunidade. Era o tempo da guerra fria, do governo Dutra que rompera as relações diplomáticas com a União Soviética.  O mais triste é que Villa-Lobos voltou ao Brasil e pouco depois, em 17 de novembro de 1959, faleceu.
     

    20-01-2012 10:00:00

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  • E nós?

    As eleições este ano para a presidência dos Estados Unidos da América passam a ocupar diariamente as páginas dos jornais do mundo e, naturalmente, também os brasileiros. As atividades diárias dos candidatos lá no país do Norte estão sempre presentes. O país americano permanece como a maior superpotência do planeta. Analistas lembram que o império americano arrasta uma colossal dívida, tentando recuperar o otimismo de alguns anos atrás.
    É difícil para uma nação fazer um exame de consciência dos erros e falhas cometidas. Caso excepcional é o da Alemanha que, derrotada na ultima grande guerra, ainda procura redimir-se das barbaridades cometidas durante o regime nazista. A primeira-ministra alemã hoje vive em contínuos tête-à-tête com seu vizinho, o presidente francês, que esqueceu como a França foi ocupada e espezinhada pelos soldados germânicos há pouco mais de meio século.
    Foi dada a largada da campanha presidencial americana. De um lado Obama o primeiro presidente não-branco a ocupar a Casa Branca. (Lembro-me de minha primeira viagem aos Estados Unidos em 1958 quando os “coloreds” tinham que se sentar nos bancos traseiros dos ônibus e os sanitários nos postos de gasolina eram separados; quando foi transferido para a África do Sul em 1974 voltei a conviver com as placas em trens e banheiros “whites only” e “non-whites”. Pensava que isso tudo era coisa do passado, mas leio que hoje em Jerusalém os judeus ortodoxos se sentam nos primeiros bancos dos ônibus e as mulheres no fundo).  A eleição  de Barack Obama parecia uma abertura e uma nova fase da história do país. Mas pouca coisa mudou.
    A expansão americana é a própria história do país. Em 1899 o Presidente MacKinley proclamou que a invasão  das Filipinas, que resultou na matança de cem mil filipinos, visava  “cristianizar”  e “libertar” o povo  subjugado. Com o passar dos anos o lema foi mudado para “combate ao comunismo” e depois (invasão do Iraque) em “exportar a democracia”. Já somam muitos milhões  de homens, mulheres, velhos e crianças mortas pelas guerras do Vietnam, do Iraque e do Afeganistão.  Enumeram o número de soldados americanos mortos, esquecem as populações inteiras de civis dizimados.
    Dos três candidatos do partido Republicano, dois insistem em manter os Estados Unidos no domínio do mundo mediante seu “complexo industrial militar”. Somente o terceiro, que não tem chances, o ginecologista Ron Paul, foi a voz dissidente, falou em  Paz.
    O Brasil ultrapassou a Inglaterra se tornando a 6ª economia mundial, ficando atrás da Alemanha e França. Nas projeções para oito anos, para 2020, o Brasil manterá a 6ª posição, mas o lugar das  duas economias na sua frente, hoje França e Alemanha, serão ocupadas pela Rússia e Índia. Os países do BRICS exercerão maior poder nas relações internacionais. A Embaixadora Maria Luiz Viotti, última representante brasileira no Conselho de Segurança da ONU, em entrevista a O Globo declarou: “O Brasil tem mostrado uma preferência que coincide com a visão indiana e sul-africana, por soluções negociadas para conflitos. Valorizar a contribuição das organizações regionais como a Liga Africana.” O ex-ministro Jarbas Passarinho, em artigo na Revista do Clube Militar opina: “A China e os Estados Unidos disputarão a primazia econômica nos próximos anos. Correto será uma política de equidistância de ambos, pois são parceiros importantes na importação e exportação. No que tange ao desenvolvimento cultural, o Brasil do futuro imediato deverá voltar-se para incrementar o soft  power, a cultura e a tecnologia essenciais a qualquer poder nacional na era digital de 2050.”
    Seja qual for o próximo presidente americano deverá compreender que o mundo está mudando e que o comportamento do império americano terá de se ajustar à nova situação. O Brasil manterá sua política independente.
     

    14-01-2012 00:00:00

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  • As Nações em 2012

    Em épocas passadas um país, um estado, era caracterizado por três elementos essenciais: território, povo e governo. Neste século 21  essa concepção , base do direito internacional, vem sendo gradativamente alterada, restando como elemento estável o território, mas governo e população vêm sofrendo modificações, consequência, em parte,  d os efeitos da globalização, uma interação no plano econômico, com repercussões no político e uma movimentação do elemento humano como nunca antes ocorreu pela facilidade dos meios de transporte, principalmente a aviação.
    Lemos que os Estados Unidos deportaram no ano passado 400.000 estrangeiros ilegais. Somente esse fato dá uma ideia do que ocorre em todo o mundo, milhões de pessoas mudam de país de residência procurando melhores oportunidades de trabalho ou mesmo sobrevivência, não como os emigrantes do passado, como os portugueses, italianos e espanhóis que emigraram para o Brasil e aqui ficaram adotando o novo país como pátria.
    O emigrante da atualidade muitas vezes é um ‘emigrante temporário’, muitos voltam depois a seu país de origem, ou mesmo mantêm duas residências, a original e a nova. Assim a noção de ‘povo’ também vem sendo alterada. A Alemanha chegou a ter em certa época, por volta de 1970, sete milhões de estrangeiros vivendo em seu território. A ideia de um povo nacional é imperfeita. Esse problema afeta hoje praticamente toda a Europa que, pelo seu alto desenvolvimento econômico atraiu gente de todo o mundo. Hoje, com a crise que assola o continente, muitos dos emigrantes vivem em uma situação de difícil saída.
    A transposição humana pode levar certos países a perder parcialmente sua identidade nacional. No futebol ocorre fenômeno semelhante. A antiga tradição de o clube manter seus jogadores é coisa do passado. Os clubes se tornaram empresas comerciais nacionais ou internacionais, o jogador não mais defende a camisa, mas quem pagar melhor. A mudança de time não é mais somente dentro da mesma cidade, do mesmo estado ou do mesmo país, hoje a troca é internacional. O sentimento de nacionalidade, o conceito de pátria, por essas pessoas que pulam de um país para outro, passou a um segundo lugar, da mesma  maneira como no futebol em que o jogador deixa de ter raízes com o clube onde iniciou sua carreira.
    No século 19 países da Ásia e África foram colonizados por nações europeias. Deixaram suas marcas nos países africanos e muitos adotaram como língua franca o idioma do colonizador. Assim o inglês se tornou língua oficial na Índia, sobrepondo-se às centenas de idiomas locais. Entretanto, isso não ocorreu em todas as colônias, como no caso da Indonésia  em que o holandês  do colonizador, então língua franca nas centenas de ilhas que compõem o país foi substituído por uma língua nacional.
    Desde a II Guerra Mundial novas situações internacionais foram estabelecidas.  A Coréia do Sul abriga por mais de meio século permanentemente 30.000 militares americanos e o Japão, 50.000. O Iraque esteve até agora ocupado por de tropas estrangeiras que ultrapassavam mais de cem mil homens. Mesmo com a retirada dessas tropas permanecerão no país 15.000 ‘contratados’, teoricamente ‘convidados’, mas na realidade mercenários diretamente subordinados  ao Estado Maior americano. Assim, a noção de que três elementos (território, povo e governo) formam a essência de um Estado membro da ONU (Nações Unidas) é teórica ou falsa.
    O Direito Internacional criado aos poucos, por convenções, para reger as relações entre os países, está desmoralizado.  É bom lembrar que, apesar do Presidente americano de então, Woodrow Wilson, ter sido um dos impulsores da chamada Sociedade (ou Liga) das Nações criada depois da I Guerra Mundial, os  Estados Unidos ficaram de fora. Com o fim da  II Guerra Mundial os Estados Unidos impulsionaram a criação da ONU, mas inventou o veto por parte das  cinco nações com cadeiras cativas no Conselho de Segurança-democrática, pelo controle das cinco potências aliadas com assento permanente no Conselho de Segurança. A ONU é  pouco democrática.
     

    07-01-2012 00:00:00

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  • Um conto de Papai Noel

    Papai Noel é a figura mais querida em todo o mundo.  Um velho, sorridente, de grandes bigodes, barba branca, com chapéu vermelho debruado de branco e envolto numa grossa roupa de lã vermelha. Como transporte usa um trenó puxado por oito renas, antipoluentes, em obediência ao Protocolo de Quioto. As oito renas são fêmeas, pois os machos perdem seus chifres, a galhada, antes do inverno na Lapônia, lá na Finlândia, onde mora com sua mulher. Sempre sorridente, é bastante forte para carregar um grande saco cheio de presentes. 
    No Brasil é Papai Noel, mas em Portugal se chama Pai Natal. Em outros países é Santo Nicolau ou Santa Claus. O bom velhinho traz os presentes no dia de nascimento de Jesus, 24 de dezembro.  Nos países de tradição ortodoxa, como a Rússia, a religião segue o antigo calendário Juliano e o Natal é festejado no dia 7 de janeiro.
    O Natal vai mudando com o passar dos tempos. Os cartões de Natal eram quase uma obrigação e tinham de ser enviados a tempo para que chegassem antes do día 24. A formula era clássica: “Boas Festas e Feliz Ano Novo”,  mesmo traduzida em outras línguas. Bom negócio para papelarias e trabalho insano para os correios. Veio a internet e no lugar dos cartões impressos as mensagens viraram virtuais. Menos trabalho, nada de ter de comprar o cartão, assinar, escrever endereço, selar e jogar na caixa do correio.  Deixamos de exibir no alto do móvel na sala todos os cartões recebidos, de parentes, amigos e do comércio. Não sei mesmo se um dia o selo vai desaparecer, receber uma carta é coisa rara.
    A árvore de Natal no canto do salão exibia bolas e algodão representando neve, mais velas.  Hoje são todas eletrificada, árvores de Natal das cidades viraram cones, decoração  variada,  milhares ou milhões de lâmpadas. De árvore nada ficou, nem galhos nem folhas. Mas muitos efeitos, criatividade e muita luz.

    Papai Noel é bem informado: para vir ao Brasil achou perigoso viajar só com seu trenó de oito renas

    Quando Santa Claus ou Papai Noel, apareceu lá no Ártico o mundo era mais calmo. Nenhuma história de assalto ao enorme saco que o velhinho trazia no seu trenó, cheio de brinquedos e por vezes até de jóias preciosas. Assaltantes do passado deixaram o velhinho em paz. Mas hoje a situação é diferente. Foram inventadas organizações terroristas como  Al Qaeda e máfias, além da tradicional italiana, agora temos mais a israelense e a russa. Também não existiam paraísos fiscais ou contas secretas em bancos suíços. Foram inventados os seguranças, palavra mais elegante que os antigos ‘guarda-costas’. Todo político, senador, deputado e afins, prefeitos,  juízes e desembargadores, ninguém ousa colocar  os pés fora  de casa sem ser acompanhado por um ou dois seguranças e seu automóvel ser seguido por outro, sempre preto. Qualquer cidadão que se considere importante também só sai rua acompanhado por um ou dois guarda-costas.
    Papai Noel é pessoa bem informada. Para vir ao Brasil achou perigoso viajar com seu trenó de oito renas, poderia ser assaltado e ter seu saco de presentes roubado.  Adotou o sistema brasileiro: seu trenó será  acompanhado por mais dois outros trenós, também puxados por renas especialmente escolhidas e treinadas, cada um com dois seguranças armados. A diferença é que os dois seguranças não trajam os tradicionais ternos pretos, mas de cor vermelha para dar a impressão de serem seus auxiliares. As crianças brasileiras podem ficar descansadas: seus presentes vão chegar direitinho. Façamos votos que para o Natal do próximo ano, em 2012, Papai Noel não necessite mais de guarda-costas.
     

    23-12-2011 00:00:00

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  • RQ-170 x U-2

    O Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, é autor de um projeto contra estrangeirismos na língua portuguesa. O veículo aéreo não tripulado é chamado nos Estados Unidos de “drone”, isto é zangão.   Aqui foi criado o termo “vant”, mas não pegou, a imprensa  se referiu como  “drone” a captura de um pelo Irã.
    Cada vez são mais freqüentes notícias sobre vants. Na semana passada causou sensação o vídeo exibido pelo governo iraniano mostrando o drone americano capturado.  As primeiras notícias sobre sua captura fora motivo de dúvida. Imediatamente Washington alegou que se tratava de um drone que voaria sobre o Afeganistão e ficara fora de controle. Teerã esperou pela explicação americana para então exibir o vídeo  do vant  RQ-170 Sentinel americano,  abatido, acusando os Estados Unidos de espionagem área. Nenhuma novidade, o estoque americano é de mais de dois mil drones, para fins militares, mas igualmente a ser serviço de inteligência, CIA. Não era segredo de que seus aviões não tripulados sobrevoam pontos de interesse. Antes a espionagem do ar era feita por satélites, hoje por drones, como comprova o capturado.
     No tempo da guerra fria a espionar o vasto território soviético era o principal objetivo dos aviões U-2 (isso há cinqüenta anos, em 1960) imunes ao radar.  Os russos, no tempo de Khrushchev, abateram  um U-2 .Os americanos alegaram que se tratava de um avião da NASA em pesquisa  atmosférica.  Os russos esperaram uma semana e então bombasticamente Khrushchev fez a revelação: o piloto do avião espia Gary Powers tinha pulado de para quedas  e feito prisioneiro. Os americanos tiveram que meter o rabo entre as pernas.  O piloto Powers foi condenado, mas depois de cumprir pena de um ano foi trocado por um espião soviético preso nos Estados Unidos.  U-2 virou nome de bandas de rock.
    Com o Irã se repete a mesma estória: o porta-voz  americano declarou que um RQ-170 fugira do controle quando sobrevoava o Afeganistão.  Ora, um vant sem controle caindo em terra ficaria despedaçado. Os iranianos mostraram o drone aparentemente em perfeito estado, ocultando, entretanto, o trem de aterrissagem. Como poderia ter caído sem se despedaçar? Uma explicação seria que os iranianos teriam recebido dos russos ou dos chineses uma tecnologia  muito avançada destinada a interferir no controle dos drones americanos  e ainda fazê-los descer ao solo,  cibertecnologia militar. Os dois países não mantêm relações diplomáticas e a declaração de Obama que já foi feito pedido para a restituição do drone RQ-170 deverá ficar sem resposta.
    O clima está confuso.  As acusações contra o Irã se acumulam dia a dia. Alguns observadores lembram que a situação tem alguma semelhança com o ataque japonês a Pearl Harbor, exatamente há 70 anos. Naquela época Washington queria entrar na guerra, mas o Presidente Roosevelt havia prometido que só declararia guerra ao Eixo e ao Japão se seu país fosse atacado.  Provocaram o Japão de todas as maneiras até que a  aviação nipônica  bombardeou Pearl  Harbor. Analistas de hoje comparam a situação de então com a atual: o governo americano  vem provocando o Irã de todas as maneiras, ameaças e bloqueios econômicos. O Irã, antiga Persia,  tem  uma longa história de relações diplomáticas de altos e baixos com os Estados Unidos, diferente do Japão.
     Três vants de fabricação israelense  estão sendo usados  no Brasil para a fiscalização das fronteiras  no combate ao contrabando e às drogas. Nos Estados Unidos até mesmo a policia do estado de Dakota do Norte e da cidade de Los Angeles já utilizam drones em ações contra criminosos, que assim  passam  a constituir uma segunda vigilância além  das câmaras nas ruas.
     

    17-12-2011 00:00:00

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  • A bandeira e as telhas azuis

    Depois de atingir o topo da estrada, a 1400 metros, inicia-se a descida de curvas e curvas no asfalto ainda novo da RJ-163 para chegar a Visconde de Mauá.   Já na descida se avista um telhado grande e uma dezena de telhados menores de um azul carregado. Como ceramista identifiquei de imediato pelo brilho que as telhas não eram pintadas, mas esmaltadas, possivelmente fabricadas em olarias do sul país.
    O conjunto pertence uma pousada com chalés de arquitetura original e moderna, mas todos com lustres de cristal, uma paixão do proprietário e razão do nome do local. Desde os tempos que morei no oriente sou apaixonado pelos telhados verdes coloridos de templos xintoístas, de palácios antigos e de telhados de telhas coloridas de algumas catedrais européias centenárias. Assim, o azulão daquelas telhas vidradas me encantou.
    Os chalés da pousada eram amplos e de uma arquitetura funcional e moderna e ainda  com lindos lustres de cristal, uma paixão dos proprietários, como vim a saber depois.
    Mas a grande surpresa foi encontrar no meio do jardim um alto mastro de uns cinco metros de altura de onde flutuava a bandeira brasileira. Em muitos países a bandeira nacional é exibida não só em edifícios públicos, escolas, mas também em casas particulares. Em todo mundo hotéis de classe ostentam a bandeira do país e a dos estrangeiros hospedados.   Mas esta é uma pousada, não um grande hotel. No Pindorama  não imitamos os americanos que exibem  por toda a parte a sua “Star and Stripes” ou os franceses o “tricolore”.
    Num encontro com o proprietário comentei sobre o mastro e a bandeira. Respondeu-me ser um apaixonado por seu país, um nacionalista convicto.  Felicitei-o por sua atitude e por ser talvez a única pousada brasileira a exibir a bandeira. Mas, pedia licença para uma observação:  a bandeira para ficar hasteada  durante a noite deve ser  estar sempre iluminada, assim é o dispositivo legal.  Confessou-me que ignorava, mas ia providenciar um foco. Quanto às maravilhosas telhas de cerâmica vidrada de azul forte eram capixabas, de Vila Velha.
    A lei brasileira determina que edifícios públicos, prefeituras e câmaras municipais hasteiam a bandeira nacional e mais ainda, escolas públicas e particulares, durante o ano letivo, pelo menos uma vez por semana. Em 19 de novembro, o “Dia da Bandeira”, a bandeira é hasteada ao meio dia e arriada às 18 horas, não devendo permanecer hasteada durante aquela noite, mesmo se iluminada.  Creio ser um preceito universal a iluminação da bandeira à noite, embora em alguns países haja o costume da bandeira depois do anoitecer ser colocada a meio pau, como nas ocasiões de luto.  O respeito à bandeira é reverenciado com rigor nas instituições militares, inclusive com o tradicional “Juramento à bandeira”.
    Talvez no passado  a bandeira brasileira fosse habitualmente hasteada  no pátio da escola de manhã e arriada no fim do dia.  Também faz anos, no tempo do rádio, muito antes da televisão os programas começavam às 6 da manhã com o hino nacional e terminavam à meia-noite, novamente com a execução do hino. Hoje o funcionamento da TV é contínuo, vinte e quatro horas diárias, sem interrupção, sem começo nem fim e sem hino.
    Não tive coragem de contar ao nacionalista dono da pousada de Visconde de Mauá que em Búzios no Pórtico onde funciona a Secretaria de Turismo estão instalados três mastros:  o do centro, mais alto, para a bandeira nacional  e os laterais para a estadual e a municipal, mas que parte do ano os mastros exibem as bandeiras hasteadas, mas infelizmente nem sempre. Por vezes passam semanas e semanas e os três mastros permanecem sem as bandeiras, nus.  Uma completa irresponsabilidade e falta de respeito.
     

    10-12-2011 00:00:00

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  • O balão de borracha

    Nas festas infantis enchemos a casa com balões de borracha de todas as cores: vermelhos, azuis, amarelos e tudo mais.  Mas temos de soprar para encher os balões, soprando pouco ficam murchos, mas por outro lado se enchermos de mais estouram. Parece que os Estados Unidos não sabem disso, foram enchendo os balões de borracha que com ar além de sua capacidade de expansão, estouraram. A solução que encontraram, não foi como devia encher o balão até sua resistência, mas não passar disso, não, criaram balões maiores que assim contêm mais ar, podem ser enchidos com mais força não devendo estourar.
    Ora o ar é coisa barata, nada custa, balões maiores ficam mais bonitos nas festas infantis. Vamos fabricar balões maiores e enchê-los. Qualquer pessoa que vive à custa do salário que recebe no fim do mês sabe que tem de encher seu balão de borracha com ar, mas não deixá-lo explodir. Então tudo vai bem. Quando se gasta demais, além da entrada (salário) o balão explode. É a coisa mais elementar. Ora, os governos funcionam da mesma maneira, coletam impostos, isto é o salário deles, mas sabem que não podem gastar mais do que arrecadaram. Se passarem do limite têm de ir buscar emprestado e ficam devendo.  O trabalhador hoje em dia tem seu cartão de crédito, o que facilita as compras e vai comprando, mas no fim do mês ao receber a fatura vê que não dá para pagar.  Aí vai empurrando com a barriga. Mas há uma coisa ruim que se chama juros. O ar que não coube dentro do balão de borracha vai aumentando sozinho. A solução seria obter um balão maior, aumentar o salário, mas isso não dependendo do trabalhador. No final o balão explode.
    Lemos que a Grécia explodiu seu balão de borracha. País pequeno, antigo e que nos dá lições de filosofia antiga. Que diriam aqueles velhos como Sócrates e outros filósofos de outro que soubessem que o país tinha ido à bancarrota? Verdade é que em seu tempo tudo era diferente. Não havia essa economia globalizada nem bancos internacionais. E outros países europeus já foram obrigados a apertar os cintos.
    Houve época em que o governo brasileiro recorria aos bancos ingleses para financiar suas dívidas.  Isso acabou. Inventaram  Banco Internacional e o Fundo Monetário Internacional, tudo uma ação entre amigos.  Faz meio século que os Estados Unidos criaram a “Ação para o progresso” visando ajudar economicamente a América Latina. Foi muito bonito na época. Então o tesouro americano imprimia seus dólares, mas havia o chamado lastro de ouro.  No dia em que a moeda não valesse o valor impresso no papel, então o país poderia garantir que enviaria o ouro. A França pediu aos Estados-Unidos o pagamento da dívida americana  em ouro, mas nada foi enviado. Também corre a história de que os Estados Unidos mandaram ouro para ao China, em pagamento da dívida externa, mas que seriam barras de tungstênio revestidas de ouro.
    Hoje o grande dilema é que os Estados Unidos persistem em dizer que ao dólar continuará a ser a moeda internacional a mandar no mundo, mas ao mesmo tempo continuam a imprimir milhões de notas novas.  Realmente é tempo de uma faxina nas finanças mundiais. Mas ainda hoje tudo é denominado pelo império americano.  As Nações Unidas nasceram capenga com um poderoso Conselho de Segurança com países com cadeiras cativas e direito de veto, uma organização pouco democrática. Mas ao grupo que segura a bola não interessa perder suas regalias.
     

    03-12-2011 00:00:00

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  • O Petróleo é nosso

    Já vão  uns setenta anos que o  país inteiro foi envolvido pela frase “O Petróleo é nosso”.  Na época passamos a viver com a idéia de que o desenvolvimento do país  estaria garantido com a descoberta de petróleo em território nacional, mas em mãos  dos próprios brasileiros.  A  grande esperança foi confirmada quando jorrou petróleo do poço em Lobato, na Bahia. 
    Já estava confirmado que o continente sul-americano produziria  petróleo. A Argentina já  havia conseguido a primeira exploração. Em 1935 estourara a chamada Guerra do Chaco quando a Bolívia tentara conquistar um pedaço de território paraguaio que teria petróleo.
    Monteiro Lobato, o criador de Emília, de Pedrinho, de Dona Benta, da Tia Anastácia, do Sitio do Pica Pau  Amarelo  e do Visconde de Sabugosa era um grande nacionalista e entusiasta da campanha do “Petróleo é nosso”.  Seu livro O Poço do Visconde  visava despertar nas crianças o interesse pela campanha. Curiosamente o petróleo foi descoberto num lugar com seu próprio nome.
    Muita gente se envolveu na campanha.  Lembro-me do pai de um colega da Faculdade, o Coronel Arthur Carnauba  — em sua casa não se falava em outro assunto.
    John Rockfeller era então o milionário americano mais famoso, com sua fortuna feita na base do chamado “ouro negro”.  O petróleo extraído de solo americano abastecia o mercado As companhias americanas já exploravam o petróleo em outros países, mas o povo americano não imaginava que anos mais tarde ficariam dependentes da importação de óleo estrangeiro, da Venezuela ou da Arábia Saudita,  e que iriam ocupar um país com o Iraque por causa do petróleo ou da Venezuela
    O  Brasil dependia totalmente da importação de gasolina e derivados do petróleo. A Petrobrás não era nascida. Também não se sonhava que o Estado do Rio seria o estado mais importante na exploração do petróleo com a bacia de Campos e agora com o pré-sal. Imaginava-se  é que no Amazonas poderia haver muito petróleo ou no Nordeste. Óleo fluminense, não se cogitava, nem capichaba.
    Depois de tantos anos passados temos agora de voltar à  legenda antiga “O Petróleo é nosso”, não em caráter nacional, mas nós, fluminenses  e também nós, buzianos.  Minas Gerais lucra com a exploração e exportação de seus minerais, mas nunca se inventou que teria de distribuir os lucros da exploração de seu ouro, de seus minerais de suas pedras preciosas com o resto da federação.  Mas agora, um estado que nem  mar tem, quer participar dos lucros da exploração do pré-sal.  Todos os estados se consideram agora com direito aos lucros futuros do petróleo extraído da costa fluminense e capichaba. Afinal com que direito?
    Até certo ponto o desastre ambiental agora ocorrido com o vazamento  de poço explorado pela americana Chevron vem  demonstrar que se o Estado do Rio usufrui vantagens  com o petróleo de sua costa, também tem desvantagens. Não se sabe quanto a pesca será prejudicada com o vazamento  e se este pode atingir as praias fluminenses. Está ainda na memória de todos nós o grande desastre ambiental no Golfo do México, com a destruição da fauna marina e também de prejuízos por parte  dos moradores até hoje não ressarcidos pela companhia inglesa BP (British Petroleum).
    Técnicas modernas permitem que o ouro possa ser escavado a dois milhares de metros da superfície. Companhias estrangeiras já iniciaram extração desse ouro em solo brasileiro. Se os Estados do Rio e Espírito Santo deveriam distribuir seus lucros com o futuro pré-sal por todos os estados da federação, então também os estados que obtiverem lucros extras  com a extração do ouro de seus subsolos igualmente distribuir pelos demais estados. É uma grande confusão. E tem mais: e o nióbio de Roraima. “O nióbio é nosso” tem de ser o lema de hoje.
     

    26-11-2011 00:00:00

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  • Kamikaze e vants

    Na IIª guerra mundial que acabou há mais de 50 anos os pilotos japoneses atiravam seus aviões  “Zero” contra os navios inimigos  e eram chamados de “Kamikaze”- kami, divino, kaze, vento.
    Os “kamikazes” de hoje, nas guerras do Iraque e do Afeganistão, atam bombas ao próprio corpo e as detonam para matar os inimigos, soldados americanos ou da OTAN.  Um dos últimos era uma mocinha, uma adolescente.
    Na IIª Grande Guerra submarinos alemães causaram terrível destruição havendo o Brasil entrado na guerra contra o Eixo pelo afundamento de navios mercantes brasileiros. Quando chefiei a nossa Embaixada em Caracas, na época do Presidente Rafael Caldera, foi realizada uma operação conjunta das marinhas americana, brasileira e venezuelana. No porto La Guaira  desci (pela primeira e única vez) num submarino brasileiro, com minha filha então com  10 anos, que ficara tão encantada pelo submersível  que queria dormir lá. Participava da operação também nosso porta-aviões de então Minas Gerais, que depois virou sucata.
    Nos navios brasileiros se podia jogar cartas, mas era proibido bebidas alcoólicas, já nos americanos, era o contrário; proibição de jogos, mas permissão para bebidas. Assim os americanos vinham jogar nos navios brasileiros e os marinheiros brasileiros iram tomar seu drinks nos americanos.  Ou inverso, não sei, isso foi há muito tempo.
    O cineasta buziano Bo Montenegro tem pronto um roteiro de um filme sobre o afundamento de um submarino alemão nas alturas de Macaé , durante a II Guerra, e espera um financiador para rodar seu projeto.
    Não sabemos se haverá a IIIª Guerra Mundial. Sempre sonhamos que guerras sejam coisas do passado sejam globais ou localizadas. O número de soldados americanos que cometem suicídio é maior que o de mortes nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Toda guerra deixa mortos e veteranos traumatizados. O grande industrial sueco Alfred Nobel deve revirar- em sua sepultura depois que ganhadores do Prêmio Nobel da Paz  (além de uns poucos milhões de dólares), como o Presidente Barack Obama e o Presidente de Israel Shimon Peres, têm por principal preocupação os preparativos para o  lançamento de uma bomba atômica sobre Irã, o que provocaria o início de um conflito de dimensões incalculáveis.
    Nesta coluna já escrevi sobre os “vants”, nome dado ao “veículo aéreo não tripulado”. Se vants constituem uma arma de guerra, no nosso país já três estão em funcionamento vigiando nossas fronteiras, em ação contra o crime organizado, contrabandistas e traficantes de drogas.  Drogas se tornaram um negócio muito lucrativo em todo o mundo passando de pequenos grupos para poderosas organizações com  técnicas empresariais visando o lucro.
    Israel, além de dispor de mais de 400 cabeças nucleares, é a grande detentora da técnica dos vants,  e não só o Brasil adquiriu lá seus três aparelhos, mas até a Alemanha utiliza vants israelenses.  Dia a dia cresce o emprego dos vants americanos que já mataram centenas de talibãs e milhares de civis afegãos e paquistaneses.  Foram empregados na guerra da Líbia e no assassínio de um cidadão do Iemem  nascido nos Estados Unidos considerado membro da Al-Qaeda. 
    Na guerra de 1914-18 a defesa contra ataques aéreos era feita por monstruosas “orelhas” para indicar a aproximação dos aviões inimigos.  Na II guerra apareceram os radares. Passou-se então ao desenvolvimento de tecnologia para construir aviões imunes aos radares russos. Durante a guerra fria, os americanos sobrevoavam o território soviético com aviões U-2, até que um foi abatido pela defesa antiaérea russa criando uma longa estória. Chegaram os vants e como sempre uma nova tecnologia tem de imediato ser desenvolvido para sua detecção e combate.
     

    19-11-2011 00:00:00

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  • Desenvolvimento municipal

    Leio em jornal que o índice FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do  Rio de Janeiro) de Desenvolvimento Municipal  (IFDM), sobre o ano de 2009,  indica a cidade de Barueri como  um oásis em termos de infra-estrutura e prestação de serviços, pelas boas condições de saúde, educação, emprego e renda.  Quanto aos Estados da Federação, São Paulo se classifica na ponta, seguido pelo Paraná e o Estado do Rio de Janeiro em terceiro. Já quanto às capitais dos estados, o município do Rio de Janeiro caiu da 5ª posição em 2007 para o 8º lugar, ficando atrás de Palmas, capital do Tocantins.
    O IFDM “consolidado” é constituído dos índices de Educação, Saúde e Emprego e Renda.  A classificação de “Alto Desenvolvimento” é concedida aos municípios que alcançam mais de 0,8 pontos; “Desenvolvimento moderado”, entre 0,6 e 0,8 pontos; “Desenvolvimento regular”, entre 0,6 e 0,4 pontos; e “Baixo desenvolvimento”, abaixo de 0,4 pontos.
     Dos 92 municípios fluminenses, 31,5% se colocam entre os 500 melhores do país. O índice de desenvolvimento do estado, entretanto, caiu em 2009 em 1,3% se comparado com o de 2007.
     Fui então procurar o site da FIRJAN para me informar sobre a posição de Armação dos Búzios e tive a pouca animadora notícia que o índice é 0,6626 (Desenvolvimento moderado), muito abaixo da média do Estado de 0,8062 (Alto Desenvolvimento) . O consolidado de Búzios é constituído na base de três outros índices: Educação 0,7405, Saúde 0,7874 e Emprego e renda 0,4807. Dos 92 municípios fluminenses, Armação dos Búzios   ocupa o  65º lugar. Os outros municípios da chamada Costa do Sol se classificaram com  posição superior a Búzios como Rio das Ostras que conquistou o 3º lugar estadual (e 135º lugar no país), com o índice de 0,8288. Niterói ocupa o primeiro lugar no estado, na frente da capital Rio de Janeiro. Já Cabo Frio ficou classificado  no plano estadual em 26º lugar e nacional 735º, com o IFDM  0,7422; Saquarema, estadual 39º e nacional 1387º, 0,7055 ; Iguaba Grande, estadual 53º e nacional 1956º, 0,6791;   Arraial do Cabo , estadual 32º e nacional 1951º, índice 0,7195;  Armação dos Búzios, estadual 65º e nacional 2286º, índice 0,6626; Araruama,  estadual  70º e nacional 2373º, índice 0,6588.
    Araruama fica emparelhado com Armação dos Búzios, com um índice ligeiramente inferior de 0,6588, mas em compensação tem um índice na Educação de 0,7504 superior a 0,7405 de Búzios. Em 2007 o município de Araruama ocupava a 1531ª posição num total de 5564 municípios, com o índice de 0,6835, enquanto Búzios estava muito melhor com classificado em 1073º  e índice  0,7094. Os dois municípios na computação total do país receberam em 2009 uma classificação inferior a 2007.
     Os dados fornecidos pela FIRJAN indicam que Búzios no ano 2000 alcançara o índice de 0,6484 (superior ao do último ano apresentado em  2009  de 0,6626); 2005  - 0,7264; 2006 - 0,6762; 2007 - 0,6446; e 2009 - 0,6226. Como explicar que a maioria dos municípios brasileiros tenha melhorado de situação, enquanto Búzios, não.   Numa análise mais minuciosa se verifica que tanto a Saúde como a Educação nesses anos apresentaram índices indicados como de “Desenvolvimento moderado”, mas é exatamente o índice relativo a  “Emprego e renda”, com sua classificação de “Desenvolvimento regular” que contribuiu para um IFDM mais fraco. A classificação de “Desenvolvimento moderado” para “Emprego e Renda” de Búzios somente foi alcançado nos anos de 2005 e 2007, caindo para “Desenvolvimento regular” nos anos seguintes de 2008 e 2009. “Emprego e renda” exigem assim atenção maior das autoridades municipais.
     

    12-11-2011 00:00:00

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  • "Uau"

    Em Cabul, capital do  Afeganistão, Hillary Clinton, Secretária de Estado do governo americano ia começar uma entrevista com o repórter da televisão CBS  quando lhe passaram um Blackberry, ouviu  a mensagem do celular gritou: “Uau” (em  inglês  escrevem “Wow”). A notícia que recebera era da morte do déspota e líder líbio Moammar Kadhafi.
    Depois da Segunda Guerra Mundial foi estabelecido ritual de levar os responsáveis  pela guerra e barbaridades a tribunais.  O generais nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nuremberg  e depois executados . Os judeus caçaram alemães responsáveis pelos crimes do holocausto, julgaram e os condenaram.
    Mas nem sempre interessa levar um ex-presidente, um ex-chefe da uma nação a um tribunal internacional. O ex-Presidente  comunista sérvio Slobodan Milosevic’  pode-se dizer que deu muito trabalho ao Tribunal Internacional, advogado, dominando várias línguas,  se defendeu aguerridamente das acusações, mas finalmente morreu antes do julgamento final. A eliminação de Kadhafi foi conveniente para os Estados Unidos e para a Europa. Tivesse ele sido preso e levado ao Tribunal Internacional o processo seria demorado e o ditador líbio teria usado de dramatização acusando de hipocrisia aqueles que antes o haviam  cortejado. A lista seria longa, a começar pelo verdadeiro “senhor da guerra” contra a Líbia, o presidente francês Sarkozy que, poucos anos antes fizera a gentileza de permitir que o ditador armasse sua luxuosa tenda nos jardins do Palais de l’Elysée, palácio presidencial francês.
    Obama anunciou com grande efeito que no fim do ano 30.000 soldados americanos no Iraque voltarão para casa. Mesmo sem os soldados, a Embaixada americana em Bagdá equivale a uma verdadeira pequena cidade com 17.000 funcionários e incluindo suas famílias é maior que a população de Búzios. Nenhum Embaixador em todo o mundo chefia uma Embaixada com essa quantidade de funcionários.  Os consulados americanos em Mossul, Basra e Kirkuk terão cada um 1.000 funcionários cada. Para fazer o que? Uma maneira de camuflar a ocupação americana, já que o governo de Bagdá recusou conceder aos GIs americanos imunidade penal. Os Estados Unidos venderam aos iraquianos 18 aviões F-16, mas terão seu próprio pessoal no Iraque para treinar os pilotos iraquianos, o controle do espaço aéreo iraquiano continuará nas mãos dos americanos.  E outros artifícios, de varias naturezas, manterão o Iraque sob controle de Washington.
    A OTAN (Organização  do tratado do Atlântico Norte), criada há sessenta anos para enfrentar o comunismo russo, pouco a pouco foi estendendo suas garras à Ásia, com a guerra no Afeganistão, e sustentando os rebeldes contra Kadhafi na Líbia. Seria uma camuflada  reocupação colonialista do Norte da África? Sua importância é estratégica para a Europa destino de 85% de sua produção de petróleo de uma reserva de  45 bilhões de  barris, a oitava do mundo e com a diminuta população de seis milhões e meio de habitantes. Será agora bem aceito pelo povo um Primeiro-Ministro que viveu a maior parte da vida fora do país e possui também cidadania americana?
    As guerras iniciadas neste século continuam se arrastando sem previsão de terminar e novas atividades militares parecem nascer como o ataque por vants (aviões não tripulados) americanos matando líderes ligados à Al-Qaeda no Iêmen.  A perda de vida de americanos desde  a guerra do Vietnam, mais no Iraque e no Afeganistão  e novas tecnologias de guerra levou o governo americano a reduzir o orçamento dos serviços de inteligência militares em favor do aumento das verbas para a CIA (Agência Central de Inteligência) para a execução   do uso de vants, como utilizados no Afeganistão e no Paquistão. Novos redutos da CIA foram criados na Etiópia e na Somália para combater o grupo Al-Shabah,  ligado a Al-Qaeda, e que domina parte do país. Obama conseguiu liquidar Bin Laden, mas tudo indica que a Al-Qaeda continua viva.
     

    05-11-2011 00:00:00

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  • Calçadas buzianas - Parte 2

    Leio que os passageiros dos navios de turismo ancorados em Búzios serão recebidos com tapete vermelho. Muito elegante, realmente, mas depois de pisarem em tapete vermelho o turista brasileiro ou estrangeiro terá de enfrentar as calçadas irregulares, esburacadas, de altos e baixos, quando existem, ou mesmo andar no meio da rua.  Quanto a praias e beleza natural, Búzios recebe nota DEZ, mas quanto a calçadas para pedestres ou ciclovias, a nota é ZERO. As autoridades municipais não se preocupam com o pedestre, seja a criança que vai à escola, a dona de casa carregada de sacolas, o velho de bengala e mesmo a cidadã e o cidadão comum que paga os impostos. Afinal se não há calçada, podem andar no meio da rua, pouco importa. O pedestre é nulo. No Centro da Cidade o turista que foi recebido com tapete vermelho não conseguirá caminhar por mais de 50 metros sem encontrar desníveis, entrada de carros, variação de altura do meio fio em relação ao pavimento da rua, buracos, montes de terra, areia ou brita, restos de obra, que permanecem por meses no mesmo lugar, sem que haja qualquer fiscalização da Prefeitura.
    Todas as cidades possuem posturas sobre calçadas, Búzios nada. Seus vinte e oito mil habitantes e os visitantes, que andem de automóvel: andar a pé é proibido na prática. Para a construção de uma casa há uma quantidade de exigências, mas sobre calçadas nada. Assim cada um faz o que quer quanto à largura da calçada, altura do meio fio, declividade, tipo de material, ou mesmo se pode deixar a calçada com terra e capim.
    No Rio de janeiro a lei 2253/2004, dispõe sobre os direitos e deveres dos pedestres. Define como pedestre toda a pessoa que utiliza as vias, passeios, calçadas e praças públicas a pé, de carrinho de bebê ou em cadeira de rodas. Patins e skates são proibidos, mas considerado como pedestre o ciclista desmontado empurrando sua bicicleta. Na Alemanha é permitido também nas calçadas triciclos de crianças até 10 anos.
    Calçadas devem ter superfície regular, contínua, firme e antiderrapante, em qualquer condição climática, executadas sem mudança abruptas de nível ou inclinações que dificultem a circulação dos pedestres.  Talvez só 1% das calçadas do município possa ser enquadrada nessa definição.  Em Florianópolis obedecem a um padrão único, qualquer que seja a largura, recobertas de lajotas de 40x40 cm e uma fileira junto ao meio fio de cor vermelha, com bolotas em alto relevo, perceptíveis ao se pisar nelas, destinadas a orientar os cegos e os distraídos.
    O que mais me impressiona é que casas recentemente construídas na principal via de Búzios, a Avenida Bento Ribeiro Dantas, não têm calçada de nenhuma espécie ou muito irregulares.  O bairro Bosque de Geribá na Administração  do Prefeito anterior recebeu várias ruas pavimentadas e passeios de pedestres construídos e uniformes (embora estreitas). É lamentável que um morador da Rua Hibisco ao reformar sua casa tenha construído uma rampa de acesso à sua garagem bloqueando a calçada. Lamentavelmente vivemos cercados de gente individualista que só busca o próprio interesse. Não posso entender como as autoridades municipais, tão rigorosas quanto à construção de moradias, permaneçam inteiramente ausentes quanto aos pedestres, crianças, adultos, idosos e todo buzianos, moradores e turistas, e que, ano após ano, não levam em consideração a necessidade de uma regulamentação e fiscalização sobre as calçadas.
    Os pedestres também sofrem para atravessar as ruas, as faixas são pouco visíveis, sendo que em diversos locais a tinta branca indicativa do local de travessia já desbotou completamente. Para cruzar a Avenida Bento Ribeiro Dantas o buziano tem de pular o estreito canteiro que divide as pistas, não há lugar nem espaço para colocar o pé. Os buzianos que se virem.

    O texto “Calçadas buzianas I”,de autoria do Colunista Alfredo Rainho. foi publicado na edição de 12/02/2010
     

    29-10-2011 00:00:00

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  • Seminário em São Paulo Fiesp realiza evento com Madaleine Albright ex-secretária de Estado dos Estados Unidos e especialista em mercados emergentes

    O “show business” está por toda a parte.  Antigamente, no século 20, convidava-se uma personalidade, um escritor, um político que deixara um cargo importante, para fazer uma palestra e a instituição organizadora do evento pagava as despesas de hospedagem ou mesmo a viagem do palestrante. A entrada para a palestra ou conferência era grátis.
    Hoje cobram para se assistir a palestra de um conferencista importante, que por sua vez cobra quantias super faturadas pela presença.  Na semana passada, a Federação das Indústrias de São Paulo deve ter gasto uma nota para ter como participantes num seminário e fazer palestras duas americanas que ocuparam posições no governo americano, Madaleine Albright, ex-Secretária de  Estado (isto é, Ministra do Exterior)  e a ex-Secretária  de Comércio Exterior, Susan Schwab, ambas relíquias do governo Clinton.  Albright, é uma extraordinária mulher, nascida na Checoslováquia, recebeu nacionalidade canadense pelo casamento e depois virou americana. Ativa e competente, falando várias línguas, inclusive russo.
    A economista Susan Schwab bateu na tecla da necessidade de Brasil e Estados Unidos trabalharem conjuntamente, nada de novo. Madeleine Albright afirmou que o Brasil já ocupa  projeção de relevo  no cenário internacional, mas para se tornar uma  potencia internacional necessita  “repartir responsabilidades fora de sua região,”  mas não esclareceu quais.  Na concepção de Albright no mundo sempre haveria uma superpotência para orientar as outras nações, acusando  mesmo a China de fugir da responsabilidade com o que chama de problemas internacionais e não atende  a “compromissos  multipolares” que beneficiariam a economia global.
    Albright herdou a Secretaria de Estado de Henry Kissinger, o alemão naturalizado americano, considerado em sua época como uma figura de prestígio no campo de a política internacional. No seu tempo os Estados Unidos se engajaram na guerra do Vietnam, que deixou dois milhões de mortos de vietnamitas e 75.000 americanos.  As florestas foram desfolhadas pelo “agente laranja”, responsável por tornar aleijadas  muitos milhares de crianças vietnamitas hoje adultos.
    Ela não parece reconhecer que o  mundo mudou bastante desde que ocupou seu importante cargo e que os Estados Unidos estão agora na berlinda pelo apoio então dado a  governos corruptos e ditatoriais, com subvenções e ajudas militares  fabulosas para se alinharem à política externa americana numa obediência fiel. Coisas do passado.  A queda do presidente egípcio Mubarak marcou o divisor das águas da nova situação. As relações com o fiel e tradicional aliado, o Paquistão, estão estremecidas em alto grau. Situações bem diversas da época em que era Secretária de Estado.
    Mostrou-se simpática ao afirmar que o Brasil tem todas as condições para pretender a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança, mas ao mesmo tempo alega que a comunidade internacional poderia rejeitar uma modificação do mesmo Conselho. Dá para entender que usa o eufemismo “comunidade internacional” no lugar de “Estados Unidos”, que de modo nenhum admite qualquer alteração no funcionamento do Conselho de Segurança que possa diminuir a posição americana. Apela para o Brasil para se juntar aos Estados Unidos em socorrer as nações falidas. Não explica que nações, se os próprios Estados Unidos se encontram em crítica situação financeira.
    Apesar de reconhecer que a Turquia e a Índia merecem um papel político mais importante nos organismos internacionais em nenhum momento se referiu à participação do Brasil no BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) causa de preocupação e desagrado do governo americano por esse  alinhamento cuja interação cresce dia a dia.
    Interessante notar que na mesma semana o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos divulgou um panfleto de 49 páginas expondo a política externa de seu governo se eleito e em que, ao analisar as relações com a América Latina, cita México e Colômbia, mas o Brasil nem é citado.
    * Madeleine Allbright veio ao Brasil no início do mês para encontrar os CEOs das principais empresas do País para expor sobre “O Papel do Brasil na Nova Geopolítica Mundial”
     

    22-10-2011 00:00:00

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  • Carretas e rebites

    Infelizmente não guardei, nem anotei o dia da coluna de um jornal carioca intitulada “Há 50 anos” com as declarações de um ministro do governo de então que com a construção de novas estradas de rodagem no país as ferrovias se tornariam desnecessárias.
    Nenhum meio de transporte em todo o mundo foi capaz de substituir e preencher o lugar de outro tipo, até hoje temos carroças e charretes puxadas por cavalos ou carros de bois e na Ásia elefantes fazem o trabalho da tração animal. Num país como o nosso com distâncias fenomenais o trem é um sistema mais racional e econômico que o transporte rodoviário,  ônibus ou  caminhão.
    Com o desenvolvimento da indústria automobilística nos últimos cinquenta anos o automóvel, o caminhão e o ônibus passaram a dominar o transporte terrestre, enquanto o aéreo se desenvolveu com várias companhias, curiosamente hoje desaparecidas como a Varig. Brasília foi criada para o automóvel e só depois de vários anos de vida se lembraram da necessidade do transporte coletivo, quando desde sua concepção linhas de trens urbanos, de superfície ou metro, deveriam ter recebido prioridade.
    Esse preâmbulo é uma justificativa para entrar no assunto principal: como as estradas brasileiras estão se tornando matadouros, depois de viajar por estradas federais e estaduais, duplicadas ou não.
    O Presidente Washington Luis Pereira de Souza, deposto por Getúlio Vargas, tinha por lema “Governar é abrir estradas”  e creio que nessa época foi construída a Rio-Petrópolis com a subida da serra cheia de curvas, moderna então, mas hoje um atraso completo. Hoje temos de esperar os mastodontes dos caminhões e carretas ocuparem toda a estrada para fazer uma curva. Consta que uma subida alternativa já está em  construção, ficamos na espera.
    As rodovias (nome criado na época de Washington Luis), desconhecido em Portugal, foram concebidas para veículos do século passado, menos velozes, de menor tamanho.  Os caminhões de então tinham dois eixos, hoje são quatro, cinco e seis. Reboques eram inexistentes, hoje os robustos caminhões arrastam um, dois e até mesmo três reboques. Um Fusca na estrada quase desaparece ao lado dos carrões esportivos e 4x4 de rodas gigantes.
    Os acidentes se multiplicam em progressão geométrica.  Outrora as colisões eram entre dois veículos, hoje qualquer acidente envolve não dois mais vários, entre automóveis e caminhões. O tráfego quintuplicou, o número de veículos idem, o tamanho (comprimento e largura) também, a potência igualmente, mas as estradas continuam as mesmas, com a mesma largura da pista de rolamento, mesmo nas duplicadas, e acostamento falho.
    Fico  atemorizado com a quantidade de carretas arrastando dois e três reboques, num comprimento de cinqüenta  (50)  metros. Nos Estados Unidos a maioria dos estados limitam a um ou dois o número de trailers ou mesmo o comprimento total do veículo e reboques  a 20 metros. Os caminhões cegonhas que transportam veículos novos têm um comprimento de 22,40 metros. Outros somente mostram a indicação de “veículo longo”. Hoje em dia os maiores acidentes nas estradas ocorrem justamente com essas grandes carretas, como já presenciei várias vezes.  Ultrapassagens perigosas são uma das maiores causas de acidentes nas estradas. Mas, não sendo técnico no assunto, como um simples motorista, creio que será importante e urgente limitar o comprimento, a extensão, dos veículos de carga, para o máximo de 25 metros e limitar a um único reboque atrelado ao cavalo motor. Enquanto isso mais acidentes, mais destruição, mais mortes.
    Em outros países há regulamentação sobre o descanso dos caminhoneiros de 30 minutos para cada 5 horas no volante. Na Europa o caminhoneiro tem de descansar 45  para cada 5 horas de direção e seu trabalho é limitado a 9 horas diárias. No Brasil não há controle e o caminhoneiro ainda e toma o “rebite”, para não dormir no volante.

    Agradeço os interssantes comentários enviados por email pelo amigo Jorge Caiado, de Lisboa, sobre “Começo do fim”:
     

    15-10-2011 00:00:00

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  • Começo do fim

    Há muitos anos assisti uma tourada no México e prometi a mim mesmo nunca mais colocar os pés numa  “Plaza de Toros”.  O mais impressionante  e bárbaro era o picador, um  mexicano parrudo, montando um cavalo resistente  de olhos vendados e  corpo protegido por mantas. A “vara”, uma lança com ponta de aço é enterrada  pelo picador no cangaço do touro.  Escorre sangue do buraco aberto no pescoço do animal.  O picador faz  mais força para a ponta da “vara” penetrar mais fundo. O touro, como  o cangote ferido, não consegue mais levantar a cabeça.
    As banderillas e toda a encenação circense têm encanto. A música também. O clima é excitante, mas no final épura matança. O toureador por vezes executa um verdadeiro balé na areia da arena. Por trás do efeito do espetáculo fica o bárbaro, trágico. A solução é torcer pelo touro.
    Os espanhóis exportaram a “corrida” para nosso continente, não pegou no Uruguai nem na Argentina, mas tem importância no México,  Venezuela, Peru, Equador  e  Colômbia.  Na Venezuela pelo menos é proibido para menores de 14 anos.  Em Paris já houve touradas há dois séculos, mas hoje são concentradas na região basca, em Bayonne, Nîmes e Arles.  LI certa vez que cerca de oitenta touradas são realizadas na França anualmente.
    No Rio de janeiro, há talvez um século ou mais, houve touradas, excepcionalmente, no estilo de Portugal, em que o touro é ferido  pela espada do toureiro, mas é poupado, sai vivo. Em Santa Catarina, embora proibido por lei, temos a tradição da  “farra do boi”, herança recebida dos imigrantes portugueses dos Açores.  Fazem maldades com o animal, mas sem  a barbaridade da tourada espanhola, ou da briga de galos.
    As touradas espanholas, além da paixão do povo, constitui uma atração importante para os carnívoros americanos e mesmo para os turistas de todo o mundo. Milhões de pesetas circulam em volta dessa atividade,  começando com  a criação dos tradicionais touros Miura. Centenas de tratados de tauromaquia já foram escritos, jornais publicam crônicas e críticas com termos especializados, de difícil entendimento, por vezes, para os não “aficionados”.
    A “corrida” pertence à cultura espanhola.  As touradas foram tema de quadros de muitos pintores espanhóis, desde Francisco de Goya  a Picasso que desenhou cenas da arena e, trabalhando no atelier de cerâmica do espanhol  Artigas no sul da França, criou uma série de  pratos de cerâmica com as fases da “corrida”. Mas, mesmo como um apaixonado, não deixava de reagir com espanto à tragédia. Uma foto, num livro, mostra Pablo Picasso, Jacqueline e o escritor e poeta francês Jean Cocteau assistindo uma tourada. Alguma coisa de impressionante ocorrera naquele momento na arena. Jacqueline leva as mãos à boca, a expressão de Picasso é de espanto  e atenção, enquanto  a de Cocteau  demonstra horror e surpresa .
    É realmente quase inacreditável que as “corridas” possam vir a desaparecer na Espanha.   Não sei  se  há movimentos  para abolição de touradas nos outros países.  Depois  de seiscentos anos de tradição, o parlamento regional da Catalunha aprovou uma petição dos movimentos anti-touradas para proibi-las  no fim do ano de 2011, embora sejam permitidas outras  espécies de jogos com touros.  O pintor espanhol Barcelo se tornou nos últimos anos o grande especialista de quadros de touradas. Seus quadros valem fortunas. Lançou um pôster com o fim das corridas em Barcelona que virou um sucesso e teve uma impressão de muitos milhares, sendo disputado por todos os aficionados  espanhóis.  O dia 25 de setembro de 2011 ficará marcado na história de Barcelona como a da última tourada e fechamento  de um de seus orgulhos :  a “Plaza de Toros  Monumental”.
     

    09-10-2011 00:00:00

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  • Coragem e sinceridade

    A primeira ministra da Eslováquia, uma loura balzaqueana de cabelos compridos chamada Iveta Raditchova, no seu discurso na 66ª Assembléia  das Nações Unidas em Nova York, representando  seu país, referiu-se expressamente à Presidente  Dilma  na inauguração da sessão em que pediu “coragem e sinceridade” para as relações internacionais.  A primeira ministra eslovaca também afirmou que a mulher vem cada vez mais desenvolvendo um “maravilhoso  papel” na política.
    A Presidente do Quirguistão, com sua face arredondada, um pouco mongólica, de nome Roza Otunbayana, na mesma tribuna, na véspera, dedicou parte de seu discurso ao progressivo papel da mulher na condução da direção  no governo de seus países e realçou o fato da Assembléia Geral ter sido aberta pela primeira vez por uma mulher, a Presidente do Brasil.  Eslováquia e Quirquistão são países pequenos,  um no  centro da Europa e outro na Ásia, encostado na China, ambos com uma diminuta população de cerca de seis milhões de habitantes, mas são dois exemplos da excelente impressão deixada pela Presidente brasileira.
    Anos atrás mulher podia ser rainha, mas presidente de um  país republicano, eleita, não era concebível. Na América Latina, a Argentina já teve como Presidente Isabel Perón e agora Cristina de Kirchner, assim como o Panamá , a Costa Rica e recentemente  o Chile com  Michelle Bartelet.  Na Europa, Finlândia, Irlanda e atualmente a Suíça.  Vários outros países elegeram mulheres como primeiro mandatário e outros como Primeiro Ministros, como foi o caso de Indira Gandhi na Índia, a feia israelense Golda Meir,  Simirava Bandaranaike, que por três vezes  governou o Ceilão,  e hoje a alemã Angela Merkel.  A única mulher que serve para enfeitar um governo, mas pouco manda, é a Rainha Elisabete da Inglaterra.
    A Assembléia Geral da ONU anualmente apresenta um grande show com a presença e discursos da grande maioria de chefes de estado.  Mas é tudo, depois morre. A força política da ONU é sustentada principalmente pelo Conselho de Segurança na mão dos cinco países que detêm o poder do veto e suas cadeiras cativas.  Nos passos do  ex-Presidente  Lula, Dilma justificou a urgente necessidade de uma reforma da ONU, começando pelo Conselho de Segurança que, passados sessenta nos de sua criação, não corresponde às necessidades do mundo atual. Os Estados Unidos se opõem tenazmente contra qualquer alteração do estatuto do Conselho de Segurança e mesmo da ONU, receosos de perder seu grande poder, principalmente agora que começam a reconhecer que o imperialismo americano iniciou a descida da ladeira.
    O discurso de Dilma teve grande impacto sobre nações fora da primeira linha de países exatamente por que são estas que melhor compreendem e exigem a necessidade da reforma da ONU. Ao analisar a crise financeira Dilma usou de uma linguagem direta ao se referir aos 44 milhões de desempregados na Europa e 14 milhões nos Estados Unidos e 200 milhões em todo o mundo. Os países ricos vivem querendo dar lições e ensinar economia aos países emergentes, mas no momento atravessam crises financeiras e assim é chegado o momento de procurar novas idéias e soluções fora do tradicionalismo no que o Brasil e países em desenvolvimento podem proporcionar.
    Como já era esperado o tema mais importante de discussão nesta Assembléia Geral da ONU é o pedido de admissão da Palestina como o 194º estado-membro da ONU e seu reconhecimento como  país independente.  Mais de cento e vinte membros da ONU já reconheceram oficialmente a Palestina. A Presidente Dilma inicialmente felicitou o Sudão do Sul por ser admitido como o 193º estado-membro da ONU, acrescentando que esperava que a Palestina se juntasse às Nações Unidas como o novo estado-membro. Marcou posição para o reconhecimento da Palestina por ser a primeira oradora abrindo a Assembléia Geral. 
     

    01-10-2011 00:00:00

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  • Ainda a Cultura

    Transcrevo abaixo artigo publicado em 19 de fevereiro de 2005, na minha coluna “Búzios em movimento”, do Jornal Armação dos Búzios. Com algumas alterações, o texto não perdeu a atualidade. 
    ‘Na introdução de seu ensaio intitulado “Cultura e Desenvolvimento”, apresentado pelo pintor e escultor Fernando Naxcimento aos candidatos a Prefeito, no ano passado, escreve ele: “As diferenças entre regiões, localidades, cidades, entre gerações e entre grupos sociais são, sobre tudo, diferenças culturais. “É preciso deixar de considerar o desenvolvimento cultural como um luxo supérfluo e reconhecê-lo como um motor de desenvolvimento econômico e cultural.’
    Uma das primeiras manifestações da cultura buziana foi o Festival de Cinema, criado e organizado por Mario Paz, com patrocínio de uma multinacional. As esculturas em madeira de Mudinho estão espalhadas por vários colecionadores e até hoje não foi criado um espaço especial dedicado ao artista buziano, como é o caso da Casa José do Dome, de Cabo Frio. Antônio Câmara, o Toninho Português, conseguiu como Secretário de Cultura, em pouco tempo e sem dinheiro, realizar festivais de teatro estudantil, atividades circenses e criar uma escola de Música, a Villa-Lobos, que cresce dia a dia.
    Quando comparamos o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura de Búzios com a de municípios vizinhos, ficamos em triste situação. A Casa de Cultura de Araruama desde muitos anos tem atividade fértil, o Centro Cultural Manoel Camargo de Arraial do Cabo, a Charitas e o Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio, mais a Casa de Cultura de Rio das Ostras, todas essas entidades culturais têm uma importância relevante na região. Meu contato com essas instituições foi direto, em todas tive oportunidade de expor meus trabalhos de cerâmica. Pode-se alegar que são municípios mais antigos, mas isso não justificaria Búzios patrocinar somente um festival de cinema e shows de música popular.
    No Brasil a improvisação muitas vezes é a grande norma, mas educação e cultura são concepções sérias demais que não permite improvisação. É fácil ter um projeto, uma idéia, uma sugestão, mas esse projeto deve ser bem estudado e analisado.
    A Associação de Arte e Cultura de Búzios, que reúne artesãos, artistas, músicos e toda uma gama de operários da cultura, preparara, em junho do ano passado, um documento intitulado “Formulação de uma Política Cultural” para apresentação aos candidatos a Prefeito. Documento conciso (candidatos são sempre muito ocupados) que passo a citar somente os assuntos estudados.
    Aspectos Culturais: 1. Levantamento das disponibilidades culturais;  2. Calendário cultural 3. Valorização do artista local; 4. Conselho de Cultura; 5. Museu da Cidade; 6. Casa da Cultura
    Aspectos Sociais: 1. Captação de recursos e incentivos à exportação; 2. Divulgação nacional e internacional; 3. Turismo cultural; 4. Valorização da Feira de Artesanato da Praça Santos Dumont; 5. Intercâmbio com outras cidades brasileiras e estrangeiras.
    O documento da Associação de Arte e Cultura de Búzios apresenta pontos comuns com o estudo de Fernando Naxcimento. Ambos documentos pedem a criação de um Conselho de Cultura que, nas palavras da Associação, seria “composto de representantes voluntários de vários segmentos da sociedade buziana ligados à cultura” que teria caráter independente da Secretaria de Cultura e cabendo opinar sobre a política cultural, trabalhando juntamente com o Secretário de Cultura, avaliando projetos e fazendo sugestões no campo da Cultura.
    Fernando Naxcimento escreve: “Um Conselho de Cultura sem vínculo empregatício, ligado à Secretaria de Cultura, formado por representantes da cultura buziana. Órgão consultivo com a responsabilidade de determinar a excelência da produção artística e cultural de mobilizadores culturais buzianos por meio de um Selo de Qualidade Cultural, para capacitá-los, juntamente com os diversos órgãos da classe (Associação de Arte e Cultura, Associação dos Músicos, etc.) a gozar dos benefícios da BAB e de outras iniciativas de fomento e incentivo da municipalidade. O Selo de Qualidade Cultural será uma marca de excelência para os produtos feitos em Búzios. O Conselho de Cultura também terá voz na avaliação dos diversos projetos e eventos que aportarem na Secretaria de Cultura.”
     

    24-09-2011 00:00:00

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  • Harakiri

    No Japão antigo, um samurai, derrotado na batalha, cometia o harakiri, abrindo a própria barriga, da esquerda para a direita e de um lado ao outro, com uma adaga especial. O código de honra Bushido do tempo dos shoguns prescrevia um complexo ritual para o ato: roupagem especial, assistência de auxiliares,  terminando pela decapitação por uma espada executada por um assistente.
    A desonra hoje em dia não é levada tão a sério. O harakiri proibido por lei desde o século XIX é ainda praticado eventualmente como, em 1970, pelo famoso escritor Yukio Mishima.
    O Presidente Getúlio Vargas se sentiu traído por assessores em que confiava plenamente. Retirar a própria vida por uma questão de honra hoje em dia se tornou coisa rara. O suicídio de Getúlio Vargas é caso único, apesar de ter sido uma figura discutível seu papel no desenvolvimento do país foi marcante. Respeitassem os brasileiros as questões de honra na vida política não seriam poucos os que deveriam ter cometido harakiri. É mais fácil responsabilizar os outros pelas coisas erradas, ou até o sol e a chuva. Confessar as falhas é coisa rara e praticar o harakiri fora de cogitação, os políticos se apegam aos cargos e se consideram acima de todos os outros mortais.
    Colin Powell, general de quatro estrelas, “afro-americano”, foi Chefe do Estado Maior das Forças armadas americanas e, de 2002 a 2005, Secretário de Estado do governo do Presidente do George Bush, chefe da política externa americana.
    No auge da crise com o Iraque, na tribuna da ONU, pronunciou um  discurso histórico em que exibiu fotografias de caminhões com reboques iraquianos afirmando serem laboratórios móveis para a produção de “armas biológicas”, acusou o ditador iraquiano Saddam Hussein de dispor de um arsenal de armas de destruição em massa e que bastariam 45 minutos para o acionamento desse potencial bélico.  A performance de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU, no dia 27 de maio de 2003, apavorou mundo e resultou de imediato no ataque anglo-americano ao Iraque. Mais de cem mil civis, crianças, mulheres, iraquianos foram mortos e continuam morrendo, para uns poucos seis mil soldados americanos. Saddam Hussein morreu na forca e perdida muito da tradição histórica da antiga Babilônia. 
    Nada foi encontrada as armas de destruição em massa. Até o caminhão fotografado pelo serviço secreto americano e mostrado no discurso do Conselho de Segurança por Colin Powell ficou provado ser um inofensivo veículo que não continha nenhum laboratório de “armas biológicas”. 
    Somente agora, passados anos, o general reformado Colin Powell, num extraordinário gesto faz sua mea culpa, e admite: “Ficou provado, como descobrimos mais tarde, que um monte de fontes que tinham sido confirmadas pela comunidade de inteligência eram erradas.” Os serviços de inteligência americana não se limitam a uma só organização, a CIA, a mais cara do mundo,  contam com serviços de informação das forças armadas (exército, marinha, aviação) e colaboração dos serviços de informação de países amigos. Incompetência de avaliação das informações? Não, o ataque ao Iraque estava já armado, o objetivo era o petróleo de Saddam Hussein.
    Ato raro para um general que foi uma importante figura  do governo George Bush ao confessar ter falhado. Já o presidente não se desculpou e o então primeiro ministro britânico de então, George Blair, continua sustentando, como fez em suas memórias publicadas recentemente, a legitimidade de suas ações. Blair é investigado por uma comissão em seu país de ter agido sem autorização do Parlamento no apoio incondicional a George Bush na invasão do Iraque.
    Talvez se Colin Powell fosse um samurai do antigo Japão defenderia sua honra cometendo o harakiri.  Um George Bush,  nem pensar. Colin Powell permanecerá na história americana como o Secretário de Estado que se demitiu por discordar da orientação do governo. Foi coerente em suas ações.
     

    17-09-2011 00:00:00

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